Notas iniciais
Uma dica para os bruxinhos: cuidado com as escadas, elas gostam de mudar. Dica dada, Accio Capitulum! **agitando a varinha**

Pov Belle

Acabo de sair da sala da Professora Trelawney. Eu gosto de visitar tanto ela quando o Professor Snape. São meus dois professores favoritos, embora muita gente não seja muito fã deles. Trelawney é uma mulher muito interessante, e o fato de ela ter seus ataques de vidência me ajuda um pouco a entender meu dom. Sabe, é mais ou menos aquela filosofia do sempre existe alguém mais louco que você. E isso é bem reconfortante às vezes.

Desci as escadarias da torre, e fui ainda mais para baixo, para o porão, agora é meu horário com meu segundo best teacher, Professor Snape. Outro esquisitão, sinistro, na opinião do Eric, mas eu sempre achei ele muito gente boa. Sabe, beeeem lá no fundo. E, depois daquela visão noturna, acho que criamos um vínculo. Oooooou, ele só está querendo me manter por perto, para ter certeza de que eu não vou dar com a língua nos dentes. Mas eu não ligo. Na verdade, é bem legal saber que ele é até... humano.

Quando eu estava quase chegando na porta da sala dele, eu senti um aperto forte no peito. Não sinto isso há meses, não sei bem o que pode ser. Eu sentia meu peito se fechar, e o ar começou a me faltar. Eu retornei até as escadas que davam acesso ao porão, e comecei a subir, sentindo a dor aumentar.

– Belle!... — uma voz sussurrou.

Eu retornei alguns passos. Havia ali, no meio da parede, um local um pouco escuro. Eu reconheci uma silhueta ali dentro. Ela estava agaixada, segurando e apalpando a parede com força, e movimentava a cabeça para os lados lentamente, como se me caçasse.

– Sophie! — eu me aproximei dela.

Assim que ela tocou minha mão, eu senti a dor sumir subitamente. Não sabia que o protegido podia chamar seu oráculo, e muito menos que era assim. Vou perguntar para o papai depois... Enfim, mesmo me segurando, ela ainda agia como se caçasse um ponto fixo para olhar.

– O que aconteceu com você? — eu perguntei, preocupada — Sophie, o que está havendo?

– Eu estou cega! — ela soluçou, alarmante — Não consigo ver!

– Como assim? — eu perguntei.

Ajudei-a a se sentar, e ela ainda parecia muito aflita. Não é para menos.

– Mas consegue ver alguma coisa? — eu me sentei na frente dela.

– Eu não sei.... — ela falou — Está muito embaçado.

– Tente se concentrar! — eu segurei as mãos dela — Vamos tentar juntas!

Ela segurou firme as minhas mãos. Seus olhos se moviam rapidamente, mas estavam nublados. A medida que ela se esforçava para enxergar, seu rosto enrubrescia, e seus olhos se nublavam ainda mais, de modo que de azuis, passaram a ser cinzas.

– Eu.... estou vendo formas vazias... — ela começou a descrever — É como se eu estivesse na água, olhando para um prato cheio dela, olhando bem de pertinho. A luz brilha refletida na água, mas isso só está me deixando ainda mais confusa...

– Vamos, tente enxergar... — eu a incentivei — O que vê das formas vazias? Consegue descrevê-las?

– Eu estou mergulhada na água... — Sophie descreveu — Estou indo mais fundo... Espere. Eu... eu quero que veja isso.

Ela rasgou sua luva, deixando os dedos do lado de fora. Ficou bem mais elegante desse jeito, na minha opinião. Sophie aproximou sua mão de meu rosto, e tocou em minha testa. Aquilo doeu um pouquinho, mas não foi pelo toque dos dedos dela. Foi pela conexão.

