O poder do perdão
5 Capítulo 4
Notas iniciais
And I'll rise up
I'll rise like the day
I'll rise up
I'll rise unafraid
I'll rise up
And I'll do it a thousand times again
And I'll rise up
High like the waves
I'll rise up
In spite of the ache
I'll rise up
And I'll do it a thousands times again
For you
Rise up- Andra Day
—O que você fez?
Mary saí da piscina. Está encharcada, seu vestido é branco está transparente.
—Eu fiz o que merecia, nunca mais ache que pode falar o que quer e ficar por isso mesmo. Não importa o quão certa ache que está nunca ouse falar comigo desse jeito novamente.
—Sua vaca.
—Quem fala o que quer as vezes acaba molhadinha, meu bem. Pense bem da próxima vez que vier encher minha paciência.
—O que eu faço agora? Estou toda molhada, esse vestido foi caro.
Parece querer espernear, chorar. Parece que o jogo virou.
—Se vire.
Sem peso nenhum na consciência volto para dentro, a deixando. Insuportável, as palavras que disse me ainda latejam na minha mente.
—Onde estava? Veem Daniel, vai me dar o anel.
Ally me puxa da cozinha para a sala. Daniel está no centro da sala pedindo a atenção de todos. Ally vai até ele.
—Como todos sabem, esse almoço tem por finalidade a oficialização do meu noivado. Então Ally, meu amor diante de todos que são importantes na nossa vida casa-se comigo, passe o resto dos seus dias dividindo os comigo, deixe provar todos os meus dias restantes o quanto te amo. Eu te amo, case se comigo?
Daniel fica de joelho, na sua mão tem um anel delicado. Minha amiga com lágrimas nos olhos se aproxima.
—Claro que sim, príncipe.
Daniel fica de pé pega sua noiva e a beija, batemos palmas, assobios. Esses dois merecem toda felicidade do mundo.
—Não sabe o que eu vi?
Belle sussurra do meu lado.
—O quê?
—Uma Mary muito molhada.
Sorrio.
—Arrasei né?
—Foi você?!?
—Sim, mas ela mereceu. Vadia. A joguei na piscina.
Belle me encara incrédula.
—O que ela fez?
—Agora não, depois te conto.
Pouco antes das seis, todos já tinham indo embora ficando apenas Edu, Luís, Belle e Ally, mas essa vivia mais aqui que sua própria casa. Estávamos bebendo cerveja na área de lazer, parece que a ressaca de ontem não tinha sido suficiente. Estávamos sentados na mesa na mesa de vidro redonda que fica perto da churrasqueira. Edu está a minha esquerda, do lado do amigo, nossas vidas sempre estariam entrelaçadas, fico pensando quando ele casar, o ver com alguém, assumindo o compromisso, o que é eu muito sonhei com outra. Tendo filhos com outra, seguindo sua vida sem mim.
—Cadê Mary, Edu?
Belle pergunta sei que está tentando coletar informações visto que não contei o ocorrido ainda.
—Não sei, só mandou uma mensagem dizendo que tinha ocorrido imprevistos.
Ele está com um camisa dobrada até meio dos braços azul claro e calças jeans, esse homem ficaria lindo até de mendigo. Desvio o olhar para não babar.
—Vamos para piscina?
Daniel chama, os meninos rapidamente se prontificam, Belle olha me e sei que está na hora de contar a minha conversa super civilizada com Mary. Os meninos saem em busca de roupa de banho.
—Desembucha logo, por que jogou Mary na piscina?
—Como assim? O que você fez sua maluca?
Ally pergunta.
—Calma, deixa contar.
Conto a conversa nos máximos detalhes possíveis para minhas amigas.
—Eu vou matar aquela idiota, juro. Você sabe que o que ela falou é mentira, né?
Olho para Ally, queria dizer para minha amiga que não me sentia atingida pelas palavras daquela vaca, mas a verdade é que todo o momento depois da conversa suas palavras flutuavam na minha mente.
Acha que Edu não sente nojo de você? Caí na real, Emili, você é uma pessoa horrível.
—Será Ally, eu me odeio, por que ele pensaria diferente?
—Emy você precisa contar para ele, precisa se livrar dessa culpa.
—Como vou me livrar da culpa, Belle, não posso. A culpa é a consequência do que eu fiz, se eu me livrar dela eu vou esquecer o que eu fiz, eu não mereço ficar bem, eu mereço toda a dor que vier, eu mereço que ele tenha raiva e nojo do que eu fiz. Chega desse assunto, não é dia para minhas lamentações. Vamos nadar. Vou ficar bem, prometo.
—Emy...
