O poder da saudade
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Assim que saiu da casa de mestre Fu, Marinette caminhou até o colégio. Encontrou Alya e Chloé, que agora eram amigas, conversando animadamente na porta.
— O Jagged vai lançar outro CD? — perguntou a loira.
— Sim! — respondeu a morena.
— Quando?
— Ele ainda não falou, mas há boatos de que sairá daqui a dois meses.
— O que sairá daqui a dois meses? — perguntou a azulada, que não tinha escutado o início da conversa.
— O novo CD do Jagged Stone! — respondeu a loira.
— Sério? — as duas meninas assentiram.
O sinal tocou e as três amigas foram para a sala. As aulas correram normalmente, até a interrupção de mais um ataque de um akumatizado. Marinette inventou uma desculpa e encontrou um local para se transformar. Rapidamente, Ladybug, Volpina e Queen Bee derrotaram o vilão que, apesar de ter muita força, não era muito inteligente, e acabou caindo em uma armadilha das super-heroínas. Depois das aulas, a azulada foi para casa e tentou tirar um cochilo, já que passara a noite em claro estudando para a prova de química, mas não conseguiu dormir. Resolveu pegar seu celular e encontrou uma matéria de um site de fofocas: "Onde está Chat Noir?" Essa era a pergunta que a atormentava todos os dias. Resolveu ler a matéria, mas não encontrou nada, apenas pessoas criticando Ladybug por não responder as perguntas feitas pelos jornalistas em relação ao parceiro e reclamando de Chat Noir, por não revelar seu paradeiro à imprensa. A azulada lembrou do dia em que o loiro falou que iria para longe e não sabia quando voltaria. Ela se arrependeu tanto de não ter se despedido do parceiro e pensou no que aconteceria se tivesse perguntado para onde ele iria. Deixou uma lágrima cair e resolveu ir para seu lugar favorito na cidade, o único que a acalmaria: a torre Eiffel. Chegando lá, sentou-se no chão e observou as luzes da noite parisiense.
Quando Ladybug ouviu a voz do gato, levantou-se rapidamente e virou para o parceiro. O encarou por alguns segundos e depois desferiu um tapa na bochecha do loiro, que virou o rosto com o golpe.
— Ai, por que você fez isso? — perguntou o felino.
— Chat! É você mesmo! Desculpa ter te batido, eu precisava saber se você era real. — falou a azulada, abraçando o parceiro, que corou.
— Você não podia ter me abraçado ou algo assim para saber se eu era de verdade? — disse o menino, que ficou sem resposta.
— Eu senti tanto sua falta. — Ladybug desfez o abraço, encarou o loiro e desferiu outro tapa em seu rosto — Por que você não me ligou? Nem atendeu minhas ligações? Qual é o seu problema? — disse, em tom ríspido.
— Dá pra parar de me bater? — perguntou, mas a menina não respondeu — Bom, eu não me transformei em Chat Noir enquanto estava fora, por isso não te liguei e nem atendi suas ligações. Além disso, não tinha sentido algum te ligar, já que você nem me olhou quando eu disse que ia embora.
— Me desculpa, Chat.
— Pelo quê? Ter me batido ou não ter falado comigo?
— Por tudo. Eu… sou a pior parceira do mundo.
— Ah, pare com isso. — disse o loiro, abraçando a menina.
— Você não está com raiva de mim?
— Não.
— Sério?
— Tá, só um pouquinho. — os dois riram e Ladybug desfez o abraço lentamente, encarando os belos olhos verdes do gato.
Eles estavam muito próximos, de modo que conseguiam ouvir a respiração do outro. A azulada encarou os lábios dele e lembrou do beijo que teve de dar para retirar o feitiço da flecha do Cupido Negro. Sem que percebesse, começou a aproximar mais seu rosto com o do parceiro e fechou os olhos lentamente, como se já esperasse o que estava por vir. Seus lábios estavam quase se tocando, quando a menina percebeu o que estava acontecendo. Rapidamente, abriu os olhos, se afastou de Chat e encarou as luzes da cidade.
— Está uma bela noite não acha? O clima está bem agradável…— disse a azulada, apoiada na torre.
— Eu não quero saber do clima lá de fora, quero saber do clima que rolou entre a gente. — pensou Chat, mas apenas murmurou um "é…", concordando com o comentário da parceira e ficando ao lado dela. O silêncio permaneceu por alguns minutos.
— Chat…
— Sim.
— Onde você estava? E por que foi obrigado a ir? — perguntou a azulada, lembrando das palavras ditas por Chat no dia em que partiu: "E… antes que diga alguma coisa, não foi por decisão minha. Eu estou sendo meio que obrigado a ir."
— Bom, é complicado. O meu pai é… superprotetor. Ele disse que a cidade é muito perigosa e me mandou morar na casa da minha tia, na China, até essa coisa de akumas acabasse.
