Notas iniciais
Oláa! Espero que gostem, foi feito com carinho; Boa leitura! ;)

Minutos parecem horas. Não escuto nada além de minha própria respiração, e não vejo nada além das chamas que bruxuleiam em minhas mãos. O olhar atento, fixado nas árvores, mesmo não conseguindo vê-las. Auxiliada por meus ouvidos, que prestam atenção a cada ruído mínimo. Já fiz isso mais vezes do que posso contar, mas hoje, especialmente, estou mais distraída que o normal.Tenho que manter o foco, a concentração, mas minha mente insiste em vaguear para o mais longe possível. Desde a tragédia com Luíze, o sequestro à Dianna, a fuga de Hellena, até o colar ganho por Amélia. Tudo está acontecendo suficientemente rápido para que eu ainda não tenha encontrado tempo para abrir o estojinho...

Sou arrancada dos meus pensamentos quando meus ouvidos captam movimentos vindos de algum lugar próximo. Gravetos se partindo, passos rápidos e farfalhares de folhas. Pode ser um predador, ou alguém que deseja me matar. Permaneço imóvel, e apago o fogo em minhas mãos para não chamar atenção. Sinto o coração acelerar e a respiração ficar mais pesada. Levanto-me com cuidado, preparando-me para agir.

Meus olhos identificam três silhuetas. A do meio é a mais baixa, e se debate. A da esquerda é alta e esguia. A da direita deve ter mais ou menos a minha altura. Parecem inofensivos, e há possibilidade de que já os conheça.

Faço um breve movimento com a mão, e esta pega fogo. O lugar fica mais iluminado e me aproximo para vê-los melhor.

Não sou capaz de acreditar no que vejo. Diante de mim estão Demmie e um dos gêmeos- Vedir, pela roupa que está usando- e eles carregam ninguém menos que uma revoltada Hellena.

–Deveria cuidar melhor dos seus bichinhos de estimação, Emma.- Demmie diz, e Hellena se contorce tentando se desvencilhar de suas mãos.

–Bichinho é a sua...

–Ei!- Briga Vedir. Ele volta o olhar para mim.- A pegamos vagando na noite. Pálida como a neve. Porém, cintilando de ódio.

Meu sorriso se escancara e me aproximo de Hellena para abraçá-la. Mas ela se esquiva, e minha alegria se transforma em tristeza.

–Eu não pedi para que me trouxessem aqui.- Ela diz entredentes.- Eu sei o que faço e faço o que quiser!

–Calma aí, nervosinha.- Demmie aperta seu braço e ela bufa.- A menos de um quarteirão de você havia um Kirq. Faminto, louco por um petisco. Carne congelada seria sua satisfação.

–Tira suas mãos de mim!- Hellena diz,andando para trás.- A vida é minha! Se eu quiser tirá-la, problema é meu! Vá pentear essa sua juba, que será melhor para você.

–Emma...- Vedir alterna o olhar entre as duas e eu.- Olhe, é bem capaz de ela fugir novamente. É tão escorregadia quanto Jayssa! Mas receio que se ela tornar a escapulir, não consigamos trazê-la de volta.

–E o que sugere que eu faça?- Pergunto, esganiçada.

Ele morde o lábio inferior, pensativo.

–Posso, até onde sei, criar muros invisíveis. Impenetráveis.- Ele diz.- Se você concordar, poderíamos trancá-la na caverna até a poeira baixar.

–Mas... E quanto a mim, Larm, Liam e Stive? Não podemos ficar aprisionados com ela ou todos morreremos à míngua.- Observo.

–Tem razão...- Murmura.- Então acho melhor a isolarmos em um canto da caverna. Apenas ela, e mais ninguém. Com uma pequena brecha na magia, apenas para a passagem de alimentos e água.

–Eu...- Sussurro, sentindo os olhos marejarem.- Não quero deixá-la sozinha... Não agora...

–Desculpe, Emma.- Ele apoia a mão em meu ombro.- Não vejo outra saída. Se quer vê-la viva, então sugiro que me escute.

–Não sei se confio em você.- Retruco, lembrando subitamente das lembranças de Giroy, do sequestro à minha prima mais velha...- Você deixou aquele rapaz sequestrar Dianna.

Ele desvia o olhar para Hellena e eu faço o mesmo.

