Notas iniciais
Hello pessoas

What would I do without your smart mouth

Dragging me in and you kicking me out

Got my head spinning, no kidding

I can't pin you down

What's going on in that beautiful mind

I'm on your magical mystery ride

And I'm so dizzy, don't know what hit me

But I'll be alright

My head's under water

But I'm breathing fine

You're crazy and I'm out of my mind

'Cause all of me

Loves all of you

Love your curves and all your edges

All your perfect imperfections

Give your all to me

I'll give my all to you

You're my end and my beginning

Even when I lose I'm winning

'Cause I give you all of me

And you give me all of you oh

(All of me-John Legend)

Emili

Terça—----------------------------------------------------------------------------------------------------

Encaro as minhas malas prontas, duas, apenas duas miseras malinhas. Meu quarto tem roupas por toda parte, tenho problemas com levar poucas malas em viagens, eu sempre quero meu closet inteiro comigo. O fato de ir para Europa força-me a levar poucas malas, sei que comprarei muito.

—Estou entrando.

Daniel grita e entra, pula na minha cama.

—Oi maninho.

Pulo do seu lado e deito com cabeça no seu peito.

—Vou sentir sua falta pirralha.

—Eu não, nem um pouquinho. Melhor parte de dois meses longe e não ter que te aturar.

Daniel começa a fazer cosquinha nas minhas costas, sim sou uma pessoa que consegue ter cócegas nas costas.

—Vai sim pirralha, confessa.

Estou rindo desesperadamente entre gargalhadas concordo com ele. Ele para com a tortura.

—Isso é golpe baixo.

Minha respiração é irregular por ter rido demais.

—Conversei com Edu essa semana, sabia que começou na construtora do avô?

Meu irmão tem um talento incrível para mudar de assunto do nada e nas situações mais inusitadas.

—Ele enfim realizou seu sonho.

Sonho de Edu sempre foi se formar em administração pela USP e assumir os negócios do avô, saber que tinha conseguido enchia-me de orgulho. Um de nós dois tinha conseguido seguir pelo menos uma parte dos planos.

—Por que vocês são tão teimosos? Os dois se amam.

—É complicado, maninho. Nossa história não é só amor.

Existia amor, mas também culpa, mágoa. Diria até que raiva, não um do outro, mas a nós mesmo.

—Sabe que juntos iam conseguir superar tudo, não é?

—Todo romântico, culpa da Ally certeza.

—Alguém falando de mim?

—Meu Deus, tem chip que avisa quando é mencionada?

Deita do outro lado de Daniel. Daniel beija sua testa.

—Sinto quando meu amor fala de mim.

—Eca, vou acabar com diabete com todo esse doce de vocês.

—Chata.

Ally me aponta a língua.

—Emy.

Meu irmão fica sério isso não é nada bom, encaro aqueles olhos iguais aos meus tentando o decifrar, droga sou péssima nisso.

—O que foi?

—Eu e Ally temos que te contar algo.

Seu telefone toca, ignora. Toca de novo.

—Atende logo, barulho chato.

Daniel bufa e vai para corredor atender. Ally parece nervosa, tira a carnezinha do lado do dedão, só faz isso quando está nervosa e ansiosa.

—Ally o que está acontecendo?

Minha amiga levanta da cama, sento na cama.

—Melhor esperar Daniel.

—Você parece nervosa, estão tensos.

Daniel volta tem um brilho diferente nos olhos. Senta do meu lado.

—Quem era, príncipe?

Toda vez que ouvia Ally chamar meu irmão assim tinha vontade de morrer rindo.

—Um amigo.

—Falem logo, estou curiosa.

—Nós compramos uma casa.

Minha amiga o olha surpresa.

—Só isso? Achei que fosse algo mais bombástico. É perto né? Preciso conhecer.

—Só depois da viagem, pirralha.

Faço biquinho.

—Por que?

Daniel parece pensar.

—Porque quero que veja quando estiver tudo pronto, ainda tem uns reparos a ser feitos.

—Daniel.

