O namoro de Ying Yang
14 Conflito 14: Tesoura, papel e pedra.
Notas iniciais
O namoro de Ying Yang 14
O céu noturno estava mais escuro do que de costume, embora ele estivesse nublado e pesado, a chuva não vinha. As nuvens estavam em guerra com os ventos, causando longos e assustadores trovões, e por conta daquele clima muitos acreditariam que a chuva logo chegaria. Mas um garoto jogado entre o pequeno espaço de algum beco, não acreditava nisso. Vestido com roupas praticamente brancas, se não fosse por um circulo preto na parte de trás da folgada blusa, ele apenas olhava o céu.
A imensidão era perfeita para ele agora e o vazio também. A vida de uma pessoa pode mudar tanto em um único dia, e isso havia acontecido com ele, de tanto que tinha mudado ele nem lembrava como era há alguns dias. Mais uma vez o grito veio dos céus, e com seu olhar fixo passou a prestar atenção naquelas nuvens. Ele pensava que agora elas estavam juntas e escuras e não poderia dizer qual era o formato de cada uma. Se lembrou dos seus amigos e de sua família, será que seria ruim para eles? Se ele mesmo já não existia mais? Só que já era tarde, porque ele não existia, o que existia era um novo Yang. Ali, jogado entre aquelas ruas escuras de algum lugar do mundo existia um novo representante do amor. E como seria a sua vida? Ele não era capaz de imaginar alguns minutos mais tarde, imagine o dia seguinte.
Conflito 14: Tesoura, papel e pedra.
A ruas escuras e frias da nublada noite eram o caminho que Hao seguia, com passos rápidos e decididos ela sabia o que deveria fazer, e tinha ainda mais conhecimento de qual seria a dificuldade de realizar isso. Levaram alguns minutos para que ela estivesse no quarto de Ying, a garota recebeu sua amiga bem, e ela mesma nem parecia está em uma situação ruim.
— Você não pretende ajudar? — Perguntou de forma bem direta.
A representante caminhou um pouco, embora já tivesse tido bastante tempo para pensar o que iria fazer, parecia que estava pensando na resposta.
— Eu não tenho certeza. — Suas palavras eram um tanto vazias, deixando até mesmo aquela garota impaciente.
Hao respirou fundo e retornou:
— Não tem certeza por quê?
— Eu não sei. — Ela se sentou na cama e fez outra pausa. — Não sei se posso ajudar. Se eu deveria... Não sei. Nem mesmo se vocês juntos podem fazer algo.
Enquanto ela dizia o que acreditava, a outra garota cruzou os braços e até pensou duas vezes se realmente valeria a pena tentar convence-la.
— Não tem o que saber. Você simplesmente precisa ir e tentar! Ele é uma pessoa, ainda mais do que isso, uma entidade. Sua entidade oposta. — Animada, tentando achar argumentos, ela talvez tenha dito algo errado, ou pelo menos errado para Ying.
A garota em um movimento brusco se levantou da cama e com um ódio irreconhecível bradou:
— Ser uma entidade não é nada demais. — Ela se aproximou de Hao, olhou em seus olhos e continuou. — Já estou aqui há três semanas e nada aconteceu! Não fizemos nada! E porque as coisas continuam acontecendo? Ser uma entidade não faz sentido. Se algo acontecer com ele podem substituir. E se não fizerem isso... Que diferença faz?
Aquelas palavras eram impressionantes para qualquer um, a garota respeitava o pensamento de sua amiga e não contestou.
— Se você prefere assim. De qualquer jeito nós não vamos ficar parados.
Ying caminhou até a gaveta, segurou na parte na qual poderia usar para abri-la, mas desistiu da ideia, se virou para Hao e concluiu:
— E isso, se eu decidir que devo ajudar, então estarei lá.
A garota concordou, mas avisou que o grupo já estava terminando alguns planos, poderia ser tarde quando ela mudasse de ideia, assim finalizaram aquele encontro.
