O namorado do Izaya

1 Primeiro Capítulo


Notas iniciais
Aproveitem a leitura!

Sexta-feira

– Solte este celular antes que eu quebre! Urg! — O Loiro apertou os punhos com força — Izaya fica com a droga do celular o tempo todo! Quando pergunto que merda ele está fazendo, ele olha para mim e solta aquele risinho falso dele...

– Já soltei! Calma! Só estava falan-

– Sabe quantos celulares do Izaya eu já quebrei?

– Han....Quantos?

– Cinco. Mas um foi sem querer... — O loiro levou mais um gole da bebida aos lábios e depois soltou uma risada curta — Se bem que foi querendo sim...

– Shizuo-kun...

– O que foi?

– Se o Orihara-kun te irrita tanto como vocês estão juntos há tanto tempo?

– Não sei... — Shizuo passou a mão direita pelos cabelos, a bebida realmente o estavam relaxando.

O silêncio preencheu a sala do apartamento de Shinra.

Aquela estava sendo uma tarde realmente inusitada para o doutor ilegal. Há algumas horas atrás havia sido surpreendido por Shizuo em sua porta. O Loiro estava irritado e frustrado. Contou que não conseguiria passar mais um dia ao lado de Izaya, mesmo namorando o mesmo há mais de quatro anos.

– Aquela pulga...

Shinra ainda não estava totalmente ciente sobre o que ocorreu entre o informante e o ex-barman, mas decidiu que ajudaria.

– Aquela pulga... é a mais teimosa e irritante do mundo....

Shizuo era um homem de poucas palavras, o médico ilegal sabia deste fato e por isso ofereceu sake para o amigo. Foi uma estratégia muito arriscada, pois a reação do homem mais forte de Ikebukuro ao álcool ainda não era conhecida. Shizuo acreditava que bebidas alcoólicas o deixariam mais sem controle do que ele já era normalmente, este pensamento tinha como base a forma como as pessoas "normais" ficavam quando ingeriam álcool. Todavia, a reação do ex-barman foi bem diferente da imaginada e o plano de Shinra seguiu maravilhosamente, Shizuo estava relaxado, falante e até descontraído. Desta forma seria mais fácil entender toda aquela confusão.

– Shizuo-kun...

– Sabia que aquele filho da puta demorou dois anos para me dar a porra de uma gaveta no armário dele? Ele veio com aquela cara de pau e me mostrou a gaveta como se estivesse mostrando para um cachorro onde ele devia durmir....

– Shi-

– Ele é um puta de um egoista....! Eu devia quebrar aquela cara dele! -Shizuo levantou-se agitado, mas Shinra o olhou sério como o repreendendo.

– Acalme-se, por que não me diz o que aconteceu entre você dois, nee~?

O guarda-costas olhou para o médico e sentou-se novamente no sofá. Assistiu seu copo ser preenchido por completo novamente e suspirou cansado. Levou a bebida suave aos lábios e olhou para o nada por alguns instantes.

– Ei~ — O doutor ilegal coçou a cabeça cansado. O loiro ainda parecia aéreo.

– Um dia.. — Começou, seu olhar se direcionava a janela — Izaya estava incomodado, por alguma porra de motivo, ele não me contou o que era...Então, deixei ele por algumas horas... Quando voltei, estranhei a música alta no apartamento, olhei para os lados e nada daquela pulga..Fiquei preocupado e comecei a procurá-lo... — Shizuo deu mais um gole e Shinra parecia curioso com a história — Quando fui entrar no quarto, Izaya apareceu, cambaleante e com um sorriso idiota na cara....

– O que havia acontecido? — O médico se pronunciou, incomodado com a demora para a conclusão do relato.

Shizuo o olhou como se só agora tivesse percebido a presença do moreno de óculos — Bom, ele estava bêbado.

– Mas por quê?

– Porque ele é um idiota — disse dando de ombros.

Shinra soltou uma risada fraca."Em que situação fui me meter" pensou — E qual é a conclusão da história?

– Nenhuma...Só lembrei da cara que ele estava fazendo naquele dia — Shizuo soltou uma risada alta divertindo-se com aquela lembrança, mas parou assim que se lembrou de outros detalhes — Ele me disse, totalmente bêbado, que eu era a pessoa que ele mais amava no mundo e me abraçou muito forte naquele dia...

