Notas iniciais
Em homenagem ao quinquagésimo episódio de MAoS ❤

SKYE

Dor. Enjoo. Vertigem. Cheiro de álcool. Sensações pouco agradáveis que antecederam o despertar de Skye. Piscou algumas vezes, a fim de obter foco.

Tudo não passava de um borrão, assim com suas recentes memórias, realmente precisava parar de ficar inconsciente já estava ficando ruim para sua moral, ignorou esse pensamento e respirou pausadamente levando a mão até a clavícula, onde havia um curativo, possivelmente a bala tenha ficado alojada e nem os superpoderes de Jiaying conseguiriam arrancar um projétil de alguém. Havia passado por uma cirurgia, por isso sentia-se tão grogue, refletiu com o resquício de consciência que ainda a sobrava.

Quando enfim checou que seu maior problema era a maldita dor de cabeça, tentou olhar ao redor, e só bastou essa simples ação para um sorriso brotar sobre seus lábios. Miles estava perfeito... A barba por fazer, os cabelos grandes, as roupas imundas, enormes bolas arroxeadas sob os olhos, parecia um mendigo para ser bem honesta, mas era seu mendigo e ele a sorria num ar cansado.

– Hey – Skye iniciou aquela conversa, sabia que não teria como fugir daquela vez.

Ele puxou a cadeira para mais perto do leito e entrelaçou os dedos com os da jovem, beijando-a o dorso da mão num gesto cavalheiresco. Os olhos acinzentados refletiam a mesma bondade da qual se lembrava, a sensação de pertencimento acalmou o coração inquieto da garota.

– Você é uma pessoa difícil de ser encontrada – ele sussurrou, arrancando um sorriso mais largo da jovem.

– Que graça teria se fosse fácil ? – rebateu de forma fraca, umedecendo os lábios para só então prosseguir – Eu não fui completamente honesta com você – o fitou, como se buscasse algum indício de decepção, não encontrou, ele já sabia que ela mentira, só não sabia a extensão da mentira, apenas continuou – Eu não passei minha vida inteira em orfanatos, aos cinco eu fui levada pela HYDRA e lá fui treinada para ser uma assassina, então todos meus cortes não foram pais provisórios abusivos, não exatamente... – pausou deixando a ideia no ar, sabia que a parte mais difícil ainda estava por vim. Seu estômago já se contorcia, mas não havia mais volta.

– Continue – ele pediu de forma baixa, não parecia irritado, pelo menos não ainda.

– Eu matei o filho do primeiro-ministro, eu não sabia no momento, não que isso justifique alguém matar uma criança ... – ficou em silêncio, incapaz de olhar diretamente para Miles, temia o que poderia encontrar – Quando descobri o que havia feito, eu forjei a minha morte e gravei um vídeo, tomando responsabilidade pela guerra, pelas mortes, por tudo... Mas eu ainda queria o nome da pessoa que encomendou aquela morte, eu puxei o gatilho, mas alguém pagou por aquela bala – disse de forma infeliz e com certo rancor, algumas lágrimas rolavam por suas bochechas, não que Skye se desse conta delas, respirou profundamente antes de continuar — Então, pesquisando sobre notícias relacionadas, eu encontrei seu site ... Suas teorias sobre como aquela guerra havia sido comprada por um poderoso empresário árabe, que lucrava com as mortes, se houvesse pelo menos 1% de chance de encontrar a verdade, eu aceitaria, você parecia à pessoa a tê-la e tudo que eu desejava era vingança – falar aquilo em voz alta era nauseante, que tipo de monstro era ?! Matara uma criança, e usara um inocente a fim de encontrar e matar mais outro ser humano.

Fizera Khalid Al-Fayeed o segundo na sua lista de mortes “intencionais”, se bem que essa conta, a essa altura, já estava bem aquém desse número... Tinha algum arrependimento sobre isso ?! Não, nenhum. O desgraçado mereceu cada membro desmembrado que teve. Nunca se considerou uma pessoa sanguinária, mas apreciou matar o bastardo que encomendou a morte de uma criança, mas nem após matá-lo, a culpa a abandonou... Nunca abandonaria, era inútil tentar compensar um erro com outro.