—Não, Ally chega desse assunto. Vou pegar os biquínis.
Levanto indo pegar meu biquíni e para as minhas amigas.
Ficamos na piscina, parecendo umas crianças, um tentando afogar o outro, em um momento fico na beira da piscina, fecho meus olhos e as lembranças veem. Nosso primeiro beijo, aqui mesmo naquela época era tudo fácil, meio que inocente. Depois daquele beijo teve outros, beijos por curiosidades, beijos roubados, até que enfim nos meus quinze anos pediu para namorar comigo. Sorrio com as lembranças, sinto seu olhar sobre mim abro os olhos é lá está ele, desejo que pudéssemos voltar naquela época. Sorrio e sorri de volta. Depois da piscina pedimos pizza e todos partem para casa, afinal amanhã era segunda.
Dessa vez o sonho foi o mesmo que o da noite passada, mas Edu estava também segurava minha mão, enquanto observamos a menininha. Ela não se aproximava, mas nos observava, seu sorriso era diferente, tinha um brilho diferente, mandava nos beijos. Acordei sorrindo, com lágrimas pelo rosto e uma tranquilidade que a muito tempo não sentia. Como normalmente sai para correr, na volta sentei na mesa com papai e mamãe tomar o café.
—O que você vai fazer hoje, querida?
Mamãe pergunta.
—Tenho uma consulta com Dr. Joseph e a tarde vou encontrar uma amiga.Mãe, pai estou pensando em me inscrever em um minicurso fora do Brasil
—Emy não é uma boa ideia, não fora do país.
—Pai, o Dr Joseph disse que estou pronta.
—Ele sabe que você quer fugir do Edu?
—Mãe, eu preciso descobrir o que fazer da vida.
—É isso mesmo? Só isso? Não quer fugir?
Mamãe fala e papai me encara. Eu quero descobrir o que fazer da vida, quero encontrar me novamente, mas uma parte de mim quer apenas não ter que o ver seguindo em frente.
—Vou conversar com Doutor Joseph.
—Pai, eu posso tomar as decisões da minha vida, tenho vinte e dois anos.
—Sabe mesmo Emíli? Porque da última vez que tomou decisões se arrependeu e tentou se matar.
Encaro meu pai sem saber como reagir, é a primeira vez que falou assim comigo.
—Miguel.
Mamãe o repreende.
—Emili precisa crescer, eu vejo o quão está destruída, nós vemos. Não vou permitir que continue se destruindo assim. Não vou pagar por mais uma de suas decisões erradas.
—Miguel não é a hora. Emili.
—Você está certo, pai. Desculpe.
Engulo o choro, os beijos e subo para meu quarto. Mamãe vem logo atrás.
—Emili, seu pai só está com medo.
—Ele está certo, mamãe. Eu preciso crescer, preciso livrar vocês disso. Desculpe, eu sei o quanto sofreram nesses últimos anos.
—Querida sempre vamos estar aqui por você, amamos você.
Abraço minha mãe e sorriso.
—Eu sei, também amo vocês.
Mamãe sai. Decido arrumar meu closet.
—Pirralha.
Daniel grita no meu quarto.
—Aqui.
Ele entra no closet.
—Arrumando as tralhas, muito bom.
Levanto do chão aonde estava sentada arrumando minha coleção de óculos. Beijo meu irmão.
—Bom dia, maninho. Cadê sua noiva?
—Bom dia, foi trabalhar alguém precisa nos sustentar.
Bato no seu braço.
—Bobo.
—Chata, vou para o escritório quer carona?
—Não, minha sessão e às duas. Vou de carro.
Meu irmão beija minha testa.
—Tchau pirralha, cuide se.
Daniel parecia o mais velho tanto na aparência quanto no jeito, sempre estava tomando conta de mim. Término de arrumar meu closet, almoço e vou para a minha sessão. Doutor Joseph é um senhor da idade, com cabelos brancos e que te transmite tranquilidade. Conto sobre a volta de Edu, a conversa com Mary, os sonhos e a conversa com papai.
—Emili você precisa procurar o perdão, somos humanos, erramos a todos instantes. Você errou, um erro que custou muito de você. Precisa seguir em frente, precisa se perdoar, precisa aceitar que tomou uma decisão errada. Todos que estão ao seu redor sabem o que passa, mas só você mesma sente. Todos imaginam, porém você sente. Precisa se perdoar para dor passar, seu arrependimento nunca vai passar, infelizmente esse tipo é o que sempre vai te acompanhar. Ele não vai sumir, a sua dor ainda vai aparecer alguns dias, entretanto não vai ser a sua vida. Porque hoje sua vida é baseada no seu arrependimento, você precisa seguir, achar seus sonhos, se achar. Não vai ser fácil, mas você pode Emíli. Não errado você se perdoar. Seu martírio não vai trazer seu filho de volta, o seu arrependimento, seu luto de cinco anos é o suficiente para provar que mudou Emili, para provar a si mesmo que pode se perdoar. Precisa encontrar o seu perdão para poder se encontrar.
