Notas iniciais
Estou sem pc, mas vou dar meu jeitinho brasileiro de postar aqui.

Algumas horas antes...

Enquanto isso tudo acontecia os homens da família estavam em situação diferentes .

Ehtan estava ouvindo o seu supervisor reclamar que os papeis do escritório estavam bagunçados.

— O que você acha de contratar a minha irmã. Ela pode fazer isso, organizar. E você pode pagar um terço do que pagaria a uma pessoa em período integral. — ele sugeriu.

— Boa ideia Ehtan. Eu concordo. Traga ela aqui amanhã. Então faremos um teste.

O mais velho sabia que a irmã sempre odiava os fins de semana em casa, como também sempre lhe era ruim os castigos que a mãe lhe impunha.

Era horrível e ele não queria mais vê-la passando por isso. Olhou o relógio e viu que era meio dia. Sabia que naquele momento a mãe almoçava com eles. Sentia que a irmã estaria passando por um momento ruim, já que sempre era motivo de chacota da própria mãe. Sentiu raiva por não poder estar lá para defendê-la. Mas tinha ciência de que logo a traria para seu lado.

No mesmo horário Carlos estava almoçando com a filha e esposa. Decidiu visitar Elvis. Seu melhor amigo de infância e dono de um pacato bar.

Depois da refeição ele foi se encontrar com o amigo.

— Quando Leonny volta? — ele quis saber servindo-se de uma dose de bebida.

— Amanhã, provavelmente. E como esta a nossa pequena Elisa.

— Ela engordou bastante, creio que por causa dos problemas. Minha esposa desconta tudo nela e em mim. Tudo que eu mais queria era logo um emprego. Voltar a ser o pai que eu era antes dessa depressão.

— Você consegue amigo. — Elvis dava apoio.

— E seu rapaz ainda tem a mesma ideia? — ele tomou toda a bebida em um gole só.

— De se casar com Elie?

— Sim. — Carlos confirmou.

O homem rio e serviu o amigo com mais uma.

— Se eu te disser que sim, você acredita em mim?

Ambos se romperam em uma gargalhada. Aquela era uma brincadeira antiga, mas parecia que o rapaz tinha levado a serio.

— Você acha que ele vai querer ela? Ela esta muito gorda. Não é mais a princesinha de anos atrás. — o pai reconheceu os defeitos da filha.

— Creio que sim. Você tinha de ver as namoradas do meu filho. Mas essa proposta louca, ele tem pensado nela sempre. Já esta com vinte anos, mas ainda sim pensa nela.

— Eu sempre achei que ele fosse deixar isso de lado e esquecer a proposta, mas ao invés disso ele perpetuou a ideia. Estou surpreso demais com seu filho Elvis. — o homem deu um longo suspiro. — No fundo que queria que um príncipe em um cavalo branco aparecesse e salvasse a princesa das garras do dragão. Parece surreal eu dizer isso nos dias de hoje. Mas mesmo que eu tenha perdido as minhas características como um bom pai, eu realmente quero ver ela feliz. Estou cansado de ver o sofrimento dela.

— Eu sei bem como se sente. Amélia, minha filha, hoje em dia mora com a mãe e se eu fosse um pai melhor naquela época eu estaria agora com minha mulher e meus dois filhos comigo. Mas a vida é isso meu amigo.- Eles gargalharam enquanto se seriam de mais uma dose.

— Aos nosso filhos? — propôs Carlos.

— A um casamento prospero. — o outro completou feliz.

Voltando as horas atuais.

— Por que mesmo você quis vir aqui. — Elisa perguntou já com Lewis em seu quarto.

— Eu nunca vim aqui, nossas mães eram amigas antes da sua...- ele hesitou sobre o olhar da mais nova.- Ela mudar.

— É eu sei. Ela não é mais a mulher que era.

