O namorado do Izaya
6 Terceiro Capítulo - Conclusão ♥
Notas iniciais
– Ei, vamos ao Rússia Sushi. Estou com fome.
Foi Izaya quem disse. Shizuo depois de alguns instantes, disse apenas um 'ok' baixo e finalmente pôs o moreno no chão. Ainda estavam no elevador do prédio onde o médico ilegal e a dullahan viviam.
– Achei que me carregaria até lá — Izaya disse sarcástico.
– Você tem suas próprias pernas, pulga — respondeu seco.
O moreno pensou em prolongar aquela conversa, mas desistiu. O casal partiu do prédio, adentrando as ruas de Ikebukuro a passos lentos. A visão dos dois andando próximos atualmente não era tão escandalosa como em anos atrás. Claro que ainda havia comentários, mas isso era já considerado cotidiano na vida dois que, querendo ou não, eram famosos no distrito.
O casal percorreu o caminho até o Rússia Sushi ainda cultivando um agradável silêncio. Com o passar dos anos, conseguiram chegar neste estágio onde apenas o fato de estarem lado a lado, já representava comum acordo entre eles. Ao chegarem no restaurante foram recepcionados por Simon que sempre comentava alegre o fato dos dois estarem juntos e depois foram encaminhados para a mesa afastada de sempre.
Com o pedido já feito, agora só precisavam aguardar. Orihara sacou seu celular do bolso e começou a se atualizar sobre as novidades daquele dia que começou de forma tão inesperada, sorriu pensando que ele e o loiro haviam passado a manhã toda no apartamento de Shinra. Aquilo não era nada comum. Aconteceram tantas coisas que ele até mesmo esqueceu de seus afazeres como informante.
Shizuo também refletia sobre os acontecimentos que acarretaram aquela manhã incomum — Pulga.. — Ele não queria admitir, mas.. — Desculpe. — Ele realmente havia sido infantil e birrento quando brigou com o informante no dia anterior. O moreno olhou para o loiro ainda esperando por mais algumas palavras. Shizuo suspirou, entendendo a mensagem apenas pelo olhar do informante em si — Eu agi como uma criança idiota tentando chamar atenção, desculpe por isso e por ter falado de você sem sua presença ou permissão..- O loiro disse, um tanto desconcertado por ter que dizer tais palavras.
O informante tinha um sorriso fino nos lábios, até tinha largado o celular. Assistir Shizuo era sempre mais interessante que qualquer outra coisa — E...? — Provocou, já estava satisfeito com o pedido de desculpas. Mas, por que não tentar estender um pouco mais aquele show?
– E o que, Izaya?! — disse o guarda-costa irritado, ele só se arrependia desses dois fatos. Qualquer coisa além disso já era demais.
O moreno riu da reação rápida do ex-barman — Você realmente não sabe brincar, né, Shizu-chan? — O informante ia continuar falando, mas distraiu-se com o garçom deixando os pratos pedidos há poucos minutos atrás. Como estava faminto e amava sushi deixou a conversa de lado.
Shizuo suspirou, Izaya sempre priorizava o próprio conforto. Sempre. Todavia, como também estava com fome não reclamou. Os dois desfrutaram da refeição por alguns minutos em silêncio, até Orihara ouvir um ranger de dentes e fitar os olhos irritados do loiro sobre si. Não entendeu o que havia provocado aquilo, ia perguntar, mas soube a resposta quando viu os olhos mel do ex-barman se dirigirem para o seu celular.
Ele havia feito de novo. Estava almoçando ao lado do loiro enquanto "trabalhava". Pois, para Izaya era trabalho. Para outras pessoas talvez não fosse. Para Shizuo com certeza não era e mesmo que fosse ainda o incomodaria...
Enquanto Izaya pensava nessas questões complicadas, sobre o que as pessoas consideravam como trabalho, Shizuo ainda o encarava com impaciência. Sua expressão suavizou um pouco quando o informante soltou o celular sobre a mesa, o moreno não estava com vontade de discutir por algo tão chato como aquilo. Afastou-se do celular com o objetivo de evitar esse tipo de briga.
Menos irritado, o ex-barman voltou o rosto para o outro lado e voltou a almoçar. Realmente odiava esse hábito do informante. Izaya pensou em falar algo, para desfazer aquele clima pesado, mas a carranca que Shizuo ainda estava fazendo o fez mudar de ideia. "Shizu-chan bem que pudia estar menos irritado, afinal eu soltei o celular como ele queria..." pensou "injustiçado", levando mais um sashimi aos lábios.
