O outro lado do espelho
7 Acreditem em mim
Notas iniciais
O primeiro dia do clone na escola de Jane foi terrível! De início tudo estava bem, era realmente amiga da classe toda, mas seu jeito os afastou. Não sabe o porquê disso, é tipo uma maldição que faz com que todo mundo saia do lado dela.
Então ela percebeu que o problema não era sua vida, era ela mesma. Não importa para quantas dimensões ela mudasse, tudo seria igual. Suas notas não melhoraram, fez uma prova e continuava sem saber nada. O bichinho de estimação que ela tanto queria virou um problema, descobriu ser altamente alérgica a pêlos de gato, seu rosto inchava. Com pêlos de cães a mesma coisa.
Sim, a problemática que fazia tudo desandar era ela. Queria voltar para a sua dimensão, era um pouco menos pior. Mas do jeito que ela conseguiu sair do espelho, provavelmente não conseguiria sair desse tão rápido.
O pior de tudo era saber que daqui à alguns minutos pessoas e mais pessoas que ela não conhecia entrariam na "sua" casa e ela teria que fingir que sabia toda sua história de vida. Seria melhor se não soubesse nada de ninguém e vissem que ela realmente não é a Jane. Mas estudou demais pra nada?! Nada disso, agora iria ter que falar!
Fabiana passou pelo seu quarto e viu que o clone ainda não estava pronto.
– Filha! Os nossos parentes já devem estar chegando, vá se arrumar!
– Não quero fazer parte dessa reunião de família, não sou da família!
– Que besteira é essa Jane? Não me diga que alguém te disse que você é adotada? — espantou-se André, que passava.
– Não. Eu não sou né?
– Esperamos que não, apesar de que às vezes penso que você foi trocada na maternidade de tão chata que você ta! — falou André.
– Absurdo! Mas eu concordo com a parte de que fui trocada, porque eu não sou a Jane! A verdadeira está do outro lado do espelho! — tentava convence-los, totalmente em vão.
– Sabemos que você nunca gostou desses encontros de família, mas não precisa mentir para não comparecer! — brigou a mãe.
– Todos sabemos que a tia Eduarda pode ser um pouco irritante às vezes, mas tem que suportar. — emendou André.
O clone já tinha ouvido falar sobre sua tia Eduarda, todos falavam mal da coitada por ter a fama de dar apenas um par de meias no aniversário. E seus papos também não eram dos melhores, vivia cheia de doenças e gostava de compartilha-las com o resto da família. Infelizmente não é todo mundo que gosta de ouvir sobre problemas intestinais.
– Mas eu... — tentou buscar outro argumento, mas fica difícil quando você está falando verdade e ninguém acredita. Não pode procurar outras desculpas, tem que insistir naquilo.
– Nada de mas, mocinha. Vamos logo com isso que seus parentes já estão chegando. — terminou o assunto Fabiana saindo do quarto.
E agora? Ninguém acreditaria nela, e poderia ser difícil sair daquela dimensão pelo seu jeito, se desse pra sair. Esperava que Jane descobrisse sua técnica de fuga, até lá teria que procurar um aliado para ajudá-la a escapar.
E já tinha em mente alguém...
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