O preço da Coroa Amor ,Sedução e ilusão

17 Promessas de Ouro e Brindes de Inverno



​A Catedral de Santo Estêvão amanhecera vestida de glória. Flâmulas com os brasões da Áustria e da Casa de Blackwood oscilavam suavemente na brisa fria de Viena, enquanto os sinos monumentais de bronze dobravam em um ritmo festivo, ecoando por toda a capital. No interior do templo, centenas de velas de cera de abelha iluminavam os vitrais coloridos, derramando feixes de luz rubi, esmeralda e dourada sobre a nave lotada pela alta nobreza europeia.

​Aos pés do altar entalhado em carvalho secular, Sebastian aguardava. Trajava um suntuoso uniforme militar de gala, em tom azul-noite, com botões de prata e a faixa de veludo da Ordem de Suffolk cruzando seu peito. Embora mantivesse a postura ereta e a imponência digna de um duque inglês, suas mãos levemente inquietas nas luvas brancas traíam o nervosismo genuíno.

​Ao seu lado, Stefan e Bárbara sorriam radiantes, saboreando o triunfo social, enquanto Thomas, disfarçado entre os criados de honra no fundo da catedral, limpava discretamente uma lágrima do canto do olho com o lenço.

​Um silêncio reverente tomou conta da catedral quando as pesadas portas de carvalho se abriram por completo.

​Ao som triunfal do órgão e dos violinos imperiais, Claire surgiu no corredor principal, conduzida por Richard. A jovem rainha estava deslumbrante. Usava um vestido de cetim marfim impecável, com corpete bordado à mão em fios de ouro e pérolas de água doce. A cauda de veludo estendia-se por metros sobre o mármore, e a histórica tiara de diamantes da coroa austríaca sustentava um véu de renda tão fino quanto a névoa matinal.

​Richard, vestindo o uniforme de gala sueco, caminhava a passos lentos ao lado da irmã. Ao alcançarem o altar, o rei fez uma pausa e encarou Sebastian por um breve e denso segundo.

​— Estou lhe entregando o tesouro mais valioso desta terra — murmurou Richard, a voz baixa, mas firme. — Cuide dela.

​— Com a minha própria vida, Majestade — respondeu Sebastian, olhando no fundo dos olhos do cunhado com uma sinceridade absoluta.

​Richard assentiu com um leve aceno de cabeça, entregou a mão de Claire a Sebastian e ocupou seu lugar ao lado de Genevieve, que acompanhava tudo com um sorriso emocionado.

​Quando as mãos de Claire e Sebastian se tocaram, o nervosismo do noivo dissolveu-se instantaneamente. Ele a encarou fascinado, sussurrando para que apenas ela ouvisse:

​— A senhora está terrivelmente perigosa hoje, Vossa Majestade. É uma covardia me encarar com toda essa beleza.

​Claire soltou um riso contido por trás do véu, os olhos verdes brilhando.

​— Mantenha o foco, Lorde Suffolk. Temos um reino inteiro nos assistindo.

​O Arcebispo de Viena deu início à celebração solene, entoando as orações em latim que ecoavam pelas abóbadas da catedral. Quando chegou o momento das promessas, Sebastian segurou firmemente as mãos de Claire, o tom de voz grave e aveludado preenchendo o silêncio do templo:

​— Eu, Sebastian Blackwood, aceito você, Claire Mackenzie, como minha esposa e minha rainha. Prometo ser a sua força quando o fardo da coroa for pesado, o seu porto seguro nas tempestades e o seu companheiro leal em cada dia da nossa jornada. Sem máscaras, sem jogos... apenas com o meu amor verdadeiro.

​As palavras de Sebastian fizeram os olhos de Claire marejarem. Ela respirou fundo, o sorriso desabrochando com pureza enquanto pronunciava seus votos:

​— Eu, Claire Mackenzie, aceito você, Sebastian, como meu marido e meu igual. Prometo honrar o seu coração, confiar na sua lealdade e caminhar ao seu lado não apenas como soberana, mas como a mulher que aprendeu a amar a sua alma.