Ally parece meio perdida, Daniel vai até ela, beija sua testa e abraça a pelas costas. Diz algo em seu ouvido que prefiro nem saber.

—Se é assim, vou morrer de ansiedade.

—Vai sobreviver, pirralha.

—Quando vai ser sua despedida?

—Não quero uma despedida, Ally. São apenas dois meses.

—Vamos sair para dançar na quinta, só a gente de sempre. Vai ser dois meses sem curtimos uma festa juntas, por favorzinho.

Ally implora.

—Não consigo te dizer não, mas só a gente.

—Aeee, vai ser divertido.

Sexta—---------------------------------------------------------------------------------------------------------

Ontem saímos dançamos, bebemos, quer dizer eu, Belle, Luis, Pietro e Andy bebemos Daniel e Ally, por algum milagre decidiram ficar sóbrios. Mel não pode ir, mas prometeu ir no aeroporto e levar Angel. Foi divertido e especial, eu os amava. Sempre estiveram comigo, mesmo quando nem eu me amava, eles fizeram, mesmo quando escondi algo importante seguram minha mão, mesmo quando contei sobre o aborto pelo nosso caderno minhas amigas estiveram ali. Eu tinha uma sorte incrível por tê-los na minha vida. Imprimi uma selfie de ontem e coloquei no meio da minha agenda, tinha uma foto dos meus pais, uma minha de Mel e Angel e uma foto minha e dele. As pessoas que mais amava.

Eu esperei que aparecesse, esperei que algum momento da noite passada ele surgisse com aquele belo sorriso e desse me tchau. Lá no fundo eu torcia para que pedisse me para ficar, a parte boba e apaixonada. Era egoísta e sonhador da minha parte, mas gostaria e ficaria sem pensar duas vezes.

Ir para esse curso na França era mais uma tentativa de achar algo que trouxesse sentido para minha vida novamente, algo que resgatasse minha vontade de viver, ser feliz. Nesses cinco anos tentei fazer faculdades, odontologia, direito, administração, fisioterapia e nada, nenhuma trouxe sequer uma fagulha de é isso que eu quero, é aqui que posso recomeçar. Fotografias sempre foi algo que chamou minha atenção, sempre quis trazer meu olhar ao mundo e transformar em arte, essa era a chance. Um outro país aonde ninguém conhecia me, um lugar sem lembranças, espero que enfim seja o certo. Depois das tentativas de acabar com minha vida, papai e mamãe recusaram-me a deixar ir além de angra e com a companhia sempre de Maria, minha ex babá que tinha sido reposta no seu cargo após os acontecimentos. Essa era minha chance de pelo menos começar o caminho para recomeçar e eu iria aproveitá-la.

—Filha posso entrar?

—Claro, mãe.

Estava terminando de conferir minha bolsa de mão, conferindo meus documentos. Mamãe senta na beirada da minha cama.

—Vou sentir sua falta.

—Também, mas são dois meses. Quando reparar já voltei.

A olha e tem lágrimas nos olhos, sento do seu lado e a abraço.

—Eu sei, mas sempre é ruim ficar longe dos filhos. Um dia vai ser mãe e...desculpe.

—Sem problema, sabe um dos passos para superar e falar do assunto.

Tento sorrir, beija minha testa.

—É difícil, né? As vezes coloco no seu lugar e gostaria de poder retirar sua dor, não gosto de ver meus filhos sofrer.

—Eu posso imaginar, quer dizer. Eu não tenho esse direito, né? Me colocar no lugar de mãe, perdi esse direito desde que eu fiz meu filho sofrer.

Lágrimas começam a descer pelo meu rosto.

—Só você tem esse direito de se julgar filha, e você tem direito de amar seu filho, direito de sentir muito, se arrepender e mais que isso o direito de se perdoar. A gente erra, erramos e nem sempre temos a chance de concertar, mas sempre temos a chance de recomeçar, merecemos segundas chances. E nessa chance não cometemos os mesmos erros e nos redimimos. Você pode ter sua segunda chance, querida.

—Obrigada, mamãe. Eu te amo.

