O parto.
1 O parto.
Filho meu, se quiserdes ouvir histórias sobre conquistas e alegrias não aconselho que leias este relato, mas permita-me contar-lhe sombrosa história em minhas últimas memórias, cesso esta lembrança no papel para que o mundo não se esqueça de terrores tais. No começo de minha vida adulta já era um homem de gravata e vivia constante em tentativas de impressionar o mundo, trabalhava em uma velha imobiliária a mandos de um chefe rancoroso de eterno cenho fechado, em interesses financeiros ordenou-me que inspecionasse um terreno baldio em cantos chacais de minha cidade, em minha posição inferior não fiz questionamentos sobre o porquê de tal visita, nem sobre a razão de mandar-me, em questão de ser um novo contratado da empresa. O lugar infausto de arquitetura lúgubre me deixou desafortunado em felicidade atirando minha alma em sombras traiçoeiras, era um terreno de supérfice tomada por lápides com nomes devorados por duração prolongada de desespero, uma densa e baixa neblina cobria os meus pés, em incomodo pessoal decidi fazer a inspeção rapidamente para não prolongas minha estadia no local. Foi quando a celebre sete e meia daquela noite ouvi urros ao relento, normalmente eu correria, mas por curiosidade do acaso eu me esgueirei em direção aos urros, uma voz cava e feminina que parecia proclamar o último anseio de uma vida triste. Reparei na placa de madeira em frente ao terreno com os dizeres – Em breve: Hospital Rose Fall – Meu serviço ali estaria pronto, eu não precisava seguir em frente, mas no cerne de todo o humano está o comum, e isso é a curiosidade. Grama úmida, amargurado em chuvas torrenciais, me esgueirei em movimentos rítmicos por terreno aberto. No centro do terreno estava um buraco perfeitamente esférico e através dele era decorrente uma escada rudimentar, desci com passos calmos na tentativa de fazer o mínimo barulho, o que tinha lá dentro era semelhante a uma embarcação, um navio metálico com seis sóis em cada borda iluminava a escuridão da caverna, um mar de homens com túnicas de cores que variavam em padrões aleatórias estavam ajoelhados em adoração à embarcação, percebi que o grito vinha do meio do círculo formado por eles, circundei o lugar até me aproximar e consegui ver o que eles veneravam. Olhos arredondados encrustados de diamantes negros, dotado de uma cabeça alongada e no centro de seu peito se encontrava três bebês colados a sua pele em choros por pais jamais concebidos, um ser curvado com fogo e espinhos provindos da ponta de seus braços magros, o seu dedo anelar da mão direita não ostentava pele revelando ossos cinza; Assim descrevo horrores tais, a besta gritava de forma quase ensurdecedora, gritos secos semelhantes a uma mulher em dores de parto, a cada grito os servos em conjunto solene recitavam palavras inumanas e impronunciáveis por mim, corri em terror até ser tonteado por motivos desconhecidos. Permita-me dizer que não me recordo de como cheguei em casa, nem se tais acontecimentos foram apenas pesadelos meus, mas a cada dia meu filho...Eu penso...Nós somos gado, aqueles gritos repassam em minha cabeça e cada estalido me é motivo de terror, mas não vá meu filho, não vá até Rose Fall, não siga meus umbrais.
Fale com o autor