Naquela tarde Yang havia despertado confuso, amarrado na mesma cadeira, no entanto estava em um local mais aberto, com mais espaço, ainda naquele mesmo prédio abandonado, afinal o local estava sujo e em partes destruído. Se lembrava que tinha sonhado com um homem, seu coração havia sido perfurado e depois entrou em outro estado de alucinação, foi ai que aquele homem da primeira parte da tortura apareceu na sala e disse que Yang estava se saindo bem, que faltava apenas a terceira parte para terminar aquilo. Yang já sabia que seria uma luta, porém não conhecia o oponente e nem como isso seria realizado, foi quando o homem puxou uma última injeção e disse ao representante que ele iria dormir uma última vez, quando despertasse estaria na terceira parte. Agora ele havia acordado e estava ali naquela área, ainda um tanto desatento e confuso, depois de tudo que havia acontecido, aquilo era completamente normal. Visualizou o local com calma e quando aquela sensação ruim de uma pessoa que acabou de acordar passou, ele notou que havia uma mulher o observando. Ela era alta, de longos cabelos pretos, por causa da distância não foi capaz de observar seu rosto, mas ela usava um vestido curto que destacava bem suas pernas, mas isso não importava, sabia o que deveria fazer, apenas não sabia porque deveria fazer, mas seu corpo implorava por uma luta, ele nunca teve vontade de brigar antes, por algum motivo, agora um instinto em sua mente desejava isso acima de tudo.
— Ela é mais alta que o Gang. — Pronunciou para si.
Não teve muito trabalho em se livrar das cordas, agora elas estavam prendendo seus braços de forma simbólica. Caiu no chão e abriu um sorriso insano, a mulher não entendeu o que o garoto estava fazendo, mas sabia que ele poderia agir de forma estranha, sua maior certeza era saber que era completamente capaz de parar aquela entidade estranha. Yang avançou como um animal, correndo de forma confusa e desordenada, no entanto ele era bastante rápido, saltou e girou umas duas vezes no ar antes de acertar o rosto da mulher com seu joelho, ainda antes de cair, Yang chutou ela com a outra perna e finalizou com um soco no rosto. Talvez aquela mulher tenha subestimado o garoto, ela com certeza não esperou aqueles golpes, mas muito efeito eles não fizeram, nem foram suficientes para derrubá-la, a mulher fechou seu punho e então desferiu um soco tão rápido e forte na face de Yang que ele nem se que viu o movimento e foi jogado praticamente uns cinco metros de distancia, o impacto contra o chão foi um choque em seu corpo, mas a dor se misturava com prazer. Depois de alguns segundos ele se levantou, com dificuldades, limpou o sangue que descia de seu nariz.
— Ela bate mais forte do que o Gang também. — O garoto olhou sua mão e se perguntou o que estava fazendo. Era como se outra personalidade dele quisesse lutar, então se perguntou. — Quem é você?
A pergunta não foi feita para a mulher, mas ela respondeu.
— Sou Victoria, E vou te apresentar a derrota.
Ela abriu um sorriso de quem não está falando sério. A apresentação não era engraçada, por isso era boa. Yang ignorou e novamente partiu para cima da mulher, dessa vez ela pronunciou algumas palavras em voz baixa, mas o garoto não notou e começou a atacar com vários tipos de golpes e de todas as formas que ele era capaz, a mulher recebeu todos e agora pareciam fortes o suficiente, ela não reagia de forma alguma, quando o garoto estava ficando cansado de atacar, usou um soco final com o resto de sua força, ele conseguiu lançar a garota longe, no entanto antes que ela fosse ao chão, tudo ao redor ficou estranho, o espaço ficou pesado e mais escuro do que o normal, então a mulher voltou a se aproximar de Yang de uma forma fora da realidade, era como se a gravidade não existisse e ela suspensa no ar se movesse, como se o tempo tivesse voltando, quando Yang tentava entender o que estava acontecendo, seu corpo se moveu contra sua vontade e acertou novamente um soco no rosto dela, mas foi o próprio representante que sentiu a dor, o tempo continuava voltando e Yang sentia cada golpe, um por um, seu corpo sofrendo a cada momento, quando aquilo terminou foi jogado longe mais uma vez, no entanto, dessa vez, seu corpo não aquentou continuar consciente.
Caio e Melida caminhavam juntos pelas ruas, o objetivo deles atualmente era encontrar outros representantes e informá-los do possível plano da Paradise. As entidades representantes da esperança que eles conheceram naquela manhã havia dito o que sabiam sobre uma competição que o nono distrito planejava fazer fazer, parece que envolvia todos os representantes e que seria algo ruim. A ideia era avisar todas as entidades e tentar convence-las de que não deveriam tentar lutar contra as outras, o que era algo comum. No entanto Caio estava desconfiado.
— Sabe Melida, eu não sei se devemos confiar naquelas pessoas. — Comentou ele, parando de caminhar.
— Eu disse que percebi que eles estavam falando a verdade. — Ela não levantou a voz, mas o garoto sabia que estava irritada.
