O plano real

1 Capítulo 1 - O álamo torto


Notas iniciais
Primeiramente gostaria de dizer que essa história é um dos meus xodós. Tive um sonho, no qual eu era a Coralina. A história toda se passou e assim que acordei coloquei as ideias no papel (no meu caso no Word hehe), mas não está finalizada. Todos os dias escrevo um pouco e me apaixono cada vez mais pelos personagens. Espero que aconteça o mesmo com cada um que irá ler o que irei postar. Espero que gostem, é de coração. E comentem o que acharam para saber se vale mesmo a pena continuar postando ou não :D

O inverno chegou rigoroso em Estamporello. Nas janelas das casas pobres, quase sempre havia camadas de neve encobrindo-as. Na casa de Alexander não era diferente. Olga esforçava-se para manter sua choupana limpa e quente, mas o rei Edward cortou pela metade o salário de seus súditos, o que revoltou mais a todos, e com o corte de salário, Olga mal conseguia comprar comida.

– Mãe, — Alexander anunciou sua chegada fechando com brutalidade a porta de entrada e retirando suas botas cheias de neve — consegui abater um coelho.

– Já lhe disse que é errado caçar esses pobres animais. — Olga repreendeu.

– Ou eles morrem para nos alimentar, ou nós morremos de fome, pois se depender do rei é isso que vai nos acontecer. Mas fique tranquila, não vou deixar que o rei descubra que estou caçando.

Olga se calou, pois o que o filho acabara de dizer era a mais pura verdade. E então se fez silêncio.

A casa da família Ride já não era a mesma desde que o pai de Alexander, Samuel foi cruelmente executado por causa do rei. Edward mandou matá-lo por mero capricho.

– Sinto falta de seu pai. — foi o que Olga conseguiu dizer tempo depois de tanto silêncio.

– Eu também, mãe. — o rapaz a abraçou com força, deixando o coelho morto em cima da velha mesa de madeira e soltou um longo suspiro -Preciso ir, afinal, se eu não trabalhar, morreremos de fome. Um coelho não basta.

– Alexander... — a mãe chamou-o quando ele calçava novamente suas botas sujas de neve — Por favor, não se meta em confusão.

– Pode deixar mãe, vou trabalhar honestamente agora. — ele sorriu vestindo seu casaco pesado — A floresta pode esperar até amanhã, acho que esse coelho dá para nos alimentar no jantar.

Então Alexander ajeitou seu casaco no corpo e pegou o machado que estava encostado à parede, ao lado da porta.

Ele saiu e caminhou pela estrada de terra batida que passava pelo centro do vilarejo onde morava e por onde passava, cumprimentava um conhecido. Era um rapaz bastante conhecido e querido por todos — e por todas -. Com o machado apoiado no ombro direito como de costume, ele passou pela pequena banca de verduras e cumprimentou a avó — que de sangue não tinha nada compatível, era apenas a mãe de criação de seu falecido pai — e logo voltou a caminhar em direção do bosque.

Lá encontrou Thurman, um de seus poucos amigos, já com as mãos na obra.

– Muito atrasado? — Alexander sussurrou para o amigo que partia ao meio uma tora de madeira.

– Não muito. — ele lançou um olhar para o lado, e lá estava um dos homens de confiança do rei tirando uma soneca.

– Eu precisava caçar algo para minha mãe comer — continuou sussurrando, afinal a caça era proibida no reino de Estamporello. — Eu nem me importo em comer apenas pão velho, o que importa é minha mãe. Não posso perdê-la, já levaram meu pai.

Thurman assentiu com um pouco de pena e logo voltou ao serviço. Alexander fez o mesmo.

A neve cobria metade das toras de madeira e o frio era cortante, tanto que os lábios de Alexander já estavam levemente roxos e rachados. A todo o momento ele passava sua língua por eles, mas de nada adiantava.

Depois de oito longas horas de trabalho de baixo de uma nevasca arrasadora, era a hora de ir para casa.

A lua estava quase toda coberta por grandes nuvens cinza. A neblina quase cegava quem tentava atravessar o bosque.

Alexander e Thurman eram quase vizinhos, portanto iam para casa pelo mesmo caminho, mas naquele dia, Alexander mudaria levemente seu percurso, indo em direção ao álamo torto.

– Hoje completa um ano da morte de meu pai. — ele disse.

– Meus sentimentos — Thurman tocou o ombro do amigo com sua mão pesada, coberta com duas luvas de lã grossa. — De novo.

– Você vem? — o rapaz dos cabelos negros balançando com a ventania indagou.

– Acho melhor você ir sozinho — o outro respondeu. A neve caía com mais intensidade, deixando-os com flocos de neve até grudados nas sobrancelhas e nos cílios. — Isso é um assunto pessoal. Vou para casa, preciso ver como está minha irmã.

– Tudo bem, até amanhã. — Alexander disse, já a caminho do álamo torto.

A irmã de Thurman se chamava Ieda, tinha apenas doze anos e uma saúde bem frágil. Nasceu com os pulmões fracos e quando chegava o inverno, mal conseguia respirar. Fica o dia todo em cima da cama dura de madeira feita pelo pai. Thurman tem dezoito anos, assim como Alexander. Herdou do pai um pedaço de terra, que é razoavelmente grande — comparando com os outros pedaços de terra herdados por alguns burgueses e camponeses mais sortudos e afortunados — e com isso, recebe muitas propostas para vendê-lo, mas não o faz de jeito nenhum. É um rapaz inteligente, sagaz. Sabe que no futuro valerá muito mais, portanto prefere deixar como está e com isso, mora com a mãe e com a irmã em um casebre pobre ao lado do de Alexander.

Alexander caminhou por cerca de meia hora até subir o pequeno cume, onde se situava o álamo torto. Era uma árvore especial. Pertencia à família Ride — Samuel a plantou quando tinha doze anos, juntou um dinheiro que ganhava fazendo pequenos favores a todos na vizinhança e comprou uma muda de uma árvore. Plantou-a e se tornou um álamo, porém torto, por causa da inclinação do cume — e de baixo desse álamo, Samuel foi enterrado. Era seu único desejo.

– Isso não vai ficar assim, pai. — Alexander sussurrou para o álamo. — Eu o vingarei.

O vento soprava e bagunçava ainda mais os cabelos do rapaz. A neve caía mais lentamente, parecia estar cessando.

Era a hora de ir para casa. Olga estava só e Alexander faminto.

Ele voltava para casa com passos lentos, e por sua cabeça passavam milhares de ideias de como vingar a morte de seu pai.

Notas finais
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo! Postarei mais nessa semana ainda! Obrigada :D