O poder do perdão
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Limpo as lágrimas do seu rosto, ela sorri. Um sorriso terno, ainda consigo ver a culpa no seu olhar e não será da noite para o dia que irá desaparecer, mas estarei aqui limpando suas lágrimas e a segurando.
—Obrigada, amei.
A abraço, seu rosto no meu peito e minha cabeça apoiada na sua. Ficamos assim por um tempo.
—Adoro ficar assim com você garotinha, mas amo você em uma cama.
Sinto sorrir.
—Pevertido estragou o romantismo.
Desvencilha se dos meus braços.
—Desculpa, garotinha. Sou um pervertido, confesso.
—Sou uma pobre garotinha indefesa atraída por um libertino.
—Libertino, sério?
Pendura se em mim.
—Culpe esses romances de época.
Sorri.
—Tá bom, pobre garotinha indefesa.
—Para onde vamos, sua casa ou na minha?
—Quem é o libertino, agora hein?
—Engraçadinho.
—Vamos para meu apartamento.
—Você tem um apartamento?
Olha me com curiosidade.
—O que ganhei e nunca usei. Vamos logo.
Passamos na cozinha e agradecemos ao chefe e sua equipe. No carro cantamos com Legião Urbaba, amo que ela saiba amar, valorizar e apreciar o que é nosso, brasileiro. Vamos da garagem até o andar do apartamento de mão dadas, gosto de segurar sua mão, gosto que saiba que eu estou aqui.
—Entre na minha super casa.
Abro a porta, entramos. Não tem muita coisa, um sofá na sala, geladeira e fogão na cozinha e cama no quarto, o essencial. Ganhei o apartamento quando passei no vestibular, nunca o usei quando vinha visitar ficava nas casa dos meus pais.
—Ual amei os móveis.
—Debochada.
Quando fica de costas para entrar mais na sala, a ataco.
—Cosquinha não, Edu.
Berra. Paro, vira se ficamos frente a frente, minhas mãos na sua cintura.
—Menos garotinha tenho vizinhos agora, controle seus gritos.
Bate no meu ombro, sabe que estou sendo malicioso. Os anos não quebraram nossa ligação, a capacidade de por um olhar ou mesmo palavras implícitas nos entendermos.
—Queria dizer que você não é nem um pouco silencioso.
Provoca.
—Falar menos, mais ação. Vou te mostrar como posso ser silencioso.
Pego a no colo e levo até o quarto.
—É um libertino mesmo, nem mostra a casa leva direto ao quarto.
—Te apresento minha suíte.
Desce do meu colo ficando de costas para mim.
—Bonita, gostei da cama parece confortável para dormir.
O quarto é relativamente grande e por ter apenas uma cama parecia ainda maior. É uma suíte de modo que a esquerda ficava a porta do banheiro. Emy ainda está de costas tiro seu cabelo para o lado e beijo seu pescoço, se arrepia. Amo as respostas do seu corpo ao meu.
—Vou te mostrar, baby, o quanto é confortável. Hora de estrear essa cama.
Estreamos e não somos silenciosos o que tornou tudo ainda mais perfeito.
~°~
Eu estou sentado com as costas apoiadas no meu sofá com Emy sentada no meio das minhas pernas encostada no meio peito. Decidimos que era uma ideia legal tomarmos vinho em copos de plástico enquanto usamos meu celular para tocar música, após a cama ser estreada com sucesso.
—Amei essa sua decoração.
Debocha.
—Engraçadinha. Quer decorar para mim, garotinha?
—Posso?
—Pode, a verdade é que foi tudo um plano querida. Arrumar uma namorada para me livrar desse serviço árduo de decoração.
—Não acredito que cai em uma armadilha.
—Plano infálivel, vou mante-lá prisioneira como minha escrava, o que acha?
Beijo seu pescoço.
—Devo informar senhor que não sei passar e nem lavar.
Põe o copo de lado e vira se montando no meu colo.
—Quem falou nesse tipo de escrava, querida!?
