Notas iniciais
Oii...

"Palavras não bastam, não dá pra entender
E esse medo que cresce não para
É uma história que se complicou
Eu sei bem o porque

Qual é o peso da culpa
Que eu carrego nos braços
Me entorta as costas me dá um cansaço
A maldade do tempo fez
Eu me afastar de você

E quando chega a noite
E eu não consigo dormir
Meu coração acelera
E eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama
Eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho
E o telefone na mão"

Tiê-A noite

Seus lábios são como lembro; macios, sua boca tem o mesmo gosto, sua língua produz a mesma dança, a autoridade das suas mãos sobre mim é a mesma, nada mudou. É ainda melhor. A música ainda toca ao fundo, se eu forçar e imaginar, será como se os últimos anos nunca tivessem acontecido. Cinco anos resumidos a nada, enquanto sua boca toma posse da minha. Ele ainda é capaz de fazer cada parte de minha acordar, ele ainda faz com que tempo pare, ele ainda possui meu coração. Na verdade, sempre esteve com ele. Mesmo que não saiba segura meu coração. Sua boca deixa a minha, sinto falta. Ele encosta sua testa na minha, seus olhos nos meus, uma batalha de intensidade. Edu acaba com contato. Fecho os olhos, abaixa a cabeça até meu pescoço e o beija. Meu corpo se arrepia, cada pedacinho meu o reconhece.

—Sinto sua falta, garotinha.

E sai, o calor, as boas lembranças também, meu coração. Ele leva tudo com ele. Entra no banheiro masculino, fico no corredor estarrecida. Nos beijamos no corredor de banheiros de um bar, aonde todos passam e a gente se beija, nada importa quando estou em seus braços. Toco meus lábios com os dedos. Saio do transe quando alguém passa por mim, tromba. Entro no banheiro, minhas pernas tremem, todo meu ser treme. Olho me no espelho e vejo que há lágrimas pelo meu rosto. Limpo rosto, minha maquiagem já era, minha bolsa ficou na mesa, sem retoque. Quando volto os músicos estão tocando Será?-Legião urbana, Eduardo já voltou. Sirvo mais cerveja, se essa noite continuar assim, amanhã terei uma ressaca terrível. Meu irmão me encara, vejo preocupação na sua expressão. Sorrio para ele. Daniel não merece se preocupar comigo na véspera do seu noivado, noivado com a menina que tira seu fôlego. Eu e ele sempre fomos bons amigos, eu sei de cada detalhe do relacionamento dos dois e pelos dois lados, colocando a modéstia de lado, eu sou responsável por estarem juntos hoje depois do que os aconteceu no passado.

—Qual balada nós vamos?

Belle pergunta.

—Minha balada vai ser na minha cama.

Não tenho pique nenhum para balada.

—Não mesmo, vocês prometeram. Por favorzinho. Quero meus shots de tequila.

—Vamos para a Kamikaze.

Ally resolve.

—Eu vou para casa.

—Não vai mesmo, é minha despedida de noivado precisa ir.

—Isso não existe Ally.

—Existe, a partir de agora. Sua chata. E vai sim.

Reviro os olhos.

—Pior cunhada que poderia ter me arranjado, maninho.

Ally me aponta a língua. Mary ri, sinto ironia. Essa garota não me engana, espero que não vá com a gente.

—Vocês também vão, né?

Belle pergunta, mas olha para o primo da Ally. Safada.

—Vamos sim, né Edu?

Diz, fazendo beicinho!? Beicinho sério. Arg.

—Acho melhor não, Mary.

—Vamos sim, Edu. Quase nem falou, preciso interagir com o padrinho do meu casamento.

Imaginava que meu irmão o ia chamar, mas Daniel não tinha confirmado quando perguntei.

—OK, Ally.

Ally tinha uma maneira de conseguir tudo que queria. Nunca vida essa garota receber um não. Nem mesmo os professores.

—Eba.

A metida comemora, quase fiz uma careta, quase mesmo, talvez eu tenha feito.

—Vamos todos então, kamikaze abre meia-noite temos mais uma hora. Da tempo de mais uma rodada.

Dan chama o garçom e pede mais cervejas.

—Quem vai dirigir?

—Táxi, Mary.