– Consegui te hackear e você aceitou me encontrar ... – abaixou os olhos, controlar as lágrimas já estava ficado impossível e o nó que se formou na sua garganta parecia que nunca mais iria se dissolver – Eu nunca tive intenção de te ferir, ou ficar, eu só queria as informações que você tinha e em retorno eu o daria o chip contendo o vídeo, você teria sua notoriedade e Jacob teria justiça, eu assumiria a autoria, eles poderiam renegociar a paz... – suspirou longamente, sem se importar com as lágrimas que começaram a jorrar dos seus olhos, torrencialmente – Mas depois de uma semana com você, eu não pude, eu simplesmente não conseguia te falar a verdade... Eu sabia que no momento que falasse tudo estaria acabado, e eu não queria que acabasse. Eu fui egoísta e estúpida, eu não deveria tê-lo arrastado para isso ... Me perdoe, por favor, eu sinto muito – suplicou e virou o rosto na direção dele, morrendo internamente ao vê-lo tão devastado.

Tinha 99% de certeza que ele iria levantar e ir embora, que nunca mais tornaria a vê-lo e teria que viver sabendo que a pessoa a quem mais amou a odeia com todas as forças. Esperou por dez segundos, vinte, um minuto, Miles não falou nada, mas também não se levantou, possivelmente em choque.

– Eu me preparei para algo ruim, mas nada te prepara para algo assim – após um longo momento de silêncio ele sussurrou, a voz chegava a tremer quando disse isso e só então levantou-se abruptamente da cadeira, parecia perturbado demais para permanecer ali – Eu preciso pensar – falou antes de atravessar a porta e partir.

Skye esperou exatos quinze segundos após ele deixar o cômodo para iniciar um choro copioso, enrolada sobre o próprio corpo, enquanto o travesseiro servia para abafar seus soluços. A bala de John não a feriu tanto quanto aquilo, nada a ferira tanto quanto aquilo e quando menos esperou lá estavam os malditos tremores; fortes, assim como sua dor. Quem foi o idiota que me tirou aquela pulseira ? foi impossível reprimir esse pensamento. Usaria aquele utensílio para sempre, era a forma mais eficaz de controlar aquela maldição.

Katherine e Mike foram os primeiros a entrarem no quarto, na tentativa de fazê-la parar de causar aquilo, ela também queria parar, mas não sabia como ... Estava sufocando e respirar parecia impossível.

– Ei, você precisa se acalmar, respirar .... – Katherine a disse, tocando-a ternamente no ombro. Afastou-a com um movimento brusco, enquanto Mike tentava segurar as estantes que ameaçavam cair e algumas sirenes eram tocadas dentro do hospital.

Skye não queria se acalmar, queria parar de sentir. Queria a latência, o torpor, a dormência ... Qualquer coisa que não a rasgasse internamente.

Tirou os acessos que tinha nas mãos, jogando os fios e as agulhas para o lado e levantou-se da cama, vacilando um pouco ao apoiar os pés no chão, Mike e Kate se entreolhavam, mas pareciam em dúvida do que fazer.

A garota ignorou os dois e possivelmente tenha prosseguido no seu choro copioso enquanto eles ainda estavam lá, nem se dava mais conta, chorar seria a nova constante da sua vida, assim como aquela dor que ameaçava estrangulá-la. Sabia que no momento que contasse a verdade, perderia Miles, também sabia que sofreria, mas nada, definitivamente nada, a preparou para aquela sensação... A sensação de que viver não era mais uma opção. Para todos os efeitos, Skye morreu no momento que Miles a deixou naquele quarto.

Pegou as roupas que estavam numa sacola ao lado do seu leito. Não se importou por sua roupa hospitalar bastante reveladora e saiu no corredor, fazendo a estrutura tremer um pouco mais. Por onde passava derrubava algum carrinho de resuscitação, pessoas, estantes, papéis ... Podia vê-los, mas não parecia enxergá-los, e apenas prosseguia, sem se importar com absolutamente nada. Eles tinham sorte por não ter derrubado o prédio inteiro. Atingiu a parte externa e caminhou até estar o mais distante do hospital quanto possível, Katherine e Mike vinham em seu encalço, mas estavam temerosos em fazer uma aproximação.

