O perfeito clichê
1 Capítulo único
Notas iniciais
Encaro-me no espelho, já não sei há quanto tempo estou assim, reparo em todos os detalhes do meu vestido: branco, longo, sem mangas, um decote inocente e em algumas áreas era brilhoso, mas nada que chamasse atenção.
Bem clichê. Nada das roupas elegantes e detalhistas que eu usava, com certeza a Evil Queen usaria essa roupa como camisola.
Fecho os olhos e tento imaginar um futuro próximo, eu estava prestes a entrar no altar e dizer “sim” para uma vida longa e feliz com o Robin, mas porque essa ideia não me agrada? Ela ronda minha cabeça com um letreiro enorme gritando: "clichê!". Na verdade não importa realmente se é clichê ou não, esse deveria ser meu final feliz. É isso que a tatuagem me diz não é?
Talvez seja só tensão pré-casamento ou medo de cair na monotonia depois de alguns anos, mas a verdade é que eu ainda espero o Robin preencher o vazio que a maldição deixou em mim. Por isso eu adiantei logo esse casamento. Casamento esse que me parece tão errado.
— Você está linda!- ouço a voz da minha ex-enteada soar animada atrás de mim.
Sinto um nó se formar na minha garganta e uma náusea instantânea ao ouvi-la. Não por ainda odeia-la, mas sim por sua voz soar tão animada.
Noto Emma atrás dela. Ela não tinha se pronunciado ainda e rondava todo o local com o olhar. Olhava para tudo, menos em minha direção.
—Obrigada, Snow. — viro-me novamente para o espelho e acaricio o vestido. — Ele é bastante simples, mas lindo. Escolhi-o por representar essa nova fase da minha vida. Simples e feliz, não poderia ser mais perfeito. — voltei a encara-la. — Além de ser tradicional.
“clichê” pensei.
Notei que Emma permanecia no mesmo lugar, mas agora ela analisava meu vestido, apenas o vestido. Poderia jurar que ela estava evitando qualquer contato comigo esses dias.
— É tão bom ouvi-la falando assim, Regina. — ela se aproxima e pega as minhas mãos. — Melhor ainda é testemunhar esse momento. Você está prestes a viver o seu final feliz. – Sinto-a apertar nossas mãos um pouco mais forte, como uma ordem para eu lhe encarar, já que eu estava olhando para o chão. — Eu queria que Henry, seu pai, estivesse aqui, ele ficaria realmente feliz, mas eu sei que, onde quer que ele esteja, está feliz por você, Regina. Até mesmo Cora.- dou um sorriso triste e ela continua.- E lembre-se, mesmo eles não estando aqui. — olhou rapidamente para Emma e eu acompanhei seu olhar. Emma me encarou, por poucos segundos, e voltou a olhar para o chão. Talvez tenha sido coisa da minha cabeça, mas escutei um suspiro vindo de Snow, por isso voltei minha atenção a ela. — nós estamos aqui. Somos sua família, nunca se esqueça disso, mesmo que você esteja prestes a formar uma nova com o Robin. — ela falou a última parte um pouco mais baixo. Ignorei isso, pois suas palavras realmente me emocionaram, eu só não era capaz de demonstrar isso.
— Obrigada, Snow, pelas palavras e por tudo. — me permiti abraça-la.
Nós não brigávamos mais, tínhamos deixado nossas diferenças de lado e eu poderia dizer que Snow é uma ótima amiga, quando não está por aí contando seu segredo.
Vi ela se afastar e chamar Emma com o olhar, mas essa negou e não pude deixar de notar o olhar triste de Snow. Logo uma inquietude e curiosidade para saber o que Emma queria me invadiram.
— Você está realmente linda, mesmo eu sempre imaginando você com aqueles vestidos que não dá para respirar- disse se aproximando, já que ela estava um pouco longe. Eu sorri do seu comentário.
—Você me imaginou casando muitas vezes, Swan?- impliquei. Às vezes eu fazia isso no automático. Era sempre assim quando eu estava com Emma, eu tinha necessidade de provocá-la.