Saio do consultório com as palavras do doutor Joseph na minha mente. Eu preciso seguir em frente, mas é difícil sair da bolha de culpa e arrependimento que eu mesma me enfiei. Andy mandou mensagem confirmando o encontro, chego pouco antes dela no lugar marcado. Peço um suco de laranja.
—Oi buzz.
Andy senta na cadeira ficando na minha frente na mesa que tinha escolhido.
—Oi Andy.
—Adorei ter uma amiga que conheci em um momento vadia bêbada.
Rio, essa garota é maluca.
—Também, mas você não é nenhuma psicopata, estupradora lésbica, serial killer?
—Não, sou uma secretária falida de 25 anos e você?
—Uma pessoa sustentada pelos pais aos 22.
—Em categoria fracasso você venceu.
—Obrigada pela parte que me toca.
—De nada queridinha.
ARG, faço uma careta.
—Queridinha não.
—Por que?
—Lembra que falei que o cara que amava estava com outra? Me chamou de queridinha, a vadia.
—Me conta essa história direito garota.
Conto o encontro com Mary, logo tenho que contar sobre o aborto, faço pequeno resumo da minha vida. Andy tem esse jeito leve, maluco que faz com queira sair contando tudo a ela. Sinto como se fossemos amigas a décadas.
—Uau. Não sei que dizer e eu sem palavras é muita coisa. Primeiro essa Mary é uma vaca, jogar na piscina foi pouco deveríamos arranhar a cara dela todinha. É por último deve conversar com esse cara vai lhe fazer bem.
Sorrio com a frase que me lembra da minha série favorita.
—Você também assiste girls in the house?
—Simmm.
Começamos uma conversa sobre girls in the house, passamos para futebol enquanto devoramos batatas fritas, parece que ela também não liga para dieta.
—Agora chega, vou morrer de curiosidade conte me sobre sua história com seu melhor amigo.
Ela suspira, sua expressão triste não combina com a pessoa alegre que é.
—Eu e Pietro conhecemos nos desde que me conheço por gente, nossos pais são vizinhos. Melhores amigos na infância, fomos adolescentes juntos ele arrumou o menino que dei o primeiro beijo e eu a menina para ele, achei que fosse como irmão. Até que na minha formatura de ensino médio me temos pé na jaca, bebemos e perdi minha virgindade com ele. No dia seguinte decidimos que foi um erro, afinal éramos melhores amigos. Ele foi estudar fora e conheceu Michelle, ela engravidou e eles casaram, fui a madrinha. Nisso conheci Maurício, não fazia meu coração acelerar nem nada, mas estava carente aceitei o comodismo que ele trazia. André não a ama, quer separação ela usa o filho. Eu descobri que o pinto pequeno, barra, Maurício me traia. Saímos juntos afinal somos melhores amigos, mas parece que nós e bebidas não dá certo. Transamos e eu gosto dele mais que como amigo. Ele está se separando, pediu uma chance comigo, hoje de manhã enquanto me explicava que não era uma amante. Pirei sabe, sei a sensação de ser traída, mas ele me garantiu que está separado. Quero sabe, mas tem o filho, a ex. Não sei, parece muita coisa.
—Uau somos fodidas no amor. Mas não deixe o amor passar, não deixe ele escorregar pelos seus dedos como eu fiz. Dê a chance a ele.
—Deveríamos tentar ser lésbicas, íamos ser um casal top.
Começamos a rir, porque mesmo que a vida seja difícil as vezes a levar sorrindo era melhor jeito de espantar a dor e tristeza.
Logo após sair do shopping liguei para a única pessoa que iria me ajudar e consegui o que precisava. Vinte minutos depois estava na frente da sua casa. Tomei coragem e apertei a campainha. Estava na hora de conseguir e conquistar meu perdão. E esse era o primeiro passo.
Tradução:
E eu irei erguer-me
Eu me erguerei como o dia
Eu irei erguer-me
Eu irei erguer-me sem medo
Eu irei erguer-me
E eu vou fazer isso mil vezes novamente
E eu irei erguer-me
Alta como as ondas
Eu irei erguer-me
Apesar da dor
Eu irei erguer-me
E eu irei fazer isso milhares de vezes novamente
Para você
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