—Também te amo, sei que sabe desse amor. Amor de mãe. E tenho certeza que um dia vai poder o pôr em prática. Agora vamos limpar esse rosto e descer está na hora de ir para o aeroporto.

Minha mãe era a melhor mesmo. Lavo o rosto, enquanto isso Dan e papai levam minhas malas para baixo. Desço

.

—As malas já estão no carro, pirralho.

Meu pai está arrumado e com a chave do carro girando entre os dedos.

—Mamãe e papai vão também?

—Sim, querida.

—Mas papai não precisa é melhor ficar, não quero ninguém chorando no aeroporto.

Sabendo que eu mesma provavelmente irei chorar.

—Bobagem, Emy. Somos seus pais vamos também.

—Mas mãe não precisa são dois meses e...

—Para de ser chata, pirralha. Vamos logo.

—Vamos então, sem choro por favor.

—Pare, pirralha todo mundo sabe que quem vai chorar e você.

Vamos para o carro. Papai e mamãe na frente e eu e Daniel atrás.

—Quanto tempo não dividimos um carro assim.

—Olha crianças papai nostálgico.

Mamãe beija papai.

—Olha pirralha que lindos, tão fofinhos os velhotes.

—Olha o jeito que fala, Daniel.

Mamãe repreende, acho que no fundo ela adorava relembrar quando éramos pequenos.

—Sua mãe é a coroa mais gostosa, olha como é linda.

—Eca pai, poupe-nos dos detalhes.

Quando chegamos no aeroporto estamos em um clima alegre e divertido. Enquanto faço check in avisto Belle, Luis, Mel com Angel, Andy, Pietro. Pietro é um pouco fechado, mas se deu bem com os meninos. Bianca e Valentim também estão aqui.

—O que eles estão fazendo aqui?

Sussurro para Daniel que está do meu lado.

—Vieram se despedir.

Meu irmão tem um sorrisinho idiota no rosto como se estivesse escondendo algo.

—São dois meses e não dois anos.

—Pare de ser ingrata, pirralha.

Não que não os queira aqui e só que vai ser tão mais difícil embarcar assim, mesmo que seja pouco tempo nunca fiquei longe.

—Desculpe é só que, deixe para lá.

Sou puxada por Andy.

—Que injusto, mal a conheci e já vai me abandonar.

—Exagerada.

—Vai trazer aquela encomenda, não vai?

—Vou.

Digo rindo.

—Então pode ir, vou contar os dias para receber o presente e te ver é claro.

—Titia Em.

Angel corre e a apego. Beija me.

—Verdade que vai viajar muitão titia?

—Só um pouquinho.

Chega o momento de embarcar, últimos abraços e até logos. Ninguém chora o que é um alívio, estou segurando minhas próprias lágrimas que insiste em querer escapar dos meus olhos. Entro na fila para sala de embarque. Sou a próxima, aceno e viro me para entrar.

—Emili.

Ouço me chamar, aquela voz, a voz que pode tirar tudo de mim. Viro me e lá está ele. Caminho até ele como imã, meu corpo, minha alma e meu coração o pertence.

Edu começar a falar enquanto vou até ele.

—Não vá, não suba nesse avião. Fique aqui, fique comigo. Recomece ao meu lado, fique. Siga em frente, mas comigo. Deixe eu te segurar enquanto chora, fique nos meus braços. Vamos livrar da culpa e mágoa juntos. Eu ainda te amo e sempre vou te amar garotinha.

Não preciso pensar, ele sempre será minha resposta. Corro o que falta até ele e jogo me em seus braços, minha passagem e passaporte os jogo no chão. Beija me, seus lábios no meu, nossas lágrimas caem misturando se. Meu amor, nosso amor, nosso recomeço.

Ouço meus amigos e pais, e sogros batendo palmas.

—Eles sabiam?

Digo enquanto nos afastamos, encosto minha testa na sua.

—Sim, era um plano.

—Por que aqui no aeroporto?

—Porque queria te impressionar e não deixar dizer me não.

—Eu jamais te diria não, Edu.

Notas finais
Bye ♥