— Eu sei que é difícil que a sua intuição falhe. — Disse ele abaixando a cabeça. — Mas não temos certeza se eles são mesmo representantes da esperança, na verdade eu nem sei direito o que são, mas depois de tudo o que vivemos...
A garota encarou seu parceiro por alguns segundos, e entendendo com ele se sentia sugeriu:
— Caio, nós passamos por coisas horríveis sim, é justamente por isso que não deveríamos acreditar nas palavras daquele demônio, ele estava nos manipulando.
— Eu sei que ele estava fazendo isso. — Respondeu abrindo os braços e concordando com a garota. — Mas existem diferenças, coisas que nunca poderemos mudar, entidades boas e entidades ruins não podem se entender, eu nem sei o que está acontecendo.
A garota olhou nos olhos de seu parceiro, ela possuía uma resposta, mas não tinha certeza se deveria pronunciá-la, sentia medo do que ele poderia fazer, de como iria se sentir, mas mesmo assim, mesmo com medo e quase travando sua língua ela precisava fazer isso.
— É, bem... Naquela noite... Quero dizer. Eles não me pareciam pe-pessoas ruins. — Contou ela, com voz baixa.
O garoto fechou os punhos, estava irritado.
— Está falando dos representantes do amor? — Questionou com ódio claro em sua voz. Ela confirmou acenando com a cabeça e completou com palavras:
— Acho que a culpa não é deles...
Ela até poderia completar suas palavras, mas em uma atitude rara Caio cortou a garota.
— É isso que você pensa? Então conte isso a eles. Depois de tudo que você passou! Diga que nós somos parecidos por sermos entidades.
Caio virou as costas irritado e saiu caminhando, desapareceu entre as pessoas. Melida não acreditava que ele havia reagido daquela forma. Seu rosto ficou vermelho, sentiu um nó em sua garganta, seus lábios tremeram e finalmente lágrimas se formaram em seus olhos. Ela levou as mãos ao rosto e disse algumas palavras para si mesma:
— Eu não entendo. O que eles fizeram? A culpa não é deles, talvez também estejam sofrendo. Todos nós temos que passar por isso afinal.
Ela continuou ali mais algum tempo, triste e sozinha.
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Yang despertou deitado sobre uma cama, a mesma garota que havia levado comida quando ele estava no quarto com Zhang estava ali perto. Existia alguns curativos em seus braços, penas e algumas partes do corpo.
— Finalmente acordou. — A mulher que estava distraída voltou sua atenção ao representante. — Está se sentindo bem?
— Só um pouco de dor de cabeça. — Respondeu o garoto.
Na verdade seu corpo também doía, e estava um tanto desorientado.
— Ainda bem... Você é louco de atacar a Victoria daquele jeito. — Comentou a garota, rindo.
— Onde estou? — Yang ignorou o que ela disse. Ainda estava um pouco assustado.
Olhou ao redor e notou que não era o mesmo quarto de antes, agora existia um armário, espelho e decorações. Ele era limpo, tinha um ar de infantil e feminino.
— Aqui é o meu quarto. — Respondeu a garota, olhando ele como se aquela resposta fosse obvia.
— Ah, sim.
— Você não parece entender muito sobre esse lugar. Cada membro da Niou tem seu próprio quarto.
O representante não parecia muito interessado no que ela falava. Passou a ficar sentado na cama e perguntou:
— Quando eu vou poder sair daqui?
A garota rapidamente olhou para a porta, depois voltou seu olhar ao garoto.
— Bem... Eu só preciso te explicar mais uma coisa.
— Tudo bem. — Passou a ficar bem atento ao que ela iria dizer.
— Todos os membros da Niou Ziyao possuem um parceiro dentro do grupo. É uma pessoa que te ajuda, faz as tarefas com você e conhece seu estilo de luta. Bem, é uma das bases para fazer parte da equipe, vou te ajudar por enquanto, mas não sou a sua parceira. — Explicou ela, um pouco confusa, mesmo assim não fazia sentido para Yang.
— Espera ai. — O garoto abriu as mãos e demonstrou que não havia entendido nada. — Como assim fazer parte do grupo? Parceiro? Eu não entendi nada do que você falou, eu não faço parte disso.
A pequena mulher respirou fundo e continuou:
— Eu também não entendo. Foram as ordens do líder, depois você vai ter a chance de conversar com ele sobre isso, mas agora precisa trocar de roupa e sair um pouco. Me acompanhe. — Ela se levantou e foi rumo a porta.