— Eu acredito. Virna nunca mais falou dela e nem quis vir aqui como antes. Creio que você talvez não se lembre das vezes que minha irmã estava. — ele comentou sentando-se na cama e pegando o ursinho que ela ganhara do irmão. — Monokuro boo, você gosta? — ele a fitou com um sorriso.

— Sim, ainda mais esse. Foi meu irmão quem me deu. — essas palavras foram o suficiente para o rapaz soltar o objeto e manter uma seleta distancia do bichinho.

Elisa sabia que Ehtan era bem temido por algumas pessoas, inclusive para Lewis. Ele via o que a garota se negava a ver. Que o irmão tinha uma obsessão amorosa. Por muitos anos ele teria sido a sua válvula de escape do sofrimento que ela passava, então ela preferia fechar seus olhos ao que acontecia.

O clima estava começando a esfriar e as horas estavam se arrastando. Lewis olhou ao redor e deu um sorriso ao perceber que Elisa, agora sentada ao seu lado, estava distraída, olhando pela janela. Ela nunca recebia visitas, estava sem saber como agir. Ele se levantou sorrateiramente e se dispôs na frente dela. Os olhos eram de quem estava pronto para aprontar. E assim ele o fez. Colocou as mãos sobre o encosto da cadeira em que ela estava e aproximando-se lentamente ele a beijou. Diferente do beijo de antes, esse era mais doce e calmo, tinha suas ritmadas, agora com as duas mãos no rosto de Elisa, Lewis passeava com sua língua na boca da jovem. Que correspondia timidamente. Em seus quatorze anos ela nunca havia sido beijada e aquela sensação que o garoto lhe proporcionava era única e ela cedia pouco a pouco.

— Desculpe fazer isso assim, da próxima vez se você quiser meus beijos, terá que procura-los você mesma. — ele disse ficando em pé normalmente e com um sorriso nos lábios.

— Eu não entendo, você tem namorada, esta apenas querendo alguém para brincar? — ela não o olhava nos olhos.

Aquilo pareceu ofender ao rapaz, que ficou um tanto recluso com a pergunta. Recuou um pouco antes de se sentar pesadamente na cama.

— Eu não estou brincando com você.

— E aonde esta sua namorada agora? — ela quis saber.

— Deve estar com suas amigas no shopping, gastando dinheiro com coisas que eu sei que ela não precisa. Stefanny não é o tipo de garota que trocaria o final de semana em meio a luxo e glamuor por uma tarde simples com o namorado. Vendo filme e comendo pipoca. — ele soltou um sorriso sarcástico.

— E por que esta com ela então? Ninguém no mundo é obrigado a estar onde não quer. — aquelas palavras pesaram em seu peito. Se ela pudesse se manter sozinha, com certeza não estaria mais naquela casa.

— Eu não sei. Tenho certeza que ela esta comigo por eu ser algo que ela possa exibir para as amigas dela. E por mais cínico que isso possa parecer, eu também sinto o mesmo.

— Eu não sou nenhum step. Creio que estar aqui a essa hora, beijando outra garota, não faça de você um cara melhor. — apensar do medo que sentia de estar sozinha novamente Elisa fora bem ensinada pelo irmão desde pequena a não sucumbir aos caprichos superficiais alheios.

— Amo esse seu jeito decidido. Apensar de ver você correspondendo aos meus beijos. Devo confessar que ao seu lado me sinto bem para ser eu mesmo.

Ela corou levemente.

— Por algum motivo eu não posso terminar com ela. Apensar de nosso namoro parecer algo apenas feito de aparências. Já que não estamos juntos, apenas unidos por um status social. — ele continuou.

— Por isso veio aqui? — ela questionou.

— Sim. Eu precisava me sentir vivo. Ao menos uma vez.

Ela fitou o chão e pensou por um momento. As palavras do rapaz ecoaram em sua mente.

Ela sentia o mesmo. Parecia uma boneca distorcida, que ficava em uma caixa, pronta para receber os castigos que lhe proporcionavam, ou os poucos carinhos que eram dirigidos. Nesse ultimo caso, carinhos vindos do irmão.