Ainda questionando o temperamento do loiro, ouviu-o dizer — Você não respondeu até agora..
O moreno olhou para o guarda-costas e se limitou a perguntar — O quê?
Depois de alguns minutos a resposta veio — Se me desculpou. — Shizuo respondeu baixo ainda sem fitar seu acompanhante. Orihara sorriu levemente um pouco surpreso pelo o que ouviu.
"Então, ele não estava tão chateado assim.." concluiu.
– Já esta desculpado, Shizu-chan — Disse simplesmente — Na verdade, estamos quites — Uma risada travessa escapou, realmente ~escapou~, dos seus lábios. Lembrou-se do que havia feito com o loiro no banheiro dos Kishitani e também do pequeno espetáculo que o obrigou a protagonizar na sala de estar dos mesmos. Mesmo sendo deliciosas lembranças, sabia que não seria nada conveniente para si fazer com que Shizuo recordasse delas agora.
Entretanto, como temia, aquela risada que escapou de seus lábios o denunciou totalmente. Shizuo o encarou, lembrando-se das cenas humilhantes que o informante o fez passar — Verdade...estamos quites.. — Disse com a voz grave levando uma das mãos ao pescoço de Orihara — Você também me deve um pedido de desculpas, não é, Izaya-kun~?
O moreno soltou um riso nervoso — Não vai se fazer de rancoroso agora, né, Shizu-chan?~
– Não estou sendo rancoroso, estou apenas sendo justo — Sorriu, perigoso.
– Nah~ foram só duas pequenas travessuras, você pode esquecê-las né? — O moreno disse com desdém, tentando esquivar-se daquilo.
O loiro arqueou uma das sobrancelhas — Esse já é seu pedido de desculpas? — Perguntou em dúvida.
Orihara olhou para aqueles olhos castanhos amarelado e pensou que o que havia dito realmente poderia ter esse valor semântico. Buscou algumas respostas em sua mente, mas arriscou em dizer — Sim, aceite meu pedido de desculpas! — Disse com sua habitual cara de pau.
Shizuo tirou a mão do pescoço do informante e cruzou os braços pensando por um momento. Izaya o observou, tentando adivinhar o que sairia da boca do loiro. Sorriu involuntariamente, não sabia explicar o porquê de ser tão divertido para si assistir o guarda-costas — Você não parece muito arrependido...- Shizuo retrucou, por fim.
O moreno levantou uma das sobrancelhas e respondeu como se estivesse ofendido — Mas claro que estou arrependido! — "de não ter filmado seu rosto em um misto de constrangimento, irritação e vergonha Shizu-chan! " completou mentalmente e continuou — Tanto que eu vou lhe dar um pedaço do meu último sashimi de atum e você sabe que é o meu favorito!
O loiro o encarou por alguns instantes — Tudo isso é para você não precisar me pedir desculpas apropriadamente? — Uma risada descrente foi produzida pelo ex-barman, Izaya era inacreditável às vezes.
O moreno acompanhou a risada do guarda-costas — Você me conhece tão bem. Agora diga: aah~
Ouvir a risada dos dois em conjunto estava ficando cada vez mais frequente com o passar dos anos. Movido por essa atmosfera descontraída, Shizuo aceitou a oferta do informante abrindo a boca na direção do mesmo.
– Só uma mordida, ok? — Advertiu Orihara sorrindo. O loiro apenas fez que sim com a cabeça.
Todavia, assim que os dentes de Shizuo tocaram o sashimi de atum, ele prontamente agarrou o pulso do informante. O moreno soltou um 'tks' baixo e ia soltar os hashis para tentar agarra o que restava do sashimi com a mão livre, mas já era tarde. O alimento já estava totalmente dentro da boca do guarda-costas.
– Era um só pedaço, Shizu-chan! Que droga! — O moreno protestou derrotado fitando a cara satisfeita do loiro.
– Agora sim está perdoado, pulga — disse o ex-barman ainda mastigando o pedido de desculpas de Izaya.
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Passos despreocupados.
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– Eu classificaria isso como exploração laboral, trabalhar em um sábado de folga sem ser classificado como hora extra.
– Falou o cara que trabalha até durante a Golden Week*..
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De um lado: carros, motos, sinais de transito..
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– Mas eu faço por opção, sou meu próprio chefe, é diferente.
