O país secreto.

13 Encontro um garoto no lago.


Notas iniciais
Oiie! Agradeço aos comentários! Espero que gostem.

Minha reação inicial é sacudir minhas mãos freneticamente afim de apagar o fogo. Não nego, estou apavorada.

–Emma, não se assuste.- Myafa diz, mas ela também está assustada que eu sei.- Isso é normal.

Mas não é mesmo!

–Emma, seu cabelo está pegando fogo!- Amélia grita, e eu me desespero mais levantando e pulando, enquanto balanço minhas mãos.

Olho de relance para Liam, que ri da minha cara. A raiva não me atinge, pois o desespero a bloqueia. Tento conter minha agitação para não tirar a concentração de Birc, mas continuo assustada. Mas assim que me tranquilizo, percebo que nem minhas mãos, nem minha cabeça estão queimando. São apenas chamas que bruxuleiam sem causar nenhum dano. Olho para as mãos hipnotizada com o que vejo, e não consigo evitar um sorriso.

–Maneiro.- Murmuro.

–Emma, você poderia se retirar por favor?- Myafa diz, educadamente.- É que senão você vai acabar desconcentrando o Birc.

Olho para ela e depois para Liam e Amélia.

–Tudo bem.- Digo.

–Vocês dois também, se não se importam.- Diz ela.

Ambos assentem e nós três saímos do porão. Do lado de fora, olho novamente para a minhas mãos, só para perceber que o fogo já não estava mais ali. Amélia passa os dedos discretamente pelos meus cabelos.

–Isso foi sinistro.- Ela diz.- Você consegue fazer de novo?

Tento fazer o fogo voltar, mas não consigo, por mais concentração que tivesse. Balanço negativamente a cabeça para Amélia.

–Você acha que mais alguém tem a capacidade de fazer algo assim?- Ela diz.

–Talvez.- Dou de ombros.- De qualquer forma, não importa.

Ela balança a cabeça e segue ao lado de seu irmão para a sala. Continuo ali, sem saber onde é exatamente ali. Pela primeira vez desde cheguei aqui, sinto a necessidade de olhar pela janela. Melhor, de tomar um banho. Vou até meu quarto e pego uma muda de roupa de Myafa. É um vestido tão verde quanto os cabelos dela. Talvez não fique ruim em mim. Vou até o banheiro, que é pequeno e apertado, redondo com tudo ali. Só há uma privada engraçada, de cor azul escura e com desenhos geométricos. Quando pego a toalha, que está bem dobrada em cima de uma mesinha, e o sabonete (nem sei se aquilo é de fato um sabonete, mas suponho que seja) Fico pensando em como essa gente é esquisita. Saio do banheiro e depois da casa.

Ao chegar ao lado de fora, fico surpresa. O vento sacode meus cabelos e a vista não é lá muito agradável. As casinhas arredondadas até seriam bonitinhas, se não fosse pela energia negativa e sombria que irradiavam. São tingidas de cores mortas, como preto, cinza e marrom, e apenas a casa de Arismir parece ser alegre. Mais além das casinhas, há uma densa floresta, com árvores que não conheço, cumpridas e com poucas folhas. A estrada não é asfaltada como deveria ser, mas sim é coberta de um tom prateado, o que causa a impressão de que é feita de prata pura. Os poucos pássaros que cantam, parecem corvos. Mas não são. São ainda mais esganiçados. Ando por ali, com medo. O lago não é muito longe, de modo que chego lá antes do que imaginava. Coloco minhas coisas no chão e sento ali mesmo. Antes de entrar na água, um pensamento lógico me atinge: Fogo + Água = Fogo apagado. Arregalo os olhos, mas então relembro de todos os banhos que já tomei e, se nada me acontecera antes, então não há nada de mal nisso.

–Nada vai acontecer.- Digo a mim mesma, e para minha surpresa, quando coloco os pés na água, nada acontece. Então pulo na água e tomo o banho mais longo de minha vida.

Quando estou para sair do lago, alguém me surpreende.

–Você não deveria vir aqui sozinha.- O garoto diz, e me espanto. Nas suas mãos há uma harpa muito bonita, com lindos detalhes em dourado. Seus olhos completamente negros, são aterrorizantes como dissera Myafa. Seus cabelos castanhos estão desgrenhados, e ele parece mais alto que eu.

–Eu faço o que quiser.- Retruco.- Quem é você?

–Não sei.- Ele diz.- Sou o homem da harpa, certo?

Franzo as sobrancelhas.

–Você é maluco?- Pergunto.

–Talvez seja mesmo.- Ele dá de ombros.- De qualquer modo, ninguém liga para isso.

Estou confusa. As coisas que ele diz com aquela voz tranquila, não fazem sentido. É como se estivesse falando coisa com coisa só para me confundir.

–Você mora aqui?- Pergunto.

–Não moro aqui. Moro na minha casa.- Ele diz.- E minha casa é a floresta.

Ergo as sobrancelhas.

–Você mora no meio do mato?

Ele dá de ombros.

–Acho que foi isso que acabei de dizer.

–E não tem nome?- Pergunto.

–Devo ter.- Ele diz. É muito bonito, disso eu tenho certeza. Mas não estou disposta a continuar conversando com um completo estranho.

–Vou para casa.- Informo, saindo do lago e recolhendo minhas coisas.

–Tchau.- Ele diz.- Qualquer dia podemos nos rever.

Saio dali tentando entender o que aquele rapaz dissera. Não tem nome? Que estranho. Paro à porta de casa e dou uma última olhada nas casinhas sombrias. Então entro e vou para a sala, onde me sento no chão, pois estou toda molhada.

Notas finais
Desculpem qualquer coisa, se houver erros, me alertem para que eu conserte