–... Você não passa de poodle laranja recém-saído da tosa.- Diz Hellena, irritada.- Não tem o direito de me dizer o que fazer, e muito menos de me “salvar”!

–Eu não entendi o que disse, mas asseguro-lhe que suas ofensas de criancinha mimada não atingem nem a ponta da minha unha.- Retruca Demmie.- E você tem razão.- Ela assente.- Lugar de porcaria é no estômago de Kirqs.

Os cabelos de Hellena perdem toda a cor e ela começa a ficar tão branca e reluzente quanto um fantasma.

–Acho que deveria confiar em mim.- Diz-me Vedir.- Para o bem de sua prima.

Assinto, e ao realizar o movimento, sinto algumas lágrimas se desprenderem de meus olhos.

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Demmie empurra Hellena para o canto da caverna. De um canto, Stive e Doquo olham a cena com seus grandes olhos castanhos maiores ainda. Do outro, Liam contempla atento e boquiaberto a cada movimento; e Larm limpa a harpa distraidamente com a folha de uma árvore, ignorando-nos completamente.

–Eu não quero estar aqui!- Vocifera Hellena, chorando sem parar.- Eu quero fugir! Quero vingar a morte de minha irmã!

Vedir a segura e Demmie sai de perto, recuando e parando ao meu lado.

Vedir abraça Hellena com força, empurrando-a para trás até que atinja a parede. Murmura algumas coisas para ela e faz com que se sente no chão, sentando-se ao seu lado. Mas não a solta.

–Eu... ela era minha irmã gêmea, cara.- Ela soluça.- Parte de mim.

Alguém se aproxima e para ao meu lado. Vejo, pelo canto do olho, que se trata de Stive. Ele me envolve com o braço, e engulo em seco para reprimir as lágrimas.

–Eu sei, eu também tenho um irmão gêmeo.- Vedir diz.- E compreendo sua reação, pois se algo acontecesse a ele, eu estaria tão destruído quanto você.

–Você me entende mesmo?- Ela pergunta, frágil.

–Sim.- Confirma.- Mas eu não iria a lugar nenhum vingar sua morte.

–Mas isso é errado!- Ela o empurra para o lado, mas ele a abraça novamente.

–...Hellena.- Ele diz, dócil..- Eu não conheci sua irmã. Mas você a conhecia como ninguém, não é mesmo?

Ela assente, soluçante.

–Tenho certeza de que era uma ótima pessoa.- Ele afasta uma mecha de cabelo da testa dela.- Assim como você. Diga-me: Você acha que ela gostaria de vê-la morrer por sua causa?

Hellena sacode a cabeça negativamente.

–...Acha que ela gostaria de vê-la arriscar-se assim?- Vedir diz, bondosamente.- Deixe-a descansar em paz, menina. Nada do que possa fazer a trará de volta.

Ela balança a cabeça, enquanto mais lágrimas descem por seus olhos. E o abraça, afundando o rosto em sua camisa e soluçando descontroladamente.

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–Como fez aquilo...?- Corro para alcançar Vedir e Demmie que caminham sem olhar para trás, pela floresta.

–Seleção de palavras.- Ele dá de ombros.- Falar com o coração... Bem, chame como preferir.

–Obrigado.- Digo, parando de andar. Ele para também, mas Demmie continua e em pouco tempo, já não posso mais vê-la.- Não conseguiria ser tão carinhosa.

Ele olha para mim.

–Sempre gostei muito de Hellena.- Ele diz.- Não como Drafe gosta de Dianna. Mas gosto dela. Não gostei muito da ideia de deixá-la presa. Uma boa conversa sempre resolve as coisas, não é mesmo?

–Como assim, você gosta da Hellena?- Dou um sorriso involuntário.

–Não dessa forma.- Se aproxima de mim.- Sou seu protetor. Ela é minha protegida. Gosto dela como uma... irmãzinha? Não sei dizer. Sou muito profissional, sabe?

–Uhum...-Faço, sem conseguir tirar o sorriso.

Ele me estuda uns segundos, antes de se virar e simplesmente desaparecer.

A minha alegria está bem obvia. Hellena está de volta. Não teve que ser presa. Minha vida volta temporariamente ao “normal”.

Notas finais
Não consegui deixá-la longe! Hellenaa o/ *-* Se houver erros, por favor me alertem ;) Beijinhos, obrigado por ter lido :*