O poder do perdão

11 Capítulo 10


Notas iniciais
Oii

Eduardo

Depois de tanto tempo tê-la em meus braços era perfeito. Sempre soube que sentia falta, mas sentindo a aqui eu tinha a dimensão do quanto ela fazia falta na minha vida, muito mais que imaginava. Emy podia ser doce, bruta, alegre, mau humorada, mimada, orgulhosa, tinha um coração enorme. Emy era uma caixinha de surpresa e isso foi o que me fez a amar tanto. E hoje enquanto víamos para cá e cantávamos mal para cacete, ela tinha o sorriso mais bonito do mundo, ali eu soube que ainda era minha garotinha. E mesmo sendo a pior cantora a escutaria cantando um dia todo só para ver aquele sorriso.

Uma época cheguei a cogitar que nosso namoro era só conveniência, porque tínhamos crescido juntos, essas coisas. Mas não, nunca foi. Uma semana brigados, quando ainda erámos namorados, tinha confirmado que minha vida sem ela era sem graça e vazia, era amor. A encaro, ela ainda está escorada na parede. Linda.

—Por que está olhando me assim?

—Porque eu te amo.

Ela sorri.

—Acho que posso te amar um pouquinho também.

—Só um pouquinho?

Faz gesto com a mão indicando bem pouquinho.

—Se quer ficar se iludindo assim... Iludida, vamos fugir?

—Para aonde?

—Um hotel, só eu e você.

—Vamos.

Não fugimos, voltamos para a sala. Ficamos com nossos amigos e pais. Quando Gabi e Miguel perguntam se Emy iria embora com eles, responde que não. Então finalmente fugimos. Demos as mãos e partimos, matar a saudade um do outro e não só sexual, além disso, temos saudades da alma um do outro.

Nos amamos, em meio a eu te amo e declarações.

Ela está deitada com cabeça no meu peito, nossas pernas entrelaçadas.

—Queria que sempre fosse assim, mas uma hora vamos ter os problemas para enfrentar.

Diz enquanto passa as unhas no meu peito.

—Vamos enfrentar juntos.

Beija meu peito.

—Doutor Joseph acha que devemos iniciar terapia conjunta.

—Seu psicólogo?

—Sim.

—Bonito?

Ergue o rosto para me olhar, sorri.

—Maravilhoso.

Sei que está me provocando.

—Mais que eu?

—Com certeza.

—Aééé?

Faço cosquinhas nela. Se torce. Até estar sentada do meu lado na cama, paro. Veste minha camisa.

—Ele poderia ser meu avô.

—Gostei.

—Sempre ciumento, isso não mudou.

Sempre fui ciumento, nada abusivo e exagerado, mas tinha meus ataques.

—Não.

—O que mais mudou nesses cinco anos? Temos que conhecer ou reconhecer um ao outro.

—Tem algumas ideias e ideais que não defendo mais. Difícil falar do que mudou, a mudança vai ocorrendo e nem vamos nos dando conta.

—Às vezes sinto falta de como era, mas outras eu lembro que podia ser insuportável. Sou menos mimada que antes.

—Éramos mimados, acho que aprendemos que não podemos ter tudo que queremos.

—Lamento ter tido que aprender como aprendi.

Sento na sua frente, uma lágrima escorre por seu rosto. Limpo.

—Também sinto.

—Sabe, a primeira psicóloga que fui ela disse "vai ter outros filhos" tudo bem ter realizado um aborto. A única coisa que pensei é como vou contar para meus filhos que eu matei o que seria o irmão deles. Nesse dia foi a segunda vez que tentei me matar, quando acordei no hospital foi horrível ver o medo nos olhos da minha mãe. Ali eu percebi que ela era minha mãe, caso eu morresse ela iria sentir uma dor mil vezes pior que a minha. Tive outras crises, mas sempre pensava nos meus pais.

—Quantas vezes foi?

—Duas. Tentei por overdose com medicamentos.

Só de imaginar minha garotinha assim, meu coração se aperta.

—Queria estar com você, eu devia ter voltado e...

Temos muito o que percorrer, recomeçar e superação nem sempre são fáceis, mas podemos.

—Tudo bem, Edu.

Beija meus lábios.

—Como conheceu a mel?

—Quando tentei fazer direito foi minha colega, fizemos um trabalho juntas e soube da Angel. Era tão linda, na época tinha um ano. Foi ali que eu comecei a perceber a merda que tinha feito sabe.

—Ela prece uma boa garota.