Sem pudores algum Skye trocou a roupa hospitalar pelas roupas da sacola; ensanguentadas, sujas ... Uma bela metáfora com sua vida e só após fazer isso olhou ao redor, dando-se conta que não fazia a mínima ideia da onde estava. Tremor, mais tremores, ia começar a rachar aquele lugar, sabia disso, seu desespero foi duplicado, assim como a intensidade dos seus poderes.

– Skye! – Katherine gritou, enquanto alguns curiosos assistiam e filmavam a cena. Se a garota queria ser discreta quanto aos seus poderes, falhou drasticamente. Definitivamente ela seria viral.

Skye ajoelhou-se no chão, cobrindo o rosto com as mãos e rezou para aquilo parar, mas era só lembrar-se de Miles para tudo voltar, com intensidade maior. Por favor, por favor, por favor, suplicava em pensamento para conseguir parar com aquilo, sem sucesso, pois aquela maldição parecia ter vida própria.

Uma médica trouxe um sonífero e numa operação muito delicada, Mike aplicou a injeção no braço da jovem, fazendo-a adormecer em poucos segundos e todos os tremores cessarem.

– Temos que levá-la para outro lugar – Katherine declarou, enquanto olhavam ao redor e notavam as inúmeras câmeras apontadas na direção do trio. Aquilo não era bom, nada bom.

PHIL

A cabeça repousava sobre a cama de May, enquanto o resto do corpo estava numa cadeira ao lado do leito. Aquela era a primeira vez, em longas semanas, que conseguia realmente dormir. O último relato que tivera de Gonzalez foi de que ele retomara controle sobre as demais bases da SHIELD, após pegar todos os quinjets de volta, assim como um motim dos agentes que trabalhavam para HYDRA sobre coação. Agora era hora de reerguer, uma SHIELD mais forte, com mais princípios, mas por hora, as preocupações de Coulson repousavam ao seu lado. Jiaying fora capaz de manter May viva até chegarem ao hospital, pois aparentemente, as habilidades da chinesa são quase exclusivas para manter a “escolhida” viva, seus dons sobre os ferimentos de Skye foram quase instantâneos, com os de May nem tanto. É, tinha um bom motivo para chamarem ela de “protetora”.

Primeiro achou que estivesse em alguma espécie de sonho, mas quando a superfície começou realmente a tremer e algumas sirenes soaram pelo hospital, soube que algo estava errado, bem errado!

Certificou-se que May estava bem e foi até a porta, passando por cima de muitas coisas caídas até enfim deparar-se com Hunter, Victoria, Barbara, Fitz, Simmons e Tripp sentados na sala de recepção. Todos estavam pálidos e foi só aproximar-se da janela para também pôr a mesma cara dos demais. Skye estava do lado externo, trocando de roupa a olhos vistos e o pior, tremendo o lugar inteiro.

Todos se entreolharam e o pensamento geral era “fuck”, seguido por um "Miles está morto".

Seria impossível impedir que o vídeo se propagasse na rede.

A profecia tinha seu fundo de verdade, de uma forma ou de outra, Skye tiraria os Inumanos das sombras, chegava a ser cruelmente irônico.

– Cadê o Miles, aquele desgraçado ?! — Coulson questionou entre-dentes, não precisava de muita astúcia para notar do que aquilo se tratava, e não estava nem um pouco feliz.

JIAYNG

Wanda estava na ala psiquiátrica do hospital, já que chegou num estado catatônico ao mesmo. Pietro não saiu do seu lado por sequer um segundo e fazia um leve cafuné sobre os longos cabelos ruivos dela, embora ela nem parecesse notá-lo ali, apesar de olhá-lo, não parecia vê-lo.

Jiaying observava aquela cena com o coração em pedaços. Ainda lutava para acreditar que dormira com o inimigo por tanto tempo.