—Talvez- disse olhando para a janela. Arqueei uma sobrancelha com a sua resposta, mas acompanhei seu olhar.
O casamento seria no quintal da prefeitura, onde fica minha estimada macieira. E ela estava lá, seria o palco de tudo aquilo, onde eu diria sim ao Robin.
E então uma memória vem a minha mente, de quando eu estava olhando por essa janela e vi Emma cortando minha macieira. Contrariando toda raiva que eu senti naquele dia, um pequeno sorriso se formou no meu rosto.
— Eu prometi a você que lhe traria seu final feliz. — disse chamando minha atenção. Ela me encarava seriamente e a inquietação e curiosidade voltaram. — você está feliz, Regina? Robin é realmente seu final feliz?
Demorei-me um pouco a responder analisando sua expressão. Sobrancelhas Franzidas, lábios pressionados, parecia que eu estava preste a lhe ferir dando-lhe a resposta. Seu olhar percorria meu rosto, ela parecia me analisar também.
—Sim, Emma, Robin me faz feliz e tenho certeza de que me fará mais ainda. — abaixei meu olhar, sabia que Emma tinha seus "super poderes" e que eles nunca falharam, especialmente comigo, mas eu não mentia de fato, só não confiava nas minhas palavras.
—Nem você mesmo acredita no que está dizendo, como espera que eu acredite?- Eu fiz menção em me pronunciar, retrucar, eu sou uma rainha e sei o que eu quero e o que me faz feliz. Eu estava confusa e insegura, sim, mas uma rainha jamais deixa transparecer suas fraquezas. — Eu não vou deixar você estragar a sua felicidade por um simples pó de fada e não é porque lhe fiz uma promessa. — sua respiração estava pesada e ela parecia nervosa para me contar algo.
Vejo-a andando apressadamente em direção à porta e ajo por impulso.
—Onde você pensa que vai, Swan? Você não pode me insultar assim e depois ir embora!- segurei a barra do vestido para tentar lhe alcançar, mas parei quando vi que ela trancava a porta.
— Eu não estou indo embora e em momento algum lhe insultei!- disse levemente irritada e parando perigosamente perto de mim, mas essa distância já não me incomodava mais há muito tempo, sempre que as coisas ficam tensas entre nós, ficamos assim, próximas.
—Dizer que eu não sou feliz com meu futuro marido não é muito bem o tipo de coisa que quero escutar no dia do meu casamento, Swan- disse irritada e ela apenas ignorou o que eu disse rolando os olhos.
— Eu sei, Regina, que você não vai ser feliz com o Robin, Porque se fosse para ser, já estava.- ela realmente estava me irritando, não pelo fato de estar criticando a minha relação com o Robin, mas pelo fato de me ler tão bem. Fiz menção em me pronunciar mais uma vez, mas ela levantou a mão me impedindo. — Não me interrompa. Apenas escute o que eu tenho a lhe dizer. -mesmo a contragosto, cedi ao seu pedido. – entenda, Regina: se o Robin fosse realmente seu final feliz, você não estaria confusa e insegura sobre seu futuro com ele.- passa a mão nervosamente pelos cabelos.- me irrita saber que você entrega seu futuro tão facilmente para um cara por conta de uma tatuagem.- tentou controlar sua respiração e voltou a me encarar seriamente, isso só atiçou minha curiosidade ainda mais. Onde ele queria chegar com isso?
—Eu tentei Regina. No começo ele parecia o certo para você. Doía-me, mas a vontade de ver você feliz é maior do que meu orgulho ou do que qualquer outra coisa. — nesse momento meu coração bateu em expectativa. — quando eu trouxe a Marian, acidentalmente, eu levei como um aviso e depois que Marian não era Marian e sim Zelena, mas que estava grávida do Robin, eu não pude mais ignora isso, você também não deveria. Sabemos que o amor verdadeiro não é fácil, mas isso já é demais. Você é inteligente, Regina, eu sei disso, mas você se apegou ao fato de que ele está, supostamente, destinado a você que se esqueceu de ver o que você realmente quer. O que realmente lhe faz feliz.
