O outro lado da Cicatriz
5 Md. Geneviève......Artefatos, Animais e Antiguidades desde 1875 a.C. Parte II
Notas iniciais
Pov. Sophie
– Pardón, estão precisando de algo? – Md Geneviève aproximou-se.
– Eu quero um animal. – Belle falou, doida para se soltar de Draco.
– Qual seria? – ela perguntou.
Belle olhou para mim e para Draco. Tá na cara que ela nunca teve um pet na vida!
– Talvez você goste de gatos! – eu falei. – São ótimos pets!
– Está bem! Quero uma gata! – Belle falou.
– Por aqui, sivu pleé!
Belle seguiu Md. Geneviève, cheia de entusiasmo. É uma garota totalmente fora dos padrões. Será divertido.
– É Sophie, não? – Draco falou, de repente – Estranho, você me parece familiar...
– Não se faça de cínico, mecié! – eu falei, cruzando os braços – Você pode até não se lembrar, mas aposto que Vincent Crabbe jamais vai esquecer o furão branco na calça dele!
– Fale baixo! – Draco segurou meu braço – Ninguém pode ouvir isso!
– Que tal esta? – Belle apareceu, segurando uma gata malhada – Não, muito peluda! – e desapareceu como veio.
– Não deveria ter provocado Potter na frente do Olho Tonto. Ele é daqueles imbecis que sempre tem alguém que o defenda! – eu falei.
– Por favor, não conte para ela! – ele implorou.
– Olhe só! – eu ri, cínica – Um Malfoy implorando! Isso é tão... patético!
– E essa, o que acham? – Belle surgiu outra vez, com uma gata pelada – Não, é toda enrugada, parece minha vó Acília! – e desapareceu outra vez.
Ele segurou meu braço. Seus olhos cinzas imploravam por misericórdia.
– Sabe que olhando assim, faz até você parecer humano... – eu olhei para seu rostinho assustado. Uma ideia me veio à mente, e eu ri dela – Hum..... não! Foi melhor eu não ter ido ao baile de inverno com você!
– Você... realmente ia aceitar? – ele perguntou, um certo brilho nos olhos.
– Não seja convencido! – eu cruzei os braços, arrebitando a ponta do nariz – Só decidi ir com Neville porque ele pediu primeiro, pois ou eu ia com você, e, pardón, mas você não sabe dançar, ou eu ia com o Potter, e isso jamais! Aquele nojento, imbecil!
Draco sorriu. Eu sei que ele partilha da mesma empatia por Potter que eu, muito embora os motivos dele sejam fúteis e bobos. Ele ia responder, mas Belle chegou bem na hora.
– O que acham???? – ela perguntou, ansiosa. Sinceramente nem olhei para a gata. Ela nos encarou – Como é? Não vão responder?
Eu até pensei em dizer algo, mas ela tratou de responder a si mesma antes.
– Quer saber? Vou ficar com a malhada! – e desapareceu mais uma vez.
Eu respirei fundo. Acho melhor acertar as contas de uma vez.
– Escute bem, mecié Malfoy! – eu disse, em tom de ameaça, fazendo ele se assustar – Não me incomode este ano, porque eu ainda sei como humilhar um Malfoy. Ou será que esqueceu da última vez?
Ele engoliu em seco. Da última vez ele me desafiou para um duelo, no qual ele trapaceou. Acontece que minha família não é muito tolerante com trapaceiros, e eu herdei isso. Em resumo: ele passou dois dias na enfermaria vomitando sapos.
– É bom que ainda se lembre, cherry! – eu sorri, fazendo ele se arrepiar – Agora, vai pagar este livro, ouil! Parece que vamos nos dar bem este ano...
Depois que ele pagou o livro e que Belle estava com sua gata, ela se virou para nós e sorriu:
– Querem uma carona até a estação?
– Pardón... – eu logo me desculpei, chega desse povo, pelo menos, por enquanto – eu ainda preciso comprar meus livros, e umas penas...
– Eu aceito! – Draco sorriu.
– Não aceite nada sem consultar seus superiores, Draco. – uma voz horripilante disse – Você não é de maior.
Era um homem alto, de longos cabelos loiríssimos, e roupas muito negras. Tinha uma espécie de aura ao seu redor, algo que faria os mais corajosos se arrepiarem. Ele olhou para mim e para Belle, com uma cara indiferente e antipática.
– Sangues ruins outra vez... – ele falou. Belle ficou com raiva.
– Pai, estas são Sophie Sullen e Belle Scolfh. – Draco apressou-se – Esse é meu pai, Lúcio Malfoy.
Ele olhou mais atentamente para nós duas, com seu olhar fulminante, e fez uma coisa que nem o Draco esperava: ele se curvou, segurou minha mão e a beijou.
– Encantado em conhecer a pessoa que derrotou um Malfoy em um combate justo. – ele falou, parecia meio comovido – Mas, também, é uma honra perder para alguém da mais alta família bruxa. Uma Sullen.
– Onchonté. – eu puxei minha mão, enojada e assustada.
Ele então se levantou, assumindo outra vez sua pose sombria e fria. Belle sorriu e estendeu-lhe a mão.
– Sr. Malfoy, é um prazer conhecê-lo! Ouvi muito a seu respeito! – ela sorria amigavelmente.
Ele olhou para ela, com seu olhar frio e incomodado, como se fosse perturbado por uma mosca ou qualquer outro inseto irritante.
– Parece que um Scolfh finalmente resolveu sair da toca. Espero que os extraordinários conhecimentos de sua família não tenham se perdido com o extremo convívio com os trouxas. – ele deu um leve sorriso, contradizendo sua frase seguinte – Seria uma lástima.
– Não se preocupe, tudo está muito a salvo. – ela disse, seu sorriso se desfez – Inclusive a cordialidade, virtude muito rara atualmente.
Lúcio pegou o livro discretamente das mãos de seu filho, e deu uma rápida lida em sua capa.
– Parece que me enganei. Talvez ainda existam sangues puros, afinal. – ele se virou – Vamos, Draco.
Draco seguiu o pai em silêncio. Belle ficou meio triste. Ele olhou por cima do ombro e piscou para Belle, fazendo-a sorrir. Talvez ele seja humano, afinal.
****
Pov. Belle
Meu celular tocou.
– Alô?
– Srta. Scolfh, não poderei te levar para a plataforma, porque um monte de fãs eufóricos começaram a me seguir, então vou levá-los para ver os bastidores de seu palco, por ordens de seu pai. – o motorista disse.
– Mesmo? Mas vão estragar tudo! – eu reclamei.
– Ordens de seu pai. – ele se limitou a responder.
– Humm..... tá. – eu tive que concordar – Mas pelo menos, me manda minhas coisas do palco! Meus bastos, figurinos, bolas, coelhos, tudo!
– Mas...
– Eu disse tudo! – eu falei.
– Certo, estará no trem. – ele disse, e desligou o telefone.
– É, — eu me virei para Sophie — parece que vamos ficar juntas, afinal.
– Magnific... — Sophie disse, sem a menor empolgação.
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