Edu a responde.

—Táxi são perigosos, querido.

Arg, alguém bate nessa garota.

Um pouco antes de meia-noite vamos para Kamikaze, kamikaze é uma das melhores boates da cidade. O nome remete entre e vire o avião, se jogue. É uma boate cara, requintada. Quando chegamos a fila está pequena, não demoramos a entrar. Uma pista de dança, um bar no lado esquerdo, no direito há uns camarotes, um palco e um corredor que leva aos banheiros. Há um segundo piso aonde tem balada LGBT, um arraso.

—Tão linda adorei essa boate, Edu.

A nojenta fala. Tenho vontade de revirar os olhos, mas me contenho. Mas se continuar revirando os olhos cadê vez que Mary fala alguma coisa que não gosto, vou perder meus olhos.

—Vamos matar ela é jogar o corpo no mar!?

Sussurro para Belle.

—Deixa de ser má.

—Ela é um porre. Aposto que se ela continuar chamando Daniel por Dan, Ally vai bater nela.

Belle gargalha e acompanho, Ally é muito ciumenta.

—Para, pobre da menina. Vamos logo beber. Ally shot bora.

Belle me puxa pelo braço e vamos para o bar, Ally chega e fica do meu lado. Ainda não encheu o que significa que o bar ainda está vazio. Bom de chegar cedo na balada é bar vazio, melhor parte.

—Três doses de tequila, sal e limão.

Ally pede para o barman, alcança o cartão, comanda. Como prometida vai pagar as três doses. Toca poderosa da Anita, hoje é dia de fuck. O barman estende as doses, coloco sal na boca, viro o shot, chulo limão. Desce queimando, mas é uma sensação gostosa.

—Agora vamos dançar.

Belle diz e vira -se indo para a pista de dança. Não estava animada, mas a mistura do lugar, a música enche-me de energia. Vou para a pista de dança com minhas amigas, ainda toca poderosa. Sabemos a coreografia, vamos dançar a coreografia e foda se tudo.

Quando terminamos de dançar, os meninos e Mary, que nesse momento tem uma cara de nojo, se aproximam.

—Arrasaram meninas.

Luís fala, parece mais soltinho. Achei que fosse tímido, estava enganada pelo jeito.

—Podia pedir aulas Mary, sempre reclama de não saber dançar.

Edu fala, eu quero morrer de rir com a cara da baranga. Ela sorri falsamente, bem falsamente mesmo.

—Próxima rodada.

—Já Belle?

—Já Ally.

—Go go go.

Viramos mais uma dose. Voltamos para a pista. Agora toca Dênis, dançamos e cantamos.

—Joga o copo pro alto vamos beber, tô cheio de dinheiro vamos beber...

Cantamos.

—Melhor vocês dançando.

Mary zomba, garota não tem medo da morte.

Estou agitada, posso sentir o efeito das cervejas e tequila chegando, deveria parar, mas quer saber dane-se. Vou enfiar pé na jaca. Dançamos, cantamos, rebolamos até o chão. Depois de três músicas bebemos a terceira dose de tequila, dessa vez sem sal e limão. Estou pouco tonta, talvez eu ainda consiga fazer o quatro, mas melhor não tentar. Não ainda.

Voltamos a dançar, os meninos dessa vez veem dançar com a gente. Menos Edu, Mary também não está aqui. Interessante. Vadia. Acho que estou com inveja dela, tipo muita inveja. Luís vai dançar com Belle, vão se pegar certeza. Ally e Dan dançam, começa a tocar um sertanejo. Troca de DJ, droga. Saio, vou até o bar peço um ice. Foda se que vou misturar bebidas, a merda que eu vivo começa a tomar minha mente quase bêbada. Desisto do ice e peço outra dose de tequila, vou ficar bêbada. Vou esquecer que meu ex está com uma vadia por aí a beijando, fazendo tudo que eu queria. Meus lábios ainda sentem o beijo mais cedo. Ainda sinto sua mão em mim.

—Oii gata.

Um cara bem gato fica do meu lado.

—Oi.

—Quer dançar?

—Não.

—Aceita uma bebida.

Cara chato.

—Não.

—Qual seu nome?

Meu Deus, eu nem agradeci a bebida que ele esá fazendo aqui ainda!?