— E você sabe o que me faz feliz, Emma?! É muito fácil você vir aqui e me dizer tudo isso e não ache que eu já não percebi isso, mas essa é minha única chance de ser, realmente, feliz. Essa é minha segunda chance!- me altero. Não era fácil para mim admitir isso em voz alta, mas logo uma sensação de alívio me invade e quando eu percebo o que disse, fecho os olhos e deixo que algumas lágrimas escorram deles. Elas saem pesadas, mas aliviantes.
—Não, não!- colocou a mão no meu rosto e secou rapidamente as minhas lágrimas. — ele não é sua única chance. — ela encosta nossas testas e eu fecho os olhos com o contato. Nunca fomos tão íntimas assim, mas isso não me fez querer repeli-la, na verdade, me acalmou. — Olha para mim. — sussurrou.
Eu fitei seus olhos, eles estavam marejados. Ela teve de se afastar um pouco para me encarar, mas ainda estávamos muito próximas.
— Eu amo você. — disse baixinho, as suas mãos, que ainda repousavam no meu rosto, começaram a acariciar minhas bochechas.
Aquela declaração me pegou de surpresa. Eu não conseguia dizer nada, apenas olhar para ela. Minha boca se abriu levemente e quando eu iria pedir para ela repetir, ela foi mais rápida.
— Eu amo tanto você, Regina, com toda minha alma. Tudo que eu quero é ver você feliz. Eu abro mão de você, mesmo isso doendo muito, eu deixo você ir, mas só se você for feliz. — Eu escutava tudo o que Emma me dizia, mas ainda custava a acreditar no que ela estava me dizendo. Meu coração batia tão rápido no meu peito que eu poderia apostar que ela conseguiria ouvi-lo. — Ele não é sua única chance, então, se você sabe que ele não vai fazê-la feliz, por favor, não se case com ele. — ela encostou nossas testas novamente e meu coração deu um pulo com a proximidade. Ela estava de olhos fechados e eu só conseguia olha-la. — Eu não aguentaria ver você ao lado de uma pessoa que não te faz feliz, e não poder ter a única chance de te fazer feliz. — essa declaração abalou todas as minhas estruturas.
—Emma, você realmente me ama?- perguntei mais para mim mesma. Eu não entendia toda a carga de emoção que meu corpo produziu com sua declaração. Tudo me deixa confusa.
Ele desgrudou nossas testas mais uma vez, mas dessa vez ela não foi longe, muito pelo contrário, ela selou nossos lábios e por alguns segundos eu ainda não acreditei naquilo, mas quando eu senti seus lábios, não consegui pensar em mais nada, então eu fechei os olhos, tudo que eu queria era me entregar aquele beijo. Entregar-me a Emma.
Ela passou uma das mãos sobre o meu pescoço enterrando nos meus cabelos e a outra segurou firmemente a minha cintura, repousei minhas mãos sobre seus ombros delicadamente. Ela pediu passagem com a língua e, mesmo estremecendo, eu atendi ao seu toque imediatamente entreabrindo os lábios, ansiando para sentir mais de Emma.
O beijo foi calmo, mas necessitado, parecia que eu sempre precisei daquilo e agora que eu tinha, precisava aproveitar ao máximo. Com a mão na minha cintura ela tentava me trazer para o mais junto de si possível.
Eu poderia ficar ali para sempre, mas o ar já nos faltava. Ela foi quebrando o beijo lentamente e no final foi me dando selinhos e acariciando meus cabelos. Até que eu não a senti mais. Ela grudou nossas testas e eu não tive coragem de abrir os olhos, não por medo, mas ainda estava em êxtase.
— Sim, eu te amo. — beijou minha testa e eu finalmente abri os olhos. — Muito. — Ela beijou a ponta do meu nariz e se afastou.
Eu a encarei, encarei seu sorriso e as lágrimas que escorriam pela sua face, rapidamente limpei, como ela fez comigo e fiquei acariciando seu rosto até não aguentar mais e, novamente, selar nossos lábios.