Aproximou-se do leito da jovem e despejou um beijo sobre a bochecha da mesma, afagando-lhe os cabelos. Abriu a boca para dizer que eles iriam para casa, e só então lembrou-se que não havia uma casa para qual voltar. Não havia nada para o qual voltar, seria apenas eles três dali em diante.

Uma batida na porta a tirou daquele pensamento, Gordon adentrou o quarto trazendo um buquê simplório de flores coloridas, deixou na cabeceira da jovem e puxou a chinesa para uma conversa.

– Skye está com problemas, ela fez o outro prédio inteiro tremer ... Entre outras coisas – ele sussurrou ao ouvido da mulher.

Jiaying sabia que deveria ir checar se a jovem estava bem, protegê-la caso preciso, mas bastou olhar para Wanda para ter certeza que estava justamente aonde precisava estar.

– Skye ficará bem – respondeu, fitando a filha, que parecia definhar diante dos seus olhos. Não a abandonaria por nada no mundo.

Gordon deu um sorriso em compreensão e saiu do quarto, indo juntar-se a Erin, Trevor, Leah e Maya, os únicos que se recusaram a partir.

Pietro lançou um sorriso bondoso para a mãe que rapidamente retribuiu. Já estava em casa, pegou-se pensando, seus filhos eram o único lar que necessitava.

KATHERINE

– Para onde vamos ?! – questionou num ar meio tenso. A mão mantinha-se sobre a arma presa ao seu coldre e que Deus a ajudasse caso alguém tentasse pegar Skye.

Já ouviam algumas sirenes ao longe e sem muita cerimônia, Mike arrebentou o vidro de um carro que, por pura sorte, não tinha alarme. Kate já estava no banco traseiro, com Skye acomodada em seu colo, enquanto Mike fazia uma ligação direta (habilidade advinda da sua juventude pouco virtuosa).

O moreno assumiu a direção e em dois minutos já partiam do estacionamento do hospital. O único problema, fora estarem em um carro roubado e estarem sendo seguidos, era que estavam na Suíça, não faziam ideia da onde ir.

O celular de Mike vibrou em seu bolso, tateou até pegá-lo – Alô ? – respondeu sem muita paciência.

– Vire a esquerda na próxima interseção – a voz de Simmons soou em seu ouvido e um alívio instantâneo se propagou pelo seu corpo. Fitz parecia estar ocupado alterando os sinais de trânsito para atrasar a polícia, e a dupla, juntamente com Hunter, Victoria, Barbara e Tripp partiam para o ponto onde Mike, com sorte, também chegaria.

– Peguem o quinjet e saiam daqui – foi possível ouvir Coulson ordenar — Uma vez que estiverem em Neverland, estarão seguros – ele prosseguiu com certa urgência.

– Mas e você, May e Ward ? – Hunter questionou, com confusão.

– Nós ficaremos bem, agora vão – falou de forma enérgica e todos acataram, saindo do hospital.

– Mike, siga pelo sul, a quinhentos metros haverá um desvio para a direita, pegue-o – Simmons ia ditando, enquanto tentava achar uma melhor posição na SUV pouco espaçosa para todas aquelas pessoas. Estava sentada no colo de Fitz, enquanto Victoria e Tripp se apertavam ao seu lado. Hunter dirigia e Barbara ia ao seu lado.

– Simmons, temos um problema – Mike anunciou, vendo dois carros da polícia vindo pela contramão e mais dois os seguindo.

– Mike, você tem que tomar aquele desvio! – a garota do outro lado da linha foi enfática.

Katherine olhou para Skye e beijou a cabeça da garota – Eu vou descer, parar os carros, siga com o plano, eu encontro vocês lá – a Inumana anunciou, e não esperou pelos protestos do moreno, apenas se jogou do carro, usando sua intangibilidade só quando estava fora dele, afinal, não queria fritar o celular de Mike.