—Quer usar do meu corpo?
Fingi indignação.
—Deveria ser atriz, Emy.
A beijo.
—Já vai começar a abusar do meu corpo?
Morde meu pescoço.
—Acho que quem está preste a ser abusado sou eu.
—Deveria te deixar marcado, sabe, para as periguetes de plantão.
Começo a rir. Bate no meu peito.
—Não ri, Edu. Falando em periguetes, preciso contar algo que aconteceu entre eu e Mary.
Para de rir. Passo mão pelos cabelos, lá vem problemas.
—O quê tem ela?
—Te quer. Lembra do noivado que foi embora?
—Sim.
—Eu a empurrei na piscina.
—Emy.
—Hey, deixa te contar o porquê.
Emy conta a conversa, vejo no seus olhos o quão as palavras de Mary a afetaram.
—Nunca devia ter me envolvido com ela, deslize.
Emy levanta e começa a caminhar pela sala vazia.
—"Envolvido"?
Imita minha voz, melhor tenta.
—Ciúmes, garotinha?
Para e fuzila me com o olhar.
—Vadia, puta, garota escrota.
Quero rir, mas amo minha vida.
—Ela era uma boa amiga.
Emy para e senta na minha frente.
—Não quero saber, obrigado.
—Ela me procurou hoje.
Não quero esconder nada dela.
—O que queria?
—Dizer que deveria ficar com ela que me ama, faria me feliz. Deixei claro que é você, sempre foi.
Suspira.
—O que teve com ela Edu?
—É mesmo necessário?
—Sim, não quero segredos.
Encosto a cabeça no sofá.
—No dia que tomei o porre, o dia em que mandou a mensagem, bebi demais. Eu iria dirigir, nível de álcool era alto no meu sangue, Mary cuidou de mim, levou para casa. No outro dia contou que também ia para São Paulo, ficamos amigos. Ela meio que me salvou, era uma boa amiga. Saiamos juntos, festas, bebidas passamos algumas noites juntos.
—Você gosta dela?
Sua expressão é de tristeza.
—Não Emy, nunca senti nada por ela. Foi só no momento. Boa amiga, apenas. Garotinha, não fique assim.
Fico de pé estendo a mão para ela, pega puxo para ficar de pé
—Eu te amo como nunca amei ninguém, Emili, e nunca vou amar
Beijo canto da sua boca.
—Também te amo, só não gosto de pensar em você com ela.
Enrola os braços no meu pescoço, a beijo.
—Venha vamos começar os trabalhos escrava.
~°~
Acordo com Emy se debatendo.
—Emy.
Toco seus braços.
—Garotinha.
Acorda assustada, se agarra em mim.
—Xiu, vai ficar tudo bem, estou aqui.
Aos poucos se acalma.
—Que horas são?
—Cinco.
—Não posso correr ainda.
Senta na cama com pernas cruzadas em baixo do corpo.
—Corre todos os dias?
—Sim, ajuda a me controlar, não ter crises.
—Emili ontem falei com seu psicólogo.
—Dr Joseph?
—Sim. Não falamos sobre você e as sessões com ele, falamos sobre o transtorno pós aborto.
Deita na cama encarando o teto.
—Foi o diagnóstico que me deu.
—Muito mais complexo que imaginava.
—Os psicólogos antes deles não aceitam o diagnóstico. Parece que uma pessoa que abortou não pode se arrepender. Não deve. Tem sangue frio para fazer, então tem sangue frio para não se arrepender. Foi o primeiro que cogitou a possibilidade.
Aperto sua mão para que saiba que estou aqui para ela.
—Sinto muito.
—Eu também, se tem uma coisa que sinto é muito. Todos os dias quando abro os olhos, primeira respiração, todos os dias após os pesadelos, eu sinto o arrependimento correndo minha alma, meu corpo e meu coração.
Continuo segurando sua mão, trago para meus lábios e beijo sua mão presa a minha. Ficamos no silêncio, dividindo a mesma dor, porque é isso dividiamos a mesma dor. Sua dor é a minha dor.
