O preço da Coroa
19 O Trono de Espinhos
O amanhecer no Castelo Mackenzie não trouxe a paz, mas o prenúncio de uma humilhação pública que mudaria o destino de todos. Dhorwack, consumido por uma mistura de dever político e uma obsessão sombria por não perder a única mulher que o desafiara, tomou uma decisão drástica.
O Grande Salão estava lotado. Nobres, generais, o Arcebispo e a Baronesa Genevieve ocupavam seus lugares à mesa de carvalho. O silêncio era absoluto quando as portas se abriram.
Dhorwack entrou com passos pesados, mas o que chocou a todos foi a mulher que ele trazia pelo braço, presa por um aperto de ferro. Malya não vestia seda, mas sim o seu traje de camponesa do dia anterior, amassado e sujo de cinzas. Seu rosto estava pálido de fúria, os olhos verdes transformados em duas pedras de gelo.
O Rei a forçou a sentar-se na cadeira à sua direita — o lugar que, por direito, deveria ser da futura Rainha.
— Majestades, nobres e representantes de Roma — a voz de Dhorwack ecoou, fria e cortante como o vento do Norte. — Conforme as exigências da Igreja, eu anuncio o meu casamento com a Baronesa Genevieve de Valois. O contrato será assinado e o trono terá sua estabilidade.
Um murmúrio de aprovação percorreu a sala, e Genevieve sorriu vitoriosa. Mas o sorriso dela morreu no segundo seguinte.
— No entanto — continuou Dhorwack, batendo o punho na mesa —, todo rei tem direito a seus prazeres e lealdades privadas. Roma quer uma Rainha no altar, e eu a darei. Mas Mackenzie terá uma favorita.
Ele colocou a mão possessivamente sobre o ombro de Malya. A jovem estremeceu de ódio, tentando se desvencilhar, mas ele a manteve presa.
— Malya do Oeste não é mais uma criada deste castelo. Ela é a minha amante oficial. Ela comerá à minha mesa, dormirá nos meus aposentos e terá a minha proteção pessoal. Qualquer insulto dirigido a ela será considerado um insulto à coroa. O Rei Mackenzie tem sua Rainha para a política, mas tem a sua mulher para a vida.
O escândalo foi imediato. O Arcebispo levantou-se, horrorizado.
— Isso é uma abominação, Majestade! Uma camponesa sentada ao lado do trono como uma concubina oficial?
— Roma pediu um casamento, e eu darei um casamento — retrucou Dhorwack, os olhos fixos nos de Malya, que o olhava com um desprezo mortal. — O que eu faço entre os meus lençóis é assunto do meu coração, não do Papa.
Malya, incapaz de conter o veneno que subia por sua garganta, levantou a taça de vinho e a jogou no chão, o vidro estilhaçando-se aos pés de Dhorwack.
— Você não me deu proteção, Dhorwack — ela disse, a voz trêmula de raiva, audível para todo o salão. — Você me deu uma coleira. Você acabou de me transformar no alvo de cada nobre nesta sala e na vergonha do meu próprio povo. Você não é um rei... você é um sequestrador que usa uma coroa.
O ódio entre os dois era palpável, uma chama que ameaçava queimar o palácio inteiro. Dhorwack a olhou de volta, sem arrependimento. Se ele não podia ter o amor dela, ele teria a sua presença, nem que fosse em uma prisão de ouro.
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