Notas iniciais
Muito bem, mais um dia.

Pov Sophie

– Não, Belle! Para! Me solta! Não, Belle! — eu gritei desesperadamente.

– Você está na minha casa, meu bem! Minha casa, minhas regras! Agora anda! — Belle me puxava.

Ela me arrastou pela escada até o pátio do lado de fora. Hoje, ela tinha resolvido que eu ia fazer tudo em Las Vegas: joguei pôker, black-jack, caça-níquel, andei de montanha-russa, tirei coelho da cartola, vi uma luta de boxe. Pra fechar a noite, ela decidiu que eu tenho que mergulhar na piscina dela.

– Belle para! Eu não quero ir! — eu esbravejei.

Mas ela não desistiu. Continuou me arrastando, enquanto eu gritava, até chegar bem na beiradinha da piscina olímpica dela.

– Pelo amor de Merlin não faça isso comigo! — eu implorei aos berros.

– Tá, não faço.

Ela me soltou. Eu respirei fundo, aliviada, pensando que estava tudo bem. Então ela me deu uma rasteira, me derrubando na água quente. Eu mergulhei fundo, e senti a água entrar pelo meu nariz e ouvidos.

– Eu vou te matar, Belle! — eu gritei, emergindo. Segurei os pés dela, e a puxei pra dentro, enquanto ela gritava. Agora éramos duas idiotas molhadas em plenas onze horas da noite.

– Pronto, fechei a noite. — Belle disse, rindo.

Eu me levantei, e caminhei pela água até chegar nas escadas.

– Onde vai?

– Pra bem longe de você, antes que me faça nadar denovo! — eu gritei.

Não estava furiosa de verdade, apenas ensopada. Saí da piscina e entrei devolta na casa, e aquele ar condicionado me gelou os ossos. O que me deixou ainda mais brava por estar molhada.

– Minha nossa, o que aconteceu? — Eric perguntou, ao me ver.

– Belle. Isso que aconteceu. — eu resmunguei, de mal-humor.

– Festa na piscina, meu povo! — Belle berrou lá de fora. Eric sorriu, já tirando a camisa na minha frente, e correu para a piscina, mergulhando. Eu fiquei observando os dois. Eles são tão fofos juntos. Agora, são os quatro, pois vem gêmeos, segundo a família louca de Belle. Qual o segredo desse povo?

O ar condicionado gelando minha espinha me lembrou meu atual estado, fazendo-me correr para um banho quentinho.

Já no meu quarto, depois de tomar um bom banho de banheira (que luxo!), eu vesti um roupão azul com meu nome bordado, cortesia de Belle. Peguei uma toalha e fiquei secando meus cabelos loiros, enquanto saía do banheiro.

– Harry? — eu parei no meio do quarto.

Ele estava parado, na frente da minha cama, de costas para mim. Estava estático.

– Harry, tá tudo bem? — eu perguntei, me aproximando.

Ele olhava para cima, estático, assistindo algo. Eu toquei nele, mas ele não se moveu. Chacoalhei-o, mas nem me olhou.

– Harry! Olha pra mim! — eu pedi, desesperada — Olha pra mim!

Eu então olhei na direção que ele olhava, e dei um grande e alto grito de terror. Eu podia ver. Era a casa dos Weasleys. E estava ardendo em chamas.

– Sophie! — Nico chamou, entrando no meu quarto. Ele estava sem camisa, todo ensopado. Também devia estar lá embaixo, tomando banho de piscina.

– Sophie, olha pra mim! — Nico me segurou, tentando me virar para ele — Olha pra mim!

– Sophie! O que.....? — Belle apareceu na porta do meu quarto. Olhou na direção do meu olhar, e se desesperou de terror — Pelas barbas de Merlin...

Ela se aproximou de mim, me puxando pelo pulso.

– Vem, temos que contar pro meu pai!

Descemos as escadas em pleno desespero, enquanto Eric e Nico nos seguiam, sem compreender. Passamos pela ala leste, e então Belle abriu as portas duplas de uma sala com força.

– Papai, precisamos de ajuda!

O Sr. Scolfh olhou para ela, e os outros dois homens de terno também.