Eu não sabia o que dizer, mas queria que Emma sentisse. Sentisse que, o que quer que ela esteja me propondo, eu iria aceitar. Eu precisava sentir isso que ela me proporciona, não só agora, mas para o resto da minha vida, mas infelizmente, antes que pudéssemos aprofundar o beijo, escutamos batidas na porta.
— Mãe? Você está aí?- escutamos o Henry do outro lado da porta.
A voz do meu pequeno príncipe me trás de volta a realidade, realidade em que eu estava prestes a me casar com o Robin. Eu queria mudar isso, mas não sabia o que fazer, não tinha coragem.
— Ela está sim, criança, e está linda. — respondeu Emma com um sorriso triste.
— Emma, espere, eu... — eu tentei sussurrar algo para ela, mas ela me interrompeu.
— Me dê um sinal, Regina, e eu lhe salvarei. — ela se soltou de mim e foi em direção à porta. O vazio, que eu nem percebi que tinha sido preenchido, volta a me incomodar.
— Hey, criança. — ela bagunçou o cabelo do nosso filho e o abraçou de lado, os dois estavam virados em minha direção.
—Mãe, eu não sou mais criança. Sou quase do seu tamanho. — falou emburrado, fazendo eu e Emma sorrir.
—Você pode ter o dobro do meu tamanho, mas será sempre o minha criança!- falou beijando a cabeça dele e ambos sorriram.
Notei que o sorriso de Henry era igual o de Emma. Senti-me completa mais uma vez admirando a cena. Era isso, eu não precisava de mais nada. Esse era meu final feliz, estar com Emma e Henry.
— Eu vou deixar vocês a sós. — deu mais uma bagunçada no cabelo do Henry e olhou para mim, se despedindo. Dei um passo à frente e tentei dizer algo, mas as palavras não saíram. Emma me olhou triste, sorriu e foi embora.
— Mãe, você pode me ajudar aqui? – Henry se pronunciou me assustando, eu pisquei os olhos rapidamente tentando entender o ele havia me dito, ele aponta para o cabelo que Emma bagunçou e eu o sinalizei para ele se aproximar. Ajeitei seu cabelo e sua gravata, o olhei de cima abaixo, ele realmente estava crescendo.
— Você estava chorando? Pensei que as noivas chorassem durante e não antes. — me perguntou.
Eu suspirei quando notei ao que ele se referia. Tudo parecia simples: eu não me casaria com o Robin e viveria com ele e Emma, mas apenas parecia. Isso afetava muitas pessoas e eu senti meu coração apertar ao constatar isso.
— Você gosta do Robin, meu amor?- perguntei acariciando seus cabelos.
— Mãe, o que importa é você gostar. Ele é um cara legal, mas eu quero que ele lhe faça feliz. — respondeu sincero e isso foi suficiente para eu tomar minha decisão.
— Filho, depois eu lhe explico tudo, mas preciso que você entregue uma coisa a Emma assim que me deixar no altar. — disse pegando um pedaço de papel e uma caneta.
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—Como foi lá?- minha mãe me perguntou assim que sentei ao seu lado. Ela sempre soube sobre meus sentimentos por Regina, antes mesmo de mim até. Ela descobriu quando ainda era apenas Mary Margareth.
Suspirei com sua pergunta. Eu ainda não acreditava que eu realmente tinha beijado a Regina, muito menos, me declarado. Na hora foi tão maravilhoso, mas uma péssima ideia agora, pois sei como é beija-la e sei que nunca mais vou poder tê-la daquele jeito. Agora eu só posso repetir a cena na minha cabeça e tentar reviver as emoções que senti quando a toquei.
—Eu contei tudo a ela. — falei abaixando o olhar. Senti uma de suas mãos alisando minhas costas e sorri, é bom ter uma mãe e uma amiga por perto.
—Eu sempre pedi para você fazer isso antes, Emma, Mesmo achando que não foi uma boa hora, estou feliz que ela finalmente saiba. — eu levantei o olhar e a olhei com um sorriso triste. — era por isso que achava que agora não seria uma boa hora. — ela me puxou para um abraço e me deixei relaxar.
Logo nós duas tomamos um susto com a marcha nupcial. Meu coração se apertou imediatamente. Virei-me para vê-la, e lá estava ela, linda, com nosso filho ao lado.
