O poder da saudade
10 Capítulo 10 - Final
Notas iniciais
Chat Noir encarou a parceira durante alguns segundos, não conseguia acreditar nas palavras que acabara de ouvir.
— V-você… tem certeza? Q-quer dizer… não precisa fazer isso se não quiser. Eu entendo sua decisão e…
— O que foi? O gatinho está com medo de virar abóbora? — disse a azulada, rindo.
— N-não, é que… eu pensei que você não quisesse revelar a sua identidade.
— Olha, eu realmente não queria. Mas isso foi antes.
— Antes de quê?
— De quase te perder.
O silêncio permaneceu no local durante alguns segundos.
— Então… o que você acha de dar uma volta pela cidade? — perguntou o loiro.
— Tipo… agora?
— Eu sinto muita falta de andar pelas ruas de Paris.
— Mas, Chat…
— Podemos revelar nossas identidades depois. Vamos, por favor.
— Está bem.
Os dois heróis desceram da torre Eiffel e pularam nos prédios. Calmamente, visitaram os principais pontos da cidade: a Catedral de Notre-Dame, o Museu do Louvre, a Praça da Bastilha e, por fim, a Pont des Arts. Durante o passeio, Chat Noir falava tudo o que sabia sobre os monumentos.
— Esse foi o melhor passeio que eu fiz pela cidade, sabia? — falou a azulada.
— É claro, você estava acompanhada do melhor guia turístico de Paris!
— Você é tão convencido! — os dois riram e voltaram a observar as luzes da cidade.
— O que foi? — perguntou o loiro, quando viu que Ladybug estava séria.
— Está na hora. — Chat compreendeu o que ela quis dizer e virou para encará-la. A azulada estendeu as mãos para o parceiro e ele as segurou. — No três, desfazemos nossas transformações ok? — o loiro assentiu — Um, dois três! Desligar!
— Desligar! — uma forte luz envolveu os heróis e eles voltaram a ser Marinette e Adrien.
Quando a menina viu quem estava na sua frente, soltou as mãos do loiro rapidamente e se apoiou na ponte.
— Você está bem? — perguntou o menino, mas a azulada não respondeu, apenas continuou encarando os belos olhou verdes dele.
Vários pensamentos passavam pela cabeça de Marinette, todos os momentos que viveu ao lado de Chat, todos os trocadilhos e piadas sem graça, todas as tentativas de aproximação, todos os momentos em que o loiro a salvou, todas as vezes em que ele caíra por cima dela, todas as vezes em que ela o ignorou, o beijo… Na verdade, tudo o que viveu com Chat, viveu com Adrien? Começou a pensar em tudo o que aconteceu quando ele estava fora, as noites que passou sem dormir, a manhã que acordou na torre Eiffel, as ligações não atendidas, o arrependimento que sentiu por não se despedir de seu parceiro nem de seu amor secreto, as fotos rasgadas… Sua cabeça estava girando. Sentiu que poderia desmaiar a qualquer momento.
— Marinette, está tudo bem? — o loiro voltou a perguntar, mas continuou sem resposta. A menina o encarou pela última vez e correu, Adrien tentou ir atrás dela, mas viu que já estava trajada de Ladybug, saltando pelos prédios. Pensou em ir até a casa da menina, mas resolveu deixá-la sozinha, ela precisava de tempo. Naquela noite, nenhum dos dois conseguiu dormir.
Na manhã seguinte, já no colégio, tanto o loiro quanto a azulada não conseguiram prestar atenção nas aulas. Os amigos de ambos perceberam a distração e perguntaram o que tinha acontecido, mas eles não respondiam e tentavam mudar de assunto. Às vezes, seus olhos se encontravam, mas a menina desviava o olhar.
— Marinette, o que aconteceu? Você nem falou do Adrien hoje… — disse Alya.
— Pois é! E por que ele, toda hora, está olhando para você hein? — perguntou Chloé.
— Não é nada, gente. — respondeu a azulada.
Depois da aula, Adrien tentou falar com a menina, mas não a encontrou. Então, resolveu ir para casa. No fim da tarde, um novo akuma atacou a cidade.
