Notas iniciais
Peguem leve com a Sophie...

Pov Sophie

A coruja de Slughorn não tardou a chegar, e logo Belle estava revirando minha mala à procura de algo para vestir.

– Não.... não..... não..... — Belle jogava meus vestidos no chão — Esse com certeza não...

– Hey! É Dolce&Gabbana! — eu juntei meu vestido vermelho de renda preta.

– Você é triste, e seu guarda-roupa é totalmente sem-graça! — ela colocou as mãos na cintura.

– Não fale assim! Este é um legítimo Armani! E este, que você tão descaradamente jogou no chão, é um Chanel! Coco Chanel! — eu juntei meus vestidos do chão. — Sem comentar no belíssimo Ducci que você pisou sem dó!

– Escuta, esse povo todo aí não é italiano? — Belle perguntou — E os italianos e franceses não tem uma richa ou coisa assim?

– Ninguém faz roupas como os italianos. — eu admiti.

– Sabe o que eu acho? Que está precisando de um pouco de Sondra Celli! — ela sorriu, maliciosa.

Cerca de meia hora depois, e eu usava um vestido dela, longo, todo brilhante e azul escuro, como um céu estrelado.

– Não acha muito chique para um jantar? — eu perguntei, mas logo me arrependi.

Belle usava um vestido vermelho longo, de decote coração e tomara-que-caia, com uma enorme fenda na perna direita. Muito encantadora.

– Taylor Swift, CMA Awards, tapete vermelho. — ela falou. — Comprei dela uns dois dias depois do prêmio. Sempre quis usar.

Eu virei os olhos.

Belle fez cachos em seus cabelos negros, e eu fiz um coque, deixando uma mecha loira na frente. Fiz uma maquiagem leve, nada muito pesado, apenas um rímel, blush, delineador gatinho e um bom batom vermelho. Totalmente francês.

Belle já optou por carregar os olhos com sombreado preto, e batom vinho.

Fomos as primeiras a chegar na sala de Slughorn.

– Sim? — ele abriu a porta.

– Professor, viemos para o jantar. — eu falei.

– Oh sim, sim! — ele abriu mais a porta, permitindo-nos passar — Sabem, sempre achei que os franceses achavam elegante um minuto ou dois de atraso... E também julgava isso dos americanos...

– Bom, senhor, asseguro-lhe que nem todos são iguais! — Belle sorriu.

– Certamente, certamente. — Slughorn nos conduziu até o salão de jantar — Enfim, os elfos estão terminando de preparar a refeição, enquanto isso, aceitam uma bebida forte?

– Por que não? — Belle o seguiu.

Enquanto eles se afastavam, eu me aproximei de um canto um tanto recluso. Era uma cristaleira, e nela haviam diversas fotos. Eu reconheci muitas pessoas. Bárnabas Cuffe, o editor de O Profeta Diário, Guga Jones, capitã do time feminino de quadribol Harpias de Holyhead. Mais embaixo, reconheci outras pessoas. Uma moça de cabelos ruivos, expressões gentis e sorriso amigável, e um jovem de cabelos riuvos e óculos. Mais uma vez, Potter me persegue.

Mas, em um quadro menor, eu vi um rosto estranhamente familiar. Era uma moça, de cabelos loiros e cacheados, pele pálida e sorriso cativante. E um quadro do lado, quadrado, tinha um rapaz, de cabelos castanhos e lisos penteados para frente e para o lado, como se fosse a moda da época. E ele parecia muito divertido.

– Vejo que encontrou minha coleção particular. — a voz rouca de Slughorn me assustou. — São todos meus, ex-alunos, eu digo.

– Quem são esses dois? — eu perguntei gentilmente.

– São Catherine BlancSec, e William Shade, grifinória. — ele explicou — Eram alunos brilhantes, melhores amigos de Lilian e Tiago Potter. Ouvi dizer que eles se casaram, e se mudaram para a França, mas não consegui saber se era verdade.