– Belle, estou no meio de uma reunião... — ele sussurrou.

– Por favor! — eu implorei.

– E... senhores, com licença. Se me permitem, terminaremos um outro dia. — ele se desculpou, e todos desaparataram da sala.

Sr. Scolfh se aproximou de nós.

– O que foi, querida?

– Sophie teve uma visão-presente. — ela explicou.

Ele olhou para mim, se aproximando. Então, estendeu a mão direita. Eu senti um pouco de medo, pois estava sem a luva por causa do banho, então ele trocou de mão. E eu toquei minha mão direita na palma da dele.

Seus olhos se arregalaram, e ele assumiu uma expressão assustada e urgente.

– Belle, mande Julliette e Robert prepararem suprimentos, roupas e minha tenda de festas. Peguem também cobertores, e tudo o que você fizer caber em cinco caixas. — ele olhou para Belle. — Me encontrem aqui embaixo em cinco minutos.

– Sim papai! — Belle falou, e logo desaparatou.

Eric e Nico ficaram sem entender nada, o que não é novidade, então mandei eles subirem e trocarem de roupa.

Eu vesti uma calça jeans escura, e uma blusa de lã azul-clara. Peguei minha luva de mão inteira de renda azul-clara, e vesti meu sobretudo roxo, de bolsos, tendo o cuidado de calçar botas de couro pretas, cano médio.

Na hora combinada, Belle segurava exatamente cinco pequenas caixas de papelão, coloridas. Então, Sr. Scolfh abriu um portal e atravessamos.

Estava escuro. Não muito escuro, pois o céu estava estrelado, mas estava escuro. As cinzas da casa ainda ardiam, vermelhas, brilhando na escuridão. Todos estavam ali ainda, assistindo aquilo tudo, estáticos.

– Sr. Weasley, precisa de ajuda? — o pai de Belle perguntou.

– Sophie! — Rony sorriu — Belle!

Ele correu até nós, abraçando a mim e a Belle.

– Como estão todos? Alguém se feriu? — Belle perguntou, enquanto nos aproximávamos deles.

– Estamos bem, obrigado. — Sr Weasley falou — Apenas muito chocados.

Logo os adultos começaram a conversar sobre abrigo, mantimento e essas coisas que havíamos trazido para eles.

Belle conversou animadamente com os Gêmios, bem como Nico, que sempre foi um grande fã deles. Mas ficamos nós três, eu, Rony e Eric, com aquela cara de tacho, sem saber o que dizer, olhando um para a cara do outro.

– Gina! — Rony disse, de repente.

Uma garota vinha do milharal, tinha os cabelos ruivos molhados e usava um roupão de banho que um dia fora branco.

– Gina, graças a Merlin! — Sra Weasley a abraçou — Como você está?

– Cadê o Harry? — ela perguntou, olhando em volta.

– Achei que estava com você! — Rony comentou.

Um olhar de terror instaurou-se no rosto da moça. Onde está Harry?

Eu tirei a varinha do bolso do casaco e entrei no milharal, correndo. Gina tentou me seguir, mas seus pais a seguraram.

Encontrar o Harry. Era tudo o que se passava na minha cabeça. Encontrar o Harry. Eu corria, ouvindo apenas o som da minha respiração acelerada.

– Harry! — eu gritei, parando — Harry!

Eu olhei para os lados, procurando algum som que me fizesse saber onde ele estava.

– Harry! — eu chamei denovo — Harry!

De repente, ouvi um barulho diferente. Sei lá o que era. Eu voltei a correr como louca, procurando ele. Eu precisava encontrá-lo.

– Harry! — eu gritava — Ha.....

Senti um corpo se chocar contra o meu, fazendo-me parar bruscamente, mas desta vez, sem cair. Eu abri os olhos, para ver quem era. Ele sorriu pra mim.

– Sophie!

– Harry!

Ele me abraçou tão forte quanto eu o abracei. Ele estava bem. Estava seguro.

– O que estava fazendo aqui, sozinho? — eu perguntei, olhando nos seus olhos — Todo mundo tá procurando por você!

– Ah... eu vi algo ali atrás, achei que pudessem ser os comensais denovo. — ele explicou.