Ela olhava sempre para frente, com um sorriso no rosto e segurando o buquê firmemente. Olhei para o altar e lá estava o homem da floresta, e eu nunca senti tanta inveja de uma pessoa na minha vida. Cerrei os punhos quando percebi seu sorriso de orelha a orelha e nesse momento tudo que gostaria era de apertar seu coração até ver esse sorriso murchar, mas eu não posso, se ele for realmente fazer a Regina feliz, tenho que deixa-lo vivo.
Volto meu olhar para eles e sinto que estou prestes a perder algo. E eu estava.
Nossos olhares se encontram e eu me senti presa àqueles olhos castanhos que eu tanto amava, eu sempre me senti assim, mas agora eu também sentia medo, de ambas as partes. Mary Margareth tem razão, talvez não tivesse sido uma boa hora. Eu não fui com a intenção de deixa-la confusa ou com medo, mas eu estava tão desesperada por perdê-la que quando vi já estava lhe beijando, tamanha foi à surpresa quando ela correspondeu.
Eu conheço essa mulher com a palma da minha mão, e por isso, eu notei que seu sorriso era falso. Franzi as sobrancelhas ao fato. Ela já não me encarava, olhava para frente. Vi o Henry entregar sua mão ao Robin, ele o abraçou e puxou Regina para frente de Archie, que iria oficializar a união.
Tão clichê.
Todos se sentaram e eu abaixei a cabeça segurando com as mãos. Desejando profundamente que essa tortura acabe logo.
—Mãe!- Henry sentou ao meu lado afobado, com um sorriso esperançoso e eu o olhei confusa.
— O que foi, Henry?
—Minha mãe, ela me pediu para lhe entregar isso. — estendeu o papel para mim e eu arregalei os olhos para o que aquilo poderia significar. — você contou a ela, não contou?- perguntou sorrindo mais ainda, ele também sabia, mas fui eu que acabei contando em um dos meus desabafos. Ele não achou estranho, pelo contrário, torcia para que sua outra mãe aceitasse meus sentimentos e sempre me incentivou.
Olhei para Regina e ela estava me olhando nervosa.
—Sim, contei. Deixe- me ver isso!- peguei o papel que era pequeno, mas estava dobrado. Desdobrei atrapalhadamente, pois estava nervosa, quando li, meu coração falhou uma batida.
"Seja minha salvadora."
Era tudo que eu precisava.
Saltei da cadeira, mas quando vi que chamei a atenção de algumas pessoas, fui mais cautelosa.
—Emma, aonde você vai?- perguntou Mary.
— Salvar o meu final feliz. — disse baixo para não chamar atenção. Ela sorriu com a minha resposta. Henry levantou a mão para bater um high-five, prontamente lhe correspondi.
— Faça isso como uma Charming, filha. — disse David que estava ao lado de Mary. Ele também sabia, mas quem contou foi Mary. Eu agradeci quando ele me apoiou e não foi atrás de Regina para arrancar seu coração. Dei-lhe um sorriso em resposta e sai.
Antes dei mais uma olhada para Regina, que me olhou assustada. Sorri. Um suspense não faz mal a ninguém.
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— Robin Hood, aceita Regina Mills como sua legítima esposa? Para ama-la e respeita-la na riqueza ou na pobreza; Na saúde ou na doença; na alegria ou na tristeza, até que a morte os separe?- perguntou Archie.
Meu estômago estava embrulhado e eu apertava o buquê para disfarçar minhas mãos trêmulas. Eu mandei o sinal para a Emma, mas, aparentemente, ela tinha sumido. Será que teria desistido de mim? Não. Ela foi verdadeira quando disse que me amava. Eu senti isso.
—Sim. — respondeu Robin. Seu sorriso cobria quase sua face inteira. Eu engoli em seco. Henry estava certo, Robin era um homem legal, mas não estava destinado a me fazer feliz. Talvez antes, mas não mais.
—Regina Mills. — Archie chamou minha atenção e eu prontamente olhei para ele.
