Notas iniciais
S2

Eu estava vendo TV quando o telefone começou a tocar, eu estava com preguiça de me levantar, andar até o telefone, atender e conversar com a pessoa que estava do outro lado da linha, então o máximo que consegui fazer foi gritar:

–Pedro ! O telefone está tocando !

–Atende você ! — ele gritou de volta.

–Eu não estou aqui ! Eu descobri como sair daqui e já estou na minha casa ! — dei uma risadinha nervosa.

Então o telefone parou de tocar, mas logo depois, voltou a tocar novamente, o Pedro parecendo desistir de discutir, desceu as longas escadas com o cablo todo molhado e sem camisa, eu fiquei admirada e paralisada com toda aquela beleza de Pedro sem camisa, era raro ver ele assim principalmente para as garotas de quem ja se apaixonaram por ele, ele conversa animadamente com a pessoa do outro lado da linha, poderia ser um amigo bem próximo dele, logo depois ele desligou o telefone, ele ficou me olhando enquanto eu olhava para sua linda e sexy barriga de tanquinho:

–Sabe quem era ? — ele perguntou.

–Sim, podemos jantar fora... — eu disse distraída.

–Você está me ouvindo ?

–Peraí ! O quê ! Aonde estou ?! Ah desculpa, me distraí com essa barriga linda e invejável.

–Vou perguntar de novo — ele disse calmamente — adivinha quem estava no telefone ? — eu fiz que não com a cabeça — a Taylor.

–Sério ?! O que aconteceu ? Alguma novidade ?

–É que ela vai se casar com um amigo meu, Stuart Baker.

–Que legal ! Quando ?

–Em dois dias.

–Que bom, então... ela convidou a gente ?

–Ele disse para nós sermos um dos seus padrinhos e madrinhas.

–Legal e acho que vou comprar um vestido novo, você tem algum terno ?

–Sim, mas eu vou querer ir com você, acho que... — Pedro ia terminar mas eu o cortei.

–Pedro ! Isso já passou !

–Mas por causa daquela merda de loja você vai morrer !

Eu respirei fundo, coloquei a mão no rosto e a cabeça entre as pernas eu poderia brigar com ele, bater nele, esmurra-lo e até sair correndo, mas o pior de tudo, é que ele tinha razão...

–Eu não queria brigar, Pedro, mas você sabe o que aconteceu da ultima vez — ele me olhou com uma cara de culpa.

–Eu só estou preocupado com você e sua segurança, eu tenho medo que algo aconteça com você, que algo que aconteça com você — ele respirou — piore tudo, meu amor.

Quando ele disse meu amor, eu senti minha espinha arrepiar, quando ele disse me amor, eu me lembrei de todos os livros em que os namorados ou maridos diziam algo como meu anjo ou querida. As vezes, eu me sentia como uma bomba, e quando e se eu morrer, eu vou explodir, e isso causará danos as pessoas a minha volta, e eu tenho que diminuir as vítimas * , e eu não queria nada a Pedro.

–Acredite em mim, eu só preciso de cuidado, e, além do mas, eu posso sobreviver e ficar aqui, — então segurei sua mão — ficar aqui com você. — então o beijei — eu te amo muito, meu amor. — desta vez,até eu me arrepiei ao dizer isso.

–Eu também te amo muito — ele me deu outro beijo — você quer ir ao médico fazer uma consuta e ver porque o seu sonho mudou aquele dia ?

–Sim, eu não sei porque você só entendeu isso agora — eu ri ao dizer isso.

–Vamos, vá se trocar que eu vou ligando para marcar a consulta.

–Tudo bem.

Eu estava subindo as escadas bem devagar, Pedro começou a falar algo, mas eu não havia escutado ele pegando o telefone nem digitado os números, logo, então me de conta de que ele fingiu ligar para o consultório do médico, ao me dar conta disso, eu senti uma parte do meu coração cair, despedaçado, e logo depois caíram os outros pedaços formando uma montanha de cacos de vidro quebrados em mil pedaços, quando ele gritou logo depois que o consultório estava lotado eu senti os pedaços que restaram no meu coração pegando fogo e virando cinzas. Quando ouvi Pedro se aproximando, eu subi rapidamente mas sem fazer barulho até o quarto e fingi estar pegando uma roupa no guarda — roupas.

–Caso você não tenha ouvido — ele disse enquanto eu segurava as lágrimas — a secretária disse que estava lotado. Eu vou dormir, mas se você quiser se juntar a mim, a cama tem dois lugares.

Eu não aguentei segurar mais aquela dor dentro de mim, então caminhei com força até Pedro.

–O pior de tudo, é que eu tenho que conviver com isso.

Então eu saí do quarto, dando de cara com as escadas, eu sai de casa fechando a porta com força. Eu fiquei parada no lado de fora da casa por alguns segundos vendo — se Pedro me seguira, mas não havia movimento na casa, eu tentei olhar pela janela paraver se ele estava na sala, mas não havia nenhum movimento também.

Eu caminhava devagar, eu queria pensar um pouco, eu não sei se queria ir para o hospital agora, pois Pedro poderia esconder algo de mim para me proteger, mas se fosse tão ruim a ponto dele não me contar, eu gostaria de não ir.

Eu poderia ir até a casa de Vanessa e contar tudo a ela, afinal, nós eramos amigas, eu fui até a Rua Oculta, na Praça Indeterminada a procura do número Infinito onde a Vanessa morava, eu bati na porta e esperei que ela atendece, levou apenas alguns segundos até que Vanessa destrancasse e abrir a porta para me deixar entrar, mas quem abriu a porta não foi a Vanessa, mas sim um homem parecendo ser muito sério.

–Posso ajudar ? – ele perguntou.

–E-e-eu... Est-t-tou... Pro-procurando a Vanes-s-ssa... Ela está ? – disse gagejando.

–Um momento.

Ele fecho a porta, levou um minuto até que abrissem a porta novamente, mas quem abriu a porta desta fez foi Vanessa, ela me olhou com um olhar questionador.

–Tudo bem, Caroline ?

–Eu preciso falar com você, Vanessa.

–Claro, pode entrar.

Eu entrei olhando ao redor da casa, fazia um tempão desde que eu vim a primeira vez, ela havia feito uma reforma, pois estava, mais triste...

* Ideia tirada de " A culpa é das estelas ", modificações apresentadas.