Eu via a água da qual ela falava. Mas a viagem não durou muito. Logo, formas começaram a aparecer e a se definir, formando uma cena. Eu reconhecia o lugar. Era a sala do Professor Slughorn, mas com um toque obscuro de verde, banco e preto na cena toda. Na verdade, o próprio Slughorn estava na sala, sentado na cabeceira de uma mesa comprida e retangular. No comprimento da mesa, eu podia ver alguns alunos sonserinos sentando junto dele. Slughorn tinha uma caixa em sua frente, na mesa, e dentor dela haviam rodelas douradas de um doce coberto de açúcar de confeiteiro.

– Senhor, é verdade que a professora Mary Poots está se aposentando? — um garoto comentou. Havia alguma coisa de sinistro nele. No sentido ruim.

– Tom, não lhe diria mesmo que soubesse, não é? E, aliás, obrigado pelo abacaxi, você acertou, é o meu favorito. — Slughorn falou — Mas como você soube?

– Intuição. — ele disse simplesmente, ao passo que o professor comia outro doce, satisfeito.

– Santo Merlin! Já é tão tarde assim? Já está na hora! — Slughorn avisa — O professor Dippet vai nos colocar todos em detenção!

Todos os alunos se despedem e sam. Agora, a sala está vazia, apenas Slughorn parece estar ali, próximo da fogueira. Vejo o garoto sinistro denovo. Ele se aproxima de uma mesa, e bate com o dedo em uma apulheta de vidro, que faz um som agudo. Slughorn o vê, e sorri.

– Fique atento, Tom. — Slughorn advertiu — Você não quer ser pego fora da cama depois da hora. Está precisando de alguma coisa?

O rapaz começou a caminhar na sala, falando.

– Sim, senhor. Eu não imagino ninguém melhor. Os outros professores... bem, não são como o senhor. — o garoto começou puxando o saco do velhinho. Isso sempre deve ser observado com atenção — Eles... podem não me compreender.

– Continue. — Slughorn bebe um pouco de hidromel.

– Estava na biblioteca, uma noite, na seção reservada, — o garoto contou — e... li alguma coisa estranha sobre uma magia bem rara. E pensei que o senhor pudesse me esclarecer. Se me lembro bem, se chamava..............

Ao ouvir o nome da magia, Slughorn arregalou os olhos, sendo tomado por grande fúria.

– Como é que é?! — ele se exaltou — Eu não sei nada sobre esse assunto e mesmo que soubesse não lhe diria! Agora saia daqui imediatamente e eu não quero ouvir você falando disso outra vez!!!!!

E então a cena tornou a ser apenas água. Sophie retirou a mão de minha testa, e então abraçou os joelhos.

– Eu posso ver agora...

– Wow, isso foi intenso. — eu suspirei — Será que foi o Harry?

– Com certeza, mas.... — ela fechou os olhos fortemente por alguns instantes — Eu... não consigo falar com ele. Nem ao menos vê-lo. Não sei onde ele está, mas é um lugar protegido por uma magia bem forte.

– Sala do Diretor. — eu falei, e ela concordou. — Pareceu memória de penseira. Coisas assim são mais fortes que qualquer feitiço de isolamento, por isso você e eu vimos.

– O que é uma penseira? — ela me olhou, curiosa.

– Não conhece penseira? Alguém vai visitar a biblioteca e é já! — e me levantei.

– Mas e a aula do Snape? — Sophie me seguiu.

– Deve estar na metade. Você sabe que ele não deixa ninguém entrar depois que ele já entrou na sala. — eu comentei.

***

De noite, depois que todos já estavam dormindo, eu e Sophie nos levantamos e fomos para o salão comunal da Sonserina. Sophie fez a conexão, e logo estávamos junto com Harry. Ele parecia aflito, muito tenso, sentado em sua cama. Embora Rony estivesse deitado na cama ao lado, ele não possui clarevidência, como diz minha teacher (I love U, Trelawney! ♥), e portanto não pode nos ver. E com seus roncos alto, nem ouvir o Harry.

Assim que viu Sophie, ele se atirou nos braços dela como se não houvesse amanhã, forçando-a a se sentar do seu lado na cama. E chorava copiosamente.

