O outro lado da Cicatriz
14 Uma noite agitada na minha mente também.
Notas iniciais
Pov Harry
Eu estava deitado em minha cama. Diante de meus olhos, as páginas do livro que tenho lido tão desesperadamente. São apenas receitas, Harry; minha consciência me dizia. Apenas receitas de poções. Se são apenas receitas, então como eu não consigo parar? Por que parece mais forte do que eu? Por que eu quero ler?
Larguei o livro no criado-mudo, e tirei os óculos. Minha cabeça lateja, mas não é por causa dessas noites de ler no escuro. Talvez eu sabia do que preciso. Mas talvez não saiba.
Fechei meus olhos. Eu estava de pé, do lado de uma cama. Ela estava deitada, virada de costas para mim. Seus cabelos loiros cobriam o travesseiro, do mesmo jeito que o edredom cobria apenas da cintura para baixo. Seu pijama de seda azul celeste brilha com a luz da Lua.
– Sophie.... — eu sussurrei, empurrando levemente seu ombro — Sophie....
Ela gemeu, relutante, e virou para o meu lado. Mas voltou a dormir.
– Sophie.... — eu chamei outra vez — Sophie....
– Quieto, seu chato..... — ela resmungou — As velas estão na gaveta de cima....
Eu ri suavemente. Mesmo dormindo, ainda era a Sophie. A mesma Sophie que veio em excursão com BeauxBatons. A mesma Sophie que estava encantadora no baile de inverno, mesmo dançando com Neville. A mesma Sophie que eu ajudei na aula de Slughorn.
– Sophie.... — eu sussurrei — Eu não consigo dormir....
– Pois eu consigo.... — ela resmungou.
– Sophie!.... — eu pedi denovo — Por favor!....
Ela resmungou alguma coisa em francês, que eu não entendi muito bem. Depois, arrastou-se na cama, de modo a liberar espaço. Eu apenas fiquei olhando.
– Como é, seu chato? — ela brigou — Me acordou e agora não vai deitar?
Eu despertei do transe, e me deitei do seu lado. Ela cobriu-me com seu edredom verde da Sonserina, e depois deitou de lado, me abraçando. Eu passei meu braço esquerdo por baixo da cabeça dela, e penteei seus cabelos com meus dedos.
– Pronto, chato. — ela sussurrou suavemente — Agora dorme.
E dito isso, ela me puxou para mais perto de si, e logo respirava suavemente.
Eu apenas fiquei quieto, tentando me concentrar na respiração serena dela. Eu acariciava suas mechas loiras, e tentei não divagar, mas parece que isso é praticamente impossível. Logo, eu estava angustiado denovo.
– Sophie... — eu chamei outra vez — Sophie...
– O que foi agora? — ela bufou.
– Eu ainda não consigo dormir. — eu apenas disse.
– Muito bem, chato. — ela me largou, deitando de lado, de modo a olhar para mim. — Diga.
– Eu estou preocupado. — eu confessei — O diretor Dumbledore me pediu para eu me aproximar do professor Slughorn, mas eu não sei se consigo. Quer dizer, isso parece um tanto errado. Eu terei que manipular uma pessoa a gostar de mim! O que acha, Sophie? Não acha que eu tenho razão? Sophie?
Eu olhei para ela. Seu rosto estava enterrado no travesseiro, e ela dormia profundamente.
– Sophie! — eu a chacoalhei levemente — Sophie!
– Eu tô acordada! Eu juro! — ela se levantou, assustada.
Eu olhei para ela, tentando segurar o riso. Ela logo voltou a deitar denovo.
– Desculpe. Sua voz é muito calma, eu não resisti... — ela sussurrou.
– Tudo bem. Mas você me ouviu? — eu perguntei.
– Uhum... — ela gemeu.
– E o que acha?
– Não vai me deixar mesmo dormir, né? — ela sentou na cama, ficando de frente para mim — Certo, chato, é o seguinte. Dumbledore sabe o que faz, se ele te pediu, é porque tem alguma razão forte para isso. Com relação ao Slughorn, eu prefiro que você seja você mesmo. Francamente, você é o Harry Potter! Tem como ser mais interessante que isso? Só não force a barra, as pessoas não gostam de gente forçada. Seja simpático. Agora cala a boca que eu quero dormir.
– Tá, eu fico quieto.
– Que bom. — ela sussurrou.
Deitou outra vez do meu lado, e passou o braço esquerdo por cima de mim, me puxando para perto. Ela respirou forte, e depois, suavemente.
– Sophie... — eu chamei mais uma vez.
– Hum? — ela resmungou, contrariada.
– Obrigado.
Ela me abraçou mais forte. Em seu rosto adormecido, eu podia jurar ter visto um sorriso, mesmo suave. E eu sorri também.
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