Notas iniciais
Meus amores, estarei voltando a atualizar s historias


Oito semanas antes ...

O sol de Seattle rareava entre as nuvens naquela tarde, deixando o campus da universidade iluminado de um jeito suave. Eu saía da sala com meus livros apertados contra o peito, rindo das piadas sem graça de Riley, meu namorado. Ele caminhava ao meu lado, sempre com aquele jeito confiante que misturava charme e arrogância.

Atrás de nós vinham Anna e Rafaela, minhas primas. Filhas de Alice e Rosalie, elas eram tão diferentes quanto a noite e o dia, mas quando estavam juntas pareciam formar uma dupla imbatível.

— Então, onde vamos almoçar hoje? — perguntou Anna, já animada. — Conheço um restaurante novo perto daqui, dizem que a sobremesa é maravilhosa.

— Eu voto por hambúrguer — Rafaela retrucou, revirando os olhos. — Nada de sobremesas chiques, eu quero batata frita de verdade.

Riley riu e apertou minha mão.

— E você, Nessie? Vai de sobremesa ou hambúrguer?

Eu hesitei por um instante, olhando para os três. Queria muito ir com eles, mas tinha outro compromisso marcado.

— Não posso — respondi, meio sem graça. — Tenho consulta no ginecologista agora à tarde.

Anna arqueou as sobrancelhas, curiosa.

— Consulta de rotina?

— Sim, nada demais. Só um check-up.

Rafaela fez um bico fingindo drama.

— Que chato, justo hoje que eu estava morrendo de fome.

Riley inclinou-se e beijou de leve meus lábios.

— Eu te levo na próxima, prometo. Mas vai tranquila, tá? Qualquer coisa me liga.

Sorri para ele, sem imaginar que aquele dia, aparentemente comum, guardava o início de algo que mudaria minha vida para sempre.

O hospital ficava a poucos quarteirões da universidade, então caminhei até lá. O prédio branco e imponente me trazia uma sensação estranha, um misto de segurança e ansiedade. Assim que entrei, encontrei uma figura familiar no corredor.

— Nessie? — Antony surgiu do nada, de jaleco impecável, segurando uma prancheta. — O que você está fazendo aqui? Está tudo bem?

Sorri, balançando a cabeça.

— Tá sim, Tony. É só consulta de rotina feminina, nada urgente.

Ele me analisou com aquele olhar clínico que parecia querer atravessar minha alma.

— Você tem certeza? Não anda sentindo nada?

— Só preguiça de estudar — respondi, rindo. — Vai trabalhar, doutor, antes que papai descubra que você fica vigiando a irmã nos corredores.

Ele riu, deu um beijo rápido na minha testa e seguiu pelo corredor, com seu jeito descontraido.

Entrei no setor de ginecologia e bati à porta do consultório da doutora Rebecca. Ela era jovem para médica, devia ter pouco mais de trinta anos, com longos cabelos negros presos em um coque prático e olhos castanhos firmes que transmitiam calma. Tinha uma postura elegante, mas um sorriso caloroso que imediatamente me deixou à vontade.

— Renesmee Cullen! — ela disse ao me ver. — Entre, querida. Como você está?

— Bem, doutora. Só vim mesmo pra garantir que tá tudo certo — respondi, sentando na poltrona diante dela.

Rebecca abriu meu prontuário e sorriu de um jeito amistoso.

— É sempre bom manter os exames em dia. Vamos fazer o básico: coleta de sangue, ultrassom e um exame preventivo. Nada complicado.

Assenti, mais tranquila.

— Certo. Melhor prevenir do que remediar, né?

Ela riu baixo.

— Exatamente. Minha família sempre me ensinou isso, lá em Forks, onde cresci. — Depois me entregou o prontuário. — Pode levar para a sala de coleta, as enfermeiras vão cuidar de você.

Agradeci e saí, caminhando até a sala indicada. Uma enfermeira de aparência calma e segura me recebeu com um sorriso profissional.

— Senhorita Cullen? — perguntou.

— Sou eu.

Ela me fez sinal para entrar e se acomodar. Enquanto eu me ajeitava, outra enfermeira entrou apressada, segurando uma pilha enorme de prontuários. Talvez nervosismo, talvez descuido, mas de repente todos os papéis caíram pelo chão, espalhando-se em confusão.

— Ai, meu Deus! — ela exclamou, ajoelhando-se rapidamente para recolher.

Não consegui evitar o riso diante do desespero estampado no rosto dela.

— Você está nervosa, não está? — perguntei, com um sorriso compreensivo.

A jovem enfermeira ergueu os olhos, corando.

— Estou, sim… É meu primeiro dia aqui.

— Relaxa — respondi, tentando tranquilizá-la. — Todo mundo erra no começo.

Ela sorriu de volta, mas não percebi, naquele instante, que aquele pequeno tropeço mudaria o rumo da minha vida.

A sala de coleta cheirava a álcool e era gelada demais para o meu gosto. A enfermeira, que o folheou os papéis com atenção. Seus olhos correram pelas anotações e, de repente, ela murmurou:

— Quase me esqueci do principal. Senhorita Cullen, espere só um instante.

Ela saiu às pressas, deixando-me sozinha na sala. Antes, porém, apontou para a maca.

— Pode se deitar ali, querida. Coloque os pés no suporte.