Gang estava pensativo no quarto da casa de Jiao, sabia que quando fossem atacar Niou para salvar Yang, provavelmente encontraria Phantom. Lembrava da época quando conheceu ele, toda a confusão que foi causada em sua vida por causa do sentimento. Era um garoto corajoso, mas sentia medo do que poderia acontecer. A noite estava fria, aqueceu o corpo com os próprios braços. O clima estava triste, por algum motivo todos haviam saído, somente quem estava na casa tirando ele, era o senhor amigo de Jiao. De fato era raro o garoto sair, mas era um desses dias. Hao havia ido visitar Ying para falar sobre a tentativa de resgate, Yu e Quon saíram juntos, talvez algum sentimento entre eles dois tivesse retornando. Gang era do tipo que gostava de pensar sobre os outros, entender o que estavam sentindo e porque sentiam.
Depois de algum tempo resolveu passar na cozinha para pegar alguma comida, lá encontrou o senhor sentado na mesa, lendo um livro. O moreno foi discreto ao abrir a geladeira e tirar algumas frutas, mas o homem notou ele.
— Foi o único que ficou na casa. — Perguntou o homem com um sorriso simpático.
— Sim. — Respondeu desconfiado.
— Você deve está preocupado com seu amigo, não? — Voltou a questionar, sua voz era a de um idoso adorável.
— Claro. Mas não é apenas isso que me deixa preocupado, e eu confio no Yang, acho que ele está bem. — Sua sinceridade era bem clara.
— Eu te entendo. — Contou com um olhar de sabedoria. — Pode ficar tranquilo, ele vai ficar bem.
— Como o senhor pode ter tanta certeza? — Questionou com respeito.
— Eu apenas sei. — Respondeu rindo. — É difícil Jiao sair, não?! Ele mudou de assunto de uma forma repentina e voltou a ler o livro.
Gang não se importou muito, apenas concordou e voltou para o quarto e para seus pensamentos.
Yang foi levado por ela até o outro prédio ao lado, parece que os três faziam parte da base, o caminho era uma curta estrada de terra. Quando chegaram lá, Yang notou que era um ambiente mais limpo e completo, pelo menos quando era comparado ao outro. Laila levou ele até um quarto de um andar superior, ali existiam alguns armários e caixas.
— Eu sinceramente não entendo vocês. — Comentou o garoto.
— Não precisa... — A mulher disse, abrindo a porta do armário, revelando uma roupa branca.
— O que é isso?
— É sua, ela está limpa. — Respondeu.
O representante pegou a roupa e notou que na parte de trás tinha um circulo preto e o nome "Yang". Exceto por isso, era completamente branca, as mangas eram compridas e o material dela era bom, parecia confortável caso o garoto precisasse lutar. Sem cerimonia ele começou a tirar sua roupa, a acompanhante se sentiu ofendida por conta daquela atitude, rapidamente se virou e saiu do quarto. Depois que Yang se vestiu ele saiu do local, sinceramente não sabia de que forma agir ali. A mulher estava lá fora.
— Vamos sair um pouco, você precisa.
Eles foram até uma sorveteria, durante o caminho não conversaram muito, Laila de fato era apaixonada por aquele tipo de comida, pediu um enorme Sundae de morango, o representante disse que estava sem fome, mas ela retornou dizendo que sorvete era necessário para a felicidade de uma pessoa e então ele acabou cedendo. Depois ela ainda saiu com um picolé e pela forma que conversava com o dono da loja, aquele era um local que ela frequentava assiduamente. Na volta o clima já estava melhor, fim de uma bela tarde. A garota sentou em uma calçada alta e afirmou:
— Vamos parar por aqui, o céu está lindo.
Yang olhou para cima e encontrou aquele céu laranja com tons de vermelho, aquelas nuvens completamente espalhadas como uma pintura quase abstrata. E enquanto olhava aquela imagem o garoto pensava sobre sua vida, tudo o que estava acontecendo, sabia que não se sentia feliz, e sim ansioso, fechou os olhos e passou algum tempo assim, quando os abriu revolveu fazer uma pergunta:
— Por que você está nesse grupo?
— São vários motivos. — Ela respondeu, e mudou o assunto. — E você? Como está se sentindo? Sente falta dos amigos?
— Não sei ao certo. — O garoto se sentou ao lado dela. — Primeiro me separaram da minha família, eu fiquei praticamente sozinho aqui na Terra, estava em uma situação bem confusa, mas estava bem. Pela primeira vez eu era uma entidade, antes eu praticamente não fazia nada. Agora me separaram dos meus amigos de pessoas que eu gostava, mas na verdade nem sei quem são amigos ou não. Sinto um sentimento tão confuso, dor e raiva ao mesmo tempo, só que no fim esses sentimentos me deixam perdido.
