O poder do perdão

13 Capítulo 12


De todos os loucos do mundo eu quis você
Porque eu tava cansada de ser louca assim sozinha
De todos os loucos do mundo eu quis você
Porque a sua loucura parece um pouco com a minha

Você esconde a mão, diz que é Napoleão
Boa parte de mim acredita que sim
Se eu converso com ar, no meio do jantar
Você espera a vez dele de falar
Você fala chinês pela primeira vez
Eu dou opinião num perfeito alemão
Se eu emito um som que você acha bom
A gente faz um dueto fora do tom

Emili

Edu segura me enquanto coloco tudo para fora em forma de choro. Aos poucos consigo me controlar e se acalmar.

—Podemos entrar?

Desvencilho do seus braços e aceno com a cabeça. Entramos deito no sofá da sala, Edu senta e coloca minha cabeça no seu colo. Mexe no meu cabelo.

—Melhor?

—Um pouco, não vai contar aos seus avôs?

—Você quer contar?

Fecho os olhos e lembro de quando contei ao meu irmão, dia que escrevi no caderno para minhas amigas e o dia depois de tentar acabar com minha vida pela primeira vez que contei aos meus pais. Os olhares de decepções.

—Por enquanto não.

Fecho os meus olhos e tento dormir. Quando acordo estou no meu quarto, procuro Edu não o acho. Confiro meu celular. Há uma mensagem de um número desconhecido.

Te encontro para ir no jantar do seu irmão, fui intimidado a comparecer.

Seu noivo .

Sorrio, enfim salvo seu número. Ainda é cedo para se arrumar para o jantar, descido catar algo para comer. Encontro mamãe na cozinha, bate algo na batedeira e tem farinha no rosto.

—Nem parece uma advogada durona vestida assim de senhora do lar.

Verdade é que dona Gabi sempre gostou de cozinhar em seu tempo livre.

—Sou muito linda para ser uma senhora.

Sento na cadeira da mesa que ficava na cozinha a observando.

—Muito linda.

—Emy o que seu irmão vai aprontar com esse jantar?

Desliga a batedeira e me encara. Sabia que iria tentar descobrir.

—Não sei mãe, deve ser o pedido oficial para o pai de Ally, a verdade é que Daniel já havia falando com o pai de Ally.

Ela estuda minha expressão, tento máximo possível parecer não saber.

—Está mentindo. Quando estão indo estou voltando, Emili.

Sorrio da sua expressão de indignação.

—Só posso adiantar que vai gostar.

—Só isso?

Faz beicinho.

—Mamãe você é uma mulher adulta mamãe, controle sua curiosidade.

Suspira.

—Já que não vai falar venha me ajudar a preparar uma sobremesa.

Levanto e vou até ela, confiro o que tem na batedeira.

—Creme inglês?

—Sim, farei uma torta de morango com creme inglês.

—Delícia.

Começo a ajudar. Não sou expert na cozinha, mas de fome não morre e nem mato alguém de intoxicação.

—O que Valentina falou...

A corto antes que continue.

—Tudo bem, mãe. Eu a entendo.

Olha me séria.

—Sério, mãe. Só fiquei lembrando e chateada, mas já passou ok!?

—Ok.

—Olha que lindas todas sujinhas.

Meu irmão entra na cozinha.

—Olha o filho que quer matar a mamãe de curiosidade.

—Que exagero mamãe. Ela te perturbou muito para saber, pirralha?

Dan se escora no balcão ao nosso lado.

—Quase me subornou para isso.

Mamãe bate com pano de prato no meu braço.

—Mentirosa.

Sorrimos. Papai chega e fica de lado de Daniel.

—Pessoal que vai cozinhar e servir o jantar chegou, serão expulsas daqui.

Papai avisa.

—Mamãe lembrou que era um jantar simples e chamou pouca gente, né?

Sei que está lembrando da vez que mamãe chamou um bufê todo para um jantar de quinze pessoas. Mamãe revira os olhos.

—Sim, chamei quatro pessoas. Satisfeitos?

Terminamos a sobremesa e nos retiramos deixando o pessoal trabalhar em paz. Subo para me arrumar, escolho uma roupa casual já que é só a família.