—É sim, ela me ajudou muito. Mudando de assunto soube que assumiu a construtora, fiquei orgulhosa.

—Meu avô ficou radiante.

Sorrio.

—Saudades dos seus avôs.

Quando os avôs de Emy e Daniel morreram eles adotaram os meus.

—Vovô disse para não deixar o amor escapar, certeza que se referia a você.

—Seu Antônio sempre muito sábio. Quer dizer que meu namorado é um *CEO, já posso me sentir naqueles livros onde a pobre secretária indefesa é seduzida pelo chefe canalha.

Emy começa a rir da própria piada a acompanho.

—Quer dizer que sou seu namorado é!?

Ela morde o lábio é sorri.

—Talvez, mas pensando bem acho que preciso de um pedido.

—Vou falar para esse CEO aí te pedir.

—Sem flores porque sou alérgica.

—Pode deixar avisarei.

—Como esse CEO está se saindo?

—Metido em problemas.

—Por que?

Só de pensar nos problemas que podem estar me esperando minha cabeça doí.

—Meu avô deixou passar algumas coisas e podemos estar em mal lençóis.

—Como?

—Propina e desvio de dinheiro.

—Isso é realmente sério.

—Meu avô não faria isso tenho certeza, mas alguém o usou. Usou sua idade.

A facilidade que tínhamos em falar de qualquer assunto era reconfortante.

—Boa sorte.

—Vou precisar.

—Apesar que é o fodão, vai resolver de olhos fechados.

—Adoro sua fé em mim, garotinha.

Deito e a puxo junto.

—Hora de dormir, garotinha.

Acordo com Emy se debatendo.

—Hey, querida acorde.

Quando abre os olhos e olha me, seu rosto está banhado de lágrimas.

—Pesadelo.

—Tem sempre?

—Sim.

A abraço. Chora no meu peito.

—Passou, baby.

Passo a mão nos seus cabelos.

—Foi tão horrível. A garotinha estava toda suja de sangue.

—Eu espero que um dia se livre deles.

—Eu também.

Emili

Após me acalmar, vamos para o banho. Quando pego meu celular tem uma mensagem de Belle marcando noite das meninas no seu apartamento. A noite foi ótima, eu e Edu estamos ciente que temos muito que percorrer, mas iremos juntos isso o que importa. Tomamos café no hotel e resolvemos curtir o sábado na piscina, pensamos em chamar nossos amigos, entretanto decidimos ter um tempo mais só nos dois. Estamos na piscina na sua casa, seus pais tinham ido para um evento e os empregados estavam de folga.

—Lembra que nosso primeiro beijo foi em uma piscina.

Lembro.

—Sim e a nossa primeira vez quase foi também.

Edu diz e sorrimos, aquele dia foi épico.

—Ainda bem que não teria sido horrível.

Lembro da nossa primeira vez, tinha acabado de fazer 16 anos éramos novos, mas não aguentávamos mais. Seus pais viajaram e aproveitamos.

—Foi engraçado.

Ele ri.

—Não foi, demoramos um mês para arriscar de novo.

Começamos um ataque de risos lembrando o desastre que foi.

—Ainda lembro de você andando estranha e seu irmão perguntando. "Estou assada".

Imita minha voz.

—Desculpa mais idiota possível.

—Terrível.

Rimos.

—Mas ficamos bom, confessa.

—Os melhores.

Nós beijamos.

—Vamos repetir o quase daquele dia?

—Só se me pegar, querido.

Nado para longe dele. Vem atrás de mim e enfim quando consegue me pegar, o quase daquele dia transforma se em uma ação bem-sucedida. No fim do dia Edu deixa me em casa, despeço me dele com um longo beijo. Quando entro encontro mamãe fazendo as unhas na sala, comprimento a manicure.

—Bom dia, mamãe.

Beijo seu rosto.

—Está feliz.

—Muito feliz, amo o tanto.

Sento do seu lado no sofá, mamãe ri e beija minha cabeça. Subo para meu quarto, arrumo me e desço novamente. Beijo papai e mamãe e saio para o apartamento de Belle, quando chego o porteiro autoriza minha entrada. Bato na porta. Belle abre a porta.

—Olha o brilho de quem transou a noite toda.

Belle e sua falta de vergonha na língua.

—Brilho de quem está feliz.

Respondo, as meninas já estavam todas ali, Mel, Andy, Belle e Ally. Mel e Andy eram minhas amigas, porém, acabaram conquistando as meninas também.