—Olha só, não vai me levar pra cama. Entendeu? Tchau.

Saio de perto. Meus amigos estão se pegando na pista. Eu sou a vela. E pensar que eu já tive alguém, pensar que eu já tive tudo. Eu desperdicei a chance de ser feliz, eu acabei com tudo. Quero chorar. Respiro fundo, vou ao bar e bebo mais uma dose de tequila, será que se entrar em coma alcoólico tudo passa? O cara ainda está lá me ignora, amém.

Saio da boate, sento no meio fio.

—Você está bêbada?

Uma mulher senta do meu lado.

—Não, eu devo conseguir fazer o quatro.

Ela ri.

—Está bêbada. Sabe né quando alguém que está bebendo diz que sabe fazer o quatro está bêbado. Perigoso ficar sozinha bêbada por aí.

—Não ligo, preciso ficar pouco só.

—Entendi. Quer?

Ela me estende uma garrafa de absolut, pego e bebo.

—Não deveria beber de copos de estranhos.

—Não é copo é garrafa e você não faz meu tipo para embebedar e levar você para cama. Infelizmente gosto de algo que você não tem.

Ela bebeu da vodka, eca estamos dividindo salivas.

—Não ligo muito para a minha vida.

Falo, nem sei porque.

—Uma bêbada depressiva.

Passa a garrafa, bebo.

—Sou e você?

—Uma bêbada corna.

Diz e ri, vai entender.

—Deve ser bem ruim ser traída.

—É, e ele tinha o pinto pequeno. Até o cara de pinto pequeno me traiu.

—Deplorável você, ops. Me desculpe.

—Tudo bem, você está bêbada.

—Você também.

Ela coloca a garrafa no chão e levanta, bem tonta, mas levanta.

—Aposto que faço o quatro.

Levanto, tento e não consigo. A mulher bêbada me estende a mão a pego e nesse momento caímos as duas. Começamos a rir muito. Ela para e me olha.

—E a sua história?

—O cara que amo está com outra.

—Nossa, bate neles.

—Queria, mas a culpa é minha. Eu estraguei tudo.

Começo a chorar. A estranha me puxa e me abraça, estou quase no seu colo.

—Estou abraçando, uma estranha.

Ela fala e ri, eu rio. Saio do abraço.

—Emíli, mas me chame de Emy.

—Andrea, me chama de como quiser.

—Andy.

—Gostei. Lembra a toy history.

—Ao infinito é além.

Falamos juntas.

—Vamos ser amigas, uhull. Só não pode ser a melhor, Belle e Ally me matariam.

Voltamos a dividir bebidas, tiramos selfies, snaps, trocamos números ou tentamos, teclado está se movendo.

—Emy ainda bem, estamos te procurando.

Aquela voz, ele está preocupado. Viro me e lá está ele, lindo de preto. Quero chorar, sorrir, me jogar em seus braços.

—Que gato.

Minha nova amiga fala.

—Ele é o cara, o amor da minha vida.

—Escolheu bem, miga.

—Xiu ele não pode saber.

Rimos histericamente.

—Vamos Emy, chega vamos.

—Vai lá, seu príncipe veio a resgatar,

Andy fala, sorrindo, adorei ela. Tento ficar se pé, falho. Estou pouco tonta.

—Não consigo.

Ele vem até mim e me puxa. Me escoro nele, estou tonta demais para ficar sobre as próprias pernas.

—Você está bem?

—Sim.

—Não, você?

Ele aponta para minha amiga.

—Dessa eu cuido.

Um cara gato pega minha amiga.

—Hey volte aqui, Edu ele pode estar sequestrando ela. Não deixe ele levar Andy. Se machucar ela eu mato você.

O cara fala algo com Edu não entendo, minha mente gira, quero dormir.

—Você está bem?

Edu mexe nos meus cabelos.

—Eu te amo tanto, Edu.

—Emy, vamos.

Não consigo me mexer, ele me pega no colo.

—Cheiroso, amo seu cheiro.

Fecho os olhos.

—Eu sinto tanto, Edu. Eu juro. Eu queria poder voltar atrás. Juro.

Estou apagando quando escuto

—Eu também, garotinha.

Notas finais
Bjs ♥