—Estou aqui agora, garotinha.
—Eu sei, Edu. Quando estou com você consigo acreditar que mereço mais, que merecemos mais. Sei que posso e devo me perdoar, vai ser difícil, mas se estiver me segurando vou conseguir.
Deito do seu lado e deita sua cabeça no meu peito, beijo seus cabelos. Sinto quando respiração de Emy ameniza, fecho olhos e adormeço também.
~°~
Sete horas meu despertador toca, tento me desvencilhar de Emy sem acordá-la. Ela acorda.
—Bom dia.
Beijo a ponta do seu nariz.
—Bom dia, garotinha.
Levanto-me, preciso ir logo para a construtora.
—Pressa?
—Tenho que ir para construtora.
—Oficialmente namorada de um cara importante.
Sorri. Emy estava sorrindo mesmo depois do pesadelo mais cedo, sorrindo mesmo, não apenas fingindo. Sempre foi assim de rir depois de danos ou episódios tristes, nunca remoendo o que a aconteceu. O que só acentuava o quão afetada pelo aborto ficou.
Beijo a rapidamente e vou para o banho, quando volto ela está sentada na cama nua.
—Garotinha não me tente.
Larga o celular que estava na sua mão e se aproxima, porra quero tocá-la.
—Trabalho CEO, foco.
Corre para o banheiro antes que a toque, quando sai do banheiro já estou pronto.
—Sua chave.
Coloco em cima da cama, vou até ela e a beijo.
—Uma chave, ual, gostei.
—Traga umas roupas, garotinha, espero te ver muito aqui. Gosto de ter aqui.
—Vou trazer, porque gosto de estar aqui.
A beijo e finalmente saio. Quando chego na construtora, ligo para Felipe e Daniel preciso dos meus amigos para conseguir desligar a bomba antes que exploda. Felipe um amigo da faculdade, engenheiro civil, o conheci quando optei por algumas matsuperfaturadas,haria. Marco com os dois às dez, até o horário da pequena reunião continuo mexendo na contabilidade, relatórios, contratos, projetos. Há obras superfaturadas, certeza. Alguém bate na porta, droga, preciso de uma secretária logo.
—Entra.
Felipe entra.
—Oi, devo chamar de a senhor?
Senta na cadeira a frente da minha mesa.
—Não palhaço, como anda?
—Bem e você?
—Com problemas.
A porta é aberta, Daniel.
—Um senta sem ser convidado o outro entra sem pedir.
Daniel senta na cadeira do lado de Felipe.
—Não preciso disso, beijou minha irmã sem permissão.
Reviro os olhos, Daniel insiste até hoje que deveria ter falado com ele antes de beijar Emy.
—Daniel Felipe. Felipe Daniel.
Faço as apresentações, apertam as mãos.
—Preciso de ajuda.
—Com o que?
Felipe pergunta.
— Projetos superfaturados, propina, desvio de dinheiro. Olhem.
Alcanço os papeis para eles.
—Você tem sérios problemas.
Felipe se manifesta, após analisar os papéis.
—Eu sei.
— Seu avô não sabia, certeza?
—Sim, meu avô não faria isso.
—Seu Antônio não permitiria.
Daniel confirma.
—Alguém roubou e enganou seu avô.
—É grande cara, mas tem como sair com nome construtora limpo desde que prove que foi enganado e roubado.
Daniel assume seu modo advogado.
—Talvez perca um pouco de dinheiro.
—Não importa, Felipe, só quero tirar essa história a limpo.
—Vai ter que falar com seu vô.
Tudo que eu queria evitar, contar para meu avô que alguém o enganou, mas não havia alternativas.
—Irei, hoje mesmo.
—E fazer a denúncia o quanto antes melhor.
Concordo com Daniel. Com a ajuda dos meus amigos faço a denúncia. Quando a mídia souber irá enlouquecer. Não tem como desativar a bomba sem explodi -lá.
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