— Eu sei que pode ser muito sacana da minha parte, mas... — ele hesitou. — Fica comigo? Aos fins de semana, quando você achar que pode. Mas fica comigo? Podemos fazer várias coisas juntos. — seus olhos brilhavam em direção ao dela.

Elisa pensou por um momento. Sabia que não tinha nada a perder, se ninguém soubesse, se ninguém a tarjasse como uma traidora. Mas tinha muito medo de o irmão saber, de alguém descobrir e ela ser mais maltratada do que já era.

— Tenho medo das represarias, caso alguém descubra. — ela tinha razão, ele pensou. Deixou o corpo pender pra trás e ficou deitado na cama da menina.

— Desculpa, que pedido, idiota.

— Eu aceitaria se não fosse isso.

Elisa se questionou se era certo descer tão baixo por causa da carência que tumultuava seu coração. Não sabia exatamente como proceder. Nesse instante pensou no irmão. Não queria mentir para a única pessoa que realmente a amava. No fundo Lewis sabia que aquela não era uma atitude de homem, mas por mais que quisesse não podia perder o seus status.

Ganhava muitas regalias com isso.

— Eu prometo que vou resolver isso, mas fica comigo um pouco mais. Eu preciso de você.

Precisar. Algo que ela não sentia há anos. A sensação de que alguém a quisesse apensar do seu corpo, do seu descuido.

Elisa por fim cedeu.

Lewis saiu da casa da garota antes mesmo que o irmão e o pai chegassem. Como a mãe dela tomava medicamentos para dormir, seu sono era muito pesado.

Depois disso o tempo se formou e uma chuva fina caiu, Elisa ficou na janela olhando as gotas de água. Era um lindo dia, se seu coração não estivesse tão nublado.

Como de costume não era feito jantar aos fins de semana, sempre compravam algo pronto. Elisa detestava isso. Por que já estava gorda e não queria se acabar mais e mais em coisas gordurosas.

Logo o relógio marcou dezoito horas e Ehtan passou pela porta cansado. Mas decidiu colocar seu melhor sorriso e ir ao quarto da mais nova.

— Cheguei Elisa. — era sempre a mesma coisa. Ela corria e o abraçava, não ligando o cheiro de suor ou nada do gênero, queria apenas estar com o irmão em um casto abraço.

— Como foi seu dia? — ela quis saber.

— Logo eu vou te contar, vou apenas tomar um banho. Pode ser?

— Claro, quer que eu lhe prepare alguma bebida? — ela sorriu da maneira que ele mais gostava.

— Sim, por favor. — ele reparou no silencio e já sabia o porquê de tudo aquilo. — Ela ainda não acordou e ele ainda não chegou das bebedeiras. — concluiu indo em direção ao banheiro. Não sem antes olhar a irmã de soslaio e desejar coisas que não podia dizer.

Meia hora depois o homem chega em casa não tão bêbado quanto os filhos esperavam.

— Sarah, Elisa,Ehtan? — ele chamou a todos.

— Elisa e eu estamos aqui. Referente a sua mulher, já não sabemos. — o mais velho disse secamente ao pai que deu de ombros. Sabia onde ela estaria. Mas não seria louco a ponto de incomodar.

— Vou tomar um banho. Sirvam meu jantar e deixem na mesa, por favor.

O mais velho estava terminando de cortar alguns legumes crus e apenas fez que sim com a cabeça.

— Vamos Elisa, não vamos comer pizza e nem essas outras besteiras. Uma salada leve e um suco fresco pra nós hoje. — a garota sorriu. Ele realmente iria ajuda-la.

Poucos minutos depois Sarah desceu a escada indignada por ter sido acordada e quando já ia levantar a mão para bater na filha, avistou o mais velho. Parou o que iria fazer. Elisa já tinha os olhos fechados, pronta para receber o castigo pelos atos do pai.

