O príncipe perdido
13 Capítulo 13 – O desafio final:
Notas iniciais
...
O dia seguinte não foi muito diferente do anterior. Nós ficamos fazendo alongamentos e aquecimentos por algumas horas e depois fomos treinar com as armas.
– Bom, acho que hoje devemos treinar com o arco. – disse Jake pegando um arco grande. – Matthew, você começa.
Matthew pegou o arco, e a arma que parecia ser levíssima nas mãos de Jake, parecia pesar uma tonelada nas mãos dele.
Ele levantou o arco. Certamente a sua postura estava errada, mas pelo menos os braços estavam estendidos de forma certa.
– Abaixe um pouco o cotovelo, estique as costas e coloque os ombros mais para trás. -Eu disse surpreendendo a todos, inclusive a mim mesma.
Matthew me olhou perplexo por um tempo, mas depois disso ele fez tudo o que eu havia dito.
A flecha parou bem perto do centro.
– Muito bem. – disse Jake. – Parece que você é bom com as armas.
– Vamos ver como você se sai Mikayla. – Disse Sarah me entregando um arco menor.
Levantei o arco. Não era pesado, parecia ser feito de madeira.
Mirei no meio e estiquei a linha, puxando a flecha também. A flecha parou no meio exato do alvo. Fiquei boquiaberta. Eu era boa em alguma coisa!
– Uau! Você foi... Incrível! – disse Jake. – Onde aprendeu a atirar desse jeito?
– Eu... não aprendi.
Sarah parecia enciumada. Eu ainda não entendia a relação dos dois.
...
Os dias foram se passando e a cada dia as horas de nossos treinos aumentavam.
Matthew parecia ser bom em tudo. Ele simplesmente sabia usar todas as armas, fosse qual fosse.
Jake e Sarah me ensinaram a usar a adaga, mas eu não era boa de verdade. A única arma que eu sabia usar direito era o arco.
– Acho que vocês estão prontos para o nosso teste final. – disse Jake enquanto treinávamos, cada um com a arma na qual era melhor.
Matthew usava a espada. Eu usava o arco e a flecha e Bondino usava um machado não muito grande.
– Cada um já sabe a arma em que é melhor, então estão prontos pra enfrentar o desafio... – disse Sarah.
– Vão descansar agora. E preparem-se para hoje à noite... – Jake riu. – Até mais!
...
Da janela do meu quarto eu já podia ver a lua começar a aparecer. Em breve seria noite.
A Rainha havia me dado uma roupa muito parecida com a que nós costumávamos usar nos treinos, mas essa era aveludada e mais quente. Ela disse que fazia muito frio aonde nos íamos.
Sai do meu quarto pronta, mas não completamente. Apesar de estar lavada e vestida, meu coração batia acelerado e meu cérebro borbulhava pensando no que poderia ser esse tal... “desafio”.
– Está pronta, Mikayla? – perguntou Matthew me encontrando no corredor.
– Acho que sim... E você?
– Também. Onde está o Bondino?
– Não sei... Não o vi.
De repente o corredor começou a tremer. De uma das portas, o bode saiu, a fechando rapidamente logo atrás de si.
Ele respirava ofegante.
– O que aconteceu? – perguntei assustada.
– Ahn... Não é nada! Não se preocupem! Vamos! – disse Bondino nos empurrando para a escada.
Olhei para Matthew, confusa. Ele parecia não entender tanto quanto eu.
...
Depois de encontrar Jake e Mikayla, eles nos levaram até o topo de uma colina. Lá era frio e ventava muito, me fazendo tremer sem parar.
– Esse é o desafio de vocês. – disse Jake com um esboço de sorriso no rosto. – Vocês têm que provar que podem sobreviver a tudo, então vocês vão passar a noite aqui.
– Isso é o desafio? – disse Matthew com deboche. – Já passamos uma noite na floresta!
Jake e Sarah se entreolharam e riram.
– Não é a mesma coisa. – disse Sarah. – Boa sorte pra vocês!
Dito isso, ela e Jake desceram a colina novamente.