– E você acreditou?

O loiro olhou nos olhos do dono do apartamento por um momento e disse simplesmente — Sim...Eu sei quando ele está sendo sincero. Izaya pode ser muito sincero em alguns momentos...

– Mesmo? — Shinra agora tinha um rosto descrente, não que duvidasse de verdade, mas queria ouvir mais sobre o assunto.

– Sim.. Ele acha que é indecifrável, mas eu sei bem como ele funciona... — O loiro tinha um sorriso fino no rosto olhava para aliança de compromisso que jazia em sua mão direita — Essa aliança — Apontou para a mesma — Eu planejei várias formas para entregar a ele... — Suspirou — Eu sabia que se eu errasse, ele fugiria de mim e eu poderia perdê-lo para sempre...

– E então... — Shinra fez sinal para prosseguir. Pegou um copo para si e serviu sake para ambos.

– Então.. Eu o conheço o bastante para saber o momento certo para receber um sim daquela boca malditamente deliciosa — O guarda-costas abriu um sorriso largo e vitorioso, de fato aquela era uma prova irrefutável.

– Então, Shizuo-kun, consegue qualquer coisa do Izaya? — O moreno de óculos provocou, era interessado na relação de seus amigos mais próximos, era uma relação deverás peculiar.

Shizuo pôs a mão no queixo e pensou. Shinra nunca o havia visto tão descontraído, soltou um riso quando a expressão do ex-barman tornou-se confusa.

– Huum.... Acho que não consigo tudo, mas eu sou a pessoa que mais "consegue" algo com aquele cara...

– Sim, não posso negar.

Os dois riram. A conversa tornara-se leve.

– Shizuo-kun, já que estamos conversando tão profundamente sobre sua relação com o Orihara-kun, posso fazer uma pergunta?

– Sim. — O loiro bebeu o resto da bebida em seu copo e estendeu a Shinra para que ele servisse mais.

– Você gostou do sake nee? — Shinra riu, pegando a garrafa e servindo — Bom, mas não era essa pergunta. Eu conheço vocês dois há muito tempo..Conheço você desde o primário e o Izaya desde o fundamental..

– Pergunta logo.

– Estou formulando a minha pergunta! Bem, como ia dizendo — Shinra arrumou os óculos no rosto e continuo em um tom analista — Conheço vocês há muito tempo. E, sinceramente, não consigo imaginar os dois namorando de uma forma... — Ele procurou a palavra mais adequada — ...carinhosa. Principalmente o Izaya-kun... Então a pergunta é, como vocês demonstram carinho? Ou realmente é na base dos socos e xingamentos?

O Loiro prestou a devida atenção a pergunta de seu amigo. Por um momento achou a absurda, mas depois entendeu que devia ser uma dúvida comum para quem conhecia os dois — Bom... É claro que eu e o Izaya somos carinhosos um com o outro... Como demonstramos...? — O ex-barman olhou para o alto como se resposta estivesse em algum lugar do teto.

O dono do apartamento apenas observava curioso.

– Demonstramos tanto com atitudes pequenas, como com grandes...- Shizuo tinha uma expressão sem jeito no rosto, parecia encabulado agora.

– Pode me dar um exemplo?

– Hum.... No natal do ano passado, eu fiquei tão ocupado com o trabalho e com os preparativos da viagem que faríamos que esqueci completamente de comprar um presente de natal para aquela pulga.. Viajaríamos dois dias antes do ano novo e eu só lembrei do presente uma semana antes do natal.. — Shizuo tomou mais um gole do sake — Procurei por cinco dias um presente que fosse pelo menos aceitável... Mas é muito difícil comprar algo material para o Izaya, porque aquele desgraçado tem tudo que deseja.

– Como assim "tem tudo que deseja"?

– Izaya é....materialista, não sei se essa é a melhor palavra...han.. -Shizuo pensou — Mas ele é apegado as coisas que tem. Ele dá muito valor para tudo que tem, então quando ele deseja algo material, ele sempre dá um jeito de tê-lo.

– Você acha que isso é um defeito dele?

– Não...Eu até acho bonitinho...