– Não me assuste assim, abusado! — eu me abracei ao seu pescoço — Não posso te salvar o tempo todo!

– Não se preocupe, eu posso te salvar também! — ele sussurrou no meu ouvido.

Na volta ao acampamento, já havia uma pequena tenda instalada ali. Ele me deixou entrar primeiro, vindo logo atrás de mim. Por dentro, tinha o tamanho da mansão de Belle, cheio de quartos, com salas, cozinha e banheiros, tudo decorado com muito requinte. Era mesmo uma casa móvel.

– Harry! — ouvi a voz de Gina.

Ele soltou a minha mão, para amparar em seus braços a garota que se atirou em seu pescoço. Gina não consegue esconder mesmo.

– Harry! — Todos vieram abraçá-lo — Graças a Merlin, você está bem?

– Um pouco cansado, obrigado. — ele se esquivou — Se não se importam, gostaria de ver onde vou dormir. Sophie, poderia me mostrar?

– Claro, querido. — eu fui na frente — Por aqui.

Levei Harry até onde ficavam os quartos masculinos, e ele entrou em uma porta, convidando-me para entrar. Era um quarto enorme, com cama, tapete, cômoda, espelho e baú, tudo muito bonito. Ali também já estavam Edwiges sobre a cômoda e o malão.

– Eu queria te dar um presente... — Harry dirigiu-se ao seu malão — Espero que goste.

Ele voltou para perto de mim, com uma caixinha pequena, preta, com um laço delicado mas mal-feito de fita dourada.

– Pode abrir.

Eu abri. Tinha um colar de prata, com um pingente de coração de prata. Era tão brilhante que eu pensei ser uma pedra da lua.

– Oh Harry, ele é muito lindo... — eu suspirei.

– É de natal. — ele falou, pegando o pingente da minha mão e colocando-o no meu pescoço — Feliz natal, Sophie...

– Eu me sinto mal agora... — eu ri.

– Por quê?

– Bruxos franceses não comemoram o natal. — eu falei.

– Está incomodada com o meu presente? — ele me olhou.

– Não, ele é lindo. — eu afirmei — É só que eu não tenho nada pra lhe dar...

– Não precisa me dar nada. — ele sorriu docemente.

– Sophie? — eu ouvi a voz de Belle.

Ela abriu as cortinas (lê-se porta) e corou ao ver nós dois.

– Ah desculpe, não quis atrapalhar... — ela sorriu, maliciosa. — Sophie, papai já vai abrir o portal. Deixa a luva pra ele e vambora!

– Belle?! — eu retruquei.

– Ai que garota complicada! — ela bufou.

Com um movimento de mãos, ela tirou a luva da minha mão esquerda com magia e entregou ao Harry, forçando-me a esconder a mão no bolso do casaco.

– Pronto, chatinha! — ela me puxou pelo pulso — Agora vem logo!

Eu saí do quarto arrastada, mas ainda deu tempo de ver Harry olhar para minha luva com carinho. Ai, por que ele tinha que ser tão fofo?

Retornamos pelo portal, e Belle e os meninos foram todos dormir, depois do dia e da noite loucos que tivemos. Mas eu fiquei sentada, molhando os pés na piscina, e admirando o colar que ele me deu. Harry Potter me deu um presente.

– Bonito. — ouvi uma voz dizer atrás de mim.

Nico sentou-se do meu lado na piscina, molhando os pés na água.

– Mas não se compara aos outros presentes que você já recebeu de outros garotos. — ele falou, ríspido.

O que ele estava dizendo?

– Sophie, o que está acontecendo com você? — ele continuou — Nunca gostou de Hogwarts, agora conhece os melhores lugares de lá. Nunca quis fazer parte daquilo, agora fica superfeliz por ser de Sonserina. Sempre odiou Harry Potter, agora cora e suspira toda vez que alguém menciona o nome dele.

Eu abaixei a cabeça. Jamais esperei ouvir isso do Nico, mas se ele está falando agora, é porque mamie falará coisas piores depois.

– Você não é mais a Sophie que eu admiro. Por que você mudou? — ele suspirou.

E depois se levantou, saindo.

Notas finais
Dia perfeito, noite perfeita, mas Nico, qual é?