—Conte nos tudo.

Andy pede, estão sentadas no tapete no chão faço mesmo.

—Ele continua sendo meu príncipe. Lindo, romântico, bom de cama, perfeito. Meu boy e perfeito, morram de inveja.

—Há controvérsias.

Andy fala e pisca.

—Seu irmão é melhor aposto.

—O seu primo é gostoso.

Olhamos todas para Belle.

—Sabia que estava rolando algo. Desde da boate, né?

Ela afirma com a cabeça.

—Eu conheci um cara.

Mel também solta.

—Ai meu deus, revelações. Precisamos de bebidas.

Andy levanta e vai para cozinha.

—E um suco, partiu ficar bêbada de suco.

Andy volta com tequila e o suco de Ally.

—Sem sal e limão, porque somos fodas.

—Eu não aquento uma dessas.

—Vai aprender Melzinha, tia Andy aqui ensina. Só não peça ajuda do buzz ali, bem fraquinha ela.

Aponto a língua para ela. Tomamos o primeiro shot de tequila.

—Está vendo bebê, eu recusando bebida por você. Prova de amor.

—Com os pais que tem essa criança irá nascer traumatizada.

—Sai Belle, seremos ótimos pais.

—Parem de enrolar, Mel e Belle contem logo os babados, por favor

Andy fala.

—Luís e eu ficamos naquele dia da boate, foi bom e temos repetidos. Posso estar me apaixonando.

—Aí que lindo, nossa menininha vai ter seu primeiro amor. Se ele te machucar juro que obrigo a titia deserdar ele.

Belle era a mais nova entre nós. Belle revira os olhos

—Agora que já contei, sua vez Mel.

—Ele é lindo. É pai de duas crianças lindas.

—É casado?

—Claro que não Andy, viúvo.

Mel diz horrorizada.

—Desculpa.

—A menininha é colega da Angel. São amigas, nós conhecemos em uma reunião da escola. Saímos com as crianças, fomos saindo e rolou. Ele é o pai que gostaria para a minha garotinha.

—Mel é o pai da Angel?

Ally pergunta, Mel suspira.

—Morto de overdose, sou tão horrível que quando morreu agradeci por nunca ter que apresentar o pai drogado para minha filha.

—Ok, hora de mais uma rodada.

Andy serve mais uma rodada de tequila.

—Moderem na tequila, não vou segurar o cabelo de nenhuma bêbada vomitando.

—Está com inveja só porque não pode beber.

Ally mando o dedo do meio para Belle.

—Também te amo, gravidinha.

—Quero música, põe música Belle.

Peço, Belle conecta o computador na televisão e home theater, leve impressão que os vizinhos não vão gostar muito da ideia.

—Querem o que? Funk ou sertanejo?

—Anitta, por favor.

Essa mina é louca começa a tocar, ficamos de pé e começamos a dançar. A música acaba, tomamos mais um shot de tequila. Leve pressentimento que começo a ficar bêbada. Três músicas e mais dois shots depois estamos bêbadas. Toca infiel da Marilía Mendonça. Cantamos juntas.

Iêê
Infiel
Eu quero ver você morar num motel
Estou te expulsando do meu coração
Assuma as consequências dessa traição

Iêêê
Infiel
Agora ela vai fazer o meu papel
Daqui um tempo você vai se acostumar
E ai vai ser a ela quem vai enganar

Você não vai mudar
aaaa

O seu prêmio que não vale nada
Estou te entregando
Pus as malas lá fora e ele ainda saiu chorando
Essa competição por amor só serviu pra me machucar
Tá na sua mão
Você agora vai cuidar, de um traidor

Um barulho chato de campainha e batidas na porta atrapalham nossa música.

—Vamos lá ver quem está atrapalhando nossa festa.

Belle abre a porta. Policiais.

—Quem chamou gogo boys? Adorei a ideia.

—Belle, não..

Ally a sóbria tenta avisar tarde demais Belle já está tentando dançar com o policial.

—Luís não vai ficar bravo, né? Todos sabem que os gogos boys são tudo gay. Pode tirar as roupas meninos e ficarem só de sunga.

—Uhull, sempre quis strippers gays para ser amigos.

Andy entra na onda.

—Meninas...

Ally tenta alertar as meninas mais uma vez quando Mel começa a vomitar e Ally a acompanha.

*CEO é a sigla inglesa de Chief Executive Officer, que significa Diretor Executivo em Português.

Notas finais
Bjs ♥