— O que você acha que iria fazer? — o mais velho perguntou.

— Nada, peçam pizza, que estou sem saco pra fazer comida.

— Peça você mesma para você e seu marido, eu e Elisa vamos comer salada. — ele disse passando pela mãe com os pratos em mãos e sendo seguido pela mais nova que estava assustada.

Já no quarto dela eles começaram a comer, escolheram um filme que iriam assistir naquele sábado.

Nunca iam para o quarto do irmão, ele não deixava e era terminantemente proibida de adentrar aquele local. Ela nunca perguntara o motivo, apesar de sempre querer saber, não desobedecia ao rapaz. Que muito confiava.

Optaram por assistir ao filme, Se eu ficar.

— Logo você completa quinze anos, gostaria de alguma coisa? — ele dizia sem desviar os olhos da tela.

— Eu só queria passar o dia inteiro longe dessa casa. Podemos passar o dia todo por ai.- ela sugeriu.

— Eu tenho uma ideia, mas não sei se você vai querer aceitar. — ele disse agora encarando a irmã.

— Diga.

— Podemos fazer isso sim que você disse, e a noite podemos dormir fora de casa...- ele parou por um instante encarando os olhos da irmã. — em um motel.

Ela ficou um pouco surpresa e uma onde de medo invadiu seu corpo inteiro. Mas não podia deixar esses pensamentos contaminarem sua mente. Seu irmão a amava e nunca, nunca faria qualquer mal a ela. Disso ela tinha certeza. Mas será que ela pensava assim?

— O que diremos a ela? — ao invés de questionar o porquê um motel, ela perguntou algo que preocupava muito. A reação de sua mãe. Não que ela se importasse, mas qualquer coisa era motivo de briga. Elisa sabia bem disso.

— Que é seu aniversário e que queremos passar um tempo juntos. Deixa que eu resolva isso com ela.

Ele puxou a irmã para seu lado e sentados no chão como estavam, ele encostou sua testa na dela e fechou os olhos. Ela os manteve bem abertos e ficou olhando o irmão.

— Eu te amo Elisa. — ele disse por fim rompendo o silencio.

— Eu também te amo, Ehtan.

Então ele a abraçou bem apertado. O relógio marcava vinte e uma horas.

— Vamos dormir? — ele pediu. Estava esgotado.

— No seu quarto hoje?

Seus olhos ficaram estáticos e um visível incomodo percorreu seu corpo, ela não podia ver o que tinha lá. Nunca.

— Não, sempre dormimos aqui não é? — ele procurou colocar um sorriso forçado no rosto.

— Eu sei, mas, um dia queria dormir com você na sua cama. — ela jogou uma desculpa qualquer.

Ele sorriu. Ela conseguia isso com facilidade.

— Um dia vamos sim, vou te abraçar forte e não te deixar nunca.

— Sim, nunca.

Naquele momento algo aconteceu, ele se aproximou demais, seus olhos eram muito vivos e traziam neles um desejo que Elisa reconheceu na hora, teve medo. Ele deu um casto beijo da ponta do seu nariz enquanto as mãos envolviam sua cintura. Afastou-se de leve e foi ao ouvido da irmã, onde lá disse baixinho:

— Você é maravilhosa!

A irmã estremeceu, se sentiu culpada por sentir aquilo, mas era uma coisa que o irmão queria dizer e fazer, ela não podia contestar isso. Ele era quem a protegia, cuidava. Mas dia após dia ela queria sair um pouco daquela gaiola. Queria amar por ela mesma. Mas o corpo que tinha servia como chave para seu mundo.

Agora afastada do irmão ela avisou que iria tomar um banho.

— Quer ajuda? — ele disse rindo, mas ela sabia muito bem, que aquilo estava longe de ser uma brincadeira.

Notas finais
Espero que apreciem. os comentários são lindos e me motivam.