A akumatizada era Viviane, uma escultora. A vilã, chamada Medusa, transformava em estátuas todos que olhavam diretamente em seus olhos. Os quatro heróis, Ladybug, Volpina, Queen Bee e Chat Noir chegaram ao local praticamente juntos.
— Chat Noir? — espantaram-se as meninas trajadas de abelha e de raposa. A azulada não encarou o parceiro.
— Bem que tinham boatos de que você tinha voltado. — falou Volpina.
— Não é hora disso, gente. Vamos derrotar o akuma. — ordenou Ladybug e os heróis iniciaram a batalha.
Queen Bee olhou diretamente nos olhos da vilã e acabou transformada em estátua.
— Agora está explicado porque o nome dela é Medusa. — disse a morena que, olhando para o chão, tentou se aproximar da akumatizada, mas acabou sendo transformada em pedra. Ladybug e Chat Noir se encararam durante alguns segundos, mas a azulada desviou o olhar e invocou seu amuleto da sorte:
— Talismã! — jogou seu ioiô para o alto — Um espelho? É sério? Que clichê! — a menina olhou para a vilã através do reflexo e encontrou o objeto em que o akuma estava escondido: o colar. Chat iniciou uma luta corporal com Medusa, sem olhar em seus olhos.
— Cataclismo! — o felino utilizou seu poder em uma árvore, a vilã conseguiu desviar, mas acabou caindo. Ladybug destruiu o objeto em que a borboleta negra estava aprisionada.
— Hora de aniquilar a maldade! — capturou o akuma — Te peguei! — libertou o inseto purificado — Tchau, tchau borboletinha! — jogou seu ioiô para cima — Miraculous Ladybug! — dizendo isso, as pessoas que foram transformadas em estátuas, incluindo Queen Bee e Volpina voltaram ao normal.
— Ladybug, nós precisamos conversar. — disse Chat Noir, que foi ignorado pela menina.
— O que aconteceu? O akuma foi derrotado? — perguntou a menina trajada de abelha.
— Sim. — respondeu a azulada.
— E você, Chat, não vai nos contar onde estava? — perguntou a morena, trajada de raposa. Quando o loiro iria responder, seu miraculous apitou.
— Eu preciso ir. Tchau! — O menino encarou a azulada e saiu.
— O que aconteceu entre vocês? Quase não se falaram durante a batalha. — disse Queen Bee.
— Pois é, vocês brigaram? — perguntou Volpina. O miraculous de Ladybug apitou e ela agradeceu por ter um bom motivo para fugir das perguntas.
— Eu… tenho que ir. Tchau! — dizendo isso, a azulada amarrou seu ioiô em um poste e, pulando nos prédios, foi para casa.
Como já era tarde e estava cansada por conta da luta, resolveu se deitar, mas as lembranças da noite anterior não lhe deixaram dormir. Se transformou e deu uma volta pela cidade, para ver se ficava com sono, mas não adiantou. Pensou em ir para seu lugar favorito: a torre Eiffel, porém, se Chat estivesse a procurando, seria o primeiro lugar que visitaria. Então resolveu ir para a Pont des Arts.
Adrien também não conseguia dormir. Queria conversar com Marinette, queria entendê-la. Por que, quando descobriu quem ele era, saiu correndo? Será que estava decepcionada? Será que o odiava? Com essas perguntas o atormentando, se transformou e pulou sobre os prédios de Paris, mas não encontrou a menina. Foi então que se lembrou da torre Eiffel. Já encontrou-a nesse local duas vezes, por que ela não estaria lá na terceira? Quando chegou ao monumento, não viu sua amada. Foi até a casa de Marinette e, pela janela, tentou ver se ela estava no quarto, mas, mesmo com sua visão noturna, percebeu que o local estava vazio. Continuou procurando pela cidade e, quando estava quase sem esperanças, a viu sentada no banco da Pont des Arts. Sem dizer uma palavra, sentou-se no banco atrás dela. A menina percebeu a presença do parceiro, mas também não disse nada.