Yang falava de forma calma, talvez como se não tivesse emoção ou pensasse em suas palavras.
— Eu acho que de certa forma te entendo. Já me senti assim. — A mulher tentou ajudar.
— Eu não sei muito sobre você e nem como foi sua vida, mas você não me parece uma pessoa ruim. — Ele voltou o seu olhar para o garota.
Ela com suas lentes claras também olhou nos olhos do garoto.
— Nós não somos ruins. — Disse séria.
— Esse picolé não me trás boas lembranças. — Contou Yang, a mulher degustava um durante a conversa.
Ela olhou o céu e o pôr do sol por mais algum tempo e depois se levantou.
— Vamos voltar.
Durante a noite Yang foi convidado a se encontrar com o líder da Niou Ziyao, ainda na base ele foi guiado pelo mesmo homem loiro e forte que havia sido um de seus sequestradores, na verdade foi justamente ele que desferiu o soco que derrotou o garoto naquele dia. Quando chegou, encontrou uma área bastante escura, iluminada apenas pelas luzes da Lua que entravam a partir da janela. Um grande ser estava sentado em um trono que mais parecia um andar superior. Yang só era capaz de enxergar sua sombra.
— O que está achando da Niou Ziyao? — Questionou com uma voz forte, mas não foi suficiente para assustar o garoto.
— Não vejo nada demais aqui. — Respondeu rispido.
— Yang, espero que entenda o que estamos fazendo por você, estamos te ajudando. Logo a Paradise vai fazer algo contra entidades como você.
O garoto não entendeu nada do que o homem falou, encarou ele por algum tempo e então dicidiu dizer o que pensava.
— Bem, eu não tenho nada contra vocês e nem vou tentar fugir.
— Não sei do que está falando. Agora você é um de nós. — O líder avisou.
Yang não entendia o que aquele homem falava, mas continuou ali, apenas esperando algo acontecer ou ele se pronunciar novamente, depois de algum tempo ele voltou a falar:
— Como todo membro desse grupo você vai ter apoio, mas para você não deve ser difícil ter alguém para chamar de parceiro. — O homem riu um pouco, riso que foi ecoado por todo o andar. — O seu parceiro aqui serve para que você tenha a ajuda de alguém, mas também quero que tenha responsabilidade, caso seu parceiro faça algo errado você também será responsabilizado. Seu parceiro é Zhang.
Yang outra vez não se importou muito com as palavras do homem, embora até mesmo escutar o nome de Zhang fizesse ele sentir um sentimento horrível.
— Já posso ir? — Perguntou.
— Tudo bem. Mas não esqueça Yang, você sabe quem sou eu.
Agora sim, aquelas palavras foram fortes o suficiente para fazer um choque passar pelo corpo do representante, será que era verdade? E se fosse quem era aquela pessoa? A garota saiu caminhando da sala com passos rápidos.
Na Paradise Sky, um homem havia juntado uma equipe com alguns soldados, todos estavam em uma sala de reunião.
— O motivo que eu tenho para trazer vocês aqui é válido. — Contou o homem para aqueles que o observavam. — O grupo Niou Ziyao que atua na Terra contra a Paradise sequestrou uma entidade e assassinou o Yang do amor. Existe agora uma missão de captura.
— Entendo senhor, mas era realmente necessário nos chamar e ainda convocar uma entidade? — Questionou um forte soldado, aparentava ser o líder do grupo.
— Bem... — Ele murmurou um tanto desconfiado, mas principalmente irritado com a pergunta. — Uma outra parte dessa missão ainda é secreta para a segurança de todos.
Os homens se entreolharam.
Na manhã do dia seguinte Jiao reuniu o grupo em sua casa, a ideia era atualizar o que sabiam sobre o plano de resgatar Yang. Hao falou de sua conversa com e Ying e Jiao disse que estava terminando dois projetos de armas para Gang e Quon usarem, o ideal era que não lutassem, mas deveriam estar preparados.
Na noite anterior, depois que Yang recebeu uma permissão para sair sozinho da base da Niou, ele andou por algumas ruas. Estava muito triste, sem vontade de continuar vivendo, não conseguia acreditar de forma alguma na realidade. Ele caiu entre os caminhos de um beco, ficou olhando para o céu, não esperava a chuva porque sabia que ela não iria chegar. E era assim que iria acabar a noite daquele novo Yang em meio aos temíveis trovões de sua guerra chamada vida.
— O namoro de Ying Yang 14 — Fim.
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