Notas iniciais
Olá! Sei que basquete é meio que uma coisa de nicho no Brasil. O feminino então, nem se fala. Mas resolvi postar aqui pq quem sabe aparece alguma fã do fenômeno Caitlin Clark. Se vc for uma fã, não deixe de comentar (mesmo que ache a fic ruim. kkkkkkkkkkk). Boa leitura!

Era uma noite de Outubro em Indiana.

No Gainbridge Fieldhouse, cenas de caos tomavam conta do ginásio. Pessoas invadindo a quadra a passos largos produzindo um barulho ensurdecedor. Nada poderia pará-las.

Poderia ser facilmente um caso de polícia...se o caos não tivesse um significado positivo.

Após 13 anos, o Indiana Fever voltava ao topo da WNBA, coroando uma virada de chave impecável. O fim da temporada passada havia sido desastroso e por isso, a equipe precisava de algo novo para dar a volta por cima. O que os torcedores e a imprensa não esperavam é que esse "novo" seria algo bem inusitado.

Chris Casamassa era um renomado artista marcial nos Estados Unidos. Perito em karatê e vencedor de diversos torneios, ele estava no auge. Porém, estava cansado e queria fazer algo diferente. Apreciador de basquete nas horas vagas, acabou sendo recomendado por uma amiga para a General Manager do Fever que, sem outras opções no mercado, assumiu os riscos.

8 meses depois, o pagamento não poderia ser melhor.

Com uma abordagem básica, mas eficiente e um carisma impecável, Chris ganhara a confiança e o respeito do elenco. Praticamente todas as jogadoras evoluíram sob seu comando. No jogo decisivo da final, sete das nove atletas que jogaram a partida finalizaram pelo menos com 10 pontos. O jogo coletivo era temido por todos os times adversários. Jogadoras que pareciam em fim de carreira foram recuperadas e tiveram papeis marcantes durante a caminhada.

Aquele era o time de Kelsey Mitchell.

De Odyssey Sims.

De Sophie Cunningham.

De Lexie Hull.

De Aliyah Boston.

E principalmente...era o time de Caitlin Clark.

Um dos maiores fenômenos recentes a pisar em uma quadra de basquete, Clark desabrochara na parceria com o técnico novato que soube como ninguém, extrair o melhor dela. Ela era a sua capitã, a sua principal voz na quadra. Sua média de pontos quase dobrou e seus tiros de 3 pontos se tornaram cada vez mais letais. Foi eleita MVP de forma unânime.

Nas fases decisivas, até os melhores dias de suas adversárias eram ofuscados. Nenhuma delas conseguiu pará-la.

Ela estava no auge.

E estava feliz.

Suas companheiras de time não deixaram de notar este último detalhe. E todas acreditavam que ela nutria fortes sentimentos pelo seu treinador. E não era para menos. Chris era um dos técnicos mais aclamados pelas torcedoras. Era respeitoso e atencioso com todas, além de ter uma beleza não muito comum de se encontrar em outros técnicos da liga.

O caos feito pela torcida continuava a todo vapor. As jogadoras mal conseguiam caminhar pela quadra. Eram abordadas e abraçadas por pessoas em êxtase pela conquista. Obviamente, Caitlin era a mais requisitada entre elas. Porém, mesmo em meio a aquele turbilhão de pessoas, ela notara algo estranho: Chris não estava mais lá. Será que ele conseguiu se abrigar no vestiário antes da "onda de pessoas" atingir a quadra? Pouco a pouco, a estrela do Fever conseguiu acesso ao túnel que levava aos vestiários, na esperança de encontrar o seu treinador.

Ao abrir a porta, uma surpresa: ele também não estava lá.

Como o Indiana jogou em casa, ele ainda poderia estar na sua sala, onde costumava a receber as jogadoras para longas e agradáveis conversas. Provavelmente era o último lugar possível para ele estar.

Durante o trajeto, vários pensamentos passaram pela sua cabeça. Em um deles, a lembrança de um comentário de Lexie. Ela contou que um dia, enquanto passava pelos corredores do ginásio, acabou ouvindo Chris dizer ao seu assistente técnico e amigo de infância Hakim, que parecia sentir algo diferente quando estava perto de Caitlin. Ela queria ter a chance de agora, com a temporada finalizada, ter uma conversa sincera com ele sobre isso e quem sabe, ter outro final feliz esta noite.

Menos de um minuto depois, ela estava de frente para a sala dele, que estava aberta...e vazia. Apenas uma coisa estava em cima da mesa: um notebook, aberto e com a imagem de Chris congelada em um vídeo.

Sempre curiosa, Caitlin se aproximou do pequeno computador de mesa e apertou a barra de espaço, dando início ao vídeo.

"Oi, MVP.

Se você chegou até aqui, significa que a temporada acabou e conseguimos o título ou infelizmente perdemos. Prefiro acreditar na primeira opção. E por isso mesmo quero lhe dar os parabéns. Sua evolução foi notável. Você se tornou a jogadora que todos os torcedores e a imprensa esperavam. O mundo agora conhece Caitlin Clark e eu estou orgulhoso disso. Você e as meninas foram estupendas. Merecem todos os cumprimentos.

E por falar nas meninas...eu ouvi uns comentários por aí dizendo que você tinha um crush em mim. Se isso for verdade, só posso dizer...que o sentimento é mútuo. As suas rivais dizem que você não passa de uma garotinha mimada e abraçada pela mídia. Mas eu penso diferente. Desde o primeiro dia de treinamento até os últimos minutos antes da final, tudo o que eu vi foi uma mulher forte, corajosa, talentosa e com um sorriso avassalador. Um sorriso que jamais vou esquecer.

Você e as meninas foram fortes durante toda a temporada.

Mas eu falhei.

Falhei por não conseguir espantar um fantasma de cinco anos atrás. Um fantasma que gerou cicatrizes profundas e doloridas até hoje. E essas dores estão acabando comigo. Não posso mais ficar com o time.

Não posso ficar com você.

Você merece uma pessoa que tenha a mesma força sua, uma pessoa que possa te fazer ser a mulher mais feliz do mundo não apenas esta noite, mas para sempre.

E eu não sou essa pessoa. As últimas forças que eu tinha, usei para ajudar vocês nessa caminhada. Agora, conto com todas para continuar essa evolução.

Saiba que independente de onde eu estiver, estarei torcendo por todas. Fever para sempre!

Se cuida, Caitlin..."

O silêncio que ecoara na sala depois das últimas palavras de Chris foi rasgado apenas por um som: o da garrafa de champagne que estava na mão de Caitlin, se despedaçando no chão.

O chão que sustentava suas pernas cansadas parecia não existir.

Com os lábios entreabertos, a única reação que o seu cérebro conseguiu assimilar foi de fechar os olhos lentamente e deixar uma amarga e dolorosa lágrima descer pelo seu rosto.

Aquela tinha tudo para ser a noite mais feliz da sua vida. Ela havia conseguido o troféu que é o sonho de qualquer jogadora profissional.

Porém, ela acabou precisando pagar um preço.

O mais caro deles.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!