O peso de uma escolha.

3 Um dia como nenhum outro.


Notas iniciais
Boa leitura

O dia seguinte seria ginástica e Elisa odiava esse dia, não conseguia correr os duzentos metros como todos mundo. Olhava para os lados com medo das gozações começarem. Estava soando frio. Sabia que o irmão estava em aula agora e que não poderia protegê-la se algo começasse.

— Elisa Dicksen. — chamou o professor. — Sua vez. — ele indicou a pista onde ela devia correr.

Para a garota o local com era uma angustia, mas não tendo escapatória começou sua corrida. As pernas estavam faltando e ela estava em ultimo lugar, devia correr junto de mais duas garotas.

O que parecia algo simples para alguém, para ela seria algo de extrema dificuldade.

Não chegara nem em um quarto da metade e estava arfando, sentia como se o coração fosse sair pela boca, como se os olhos fossem se esbugalhar e o peso venceu os seus joelhos. Tombou inevitavelmente na terra fofa. Se ralando toda, queria chorar, mas se conteve e foi amparada pelo professor preocupado.

— Elisa,Elisa. Esta tudo bem? — ele quis saber ajudando-a a levantar. O som das gargalhadas ao redor era alto. E mesmo que o professor mandasse se calar ela sabia que não cessaria. Quis gritar com eles e dizer o que pensava, mas a vergonha era maior do que se podia imaginar.

Lewis estava próximo e auxiliou no processo de erguer a garota, lançou um olhar ameaçador para algumas pessoas que logo cessaram a chacota.

— Elisa, tem de tomar mais cuidado, se não pode correr não corra. — ele disse olhando diretamente para o professor que se constrangeu com o ato de um garoto de apenas quinze anos.

— Sim, eu...- ela quis dizer algo.

— Tudo bem Dicksen. — o professor rebateu.

— Eu levo até a enfermaria. — Lewis disse já passando o braço da garota por seu ombro.

— Tudo bem. Vamos continuar. — o gestor falou por fim.

A caminho do local o silêncio foi absoluto. Quando a enfermeira avistou a garota, balançou a cabeça em tom negativo. Ela conhecia Elisa desde criança, estudara com a mãe dela.

— Elisa, não chore, seja forte. Se não puder correr não corra. — ela repetiu os dizeres do amigo, que distraído observava alguns utensílios que estavam no local.

O curativo foi simples e só a limpeza que deu uma leve ardência.

Quase ninguém sabia, mas Lewis era o irmão mais novo da enfermeira Virna. Ela deu uma piscadela para o irmão. Ele sempre teve uma paixonite por Elisa, mas como tinha uma imagem a preservar não investia na relação. A irmã achava isso ridículo da parte dele, porem não se metia nos assuntos do rapaz.

— A deixo com você, vou pegar mais material. — ela disse saindo do local, deixando os dois a sós.

— Tudo bem Elie? — ele questionou enquanto a menina olhava pro chão.

— Sim. Desculpa ter de me trazer aqui.

— Sem problemas, mas tome mais cuidado. Me preocupou. — ele olhava para os olhos da menina que fazia questão de desvia-los.

Aproximou-se de leve e prendendo o rosto dela em suas mãos, a beijou. Um beijos simples porém longo, que ela demorou a começar a responder.

Era seu primeiro beijo, seu primeiro toque vindo do sexo oposto. Quando o ato acabou ele reparou que ela estava corada. 'Como é inocente. ' Ele pensou.

— Não diga isso a ninguém. — ele a abraçou apertado. Afastou o cabelo dela e mantendo um pouco de distância aspirou seu cheiro.

— Na-não. Eu não vou contar. — ela se assustou com o toque do rapaz. Depois o encarando soltou um sorriso tímido.

— Assim estaremos nos entendendo. — os olhos deles não desgrudavam dos lábios dela. E de novo ele a beijou. Menos surpresa ela correspondeu com mais vontade acariciando os cabelos avermelhados do rapaz. Ele percorreu com sua língua a boca dela, explorando cada pedaço. Deixando-a sem o fôlego que sempre lhe fugia em horas importantes. Percebendo que estava desejando demais aquela beijo ele parou e olhou profundamente naqueles olhos cor de âmbar.

Sorriu bem sedutor e depois afagou os cabelos da menina com uma das mãos.

— Até depois. — ele saiu dali deixando uma Elisa atordoada.

Ele estava com um sorriso de orelha a orelha e tombando com a irmã no corredor logo foi detido.

— O que você fez? — Virna perguntou em tom de surpresa.

— Eu nada. — ele sorriu pra irmã.

— Você não me engana Lewis. Eu sei bem, muito bem que você deve ter feito algo. Está sozinho com essa garota a uns tempos e não fez nada? Eu conheço você e também sei que é homem. — ela olhou de soslaio para o irmão enquanto passava por ele.

Ao chegar na enfermaria encontrou a garota visivelmente nervosa. Não nascera ontem. Sabia que o Lewis teria feito algo. Mas preferiu ficar quieta.

— Elisa, você pode ir pra casa. — ela disse entregando-lhe um papel de dispensa das aulas.

— Obrigada. — ela disse pegando o objeto. — Preciso só trocar de roupa e avisar ao meu irmão.

Virna tinha plena consciência do amor torto do irmão pela menina. Tentou conversar uma vez com a amiga, mas foi em vão. Foi tarjada como doente. Por desconfiar do relacionamento puro entre seus filhos.

Não era por causa de Elisa que temia. Ehtan era mais velho agora e tinha necessidades como todo homem. A mulher tinha medo do que o pior viesse a acontecer algum dia.

Balançou a cabeça em tom de negação. Queria espantar a ideia o mais longe possível. Se fosse preciso interveria na situação da família. Mas por hora deixaria tudo nas mãos de Lewis.

Elisa caminhou lentamente, suspirando de leve. Estava cansada. Avistou o irmão que caminhava até ela preocupado.

— O que aconteceu? Como você caiu? Está realmente bem?

Um turbilhão de perguntas estava saindo de sua boca.

— Calma eu só cai. Lewis me trouxe a enfermaria e eu peguei uma autorização pra ir pra casa. — ela mostrou o curativo e o papel ao irmão. Que analisando a situação ficou aliviado.

Passou a mão sobre o rostinho redondo da menina e com um suspiro se conteve em fazer o que a muito tempo queria.

— Vamos andar por ai. — ele disse por fim.

— Mas você tem ainda mais três aulas. — ela sussurrou. Tinha medo de ofender o irmão que de tão bom grato queria acompanha-la.

— Não se preocupe com isso. Ele pegou a mão da garota e a guiou até sua sala que estava vazia. Era hora da ginástica para eles. Pegou os seus pertences e sem nem mais nem menos se encaminhou com ela para pegar os seus.

Lewis observava o caminhar dos irmãos ao longe. Ele sabia que tinha algo estranho com Ehtan, mas nunca disse nada. Tinha os mesmos pensamentos da irmã. Mas decidiu não se intrometer.

Estava feliz por ter roubado dela um beijo e ao mesmo tempo por manter a sua aparência na escola. Tinha a linda Izabelle e era tarjado como sortudo. Realmente era, podia ter a garota bonita par exibir e agora tinha a que realmente gostava para amar secretamente.

Notas finais
O que vocês acham da atitude Lewis?