A mulher flutuou, indo de encontro aos carros da polícia, quando eles notaram a morena voar começaram a atirar contra ela, embora não tenha surtido nenhum efeito. Katherine aproximou-se do carro e os atravessou, impedindo que eles seguissem Mike, que já havia tomado o desvio a essa altura e acelerava a toda velocidade.

Todos estavam tensos dentro dos seus respectivos carros e Mike olhava pelo retrovisor a cada 3 segundos para ver se Katherine já estava próximo, mas nada. Ainda podia ouvir os disparos.

– O quinjet está do outro lado, por que estou vindo por aqui ? – o moreno questionou com nervosismo.

– Você não passaria pela fronteira com um carro roubado – e bastou ela dizer isso para uma SUV preta surgir no campo de visão de Mike, ele pisou no freio rapidamente.

Barbara e Hunter saltaram do veículo e não demorou sequer um minuto para trocarem de carros. Hunter assumiu a direção do carro roubado, juntamente com Barbara, e Mike, assumiu a direção da SUV, enquanto Skye ia no fundo falso, sobre o olhar atento de Jemma. Victoria se colocou ao lado de Mike.

Hunter e Barbara foram na frente, tomando a direção contrária a fronteira e tendo algumas viaturas a segui-los, completamente alheias a troca de passageiros. Mike não tardou a acelerar, embora mantivesse o carro dentro dos limites de velocidade, tudo para não chamar atenção.

– Eles ficarão bem ? – questionou com o coração sobressaltado.

– Hunter sempre dá um jeito – Fitz falou, mas era visível que estava receoso.

– Agente Pryde ? – Jemma perguntou, embora já soubesse a resposta para aquilo.

– Ela ficará bem, ela irá nos encontrar – Mike respondeu, tentando se convencer daquela informação.

– É, espero mesmo, porque ela é nossa piloto – Fitz emendou e todos se entreolharam com apreensão.

PHIL

A polícia não demoraria a ligar os pontos e, eventualmente, viria atrás de Coulson em busca de explicações para aquele “fenômeno”. Não estava exatamente preocupado com isso, assumiria qualquer coisa, contanto que May e Ward pudessem voltar para casa quando estivessem em condições, o que, por hora, não era o caso. O que estava realmente o incomodando eram os comentários tecidos à Skye: “O que era aquela aberração ?”, “Como ela fazia aquilo, pensei que fosse matar a todos nós”, “Olha essa parte do vídeo, é a melhor”, “Ela parecia estar possuída” ... As pessoas se acham em posição de julgar o que desconhecem.

Os funcionários o lançavam olhares furtivos e cochichavam, para só então disfarçarem, receosos de qual poder, Coulson, porventura, pudesse ter. Os lançou um olhar frio e afastou-se a passos rígidos, enquanto alguns se encolhiam visivelmente inconfortáveis. Bons tempos quando os hospitais secretos da SHIELD ainda funcionavam, definitivamente seria uma das primeiras coisas que reabriria.

A Suíça foi o lugar mais “perto” onde havia um cirurgião com recomendações suficientes para Coulson o confiar a vida de May, não entregaria ela a qualquer carniceiro sem experiência alguma. Aquelas seis horas foram as mais longas da sua vida, duas para chegarem ali e quatro com May na mesa de cirurgia, o homem que a operou chegou a dizer que era um “milagre”, ela ter durado todo aquele tempo, esse milagre tinha nome e sobrenome; Jiaying Zabo e bem, iria ajudar Coulson com mais uma coisa.

Adentrou a ala psiquiátrica, que ficava no prédio vizinho e sem demoras viu os cinco Inumanos, sentados na sala de recepção. Aproximou-se do grupo, que levantou-se de forma respeitosa.

– Eric está bem ? – indagou na direção de Erin, que apenas maneou a cabeça em concordância.

– Skye ? – Gordon questionou e o homem suspirou.

– Preciso da sua ajuda – admitiu, conversava de forma sussurrada para que ninguém, fora eles, pudesse ouvir.

– Prossiga – o Inumano o deu permissão.

– Hunter e Barbara, preciso que você vá pegá-los e os leve até nosso quinjet –

– Eu não consigo rastrear não Inumanos, agente Coulson — o Tardis humano assumiu, achando até engraçado o fato de Coulson sugerir aquilo.