– O que foi? — eu perguntei para ela.

– Ele está angustiado. — ela passou os dedos nos cabelos dele.

– Não é para menos. — eu ri — Depois daquela memória...

– Memória? — Harry ergueu a cabeça, revelando seu rosto molhado.

– Vimos a memória do Slughorn. — Sophie explicou docemente. — Aquela história de magia rara não me cheira bem.

– Dumbledore me disse que essa memória é falsa, e que eu preciso conseguir a verdadeira com o Slughorn. — Harry enterrou novamente seu rosto nos cabelos dela. — Eu não quero enganar ele!.....

Sophie olhou para mim, suplicante. Parecia apavorada, como alguém que não sabe o que fazer. Eu mandei com gestos ela acalmá-lo, e ela o abraçou, afagando seus cabelos negros.

– Dumbledore não quer que você o engane. — eu comecei — Quer apenas que você consiga a memória....

– Não, Belle! — ele me olhou — Ele já me pediu para que eu me aproximasse do Horácio, não foi por amizade! Foi interesse!

– Mas você sempre soube disso. — Sophie o lembrou. — Lembra o que eu te disse, naquela noite que você veio me pedir ajuda?

– Você me mandou ser natural. — Harry soluçou.

– Isso, cherrie, ser natural. Se você forçar, vai piorar, e talvez até você não consiga. — ela continuou — Continue agindo do jeito que age com ele, que a oportunidade vai aparecer. Mas não force nada, ou ele vai desconfiar.

Harry piscou seus grandes olhos azuis, analisando as palavras de Sophie. É realmente um bom plano, mas talvez demore para conseguir resultados.

– Hey, meu chato. — ela tocou o rosto dele com a mão, enxugando suas lágrimas e forçando-o a olhá-la — Pare de chorar agora, ouil? Parece uma criança.

Harry sorriu docemente, e tornou a aconchegar-se nos braços de Sophie. Eu sentei do outro lado dele, e ele segurou minha mão, entrelaçando seus dedos nos meus. Como a Hermione sempre faz quando senta conosco no vagão, ou em qualquer outro lugar. Um gesto simples, mas que me diz muita coisa. Harry me considera uma amiga. Não sei se isso é bom ou ruim.

Sophie o soltou, e o fez deitar-se. Ela o cobriu com os cobertores vermelhos da Grifinória, e depois sentou do lado dele, no chão. Eu, é claro, fiz o mesmo, mas do lado dela. Harry segurou-lhe a mão esquerda, da luva, enquanto ela acariciava seus cabelos com a outra. Odeio ficar de vela, mas esses dois são tão fofos que eu nem me incomodo. Adoro ver eles juntos, pena Sophie ser tão cabeça-dura... Ficamos ali até ele dormir, e então ela quebrou a conexão, fazendo-nos retornar ao salão comunal da Sonserina.

– Nossa... — Sophie sentou-se no sofá de couro negro, exausta. — Essa conexão foi forte...

– Eu também fiquei um pouco tonta... — eu disse, provocando-a — Mas não sei se foi da magia ou de vocês dois! Cara, Harry é seu love ou seu filho?! Você cuidou tanto dele que parecia mãe!

Sophie jogou uma almofada em mim.

– Não sou mãe dele! — ela esbravejou.

– Então só resta a primeira opção. — eu disse — Ele é seu love.

Sophie se levantou rapidamente. Eu corri, desesperada, na verdade já esperava essa reação dela. Ela me bateu com seu travesseiro quando chegamos no quarto, mas logo a gente se acalmou, e ela dormia tranquilamente em sua cama.

Mas uma coisa ficou martelando na minha cabeça. Eu consegui ouvir com um pouco de clareza o que o tal Tom disse. Parecia ___crux. Não sei o que é, mas é muito importante descobrir. Coisa boa é que não é. Parece magia da pesada. Bem pesada.

Notas finais
___crux. A Belle conseguiu compreender na primeira visão. Oráculo du boum!!!