Shinra não deixou de rir, o Loiro pareceu não se importar com a risada do anfitrião.

– Mas, é algo para se ter cuidado... Uma vez eu derrubei café em um dos livros do Izaya. Cara...eu nunca o vi mais assustador... — O loiro riu — Achei que ele só ficaria bravo na hora, mas mesmo depois de uma semana ele ainda estava remoendo aquilo...

– E o que você fez?

– Tentei comprar outro livro. Mas não era nada fácil, aquele livro fazia parte de uma coleção... Então fui até ele e pedi desculpas novamente, contei que compraria um novo quando pudesse.. Ele fez um rosto surpreso e acho que foi a primeira vez que a palavra fofo veio na minha cabeça enquanto olhava para ele....

– Por que? O que ele fez?

– Ele olhou para mim e disse que não precisava. Disse que o livro novo não seria o mesmo livro.. E ele disse tudo isso de uma forma embaraçada, como se estivesse confidenciando algo pessoal e intimo... Eu fiquei desarmado naquele momento.. — Um suspiro escapou dos lábios do guarda-costas.

Shinra se divertia ouvindo Shizuo, para qualquer pessoa que o ouvisse, era nítido, óbvio, cristalino de que ele era totalmente apaixonado pelo informante de Shinjuku.

O loiro reparando a forma como o médico ilegal o olhava, tentou mudar de assunto — Mas o que eu estava falando mesmo?

– Huum... — O anfitrião também já havia se perdido — Ah! Sobre o natal e o presente!

– Sim! Eu procurei por vários dias e até desistir de procurar. Porém, no dia 24, pela manhã, eu passei em uma loja de conveniência para comprar cigarros, naquela época eu ainda fumava, quand-

– É mesmo! — Shinra teve um sobressalto — Eu ainda não tinha me tocado! Você parou de fumar, Shizuo-kun?

Shizuo o olhou um tanto irritado, por ter sido interrompido — Já faz alguns meses...

– Sabia que havia algo diferente em você! Como foi isso? Quando você decidiu parar?

O loiro encostou-se desajeitado no sofá e passou a mão direita pelos cabelos dourados. Parecia pensar a forma certa para responder aquelas perguntas. Shinra ofereceu mais sake e Shizuo pensou em recusar, mas aceitou.

– Agora conte.. — O moreno de óculos também encheu seu copo e fazia o possível para deixar o loiro a vontade.

– Já faz muito tempo que eu quero parar..- O loiro fitava o chão, notava-se que não era um assunto muito agradável para ele — O cigarro só me dava motivos para ficar mais irritado e o Izaya também não gostava nenhum um pouco do cheiro.. — A expressão de Shizuo foi da desanimada para conformada — Ele reclamava todos os dias que o nosso quarto cheirava a tabaco. Ele estava certo..

– Quando decidiu parar de vez?

Shizuo olhou para o amigo e continuou — Depois que voltamos de viajem, acho que uma semana depois...Eu acordei de manhã e dei de cara com o Izaya com um rosto bastante sério. Eu sorri e perguntei o que tinha acontecido. Ele pôs a mão no meu rosto e disse enfaticamente "Eu vou fazer você parar de fumar, Shizu-chan". Eu não entendi nada...! — O Loiro apertou o copo que estava vazio em suas mãos e prosseguiu — Foi nesse momento que ele contou, com um tom ainda bastante sério, que já era a terceira noite que eu o acordava tossindo durante a noite.... Eu me senti culpado. Mas.. Se a tosse era tão forte a ponto de acordá-lo, por que eu não acordava também?

Shinra pensou em algumas respostas, mas deixou que Shizuo prosseguisse.

– Izaya disse que meu sono era muito pesado, por isso não acordava... Eu não sei porque mais até hoje não acredito nessa história...

O moreno de óculos estava atento, parecia lembra-se de algo.

– Mesmo não acreditando, vi que aquela pulga estava determinada e o Izaya é muito teimoso..

– Shizuo-kun, toda essa situação me lembra que há três meses atrás...

Um som estridente e alto saiu do bolso de Shizuo o que assustou os dois homens. O guarda-costas tirou o celular do bolso e aceitou a ligação.

–Sim?

–....

–Não é dá sua conta...