—Aceita Robin Hood, como seu legitimo marido? Para ama-lo e respeitá-lo na riqueza ou na pobreza; na saúde ou na doença; na alegria ou na tristeza, até que a morte os separe? — eu olhei para Archie, para os convidados e todos pareciam surpresos pela minha demora a responder. Olhei pare Henry e ele me dava um sorriso incentivador.
Enchi o peito de ar e olhei para o Robin, seu sorriso já não estava tão grande, mas ainda continuava ali.
Eu tentei, pela segunda vez, imaginar um futuro com ele, mas não consegui, até que me vi com Emma e com o Henry. Estávamos no Granny's, sentados numa mesa juntos com Snow, David e o pequeno Neal, todos estavam felizes e eu estava de mãos dadas com a Emma. Era isso que eu queria viver, era essa felicidade que eu queria sentir, era com eles que eu queria estar.
Eu não preciso de uma nova família, eu já tenho a minha.
Sorri nervosa e encarei o Robin, ele pareceu entender a situação e já não sorria mais.
—Robin, eu... — Um galope acabou me cortando e chamando a atenção de todos.
Invadindo a festa, estava Emma, montada em um cavalo branco, com sua jaqueta vermelha e a verdadeira pose de uma Charming. Assim que a vi meu coração se aqueceu. Ela não desistiu de mim, ela veio me salvar, ela é minha salvadora.
Todos ficaram de pé e se fizeram ouvidos vários murmúrios. Robin acompanhava a cena assustado.
— Robin, me desculpe, mas eu não posso me casar com você. — joguei o buquê no chão e peguei a mão que Emma me estendia, contando com sua ajuda para subir no cavalo. Um coral de "oh" foi feito pelos convidados quando eu subi no cavalo e sentei a frente de Emma. Ela saiu da festa às pressas e ao longe eu vi David gritar: “É assim que se faz, filha" e bater um high-five com o Henry e uma Snow emocionada.
—Eles sabiam, Emma?- perguntei abraçando seu pescoço para me equilibrar melhor e ela apenas sorriu.
Estávamos indo em direção ao limite da cidade. Vimos o Hook indo em direção ao Deck e quando ele nos viu acenou.
—Você conseguiu, Swan. É assim que um pirata rouba uma dama!- gritou para que ouvíssemos.
— Não me diga que eu era a única que não sabia, Swan!- disse espantada. Ela mais uma vez apenas sorriu e aumentou o ritmo do cavalo me obrigando a me segurar ainda mais nela, não que eu me importasse com isso.
Paramos perto do limite da cidade e eu vi seu fusca. Ela me ajudou a descer e ficamos nos encarando como duas bobas apaixonadas.
— Para onde vamos?-perguntei ajeitando o vestido e ela timidamente entrelaçou nossas mãos.
—Tirar um tempo para nós duas. — beijou a palma da minha mão e colocou sobre seu ombro.- E sugiro que esse tempo seja suficiente para abaixar a poeira sobre " A salvadora rouba a Evil Queen de seu casamento, deixando o coitado do Robin com cara de cachorro abandonado no altar."- Nós duas sorrimos e ela me puxou pela cintura me obrigando a me aproximar mais dela.- Não que ele já não tenha cara de cachorro.- sussurrou mordendo a língua com um sorriso travesso.
Sorri e me joguei em seus braços a beijando. Beijando com paixão, com felicidade. Eu não poderia estar mais feliz.
—Eu pensei que tinha desistido de mim, mais aí você me aparece montada num cavalo branco e com essa jaqueta horrível para me salvar. — falo segurando firmemente a gola de sua jaqueta a mantendo perto de mim o suficiente para sentir sua respiração no meu rosto.
—Você adora essa jaqueta, vai!- sorri com seu jeito convencido. — Eu jamais desistiria de você. – disse me beijando. — Eu sei que foi clichê aparecer em um cavalo branco e com minha "roupa-de-salvadora", mas... — a cortei com mais um beijo.
—Foi o clichê mais perfeito da minha vida!- nos beijamos mais uma vez e eu desejei que Emma permanecesse na minha vida até o fim dela.
Que vivêssemos sempre nesse mais perfeito clichê.
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