​Com a troca dos anéis de ouro selados com o brasão real, o arcebispo proclamou a união:

​— Pela autoridade conferida pelos céus e pela vontade deste povo, eu vos declaro marido e mulher. O que Deus uniu, homem nenhum separe.

​Sebastian não esperou a permissão formal da corte. Ele ergueu o véu de Claire com delicadeza e a puxou pela cintura, selando a união com um beijo apaixonado e profundo. A catedral explodiu em aplausos entusiasmados, liderados pelos parlamentares e pela nobreza, enquanto os sinos dobravam com ainda mais força lá fora.

​À noite, o Grande Salão de Festas do Palácio de Hofburg transformou-se no palco de um banquete nupcial inesquecível. Centenas de lustres de cristal iluminavam as longas mesas fartas com assados opulentos, torres de marzipã, doces finos e rios do mais puro champanhe e vinho austríaco.

​A orquestra imperial tocava valsas animadas, e o clima solene da igreja deu lugar a uma festividade vibrante e levemente caótica.

​Na mesa de honra, as conversas fluíam com vivacidade. Stefan Blackwood comemorava com o Conde von Wertheim, gesticulando sobre os novos acordos comerciais entre a Inglaterra e a Áustria, enquanto Bárbara conversava animadamente com Genevieve sobre as últimas tendências da moda de Paris.

​Em determinado momento, Richard ergueu sua taça de cristal, fazendo o tinir do metal chamar a atenção de todo o salão. O silêncio instalou-se para o brinde oficial.

​— Um minuto da atenção de todos! — pediu o Rei da Suécia, mantendo a postura ereta. Ele olhou para o casal na cabeceira. — Aos meus nobres amigos e ao povo da Áustria... Devo confessar que o Duque de Suffolk testou a minha paciência como nenhum outro homem jamais conseguiu nesta corte.

​Uma onda de risos abafados percorreu o salão, e Sebastian sorriu, erguendo a taça em tom de deboche cordial.

​— No entanto — continuou Richard, o olhar suavizando-se —, ver o sorriso e a luz que voltaram aos olhos da minha irmã é a única prova de que preciso. Sebastian, você provou ser o homem que Claire merecia. À Rainha Claire e ao Duque Consorte Sebastian! Que esta união traga paz, prosperidade e vida longa à Áustria!

​— À Claire e Sebastian! — bradou o salão em coro, todos erguendo suas taças em uma salva de palmas estrondosa.

​Conforme a noite avançava e a bebida fluía, a festa tornou-se ainda mais descontraída. O jovem duque, já sem a casaca do uniforme e com o colarinho levemente desabotoado, puxou a esposa para o centro do salão para liderar a valsa dos noivos.

​Claire ria abertamente enquanto Sebastian a girava com maestria pelo salão iluminado, a cauda do vestido rodopiando no ritmo da música.

​— Acha que o seu irmão vai finalmente parar de me encarar como se quisesse mandar me executar? — brincou Sebastian no ouvido dela, enquanto a trazia bem para perto pela cintura.

​— Nem pense nisso — zombou Claire, apoiando a mão no ombro dele. — O olhar de vigilância do Richard é a garantia de que você vai continuar se comportando como o marido perfeito.

​— Eu não preciso da ameaça de um rei sueco para ser o marido perfeito, minha rainha — murmurou ele, o olhar castanho queimando com o mesmo calor que a conquistara. — A recompensa de ter você em meus braços já é mais do que suficiente.

​O banquete seguiu pela madrugada adentro com risos, danças, música e um sentimento renovado de esperança que varria a tristeza do palácio. O jogo de sedução e poder chegara ao fim, dando lugar ao início de um novo reinado construído sobre o amor genuíno.