– ...Eu fico feliz de ser chamado para trabalhar, sinal de que gostam do meu serviço..
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Do outro: lojas de conveniência, livrarias, restaurantes, outros transeuntes..
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– Você fica feliz de ser explorado é?
– Por que está incomodado com isso? Vai ficar com saudade de mim?
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Um riso produzido por uma voz grave e um tanto grossa pode ser ouvido entre os dois falantes, sendo acompanhado alguns instantes depois por uma gargalhada sarcástica.
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– Vou apenas ignorar a sua pergunta. Mas, falando nisso, ontem foi um dia realmente tranquilo para mim. Sua ausência é produtiva para o meu trabalho.
– Você diz isso mas me ligou mais de uma vez e ainda foi me buscar ontem.
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Os homens atravessaram uma rua, ainda conversando lado a lado.
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– Eu só fui te buscar porque meu amigo de longa data me pediu. Tenho a ligação gravada no celular se quiser conferir, hunf.
– Não duvido que ele tenha ligado.
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Cada um olhou para um lado, nenhuma palavra a mais foi proferida por mais alguns minutos de caminhada até chegarem a uma estação de metrô.
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– Nos separamos aqui..
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Os passos cessaram. Os falantes trocaram um breve olhar e simultaneamente o homem mais alto curvou-se e o mais baixo alongou-se para selarem seus lábios. Foi algo rápido, porém significativo para ambos. Em momentos como aquele, eles realmente pareciam um casal convencional.

– Até mais, Shizu-chan.
– Eu volto logo, pulga.
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Um resquício de sorriso era nítido nos lábios dos dois homens que agora caminhavam para lados opostos.
O resto do dia seguiu normal para o casal, se é que a palavra normal possa ser utilizada para descrever qualquer coisa envolvendo esses dois.
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Domingo
Um homem vestindo um comprido jaleco branco assistia tevê acompanhado por uma dama vestida inteiramente de preto.
O casal já havia concluído seus afazeres e agora desfrutavam da companhia um do outro assistindo um filme qualquer na televisão. A paz naquele lar havia sido restaurada assim que os dois fenômenos da natureza foram devidamente convidados a se retirarem pelo doutor ilegal no dia anterior. Todavia, como verdadeiras forças da natureza, terminado sua "visita" restavam os comentários.
[ Como será que aqueles dois estão?] — Celty comentou, como quem não quer nada, quando o filme entrou em um comercial.
Shinra leu a mensagem no pdf, olhou para o nada por um momento e depois respondeu — Não sei como estão..Mas, com certeza, devem estar trocando insultos ou caricias em algum lugar entre Ikebukuro e Shinjuku.. — Disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
A fada irlandesa apenas riu — [ Verdade! Aqueles dois não mudam.. ] — Pensou por um momento e escreveu mais uma mensagem — [ Eu não sei você, Shinra. Mas eu continuo surpresa pelas coisas que ouvimos e vimos Izaya fazer.]
O médico clandestino soltou uma risada divertida quando leu a fala — Foi tão divertido vê-lo sendo carinhoso, parecia outra pessoa. Em pensar que ele consegue demonstrar amor de uma forma convencional apenas para agradar o Shizuo..
[ Forma convencional? O que quer dizer?]
– Huum...Como seria a melhor forma de explicar? — O moreno de óculos levou a mão ao queixo e pensou por poucos instantes — Bom, partindo do principio de que cada pessoa demonstra amor de uma forma, analisei a maneira que Orihara-kun demonstra afeto. Levando em consideração os fatos relatados por Shizuo-kun, Izaya demonstra amor através de gestos práticos, com pequenos cuidados, de forma sutil..- Percebendo que não estava sendo suficientemente claro, exemplificou — Como quando Shizuo disse que ele se preocupava com o estado do cabelo dele, também quando ele fez questão de levar Shizuo até o quarto mesmo ele estando extremamente tonto e ser bem mais pesado que ele...
[ De fato, naquela noite, ele parecia querer protegê-lo.. Estava mais arrisco e desconfiado que o normal também, parecia um animal selvagem cuidando de suas crias..ou de sua presa. ]
– Ótima analogia, Celty. É como eu vejo também — Sorriu contente com a observação da parceira — Já no caso de Shizuo, ele demonstra afeto de uma forma convencional: através de palavras doces, carinho físico, presentes..