— Precisamos conversar. — falou o loiro. A azulada suspirou pesadamente, se levantou do banco e estava se preparando para sair, mas Chat a impediu, segurando seu braço. — Por favor, não vá. — Ladybug o encarou e os dois ficaram em silêncio durante alguns segundos. — Eu quero te entender, Marinette, por favor. — Lentamente, o loiro soltou o braço da menina. — Você está decepcionada, é isso? Está com raiva de mim?
— Você não entende, Adrien? O problema não é você, sou eu. — suspirou — Esse tempo todo eu ignorei o Chat Noir, sentindo, de alguma forma, que estava traindo o Adrien. — o loiro a encarou, confuso — Eu tentei, esse tempo todo, me declarar para você e, quando finalmente criei coragem, fiquei sabendo que você iria viajar. Não sabia o que fazer, então resolvi ir para a torre Eiffel. Só não esperava que Chat Noir chegaria para me avisar que também ia embora. Estava tão confusa e imersa em meus pensamentos que nem consegui olhar em seus olhos. Quando me virei, você não estava mais lá, tentei ir atrás de você e lembrei do Adrien. Mas também não consegui me despedir. Todo esse tempo que você ficou fora me fez pensar no que realmente sinto. Sempre que olhava para suas fotos, eu chorava, mas teve um dia que eu percebi que isso não ia adiantar. O Adrien não gostava da Marinette e, se gostava, não deu nenhum sinal. Eu não aguentava mais chorar pelo meu amor não correspondido e… rasguei as fotos, mas não me livrei só delas, também abandonei meus sentimentos pelo Adrien, ou, pelo menos, era o que eu pensava. A partir desse dia, comecei a me preocupar mais com o Chat, comecei a te ligar todas as noites. Então percebi que o vazio que eu sentia não era por conta da ausência do Adrien, mas do Chat Noir. Sentia falta das piadas sem graça, dos trocadilhos de gato, precisava ouvir sua voz, ver seu sorriso, olhar em seus olhos. Eu percebi que te amava. Sabe, eu acho que realmente só damos valor às coisas quando perdemos, ou, no caso, quase perdemos.— o loiro continuava a encarando, confuso e Marinette percebeu que não tinha respondido a pergunta. — Eu fugi ontem, não por estar decepcionada, mas por me sentir culpada. Culpada por não dar valor aos sentimentos do Chat, culpada por ter rasgado aquelas fotos e estar com tanta raiva do Adrien. Descobrir que vocês são a mesma pessoa me deixou muito confusa. Me desculpa, não era para eu ter fugido e te ignorado. Eu sinto muito. — dizendo isso, a azulada abraçou o parceiro e chorou. O loiro ficou surpreso com o ato e, como ainda estava assimilando as palavras da menina, demorou alguns segundos para retribuir o abraço. Quando a azulada se acalmou, voltou a encará-lo.
— Eu é que sinto muito, Marinette.
— Pelo quê?
— Por não ter retribuído seus sentimentos pelo Adrien.
— Está tudo bem. — se abraçaram novamente.
— Então… como ficamos agora? — a menina o encarou, confusa — Quer dizer… vamos continuar sendo amigos ou…
— Bom, eu não sei. Depende.
— Depende do quê?
— Você me ama? Do jeito que eu sou?
— E você ainda pergunta? — a azulada continou o encarando, como se ainda esperasse pela resposta. — É claro que eu te amo, my lady.
— Então nesse caso… — disse a menina se aproximando do loiro — Acho que podemos continuar sendo amigos.
— O-o quê? Você está falando sério?
— É claro que não, seu bobo.
— Então… eu posso… q-quer dizer… você e eu… podemos…
— É claro que você pode me beijar. — disse a azulada, sorrindo.
— Então… isso quer dizer que estamos juntos?
— Você ainda pergunta? — falou a menina, rindo.
— Esse é o dia mais feliz da minha vida! — disse o loiro, segurando a amada no colo e, logo em seguida, selando seus lábios com um beijo.
— Eu te amo, gatinho.
— Eu também te amo, Bugboo.
Nesse dia, Marinette e Adrien descobriram que a saudade é muito poderosa, já que pode mudar o que pensamos e deixar claro o que sentimos, mas, mesmo sendo tão forte, a saudade nunca pode superar o poder do amor.
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