–......!- Shinra conseguiu ouvir um "sua voz está estranha"

–Aaah...me deixa em paz...

–.....

–Tchau

O loiro encerrou a chamada e voltou-se a Shinra — Resumindo, acho que o Izaya inventou a historia toda por estar cansado do cigarro e eu aceitei porque também já estava cansado.- O dono do apartamento olhava o ex-barman com um rosto surpreso e de certa forma admirado — Foi assim que eu parei. Pode pôr mais sake? — O loiro apontou para o copo a sua frente.

Shinra pegou a garrafa, serviu mais um pouco e soltou uma risada fraca — Era o Izaya no telefone né?

Shizuo pegou o copo e fez que sim com a cabeça.

– Ok, Shizuo-kun, eu já ouvi o bastante, agora me conte, o que houve entre vocês que lhe trouxe até aqui hoje?

– Shinra...não quero falar sobre isso... — O loiro fechou o rosto.

O doutor ilegal suspirou e ia começar a falar, mas foi interrompido pelo som da porta sendo aberta e dos passos se aproximando. Levantou do sofá quando avistou Celty entrando no recinto.

– Ceeelty~~ — O médico a abraçou e esfregou seu rosto na dullahan — Que bom que voltou!~

Shizuo sorriu e levantou-se do sofá para cumprimentar a amiga, mas assim que deu mais um passo perdeu o equilíbrio e caiu novamente no sofá — Mas que merda foi essa!? — Esbravejou. O casal olhou para o loiro e Celty ficou preocupada com o estado de Shizuo.

[O que aconteceu com ele? Está machucado?]

– Não se preocupe, Celty~. Esse cara está apenas chateado com Izaya... — Shinra o olhou com um rosto um tanto debochado — Estou há horas conversando com ele e até agora ele não me contou o que aconteceu..

Celty se aproximou do Loiro e o observou — [ Mas ele parece estranho...É só isso mesmo?]

– Bom, para que ele falasse o que aconteceu e ficasse mais calmo... Eu dei um pouco de bebida a ele.. — Shinra coçou a nuca, como uma criança culpada tentando se justificar.

Celty agitou-se — [O quanto você deu?]

– Ah... — O moreno olhou para a mesa e começou a contar as garrafas de sake vazias — Foram três...mas eu bebi um pouco também.. — Uma risada curta podê ser ouvida do médico.

[Três!!? ] — Celty apertou a gola da blusa de Shinra e estava pronta para socá-lo — [ Como podê ter sido tão irresponsável?! E se ele ficasse violento?] — O moreno fazia que não com o rosto e agitava suas mãos tentando convencer a dullahan de que tinha tudo sob controle.

Enquanto isso, Shizuo permanecia deitado no sofá. Seu corpo estava um tanto estirado e seus olhos estavam fechados. Pensava no que devia fazer em seguida, devia voltar para casa e fazer as pazes com o namorado irritante ou ficaria por ali falando um pouco mais sobre como era irritante namorar Izaya. Foi despertado de seu transe quando sentiu seu celular vibrar e começar a tocar ainda dentro do bolso. Pegou o aparelho e fitou a tela. Era seu namorado irritante, Shizuo sentou no sofá e recusou a ligação.

Olhou para o casal que agora estavam o olhando. Soltou uma risada, achando graça dos rostos tensos de seus anfitriões — Ei, não me olhem assim!

Celty, se tivesse rosto, o olharia com uma expressão realmente surpresa, nunca havia o visto tão calmo e bem humorado.

– Viu, Celty!~ Olhe como ele está dócil! — Shinra levou a mão a bochecha de Shizuo e a apertou de leve. O ex-barman riu e continuou com a mesma cara boba.

A companheira do médico se aproximou ainda descrente. Mas como a voz do Loiro não se tornou grossa e ameaças não foram lançadas ao médico depois do que ele havia feito, ela concluiu que estava tudo bem. Movida por essa confiança, a fada irlandesa repetiu a atitude de Shinra e teve como resposta um sorriso ainda mais aberto de Shizuo. — [Inacreditável!] — Foi o que ela pensou e escreveu no pdf — [Então é assim que ele fica quando bebe.]

Shinra apenas sorriu satisfeito e cruzou os braços. Para ele o sentimento era de que um novo experimento havia dado resultados melhores do que os esperados.