— Sério? — o loiro assentiu.
— Se ele soubesse que eu sou o Chat Noir e vivo combatendo supervilões me mandaria para outra galáxia. — a azulada riu.
— E como foi lá? Na China?
— Bom, até que foi legal. Conheci melhor a minha tia, que não via há anos e meu chinês melhorou bastante.
— Você fala chinês? — o gato assentiu.
— Sabe, eu gostei de lá. Mas sentia muita falta de Paris… — disse o loiro, voltando a olhar para as luzes da cidade.
— Não há nada melhor que o nosso lar. — O silêncio voltou a permanecer no local durante alguns minutos.
— E você? Como ficou as coisas por aqui? A Volpina e a Queen Bee são legais?
— Sim, para falar a verdade, sinto como se elas fossem minhas melhores amigas.
— Pelo visto, eu fui substituído. — disse o felino, fazendo biquinho.
— Acho que o gatinho ficou com ciúmes. — falou a azulada, rindo
— É claro! Você é minha lady. Só minha! — a menina riu novamente — Mas é sério, como estão as coisas?
— Na cidade? Está ótimo.
— Não, com você.
A menina lembrou das noites em que não conseguira dormir, pensando em Chat, no que teria acontecido com ele, por que não atendia suas ligações. Lembrou das vezes em que passou o dia inteiro chorando, pensando na possibilidade de nunca mais voltar a vê-lo. E agora estava ali, no topo da torre Eiffel, ao lado de seu parceiro.
— Bom, eu… estou bem. — respondeu a azulada.
— Só isso?
— Só isso o quê?
— "Eu estou bem"?
— O que queria que eu dissesse?
— Ah, sei lá… que está melhor agora com o seu gatinho ao seu lado. — Ladybug revirou os olhos.
— Tinha esquecido o quanto você é convencido.
Os olhos dos dois se encontraram novamente e silêncio voltou a permanecer no local. Quando a azulada percebeu que estava encarando o menino há muito tempo, desviou o olhar e corou.
— Eu… senti muito a sua falta. — disse a joaninha.
— Sério? — a azulada assentiu.
— Passei noites sem dormir por causa de você, seu gato bobo.
— Eu não deixei você dormir? — enfatizou a palavra "eu".
— Por que eu fui dizer isso? Agora que você vai ficar ainda mais convencido! — disse a menina, colocando a mão na testa.
— Mas… por que, exatamente, você não conseguiu dormir? Por saudade do seu gatinho, por pesadelos ou raiva por eu não atender suas ligações?
— Por medo.
— Medo? Eu sou um super-herói, lembra?
— Sim, mas… eu tinha medo de que você não quisesse mais falar comigo, ou que tivesse perdido seu miraculous ou que não voltasse a ser Chat Noir ou que… — Ladybug não aguentou, deixou as lágrimas caírem só pensar na possibilidade de perder o seu parceiro para sempre. O loiro, imediatamente, a abraçou. — Eu tinha medo de nunca mais te ver, de nunca mais ouvir sua voz, de nunca mais escutar suas piadas que, mesmo sem graça, me fazem rir, de nunca mais olhar nesses lindos olhos verdes. Tinha medo de perder, Chat. — disse, ainda abraçada com o parceiro. Os dois permaneceram assim por alguns minutos. Quando a azulada se acalmou, desfez o abraço e encarou o loiro.
— Não se preocupe, my lady. Eu estou aqui e você não vai me perder. — a menina sorriu e voltou a olhar para as luzes da cidade, seguida por Chat.
— O que você mais gosta em ser super-herói? — a pergunta surpreendeu o gato, afinal Ladybug nunca se interessou em saber sobre a vida pessoal dele.
— Acho que a liberdade. Como Chat Noir eu posso sair a hora que eu quiser e ser quem eu realmente sou.
— Concordo com você.
— O que gosta de fazer nas horas vagas? — o loiro resolveu arriscar, já que Ladybug tinha começado com as perguntas.
— Gosto de desenhar, sonho em ser estilista. Minha inspiração é Gabriel Agreste.
— Gabriel Agreste? — a menina confirmou e ele sorriu, seu pai era uma inspiração para sua amada.
— E você?
— Eu o quê? — o menino estava tão distraído que nem entendeu o que a azulada quis dizer.
— O que gosta de fazer nas horas vagas?
— Eu… quase não tenho tempo livre, mas acho que isso vai mudar em breve. — disse, lembrando-se da conversa que teve com o pai mais cedo e ele se mostrou bem diferente.
— Que bom. — a menina sorriu e o silêncio voltou a permanecer no local. Os dois heróis apreciavam a vista do topo da torre Eiffel.
— O que foi? — perguntou o loiro, quando percebeu que a azulada estava muito séria.
— Acho que está na hora.
— De quê?
— De revelarmos nossas identidades.
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