Assenti, embora um arrepio tivesse percorrido minha espinha. Fiz o que ela pediu, ajeitando-me devagar. O couro frio do estofado me fez estremecer. De repente, percebi meu coração batendo mais rápido, e as mãos suavam mesmo sem motivo aparente.

Era só rotina, eu repetia para mim mesma. Só exames de rotina.

Fechei os olhos por alguns segundos, tentando afastar o nervosismo, até ouvir a porta se abrir novamente. A enfermeira voltou, agora mais concentrada, com uma bandeja metálica nas mãos. O som do metal tilintando ecoou na sala silenciosa, me deixando ainda mais tensa.

— Vai ser rapidinho — disse ela, com um sorriso breve.

Senti o toque frio das luvas, a preparação cuidadosa, e depois uma pressão estranha, diferente do que eu imaginava para uma coleta comum. Meu corpo se retesou, mas acreditei que fosse parte do exame.

O coração acelerou ainda mais, e uma sensação de desconforto misturado com nervosismo tomou conta de mim. Respirei fundo, tentando me convencer de que tudo estava certo.

Não fazia ideia de que, naquele instante, minha vida estava sendo virada de cabeça para baixo. O que deveria ser apenas uma consulta de rotina se transformava em algo muito maior. Algo que eu ainda não tinha condições de compreender.


Atualmente...


A sala da presidência do hospital estava silenciosa demais. Eu estava sentada ao lado da minha mãe, que segurava minha mão com força, como se tivesse medo de me perder. Do outro lado, meu pai caminhava de um lado para o outro, o jaleco balançando, o rosto vermelho de indignação.

— Isso é absurdo! — ele resmungava, passando a mão pelos cabelos. — Como pôde deixar isso acontecer, Renesmee?

Senti o coração encolher.

— Pai, eu juro que não sei o que está acontecendo. Eu não posso estar grávida.

Ele parou diante de mim, apontando o dedo como se fosse um juiz prestes a dar a sentença.

— Não pode estar? Antony acabou de mostrar o exame, Renesmee! Está aí, claro como o dia. Grávida de oito semanas. Como espera que eu acredite que não sabia?

— Edward… — minha mãe tentou intervir, mas ele levantou a mão, impaciente.

— Não, Bella! Nossa filha precisa assumir a responsabilidade. — O olhar dele voltou para mim, duro, pesado. — Você foi irresponsável, Renesmee. Esse garoto, Riley… Eu devia ter imaginado.

Senti a raiva subir. Minhas mãos tremeram, a garganta ardeu.

— Não, pai! — gritei, levantando da cadeira. — Riley não tem nada a ver com isso!

Ele estreitou os olhos, confuso.

— Então de quem é esse filho?

A dor do nó na minha garganta virou coragem. A verdade escapou dos meus lábios como um trovão que ninguém esperava.

— Eu não posso estar grávida porque eu sou virgem!

O silêncio caiu como uma explosão. Minha mãe abriu a boca, chocada. Meu pai ficou imóvel, os olhos arregalados, incapaz de acreditar no que ouvira. Eu respirava rápido, o coração martelando, esperando que alguém dissesse que aquilo era um pesadelo, que os exames estavam errados.

Mas ninguém disse nada.

Só o silêncio — denso, pesado — nos envolveu, como se o mundo inteiro tivesse parado ao redor daquela revelação.

O silêncio pesava como chumbo. Meu pai me olhava como se eu tivesse acabado de pronunciar a maior mentira da minha vida. Suas mãos tremiam levemente, e ele voltou a andar pela sala, os passos rápidos denunciando a fúria que tentava conter.

— Virgem… — ele repetiu, quase rindo, mas era um riso amargo, sem humor. — Renesmee, você tem noção do que está dizendo? Está tentando me convencer que esses exames estão errados?

— Edward! — minha mãe interveio, a voz firme. Ela se aproximou de mim e pousou a mão sobre meu ombro, protetora. — Olha para a nossa filha. Ela está apavorada. Você não vê?

Ele fechou os olhos por um instante, respirando fundo, mas ainda parecia lutar contra si mesmo.

— Eu falo a verdade, mãe! — falei, a voz embargada. — Eu posso provar! Esse exame só pode estar errado.

Meu pai esfregou o rosto, nervoso. Minha mãe aproveitou a brecha e se colocou bem na frente dele, o encarando.

— Edward, chega. Se acalma. Você é médico, sabe que exames podem falhar.

As palavras dela cortaram o ar como uma lâmina. Pela primeira vez, vi meu pai parar, pensar, respirar fundo. Ele esfregou o queixo, ainda irritado, mas agora menos cego pela raiva.

— Está bem… — murmurou, com esforço. — Se houver qualquer possibilidade de erro, vamos investigar.

— A doutora Finau pode esclarecer isso — falei, sentindo um fio de esperança me atravessar. — Ela é minha ginecologista, ela pode confirmar que não estou gravida.

Meu pai me olhou fixamente, depois caminhou até sua mesa. Pegou o telefone com a mesma rigidez de um juiz prestes a dar um veredito. Sua voz soou seca, cortante.

— Chame a doutora Rebecca Finau para a sala da presidência. Urgente.

Ele desligou e apoiou as mãos sobre a mesa, o olhar perdido por um instante. Eu respirava rápido, minha mãe apertava minha mão em silêncio, e só uma certeza me atravessava: algo muito maior estava prestes a ser revelado.