O outro lado do espelho
11 Operação desligar a luz
Notas iniciais
Clara esperava impacientemente o clone perto do banheiro já à alguns minutos. Não estava sendo pontual demais, até demorou um pouquinho para deixá-la irritada. Mas esta nem mesmo apareceu depois de 10 minutos de espera, onde estaria se não tinha amigos para conversar?
Ia embora quando ela apareceu, não se sabe de onde ou como. À esta altura Clara estava sem paciência para nada, gastara toda esperando no banco duro do lado banheiro. Teria que escolher bem as palavras para não cometer qualquer deslize.
– Então, sabe porque estamos aqui.
– Se não soubesse com certeza não viria. Vá logo ao ponto!
– Como deve saber também, consegui escapar de minha dimensão.
Clara revirou os olhos, mostrando que não queria mais enrolação.
– O ponto é que ninguém acredita que eu não sou a Jane, você é a única. Por isso estou pedindo sua ajuda para convencer os outros.
– E qual foi o acontecimento que fez você mudar tão repentinamente de idéia?
– Não importa. Não é isso que estamos discutindo.
O clone sabia mesmo como deixar Clara com raiva. Queria ir embora, mas sua curiosidade a impediam.
– Mas onde vai entrar minha amiga nisso? Em nenhum momento você a mencionou.
– Esta é uma etapa que precisa ser decidida posteriormente. Precisamos primeiro convence-los. Posso contar com você? — perguntou estendendo a mão.
– Fechado, mas você não vai sair antes da Jane entrar. E se sair irei com você. — apertou sua mão fechando aquele acordo.
Passaram o resto da tarde na casa de Jane. Seus pais não estavam, foram visitar sua avó. Recusaram o convite para irem junto. Neste tempo apenas observaram o espelho.
– E foi assim que eu consegui sair da minha dimensão. — finalizou o clone.
– Nunca havia percebido nada de estranho em todo este tempo?
– Nunca! Particularmente, eu não gostava daquele espelho. Sempre o colocava bem no cantinho virado para a parede. Mas naquele dia eu tinha uma festa e o desvirei para me olhar. E o que não era surpresa era que faltou luz, o resto você já sabe...
– E se a gente desligasse a luz da casa no painel de controle?
– Até já tinha pensado nisso, mas não conheço essa casa direito e não sei onde fica.
– O que estamos então fazendo aqui sentadas? Vamos procurar! — levantou-se Clara fazendo um gesto para que o clone o seguisse.
Procuram em cada centímetro da casa. Em nenhum lugar estava.
– Não é possível que aqui não tenha um painel de controle! — gritou o clone exausta com aquela vistoria completa sem sucesso.
– Aquele quadro está super torto. Não suporto ver as coisas desalinhadas. — Clara foi em direção ao quadro que já olhava à algum tempo.
– Toma cuidado que o prego dele ta quase solto, não mexe demais senão ele vai...
BLAM!!!
– ... Cair. Ta vendo o que você fez sua estabanada?!
– Pera, esse não é o painel de controle da luz? Parece que a estabanada aqui resolveu o problema. — gabou-se.
– Vou desligar todos os botões, você arruma esse quadro. Fui minha mãe que fez.
Um carro acabara de estacionar em frente a sua casa. O clone e Clara olharam assustadas para a porta de vidro, que já dava para ver dois vultos a destrancando.
– Larga isso no chão, meus pais chegaram. — sussurrou correndo para a cozinha.
Clara jogou o quadro para o alto e a seguiu para a cozinha. A queda provocara um grande estrondo, e não foi apenas a do quadro.
– O que houve? — espantou-se Fabiana encontrando o seu quadro e Clara caídos no chão.
– Parece que a estabanada aí acabou de nos arranjar um problema. — sussurrou o clone para Clara, ajudando-a a levantar.
– Eu tava indo para a cozinha e tropecei. — explicou já de pé, observando o ralado no seu joelho.
– E o quadro? Parecia que alguém estava o jogando para cima. — suspeitou André.
– Impressão sua, tio André. Foi só uma rajada de vento que arrancou o prego. — disfarçou.
– Você não viu nada, Jane? — perguntou a mãe.
– Não. Eu já estava na cozinha esperando por Clara. Mas eu ouvi um barulho e vim correndo.
Fabiana olhava desconfiada para as duas. Por fim, pegou o seu quadro e o levou para dentro.
– Não está ficando muito tarde, Clara? É melhor ir para a sua casa. — disse André.
– A Clara vai dormir aqui hoje, pode? — impediu-a que pudesse falar.
– Se os pais dela deixarem não vejo problema.
As duas subiram as escadas. Dentro do quarto, Clara gritou:
– Por que quer que eu fique aqui? Tenho que voltar para minha casa! Agora que descobriu o painel é só desligar tudo.
– Talvez isso não funcione, melhor pensarmos em segundas opções.
– Já tem alguma?
– Sinceramente não. Realmente espero que isso dê certo.
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