[ Então, quando você disse que ele faz para agradar Shizuo..? ]
– Estava basicamente dizendo que Izaya se esforça para demonstrar carinho de forma tradicional porque Shizuo dá valor para isso. Ele se esforça apenas para agradá-lo. Mas, o mais bonito é que Shizuo-kun sabe disso e também já percebeu a maneira que Orihara-kun mostra que o ama, então, de certa forma, ele está aberto para qualquer tipo de demonstração vinda de Izaya.
[ Isso deve ser uma das razões que explica o fato deles estarem juntos até hoje...! Foi uma adaptação necessária que os dois tiverem que fazer nos seus próprios comportamentos para que permanecessem juntos..!] — A dama sem cabeça havia ficado admirada com tal descoberta, era algo simples, mas que justificava muitas coisas.
– Sim..- Shinra adorava falar sobre amor, porém nunca imaginaria que estaria dizendo tais palavras sobre o relacionamento mais controverso que conhecia — Quando um casal tem formas diferentes de demonstrar afeto, pode haver muito conflito, pois os valores das ações um do outro não são as mesmas. Por exemplo, para um dos parceiros dar uma rosa pode ter o mesmo valor que dizer 'Eu te amo', já para o outro, presentear com uma rosa não é nada mais do que algo banal e estúpido... Porém, isso não se aplica a Shizuo e Izaya que poderiam ser considerados peritos em lidar com as diferenças um do outro..
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Izaya sentiu o vento frio daquela tarde de domingo ir de encontro ao seu rosto. No local onde estava, no terraço do prédio onde morava, era fácil notar que não tardaria a chover.
Encostou o cotovelo no guarda-corpo do edifício e depositou o queixo sobre o punho. Gostava daquele local, gostava de estar no alto. Escolheu aquela cobertura para morar, pois ela tinha acesso ao topo do prédio, onde era possível ver boa parte do distrito de Shinjuku e também ao longe um pouco de Ikebukuro.
Como previu, pequenas gotas começaram a cair do céu. O moreno direcionou seu olhar para o mesmo, depois olhou para baixo, para a rua, contemplou a visão de guarda-chuvas sendo abertos a todo momento, de algumas pessoas apressando os passos, outras procurando marquises ou entrando em lojas..
"Humanos...." Sorriu ao pensar na palavra, colocando o capuz do casaco sobre a cabeça. Mesmo sentindo as gotas se intensificarem, permaneceu no mesmo lugar pegando chuva. Aquela paisagem era estranhamente agradável e calmante para si, por isso não se importava de se molhar um pouco.
Ás vezes sentia falta do tempo que ele era o solitário e impenetrável amante de humanos. Não que ele tivesse deixado de ser, mas agora se envolvia bem menos com a "humanidade" e focava-se em estudá-los apenas quando surgia uma oportunidade. Era isso que dizia para si. Ele não queria admitir, mas, inegavelmente havia deixado de ser um amante de humanos para ser O amante de Shizuo. Foi uma escolha delicada, mudanças tiveram que ser feitas, muitas, mas vivia bem com aquela decisão.
Falando no loiro, ele havia sumido misteriosamente durante o dia todo. Izaya nem se deu o trabalho de se preocupar ou procurar por ele. Sabia que logo voltaria e se justificaria, Shizuo não era irresponsável, afinal.
A chuva diminuiu um pouco, Orihara contemplou mais uma vez aquela visão dando um giro de cento e oitenta graus e decidiu por fim voltar ao seu apartamento. Estava satisfeito com a sensação que aquele momento lhe produziu, por estar sempre com Shizuo, frequentemente se preocupava com o fato de estar apegado demais. De não conseguir se distrair sem a presença do loiro. Logo, aquelas horas que apreciou apenas sua própria companhia lhe mostravam que não tinha o porquê de se preocupar.
Mais do que contente, o informante virou em seus calcanhares e se deparou com a visão, um tanto distante, de alguém subindo pela escada que dava para seu apartamento.
– Shi- Começou por hábito, mas parou ao notar nas roupas da pessoa e no fato de não poder ver seu rosto tapado pelo guarda-chuva que carregava — Quem está ai? — Perguntou desconfiado e curioso.
O homem aproximou-se com passos lentos, quando estava frente a frente ao informante perguntou simplesmente — O que está fazendo aqui sozinho na chuva?
– Shizu-chan?! Por que está vestido assim? — Orihara disparou surpreso assim que confirmou que era mesmo o ex-barman na sua frente.
