O outro lado da Lua
2 Planos
– Olha só essa! É a mais gata.
– Que nada, Fred! Cê é louco, meu? Aquela moreninha sim, é a mais gostosa. Olha só o bundão...
– Ah, mas essa loirinha também é da hora. Tem até um...
Faltavam exatos dois minutos para as aulas iniciarem. Max, Mauro e Eduardo me arrastaram pelo braço até o ginásio do colégio, onde dois caras — um loiro gordinho e um negro bombadão, ambos com vários alargadores e tatuagens — assistiam a vídeos pelo celular, sentados no gramado.
– Ei, Fred! Joca! Olha só quem trouxemos! — gritou Eduardo — Esse é o Jack. Mais um para... cês sabem, né?
O cara loiro, cuja camisa revelava uma estampa preta do nome "Fred", levantou-se com um celular na mão e caminhou até nós. Meu coração batia tão forte que era possível escutá-lo sem ninguém precisar encostar o ouvido no meu peito.
– Da hora, Eduardo. Então ele vai, tipo... querer entrar pro nosso "time"?
Max deu uma risada maléfica. Mauro escondeu um sorriso zombador com as mãos.
– Isso aí, brother. A gente conseguiu, sabe? Convencê-lo!
– Falou! Ei, brô, olha aqui rapidinho! — disse o loiro, erguendo o celular, chamando a atenção dos outros rapazes — olha só como essa mina se masturba! Consegue enfiar uma garrafa de vidro na boceta!
– Hahahahahaha! Que puta... e, por falar nisso, sabe o que deu vontade de fazer?
Joca, o bombadão, bateu o próprio punho na outra mão e disse:
– Pegar umas putinhas? Tô dentro! Mas tenho que comprar camisinha. Nunca que eu iria meter naquelas raparig...
– Tive uma ideia melhor — gritou Mauro — a gente tava combinando de, cês tão ligados, né? O teste?
– Aham — afirmaram os dois caras, ao mesmo tempo. Meu coração acelerou mais ainda. A que teste eles se referiam?
– Pois é... além do teste, a gente podia sim, pegar umas boyzinhas... tamo junto?
– Opa, com certeza, mano! — gritou Joca, animado. Seus olhos revelavam brilhos — mais uma tatuagem pra nossa coleção, né, Fred?
– Com certeza! E, já que a gente vai meter, sabe onde eu vou tatuar hoje? Hã? Hã?
– Aff, tinha que ser loiro mesmo — gritou um dos caras. Não consegui identificar a voz, de tão nervoso que já estava — como é que você vai enfiar nas gatas com o pau dolorido, mermão?
– Ah, é...
Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim
– Droga! Vamos! Vamos — disse Eduardo, apressado. O sinal acabara de tocar, anunciando o início das aulas.
Fale com o autor