Estou terminando de passar o batom na frente do espelho quando alguém bate na porta do quarto.

—Entra.

—Está bem bonita.

Edu. Viro me e o beijo, adeus batom.

—Também está um gato.

—Está melhor?

—Sim.

Estava sentindo me bem, tinha passado. Era quase sempre assim algo fazia com que ficasse mal e depois eu conseguia melhorar.

Beija me mais uma vez, volto a passar o batom e descemos. Todos já haviam chegado, Ally e seu pai com a madrasta e os seus meios irmãos de doze anos

Cumprimentamos todos. Deixo minha amiga por último. A abraço. Ficamos as duas de pé no canto da sala, longe um pouco de todos.

—Está melhor?

—Sim, seu irmão quase bateu em um médico ontem.

Sorri.

—Por que?

—Porque ele estava olhado meus peitos e chamou Dan de exagerado. Se não estivesse com meu estomago tão mal teria sido hilário, adoro seu irmão com ciúmes.

—Vocês dois são doidos. Sabe que minha mãe está doida de curiosidade, vai ter um treco quando contarem.

—Sabia que ela ia te dar trabalho, foi proposital Maninha.

Daniel e Edu se juntam a nós.

—Bastardo.

—Vamos contar logo?

Daniel pergunta a Ally.

—Vamos.

Ally concorda animada, vamos os quatro para perto de onde estão todos.

—Pessoal, eu e Ally queremos comunicar algo.

O silêncio reina.

—Estou grávida.

Ally finalmente diz. Mamãe tem lágrimas nos olhos, pai da Ally abre e fecha a boca, alguém ficou chocado, papai parece conter as lágrimas. Mamãe os abraça enquanto chora. Madrasta tenta confortar o pai de Ally.

—O pai da Ally vai ter um infarto.

Edu sussurra no meu ouvido.

—Coitado.

—Vamos ser tios que irado.

Um dos gêmeos grita. Papai os abraça, após o abraço do papai Ally finalmente nota o pai dela.

—Pai você está bem?

Ela se aproxima do sofá aonde ele está sentado, senta do seu lado.

—Minha princesa vai ter uma bebê.

—Vou papai.

Ele realmente parece em transe.

—Eu não posso acreditar, minha princesa.

A história de Ally com seu pai era um tanto que complicada e bonita.

—Parabéns querida.

Sua madrasta diz. Pai dela parece finalmente dar se conta do que está acontecendo e beija a testa de Ally.

—Vai ser uma ótima mãe, princesa. E Daniel ainda iremos ter uma conversa.

Meu irmão sorri. Depois de Ally contar como descobriu, garantir que está bem e ser paparica por todos vamos jantar. Papai e mamãe sorriem o tempo todo estão radiantes, pai e a madrasta vão embora. Ficamos na sala jogando truco, eu e Edu contra Dan e Ally. Estamos ganhando.

—Parem de roubar.

Daniel acusa.

—Não estamos roubando.

Digo, claro que ele não precisa saber que eu sei que algumas cartas estão marcadas.

—Estão sim, você sempre rouba Emy.

Uma droga quando sua ex parceira joga contra você sabe de todos seus truques.

—Sua chata.

Acabamos vencendo.

—Sempre ganho seus patos.

Zombo deles. Ally e Daniel sobem para o quarto.

—Dorme comigo hoje?

Peço a Edu.

—Claro, garotinha.

Eduardo

Acordo com Emy derrubando alguma coisa. Abro os olhos e está vestida com roupa de malhar.

—Onde vai?

—Correr.

Confiro as horas no celular.

—São seis horas.

—Sempre corro cedo. Pode voltar a dormir.

—Tenho que estar na construtora às sete e meia. Tenho que passar em casa e trocar de roupa, melhor ir logo.

Começo a levantar. Emy beija me, se despede e sai. Aproveito para procurar sua agenda, preciso do número de um certo psicólogo. Enfim acho e tenho sorte de conter o número do consultório, salvo o número no meu celular. Visto me e vou para casa, passo em casa troco de roupa e vou para a construtora. Paro em uma padaria para tomar café. Logo que chego na construtora tento ligar para o consultório, consigo marcar uma sessão para a tarde.

Notas finais
Bjssss