Eu senti um aperto no coração. Eu conheço esses rostos de meus sonhos e de fotografias da mamie. Mamãe e papai. Que eu nunca pude conhecer.

***

– Então, diga-nos, Sr. Cormaco, o que seus pais.... — a voz de Slughorn soava distante e fria.

Eu olhava para minha sobremesa de chocolate, e ela nunca me pareceu tão interessante.

– Você viu a roupa da Hermione? — Belle sussurrou para mim — Que coisa medonha! Eu nem sairia da cama se tivesse que usar uma roupa daquelas!

– Belle! — eu sussurrei, mas acabei rindo.

– E seus pais, Srta. Sullen? — a voz de Slughorn me gelou.

– C....como disse, mecié? — eu gaguejei.

– E seus pais? O que fazem no mundo da magia? — ele me encarava.

Eu senti um nó doloroso se formar na minha garganta. Nunca tinham me perguntado sobre meus pais antes.

– Srta Sullen? — Slughorn tornou a perguntar — Não precisa ter medo de falar! Nós não mordemos!

E dito isso, ele soltou uma risada, que fez meu corpo gelar.

– Sophie? — Belle me chamou suavemente. — Não precisa...

– Não, Belle, ele perguntou, portanto, merece uma resposta. — eu encarei o Professor Slughorn, sentindo os olhares de todos em mim, sobretudo os olhos azuis de Potter.

– Queira perdoar-me, monsenhor, mas eu não sei o que meus pais faziam. Eles foram mortos por uma Comensal da Morte chamada Bellatriz Lestrange, quando eu ainda nem podia andar, muito menos me lembrar. — eu falei, sentindo o nó apertar cada vez mais — Eu fui criada por minha avó Evelyn Sullen, na França, e na verdade, a única coisa que sei sobre meus pais é que eles foram seus alunos Catherine e William e por sinal seus melhores, pois estão em sua prateleira. Com licença, preciso tomar um ar. Voltarei logo.

Eu me levantei da mesa, e vi Potter e Belle se levantarem para me seguir.

– Não, Belle! — eu falei, caminhando até a porta. — Agora não!

Eu saí da sala do Slughorn. A lua brilhava, iluminando o corredor escuro. Sentei-me em uma sacada, e logo senti o nó da garganta apertar ainda mais.

– Droga! Eu não..... eu não acredito que perdi o controle! O que Madame Olímpia vai pensar? O que mamie vai dizer? — eu sentia as lágrimas rolando por meus olhos — Non, non, non, non, non!.....

Eu cobri meu rosto com as mãos e permiti que as lágrimas caíssem todas. Eu fui grossa, indelicada, estúpida, infantil. Eu não costumo ser nada disso.

De olhos fechados, eu retornei mentalmente para a sala de jantar. Eu podia ver a todos, estava de pé atrás de Slughorn.

– O que foi? Foi algo que eu disse? — ele perguntou.

– Queira perdoar minha amiga, senhor, mas é que nem todos lidam com a morte da mesma maneira. — Belle olhou descaradamente para Potter, do seu lado direito — Acredito que ela apenas entrou em pânico, logo irá se recompor.

– Eu entendo ela... — Harry sussurrou.

– Excelente, enquanto esperamos o retorno dela, Srta Granger, o que exatamente seus pais fazem no mundo dos trouxas? — Slughorn retornou ao mesmo assunto.

– Eles são dentistas. — Hermione notou a dúvida nos olhos do professor — Cuidam dos dentes das pessoas.

– Fascinante! E esta é considerada uma profissão perigosa? — ele tornou a perguntar.

– Não... — Hermione teve uma crise de riso ao lembrar dos causos dos pais — Embora, um menino mordeu o meu pai uma vez, ele precisou levar dez pontos!

Belle começou a rir, não por educação, mas porque ela realmente achou engraçado. Belle deve saber o que é um dentista.

De repente, a porta da sala se abriu. Potter levantou-se, ansioso, olhando atentamente para a porta. Mas quando Gina Weasley entrou, ele suspirou, decepcionado. Eu senti minha cicatriz queimar levemente. Ele estava me esperando.

