O outro lado da Cicatriz
18 Chá de camomila, para a mente e para a alma
Notas iniciais
Pov Sophie.
Entrei no Três Vassouras, e sentei em uma mesa redonda, em um canto do salão.
– O que vai querer? — o garçom gentil logo veio me atender.
– Apenas uma xícara de chá de camomila. — eu pedi. Ele estranhou a princípio, mas logo me trouxe meu pedido.
Eu sei o que você, leitor, vai perguntar. Sim, eu estou sozinha. Estou fugindo descaradamente da Belle. Eu sei, não é certo. Sei, ela vai ficar chateada. Mas depois de um tempo, eu não consigo pensar mais nisso. É só que, eu não quero ouvir os discursos dela de que eu tenho que superar o passado e seguir em frente. Para alguém que tem uma ferida grande, isso soa como uma afronta. E eu não quero brigar. Não com ela. Então, é isso. Sou uma fugitiva.
– Aqui está, senhorita. — o garçom colocou uma xícara na minha frente, um bulezinho com creme e um açucareiro. E depois saiu.
– Chá de camomila? — ouvi uma voz sussurrar, bem próxima ao meu ouvido. — Francamente, mademoiselle, nem na casa da Viola você era tão chata!
Um sorriso enorme se abriu no meu rosto. Aquela voz. Sim, era ele. Era ele mesmo.
Sem pensar duas vezes, eu me atirei ao seu pescoço, e o abracei tão forte, que quase comecei a chorar denovo. Ele correspondeu, abraçando-me, e me fez girar, tirando meus pés do chão. Sem dúvidas, era ele. Era Nicola.
Depois do primeiro momento doce de euforia, Nico me soltou, e sentamos um de frente para o outro, na mesa.
– Ah meu Merlin! Eu.... eu nem sei o que dizer! Como.....? Quando.....? — eu gaguejei, eufória.
– Calma, editora do jornal de BeauxBatons! Formule uma frase para que eu possa responder! — ele cruzou os braços, rindo.
– Claro. Monsenhor Nicola Bonbourne, como chegou aqui, em Hogsmeate? Ou melhor, na Inglaterra? — eu entrevistei-o.
– Bom, Mademoiselle Sophie, primeiramente é um enorme prazer revê-la depois de tantos meses. Continua encantadora como sempre. — ele piscou aqueles olhos verdes e brilhantes para mim.
– Sempre o mesmo cretino... — eu arqueei a sombracelha — Quantas caíram nas suas graças esse ano?
– 36, eu mesmo contei. — ele se riu.
– 36? Mas no ano passado foram 37! — eu retruquei.
– Pois é, mas algumas são muito mais bonitas que no ano passado. E sabe, estou tentando me concentrar nos estudos, no jornal, no quadribol.... — ele olhou para mim, denovo, ansioso — Ah é! Tem jogado muito?
– Non... Achei melhor não me envolver em nada... Eu quero passar despercebida por essa escola... — eu coloquei açúcar no meu chá.
– Despercebida mesmo! Sozinha... em um lugar como esse.... — ele olhou para os lados — Cadê seu namorado?
– Não tenho nenhum namorado. — eu suspirei.
– Como não tem? Uma garota tão linda, sozinha? — ele cruzou os braços novamente — Bem que a Diretora Maxime mencionou que você precisava de um par para um baile de natal!
– Foi ela quem mandou você aqui?? — eu perguntei, surpresa.
– Aham, inclusive, pagou minha hospedagem, transporte e até me comprou um smoking, que eu achei idiota e troquei por um mais formal. — ele disse. Depois disso, parou o garçom e pediu duas cervejas amanteigadas.
– Mais formal é? Comprou o quê? Gravata borboleta, estilo pinguim, ou vai de bonitão americano? — eu apoiei a mão esquerda no rosto.
– O nome é Bond, querida. James Bond. — ele piscou para mim. — E acho melhor ser uma surpresa.
– Por mim tudo bem, desde que você vá, e de preferência vestido. — eu ri.
– Ei! Eu já disse! A culpa foi da Viola! Ela enfeitiçou meu ponche! Eu vi! — ele retrucou, bravo.
– Uhum... a Viola... — eu provoquei.
– Que foi? Não acredita em mim? — ele arqueou a sombracelha.
– Acredito, claro... — eu me fiz de cínica.
– Sabe que até do seu cinismo eu senti falta? — ele sorriu, doce. — Tudo é muito chato sem você pra me pertubar...
– Pertubar? — eu bebi o chá de camomila — Que é isso? Eu sou um amor!
– Aham... sei.... — agora ele é que foi cínico.
Eu apenas ri. Como senti falta daquele maluco! Logo depois, o garçom trouxe as cervejas amanteigadas, e bebemos, rindo e conversando mil assuntos.
***
– Sugar.... Ah, honey honey! You're my candy boy! And you've got me waiting you!...- eu cantei, saltitando, enquanto retornava. — Honey! Oh, sugar sugar! You're my candy boy! And you've got me waiting you!...
Nunca tinha notado como a fonte de entrada é bonita. Tem gárgulas grandes, que olham para os quatro pontos cardeais. Tão lindo... quase tanto quanto a música do The Archies. Que por sinal, não me sai da cabeça.
– I just can't belive in loveliness in love you! I just can't believe it's true! — eu cantava, girando e rodopiando.
De repente, senti meu corpo se chocar contra algo.
– Sophie.... o que...? — Belle olhou para mim, confusa.
– Oh, pardón, Belle! — eu sorri, e segurei as mãos dela, fazendo-a girar junto comigo — I just can't believe in loveliness in love you! I just can't believe it's true!
Belle começou a ficar nervosa, e tentava a todo custo me parar. Quanto finalmente a soltei, Hermione segurou-a, amparando para que não caísse.
– Pardón! — eu ri, e voltei a saltitar em direção ao castelo. — Oh, sugar sugar! Oh, honey honey!....
– O que ela tem? — Hermione perguntou.
– Eu sei lá, mas aposto que vamos descobrir. — Belle respondeu.
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