– Se eu o der uma localização ? – o outro questionou, de forma apressada, a cada segundo que se passava Bobbi e Hunter corriam mais risco. Por quanto tempo a polícia apenas os perseguiria, sem atirar ?

– Sim, uma localização ajudaria – o Inumano concordou e deu um meio-sorriso, pois pôde notar o alívio que se propagou por todo o corpo de Coulson.

O moreno virou-se, tirando o celular do bolso e discando o número de Barbara.

– Qual é o plano, Sr. ? – Harpia questionou, era visível, pela sua respiração entrecortada, que não estavam em bons lençóis, as sirenes também eram um bom indicativo daquilo.

– Vocês conseguem achar algum prédio, algum lugar específico e me mandarem as coordenadas ? Gordon não consegue rastreá-los – Phil falou, enquanto lançava olhadelas para fora da janela, vendo se algum carro da polícia dava o ar da graça por ali. Era só uma questão de tempo, pelo que leu, a polícia Suíça era bem competente.

– Eu não sei, Sr., não sei se conseguiremos estacionar em algum lugar sem sermos alvejados – a loura admitiu num tom baixo e teve o aparelho tomado das suas mãos por Hunter.

– Eu deixarei o GPS ligado, Coulson, venha nos buscar – e desligou, encarando uma Bobbi incrédula ao seu lado.

HUNTER and HARPIA

– Esse celular é realmente a prova d’água ? – foi a única pergunta feita num tom jocoso pelo inglês, ele o enfiou no bolso e apertou a mão de Barbara uma última vez. Nem precisou dizer mais nada, a loura logo soube o que ele pretendia fazer.

Mais a frente havia uma ponte, trinta metros de altura, no mínimo, a separava de um rio que parecia cortar toda a cidade. Hunter fez seus últimos cálculos (coisa que ele não era particularmente bom) antes de acelerar, virando o carro na direção da mureta de contenção. Primeiro o impacto, depois os airbags inflaram na cara da dupla, o voo (estilo Missão Impossível) antecedeu o próximo impacto que veio quando atingiram a água, o para-brisa estourou e Bobbi foi envolvida pela mais completa escuridão, já Hunter lutava contra o cinto. Segurando o fôlego já que o carro afundou e com a água que entrava, a tendência era afundar cada vez mais. Conseguiu se livrar do empecilho e não teve maiores problemas com o de Bobbi, puxando-a para a superfície. Inúmeros policiais observavam aquela fuga nada prosaica do alto da ponte, buscando na imensidão do rio, aonde a dupla pudesse estar. O britânico não fazia ideia de como chegara à margem do rio, não havia sequer uma fibra do seu corpo que não doesse e sem mais forças para prosseguir, deitou-se entre a relva baixa, tendo Bobbi entre seus braços.

Bastou o sinal do GPS ficar imóvel para Coulson mandar Gordon ao resgate da dupla quase suicida. O inumano não demorou a levar os dois até o quinjet, deixando alguns policiais realmente confusos com toda aquela situação bizarra e em menos de cinco minutos estava de volta ao hospital, chegando bem a tempo de ver Coulson ser “detido para averiguação” por um grupo de brutamontes.

– Leah, por favor, avise ao Ward e peça para que ele fique com a May, eu logo estarei de volta – falou alto, por cima do ombro do homem que o empurrava corredor a fora, de forma nada cordial, diga-se de passagem.

Phil Coulson estava completamente tranquilo, até onde ele sabia, não havia cometido nenhum crime, assim sendo, enrolaria; pediria um tradutor, a embaixada dos Estados Unidos, um advogado que viria da labareda do inferno se isso fosse o necessário para ganhar o tempo necessário para Gonzalez resolver aquele pequeno impasse, mas uma coisa era certa, da boca de Coulson não sairia absolutamente nada sobre Skye, Inumanos e HYDRA. Nem sobre tortura, muito menos por livre e espontânea vontade.

Notas finais
E aí, Miles volta ou não ? ._.' -Q