Belle o olhava, com um meio sorriso no rosto. Aposto que ela pensa o mesmo que eu.

Potter continuou de pé, esperando que eu entrasse, enquanto Gina fechava a porta, e se sentava. Mas eu não voltei.

***

A Lua brilha na escuridão. O corredor está deserto. Ninguém mais passa por aqui, e os que passaram, não me viram.

Eu sinto minha garganta queimar. Minha mente trabalha. Meus pais foram alunos de Slughorn, foram amigos dos Potter. Os Potter morreram. Mas por que os meus também? Por que eu também tenho essa cicatriz idiota na mão? Por que minha vida só tem complicado desde que eu conheci o Potter? Por que ele não me deixa em paz? Por que estamos conectados?

Ouvi a voz de Belle no corredor. Ela e Hermione estavam caminhando juntas, rindo e conversando. Parece que Hermione não odeia mais a Belle, afinal.

– Mas você precisa ver como ficou a mão do meu pai! Ele tem marcas dos dentes até hoje! — Hermione dizia.

– Meu tio Jorge era dentista. Ele quem arrancou meu primeiro dente de leite. — Belle contou — E foi também o primeiro bruxo a levar uma mordida de um dente arrancado!

Hermione riu. As duas pareciam saber perfeitamente do que falavam. De repente, elas pararam. Eu não precisei me virar e olhar para elas para saber que estavam me olhando.

– Acho melhor eu ir agora... — Hermione falou, meio sussurrante — Converse com ela.

– Pode deixar, dela eu cuido. — Belle respondeu — Te vejo amanhã.

Hermione passou por mim, e caminhou pelo corredor até desaparecer. Belle se aproximou de mim, com uma expressão que eu não sei definir se era raiva ou pena.

– Hermione parece gostar de você. — eu disse, antes que ela tivesse a chance de falar.

– Gosta AGORA. Precisava ver o jeito que ela me olhava durante as aulas do Slughorn. — ela riu — Parecia que ela ia me fulminar.

Eu ri suavemente. Me lembro dela quase esganando Belle, quando esta disse que a poção polissuco é a mais simples de se preparar.

– Pode me dizer o que foi aquilo lá dentro? — o tom de voz dela me parecia indecifrável.

– Não.

– Não pode. — Belle respirou fundo — Olha Sophie, eu sou sua amiga, mas precisa me dizer o que está acontecendo. Nem que seja apenas para eu te dizer "que problema idiota!", ou para concordar que não tem solução. Mas você não está sozinha, Sophie. Nunca esteve.

– Eu só quero ir pra casa! — eu solucei alto, e logo estava chorando denovo.

Eu me debrucei sobre o parapeito da sacada, e chorei a mágoa de anos contida. Eu não tenho pais. Eu não tenho paz.

– Sophie... — senti uma mão quente tocar meu ombro — Sophie, não chore...

Eu olhei para os lados discretamente. Belle não estava mais aqui. Acho que já foi para o quarto.

– Sophie.... — ele disse, outra vez — Eu.... eu entendo você...

– Endende nada! Há seis meses atrás não sabia nem que eu existia! — eu solucei.

Ele tirou a mão do meu ombro. Potter se aproximou ainda mais de mim, e me abraçou. Eu senti seus braços quentes ao redor de mim por um tempo curto, e se eu não fosse tão firme, teria me entregado.

– Não me toque, Potter! — eu me afastei dele. — Não quero sua ajuda! Desde que você entrou na minha vida tudo tem virado de ponta cabeça cada vez mais, então só desta vez, me deixe infeliz do jeito que estou, e não tente piorar ainda mais!

Potter me olhou atentamente. Não sei bem se ele entendeu o que eu disse.

– VAI EMBORA!

E me sentei no chão, chorando compulsivamente. Ele deu um passo para se aproximar de mim. Mas depois foi embora.

Notas finais
Own, tadinho do Harry!