POV Eliza

Ele me encostou no carro, uma das mãos no meu cabelo, a outra na minha cintura, as minhas estavam em volta do seu pescoço, quando a boca dele soltou a minha e foi trilhando um caminho para o meu pescoço, ouvi a porta do carro destrancado e empurrei ele.

Segundos depois Carlinhos abriu a porta, e meio dormindo me perguntou.

—Mana, a gente já chegou em casa?

—Sim Carlinhos, acorda a Dayse, e depois me ajuda a pegar as coisas. — então sem olhar na cara do Arthur comecei a tirar minhas coisas do carro e depois ajudar meus irmãos a entrarem, no entanto quando fui passar pelo portão também, ele segurou meu pulso.

—Arthur não, me solta, preciso de um tempo. — puxei o braço, e antes que ele falasse alguma coisa, fechei o portão e entrei em casa.

Depois de colocar meus irmão na cama, desabei no sofá, estava tão confusa e Arthur não estava me ajudando, não queria confundir as coisas, é não sabia se estava pronta para entrar em um relacionamento de novo com ele.

Com isso me martelando na cabeça, acabei adormecendo no sofá, quando estava quase amanhecendo senti uma mão no meu ombro, me mexi um pouco para ver quem era e me surpreendi com Charles sentando ao meu lado.

—Você não acha melhor ir deitar na cama, acho que é mais confortável.

—Oi Charles, acho melhor mesmo — quando estava me levantando para ir, decidi criar coragem e perguntar — desculpa, talvez eu esteja sendo metida, mas como você sabia que a Débora era a pessoa certa?

Ele parou por um segundo para pensar antes de me responder, nesse segundo eu voltei para o sofá.

—Eu não sabia no começo, na verdade demorou um pouco para mim ter essa certeza, principalmente porque a Débora era bem desconfiada no início, ela não se achava boa o bastante, então demorou para ela confiar em mim, mais eu já sabia que valia a pena porque sempre que estávamos juntos eu me sentia feliz, tranquilo, seguro, amado, lembra a vez que vocês levaram ela na boate, a gente conversou por horas, e eu nem percebi o tempo passar, acho que uma pessoa assim, que te proporciona esses sentimentos só pode ser a certa, sabe a gente é muito diferente, mas nos completamos. Você está na dúvida se o Arthur é o cara certo?

—Que? Não, imagina, nada haver nós somos só amigos, eu perguntei porque a Dê me falou que você quer casar, e eu como melhor amiga preciso saber se suas intenções são sinceras.

Ele levantou as mãos como se estivesse se rendendo, e foi em direção a cozinha, eu levantei e fui me deitar, ia tentar dormir mais um pouco, hoje minha mãe estaria de volta e eu queria aproveitar com ela.

Nem notei quando adormeci, sei que acordei com meu celular tocando, ainda meio dormindo atendi.

—Alo.

—Filha, te acordei?

—Oi pai, sim, mais não tem problema, já estava na hora, o senhor quer alguma coisa?

—Sim, você poderia vir até aqui na Bastille, temos uma proposta para te apresentar, uma campanha e queremos você como uma das modelos.

—Ta bom, daqui mais ou menos 1h estou ai.

Dito isso encerrei a ligação, me espreguicei, então foi tomar uma ducha, precisava acordar para ir na empresa, finalmente um trabalho grande, precisava ocupar minha mente, e focar no trabalho era a melhor opção.

Quando estava descendo, vi um táxi encostado, minha mãe e Hugo estavam tirando as malas de dentro do carro, estavam bronzeados e radiantes, corri para abraça-los.

Trocamos algumas palavras, e prometi que voltaria o mais breve possível, mas precisava mesmo ir para a Bastille, estava animada para ouvir a proposta do meu pai, por isso assim que eles terminaram de tirar as coisas de dentro do taxi, e entrei no mesmo.

No meio do caminho mandei uma mensagem para o Max, avisando que tinha uma nova proposta de trabalho, e pedindo para ele verificar minha agenda, disse também que a agência receberia uma cópia, assim que eu tivesse ela em mãos, e que ele poderia ficar tranquilo que eu não ia assinar nada sem falar com eles antes.

Estava cada vez mais curiosa, quando finalmente cheguei à empresa, a única coisa que me impediu de sair correndo, foi a lembrança do leque da Dona Stelinha, por isso andei o mais rápido possível que a elegância me permitia.

Quando parei em frente a sala do meu pai, Dona Mirtes me disse que eles estavam me esperando na sala de reuniões, e me levou até lá.

Me sentei na cadeira vaga entre meu pai e o Jonatas, que agora era o diretor de marketing, a campanha tinha sido a última ideia dele.

—Bom Jonatas, agora que estamos todos aqui, acredito que você já possa explicar a sua ideia, e como pretende fazer a divulgação.

—Certo Dr. Germano, o que a Bastille pretende agora é lançar uma linha de cosméticos que retratam as mulheres das cinco regiões brasileiras, destacando os pontos das suas culturas locais, e reforçando a importância de manter vivas as suas tradições, mas sem perder a oportunidade de usar uma bela maquiagem, nossa ideia é fazer um editorial fotográfico para divulgar, as modelos passariam o final de semana em Angra fotografando, porque o lugar oferece paisagens e ambientes que poderiam facilmente serem moldados para lembrar o Brasil como um todo.

—E uma ideia muito boa, eu adorei a proposta, e bom eu sempre gosto de mostrar o quanto o nosso país e maravilhoso, por mim estou dentro, mais eu preciso levar uma cópia da proposta pra agencia analisar, assim que eles derem o ok, assinamos o podemos dar sequência a esse projeto maravilhoso.