Shizuo estava vestindo um terno negro que lhe cai extremamente bem. Izaya já havia visto Shizuo de terno outras vezes, porém daquela vez ele parecia ainda mais bonito. Se é que isso é possível — Fico algumas horas fora e você já está fazendo esquisitices..- O loiro comentou, inclinando o guarda-chuva que segurava para que esse protegesse ele e Izaya da chuva. Sua outra mão permanecia oculta por suas costas.
– Não vai responder minha pergunta? — O tom saiu um tanto sério, os olhos castanhos avermelhado fitavam curiosos os castanhos amarelado. Shizuo era mesmo um irresistível monstro imprevisível! Só de confirmar esse fato mais uma vez, o corpo do moreno tremia em excitação.
– A roupa...? Kasuka pensou que seria um bom modo para eu entrar no clima.. — O loiro disse sem desviar os olhos dos do informante.
– Clima..? — Izaya repediu em dúvida, estava com dificuldade de raciocinar devido o choque da surpresa. Mas sabia que algo significativo estava acontecendo ou ia acontecer.
– É.. — O loiro tinha um tímido sorriso nos lábios, seu rosto demonstrou um pouco de constrangimento antes de dizer a próxima frase — Também sugeriu que eu lhe desse isso, mas...bom, é seu, faça o que quiser — disse entregando um boquê de rosas vermelhas nas mãos do informante.
Orihara pegou as rosas, nunca havia recebido tal coisa em sua vida inteira. Bem, elas eram bonitas e também tinham sua cor favorita. Era um presente aceitável. Mas nada disso passou pela cabeça do informante que tentava inutilmente descobrir a intenção do loiro com tudo aquilo. Era apenas uma surpresa? Ou... Iria pedi-lo em casamento? Seria possível? Se tratando do loiro sim..Falando nisso, Shizuo já havia o pedido uma vez, foi antes de desmaiar na noite de sexta..Havia esquecido completamente! Será que era isso?! Izaya estava em pânico, como lidaria com aquilo?!! — Shiz...
– Izaya..! — O loiro disse firme, conseguindo a atenção daquele que foi chamado — Eu nunca te pedi um favor, mas te peço agora. Você poderia me ouvir, por cinco minutos, com toda sua atenção e sem me interromper? — Os olhos de Orihara transmitiam incerteza, já os de Heiwajima determinação. A reação do informante já era prevista pelo guarda-costas, foi a mesma coisa quando decidiu firmar o compromisso dos dois trocando alianças. Talvez pior naquele tempo. Com Izaya era tudo ou nada nesses momentos, o risco do moreno se assustar e "fugir" era muito alto. Muito. Ciente desse fato o loiro passou o dia todo se preparando para aquilo e não falharia agora.
O moreno ouviu o pedido do guarda-costas. Ponderou por alguns instantes, estava totalmente a mercê naquela situação, isso o incomodava deverás, mas..estava tudo bem se fosse Shizuo — Ok..- Disse finalmente. A voz saiu um pouco baixa, porém audível suficiente para trazer um sorriso aos lábios do mais alto.
– Obrigado — A chuva já havia cessado, mas o casal não esta apto para perceber isso. Mergulhados nos olhos um do outro — ...Para começar, sei que é estranho dizer....Mas aquela bebedeira me fez perceber que mesmo com todos os defeitos que eu vejo em você, eu simplesmente não consigo deixar de querer ficar ao seu lado..- O loiro disse desconcertado. Treinou aquele "texto" centenas de vezes naquele dia — Ser seu namorado por todo esse tempo também, me fez entender melhor a pesso-, a pulga irritante que você é... — Um sorriso involuntário surgiu nos lábios de ambos com a ultima fala — e mesmo conhecendo você como conheço ainda te amo com todas as minhas forças...- Orihara tentava inutilmente normalizar sua respiração, Shizuo continuou decidido — O nosso relacionamento não é o que eu imaginava para mim há anos atrás...Na verdade, quando eu era mais novo, lá no fundo, eu tinha o desejo de casar e ter filhos..É meio vergonhoso falar isso agora — O loiro riu curto, levando uma mão ao próprio cabelo o bagunçando em sinal de desconforto — Ontem quando voltei para casa, quer dizer, para o seu apartamento, me lembrei de que havia pedido você em casamento quando você apareceu na casa do Shinra para me pegar...Não entendi por que caralhos eu tinha feito aquilo.... Pensei que tinha sido por causa da bebida..mas, não poderia aceitar aquilo como resposta. Era algo sério demais.. Passei a noite toda pensando nisso.. — O loiro parou por um momento, tomou fôlego e continuou — Cheguei a uma conclusão, casamento para mim é basicamente um acordo entre duas pessoas que estariam se comprometendo a proporcionar felicidade uma a outra por todos os dias de suas vidas a partir daquele ponto — Foi uma tarefa trabalhosa para Shizuo e seu irmão traduzirem de uma forma prática a visão do loiro em relação a matrimonio para que esta fosse a mais compreensível para o informante -...Eu não me importaria de fazer você feliz todos os dias a partir de hoje, por isso.. — O ex-barman respirou e disse em um só fôlego — Eu estou te pedindo em casamento. Não preciso que assinemos qualquer papel e não me importo se Deus ou qualquer outra santidade esteja assistindo isso agora, sei que você também não se importa, então...Não é um pedido de noivado, estou perguntando se você me quer como seu marido — Completou firme, os olhos cheios de confiança. Mesmo que fosse rejeitado, havia feito o que julgava certo.
