O preço da Coroa

18 A Prisão de Vidro


O som do avental atingindo o rosto de Dhorwack foi o estopim. Malya se virou para a porta, as mãos trêmulas de ódio, mas antes que pudesse tocar a maçaneta, sentiu o braço ser puxado com uma força que a fez girar.

​Dhorwack a prensou contra a madeira pesada da porta. Seus olhos, antes gélidos, agora queimavam com um desespero possessivo que Malya nunca tinha visto.


​— Você não vai a lugar nenhum! — rojou o Rei, a voz vibrando contra o peito dela.

​— Me solta, seu covarde! — Malya tentou empurrá-lo, as unhas cravando-se nos braços dele. — Vá para a sua Baronesa! Vá ser o fantasma que Roma quer que você seja!

​Dhorwack não recuou. Ele trancou a porta com a chave de ferro e a guardou dentro da túnica, seu rosto a centímetros do dela.

​— Escute bem, Malya do Oeste. Eu aceito a coroa de Genevieve para manter os exércitos de Roma longe dos seus portões, mas eu não aceito perder você. Você acha que eu vou deixar você voltar para aquele vilarejo, para os braços de outro, ou para ser usada como refém contra mim? — Ele a segurou pelos ombros, a voz baixando para um sussurro perigoso. — Você entrou na minha vida e me fez sentir o sangue correr de novo. Eu não vou deixar você sair.

​— Você quer me transformar em quê? — ela cuspiu as palavras, as lágrimas de fúria manchando seu rosto. — Em uma amante escondida nas sombras enquanto ela se senta no trono? Eu prefiro a morte, Dhorwack!

​— Você será minha! — ele sentenciou, a obsessão nublando seu julgamento. — Se eu tiver que ser o vilão desta história para manter você viva e ao meu lado, que assim seja. Você ficará nestes aposentos. Ninguém entra, ninguém sai. Até que eu resolva como calar o Arcebispo e como lidar com aquela víbora da Genevieve.

​Malya soltou uma risada amarga, encostando a cabeça na porta.

— Você está me transformando em uma prisioneira. Você é igual a todos eles. O trono realmente corrói tudo o que toca.

​Dhorwack se afastou, olhando para a bagunça de mapas e cálices no chão. Ele parecia um homem em meio a um naufrágio, tentando segurar a única coisa que restava.

— Chame do que quiser. Mas você está segura aqui. Amanhã, o castelo acordará com o anúncio do noivado, mas esta noite... esta noite você ainda é a única verdade que eu tenho.

​Ele caminhou até a janela e chamou os guardas de elite de sua total confiança, ordenando que ninguém se aproximasse da ala real sob pena de morte. Malya sentou-se no chão, abraçando os joelhos, olhando para o homem que ela amava e odiava na mesma medida.

​O Rei Mackenzie tinha garantido o seu reino por mais uma semana, mas tinha acabado de iniciar uma guerra dentro do próprio coração.