Era muito claro o motivo de que passar a noite ali seria um teste de sobrevivência. Estava frio! Só as nossas roupas não seriam suficientes para nos aquecer. Morreríamos congelados, com toda certeza.
Olhei em volta e não havia nenhuma árvore, folha, graveto, pedra... Nada que pudesse nos ajudar a fazer fogo. Havia só neve. Nada, além disso.
– Matthew, acha mesmo esse desafio fácil? – perguntei. — Ou só estava se fazendo de durão?
– Eu... só queria parecer confiante para eles.
– Sim, mas você percebe que não temos como nos aquecer, não é?
– Porque não? Podemos... – ele parou e olhou em volta. — Não tem árvores aqui!
– Eu não sei quanto a vocês, mas eu não estou com frio! – disse Bondino, que tinha a enorme vantagem de ser todo peludo.
O tempo foi passando e o frio piorava a cada segundo. Chegou a um ponto que até mesmo Bondino começou a tremer.
Eu simplesmente não conseguia pensar em algo que pudesse nos aquecer. Não havia nem sequer uma pedra no chão para tentarmos fazer fogo.
E de repente, somente para piorar a situação, a chuva veio. Floquinhos de neve caindo sem parar do céu, congelando ainda mais os nossos narizes e mãos.
– Nós vamos morrer aqui! – eu disse.
Bondino chegou mais perto de mim e me abraçou.
– Calma criança... Nós vamos conseguir ok?
Foi ai que a ideia me veio à cabeça. Como eu não havia pensado naquilo antes? Precisávamos nos aquecer com calor humano! Se ficássemos bem juntos e abraçados, talvez conseguíssemos subir a temperatura dos nossos corpos.
Eu sabia muito bem que Matthew odiaria a ideia, mas nós não tínhamos opção. Era o único jeito de não congelar naquele frio horrível.
E quando eu ia falar sobre a minha ideia... Um estridente trovão fez a chão tremer. Não conseguimos ver relâmpago nenhum, mas o som era alto e muito claro.
– Eu não entendo... Eu nunca vi trovões enquanto nevava! – disse Matthew.
– Eu sei... Isso é muito estranho não é? Bondino isso acontece aqui frequentemente? – perguntei.
– Não... Isso... Nunca aconteceu antes.
– Tudo bem... Não deve ser nada demais não é? – eu disse tentando tranquilizar tanto eles, quanto a mim mesma. – Só mais um fenômeno da natureza...
Outro trovão.
Matthew estremeceu.
– A gente precisa se esconder, não podemos ser atingidos por um raio! – eu disse.
– Ah, que gênio você! – disse Matthew. – Agora, me diga, aonde nós vamos nos esconder?
Eu suspirei. Eu odiava quando Matthew me debochava daquele jeito, mas ele estava certo. Não havia onde nos escondermos!
– Tudo bem... Que tal se só ficarmos pertos e quietos... Talvez pare de...
Outro trovão. Só que dessa vez ele parecia ter vindo de ainda mais de perto.
– Acho uma ótima ideia ficarmos bem quietos e perto uns dos outros. – disse Matthew.
Sentamos os três, bem perto um dos outros, soprando e esfregando nossas mãos.
Mais um trovão. Dessa vez ainda mais alto que o anterior.
– Ei, gente, vocês repararam? – perguntei.
– Reparamos o que, Mikayla? – Matthew perguntou.
– O tempo! Os trovões estão acontecendo com mais ou menos o mesmo intervalo de tempo! Vejam só. Eu vou contar.
Uns 2 segundos passaram e outro trovão veio de mais perto ainda.
– Um... Dois... Três... Quatro... Cinco... Seis... Sete... Oito...
Bram! Outro trovão.
– Um... Dois... Três... Quatro... Cinco... Seis... Sete...
Um trovão ecoou novamente, cada vez mais e mais alto.
– Viram só? O que será que...
De repente Matthew arregalou os olhos e começou a gaguejar.
–O-o-o que é aquilo, Bondino? – disse ele apontando em uma direção.
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