Izaya estava sério. Muitas informações foram ditas, muito estava em jogo. Fechou os olhos por um momento, respirou e voltou seu olhar ao ex-barman — Você... — Riu desconcertado, o loiro o colocava em cada situação...! — Em outras palavras, você está me perguntando: "Você aceita Heiwajima Shizuo como seu legítimo esposo?"
Shizuo apenas fez que sim com a cabeça.
Orihara mordeu os lábios tentando conter o nervosismo, a felicidade e a insegurança dentro de si. Não estava pronto para responder algo tão sério assim do nada! Todavia, não poderia fugir daquilo agora — Tem certeza disso, Shizu-chan? — Perguntou mais para dizer algo, do que pela dúvida em si.
– Claro, eu não faria tudo isso se não tivesse! — Disse o loiro com convicção.
– Então..- O moreno olhou para o chão, o ar parecia estar cada vez mais escasso ao redor de si — A minha resposta é...- Seu rosto estava quente, o que levava a crer que estava no minimo corado. Sabia que assim que desse sua resposta não poderia nunca mais voltar atrás. "Se dispor a fazer Shizuo feliz todos os dias a partir dali..." pensou. Não era uma proposta ruim, levando em consideração que o loiro o faria feliz de volta. Com isso em mente, proferiu ainda nervoso — ...sim.
Shizuo respirou aliviado quando ouviu aquela simples e pequena palavra. Nem acreditava, ele realmente havia conseguido mais um sim de Izaya?! Pensou isso se referindo ao anel de compromisso de anos atrás. Aquilo era mesmo verdade?
Com um sorriso no rosto, o loiro pegou a mão direita do informante e removeu delicadamente a aliança que jazia em seu dedo anelar. Depois, tirou uma caixinha vermelha do bolso da calça e a abriu relevando duas brilhantes alianças de ouro branco.
O moreno não se conteve, comentando admirado — Você realmente preparou tudo..
– Kasuka me ajudou.. — Disse constrangido. Olhou nos olhos de Orihara mais uma vez e pegou agora em sua mão esquerda — Você disse mesmo 'sim'? Só para confirmar...- Seu tom saiu descontraído e envergonhado.
O informante apenas sorriu e confirmou — Sim. Eu disse sim. — Shizuo então prosseguiu, colocando a aliança com todo cuidado no dedo anelar da mão direita de Izaya. O moreno então, repetiu o mesmo processo que Shizuo. Suas ações agora demonstravam confiança, se sentia seguro, como nunca havia se sentido antes. Assim que pós a aliança, inclinou o corpo depositando um singelo beijo sobre a mão do ex-barman e ainda com o corpo um tanto curvado disse — É uma pena que não tenhamos nenhuma testemunha..
Shizuo não esperava aquele beijo e muito menos aquele comentário. Olhou ao redor, realmente, só havia os dois ali, no terraço do prédio. Voltou seu olhar para Izaya e só naquele momento reparou no cenário atrás do moreno — Errado, temos Tokyo como testemunha — sorriu dizendo, apontando para frente.
O informante olhou para trás contente, lembrando do local onde estava. Pós suas mãos sobre o guarda-corpo do prédio e sentiu Shizuo abraçando suas costas com carinho. Em pensar que havia acabado de casar com ele e que tudo aquilo era resultado de uma tarde de bebedeira. Suspirou, a vida com o loiro era tão imprevisível quanto o mesmo.
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