O nascer de um Assassino
1 Primeira Memória, o Começo: Ganho autógrafos de um
Existe uma infinidade de histórias e diversas formas de contá-las. Esta aqui é mais uma delas, no meio de tantos furacões de interpretações. Não, esta não é a história de um príncipe encantado. Não é a história de um vilão. Não é a história de um servo que salva o dia quando todos menos esperam e muito menos a história daquele que ouve as histórias. Esta história é a história daquele que conta histórias.
Já são anos relutando em contar a minha história. Sempre desejei, não por querer ser conhecido, mas por deixar-me registrado, para poder refletir sobre erros antigos. Enfim, uma terrível demora até finalmente meus dedos e minha mão não aguentarem mais, porém, há diversos relatos anotados em minha mente. Contar tudo me parece um tanto quanto exagerado, tento me apegar a fatos importantes e que me trouxeram à situação atual.
Enquanto observo-a morta na minha frente... Enquanto seu olhar perde o brilho... Enquanto o sangue escorre pelo meu rosto, eu olho para a Lua e me pergunto como pude errar tanto, como pude ser tão infantil, como pude ser tão egoísta. Enquanto eu me afogava naquele mar de desespero reforçado pela chuva, não parava de pensar... De pensar ne–. Eu sabia o que era aquele som que interrompera meus pensamentos. Eu sabia. E então, tudo acabaria ali... Implorei pela resposta e minhas memórias começaram a vir. Deixe-me mostra-las, por favor...
Tudo começou dentro de um livro de uma garota morta, seu cachorro fantasma e um nerd metido. Eu estava na praça quando os conheci. Foi um encontro realmente inesperado. Naquela época eu realmente queria encontrar alguém. Queria que alguém olhasse pra mim e eu pudesse retribuir. Queria sentir-me parte de alguém. Então eu ia à praça toda noite. Sentado, em um banco de madeira branca, iluminado pela luz alaranjada do poste ao lado, observando o céu estrelado juntamente de uma bela árvore florida.
De vez em quando, apareciam algumas almas. Algumas riam, outras olhavam desconfiadas. Entenda. Acho que nunca fui bom em causar uma boa primeira impressão, então creio que as pessoas não se sentem muito a vontade comigo num primeiro contato. Eu também não iria forçar. Ou, pelos menos, tentei não forçar.
Eu já pensava em desistir. Estaria destinado a não ser olhado por ninguém. Nada me notaria e eu nada poderia notar. Era chegada hora de ir embora e esvaziar a mente. Porém, quando levantei, esbarrei numa menina. Ela era mais baixa que eu, possuía longos cabelos cacheados e dourados. Seu vestido, prateado, possuía bordados da Idade Moderna. Ela parecia extremamente feliz e cheguei a pensar que estava sozinha, até que fui atacado por um animal raivoso, mortal e com garras enormes, provavelmente, seu cachorro.
— Ei! – Eu disse, tentando tirar o cachorro de cima de mim. – Pare com isso.
— Venha aqui, Buttercup. – Chamou-o a garota. – Foi só um acidente, ele não é um deles.
O cachorro começou a latir e a lamber o meu rosto. Deu mais alguns latidos e voltou para o lado da garota. Quando saiu de cima de mim, o resultado era o cabelo todo lambido para trás, além de um rosto babado e vários autógrafos de cachorro em meu fardamento escolar.
A garota começou a rir.
— Veja, Buttercup. – Disse ela, apontando para mim. – Ele está parecendo Bodhi
E continuo a rir, acompanhada de latidos de Buttercup.
— Vocês podem parar de rir de mim? – Falei. – Olha como ficou a minha farda. E quem é Bodhi? Que nome mais esquisito.
De dentro da árvore, caiu um menino que era quase do meu tamanho. Seu cabelo parecia ter sido atropelado por caminhão de gel. Tinha óculos que deviam possuir 10 graus. Haviam algumas sardas ao redor de seu nariz. A camisa estava pra dentro da calça moletom e sapatos sociais completam seu visual moderno.
— Quem você está dizendo que possui um nome esquisito? – Ele retrucou, enquanto se levantava da queda.
— Este é Bodhi. – Disse a garota. – E eu me chamo Riley. Desculpe por rir de você, mas também, quem manda sair levantando de bancos tão depressa?
Buttercup latiu
— Eu realmente levantei muito depressa. – Confirmei. – Mas vocês também apareceram do nada. Até me assustei. Olha esse Bodhi, saiu da árvore. Como assim?
Ele me olhou, estudou-me de cima a baixo e então falou.
— Sua barguilha está aberta, senhor nada estranho.
Corei e arrumei minha barguilha, sem saber o que dizer. Que garoto mais chato.
— Bodhi, a culpa é sua. Eu disse que poderia haver alguém na praça. – Disse Riley.
— Está bem, admito. – Respondeu. – Ele estava tão quieto que nem notei...
— Mas o que vocês estão fazendo aqui uma hora dessas? É perigoso. – Falei. Afinal, eles pareciam mais novos do que eu, mesmo.
— Não podemos contar!
— Estamos em missão!
Disseram os dois, Bodhi e Riley, ao mesmo tempo
— Riley! – Gritou Bodhi. – Não podemos contar essas coisas à eles e você sabe disso.
— Eu sei, Bodhi. – Ela contrapôs. – É que... Você não sente? Ele é diferente. Parece como nós, mas não somos iguais. Lembra do que nos disseram? Que talvez precisássemos de ajuda externa nessa missão? E se esse “externo” se referir ao mundo deles?
— Isso não está parecendo-me boa ideia, Riley. É muito... Estranho. – Disse Bodhi, encarando-me.
— Bom, parece que teremos que arriscar e confiar nisso. – Ponderou ela.
Como se assinando em baixo, Buttercup latiu e saltou. Mas espera. Ele não voltou ao chão! O cachorro estava lutando contra a Lei da Gravidade?! O CACHORRO?!
— O que diabos é isso? – Perguntei, sem acreditar no que estava vendo. – O cachorro... Ele... E que papo é esse de missão? Externo? Eu estou aqui, estou ouvindo tudo.
— Vamos, senhor da praça. – Disse Bodhi, puxando-me pelo braço. –
— Não é hora de se surpreender. – Falou Riley, – Nós explicaremos tudo no caminho. Só entenda que é uma coisa importante. Vamos lá... – Ela parou e então me encarou, séria.
— O que foi? – Perguntei.
— Você não nos disse seu nome. – Ela respondeu.
— Meu nome? Meu nome é...
Notas finais
Hugs. S2
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