Depois os contratos foram distribuídos, algumas assinaturas já tinham sido colhidas, e a equipe de marketing deveria começar a escolher as demais modelos, assim que saímos da sala, eu, meu pai e Jonatas fomos para a sala dele.

—Parabéns Jonatas, a sua ideia e realmente muito boa, fico muito feliz em ver o quanto você cresceu como profissional — disse antes de dar um abraço nele.

—Você também ruivinha, agora é uma super modelo internacional, mas obrigada, eu vou começar uma pós-gradução em gestão de marketing, sabe eu não imaginava que ia gostar tanto dessa área, mas eu gosto e sou bom nisso.

—Verdade, Jonatas e um excelente profissional, e eu estou muito contente com o sucesso de vocês dois, mas agora será que você poderia nos dar licença, eu gostaria de trocar uma palavrinha com a minha filha.

—Claro Dr. Germano, tchau Eliza, a gente se vê por aí.

—Eu vou ficar muito feliz em ter você novamente como o rosto da Bastille, e então pedi que você ficasse para te convidar a almoçar comigo.

—Eu adoraria pai, mas prometi que ia voltar pro Flor cedo, minha mãe voltou hoje e eu estou morrendo de saudade.

—Eu entendo, então vou reforçar mais uma vez o convite, venha passar uns dias na mansão com a gente, o Gui e o Fabinho tem perguntando por você, seus irmãos te amam e também sentem saudades.

—Eu prometo ir o mais breve possível, afinal eu também amo vocês e sinto saudades, vamos combinar que eu passo o próximo final de semana lá.

—Perfeito, vou avisar todos lá em casa, tenho certeza que vão ficar muito felizes, mas agora vou deixar você ir, tchau minha filha, te amo.

—Tchau pai, também amo você.

Então peguei minhas coisas, e voltei para o Flor, ia almoçar com minha mãe, depois iria na agência, para apresentar a proposta da Bastille, e dessa forma ainda ganhava mais um tempo antes de ter que encarar o Arthur.

Quando o táxi parou em frente ao Flor, o lugar estava começando a encher, desde que tínhamos assumido o ponto, o horário do almoço tinha se tornado bastante movimentado, por isso não estranhei em ver minha mãe no fogão, e o Hugo atendendo as mesas, por isso larguei minhas coisas e fui ajudar.

Algum tempo depois o movimento diminuiu bastante e consegui puxar minha mãe para se sentar à minha frente, junto com meus irmãos, e ela começou a contar sobre como tinha sido a viagem, o quanto o lugar era grande e maravilhoso, depois de quase uma hora de conversa, resolvi que estava na hora de ir pra Excalibur, afinal Max já tinha me mandando um milhão de mensagens perguntando quando eu ia aparecer por lá.

Um coisa que me passou pela cabeça, enquanto eu esperava o táxi, e que eu deveria aprender a dirigir, estava cansada de depender dos outros para ir para os lugares, ia pedir uma indicação de uma boa auto-escola, estava na hora de me tornar um pouco mais independente.

Quando cheguei na Excalibur, estranhei o clima, a sala do Arthur estava com as cortinas fechadas, o todos pareciam tensos, parei em frente a mesa do Max, que levantou e veio me dar dois beijinhos no rosto.

—O que está acontecendo, parece que todos estão esperando uma bomba estourar.

—Bom é mais ou menos isso mesmo ruiva, o chefinho lindo, está discutindo a rescisão do contrato de uma das nossas modelos, a Vanessa tem só dado dor de cabeça e problemas, e não precisamos de uma pessoa assim vinculada a agência, mas todos sabem que ela não vai lidar bem com isso.

Assim que ele terminou de falar uma garota mais ou menos da minha idade e igualmente ruiva, saiu da sala do Arthur parecendo um furacão, ela estava nitidamente com ódio, e gritava a plenos pulmões que todos iam se arrepender da decisão que estavam tomando, principalmente o Arthur, que ela não era uma mulher para ser dispensada.

Quando ela passou por mim, me encarou como se quisesse me dar uns tapas ou algo mais, ela tentou me dar um encontrão, mas Max me puxou delicadamente, então ela só bufou e saiu.

Arthur estava parando na porta da sua sala, parecia tenso, mas quando me viu, notei que ele relaxou um pouco.

—Eliza, Max, vamos, quero ver essa proposta da Bastille. — e sem dizer mais nada entrou na sala.

Passamos cerca de quarenta minutos discutindo o contrato, e no fim os dois concordaram que era uma boa proposta, precisaria apenas de leves alterações, então Arthur mandou que Max, fosse tirar cópias do contrato e mandasse pro setor jurídico.

Quando ele saiu, Arthur levantou e trancou a porta, isso me deixou um pouco nervosa. Então antes que ele pudesse fazer ou falar qualquer coisa, eu me pronuncie.

—Quem era aquela maluca que saiu, quando eu cheguei?

—Vanessa foi uma modelo que eu descobri logo depois que você foi embora para Paris, achei que poderia fazer sucesso, mas o temperamento dela é muito explosivo e eu não consegui mudar isso, no fim ela estava me dando mais problemas do que retorno, por isso eu finalizei o contrato dela, mas acho que ela não gostou muito disso. Mas eu não quero mais falar dela, quero falar da gente.

—Como assim Arthur? — no que eu terminei de falar, ele parou na minha frente, me puxou da cadeira e me colocou sentada na mesa, confesso que me assustei um pouco com a sua impulsividade.

—Estou cansado de fingir que ter você de volta, não mexeu comigo, que não trouxe lembranças antigas, que não despertou sentimentos que eu achei que estavam adormecidos e esquecidos, cansei de fingir que posso ser só seu amigo. — a cada palavra dele ele chegava mais perto, e quando terminou estava entre as minhas pernas, com meu rosto nas suas mãos e me puxando para um beijo de tirar o fôlego.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.