– Então! — Shizuo disse animado — Querem fazer alguma pergunta?

O moreno de óculos, olhou para sua amada pensando em qual seria sua reação quanto aquilo. Celty sentou ao lado de Shizuo e parecia pensar em algo animada. Shinra riu internamente, será que ela também tinha curiosidade sobre o casal mais perigoso de Ikebukuro?

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– Izaya.

– ...

– Sim...Só um momento.

– ...

– Está melhor aqui? Não, espere, é importante!

– .....

– Shizuo está aqui.

– ......

– É...Você tem que vir buscá-lo.

– ....

– Izaya, você é o namorado dele.

– ...

– Eu sei! Mas ele não está em condições...

– ...

– Não, não... Ele não está machucado — Shinra riu — Ele só está...um pouco tonto.

– ....!

– Só venha logo buscá-lo! Estou esperando.

– ..

– Tchau, rei Izaya — O moreno soltou a risada e desligou rápido antes que o informante pedisse explicações.

Shinra saiu da sacada ainda com um resquício de riso nos lábios. Chegando a sala, encontrou Shizuo e Celty conversando ao redor da mesa de centro que agora não só tinha sake como também alguns petiscos de carne e legumes. O médico clandestino sentou próximo a eles e passou a prestar atenção a conversa.

– Então, eu dei aquelas pantufas para ele de natal.. E eu nunca imaginei o quanto ele seria apegados a elas! Se ele pudesse andaria pelas ruas calçando-as — Shizuo ria orgulhoso de seu feito.

[Não achava que ele era assim tão apegado e cuidadoso!]

– Mas ele é...Ele cuida de mim também, até da minha alimentação..

– Do que vocês estão falando? — O loiro e a dama sem cabeça dirigiram a atenção ao médico.

– Eu dei para o Izaya pantufas de leão — Disse o guarda-costas levando mais uma garfada aos lábios.

[E ele as adora! Não sabia que Izaya pudia ser tão humano! ] — Celty parecia realmente surpresa e contente pelas coisas que estava descobrindo sobre o informante.

Shinra apenas riu — Como são as pantufas?

O loiro riu e fez sinal com as mãos para que esperasse ele mastigar — São engraçadas... Os leões são fofos, mas estão com um rosto irritado como se fossem atacar. Sem falar nas jubas totalmente extravagantes. Quando as vi na loja, pensei que Izaya riria e gostaria delas, mas não tanto quando ele gosta. Acho que ele se identificou.

Todos os três riram e pensaram na mesma coisa "Rei Izaya".

Celty tocou o braço de Shizuo, que ainda ria, e mostrou a tela de seu pdf para ele. O ex-barman leu a pergunta e sorriu — Ah, tem várias coisas... Izaya é bonzinho quando quer.

– O que você perguntou? — Disse Shinra.

[Quais são as qualidades dele? Vejo que ele não é tão mau como eu imaginava. ]

Shinra voltou o rosto ao loiro e incentivou a resposta — Também gostaria de saber.

Vendo que o casal lhe olhava com tanta vontade, Shizuo começou — Bem...Ele é muito bom com as palavras, até um ano atrás, eu só conseguia enxergar isso como defeito. Porém... depois que eu li uma carta que ele escreveu para mim, eu só conseguia pensar em como aquele desgraçado desperdiçava o talento dele sendo sempre irônico e estupido.

[Como era a carta?]

Shizuo olhou para a amiga e juntou as sobrancelhas de uma forma embaraçada — Isso já é muito pessoal...

O casal riu — Mas tudo que você está falando é pessoal! — Disse Shinra — E se você citou essa carta significa que ela é um grande exemplo de uma qualidade do Izaya!

– Mesmo assim...! — O loiro cruzou os braços e seu rosto estava um pouco rosado.

O casal ainda ria da atitude do ex-barman, mas como o conheciam bem, resolveram não insistir mais — Então, nos diga mais qualidades da vossa majestade — incentivou o moreno de óculos.

O loiro encostou a mão no queixo e pensou por uns instantes — Ele cozinha bem, é bastante organizado e limpo... Ah! — Shizuo apontou para cima como se tivesse lembrado de algo realmente importante — A voz daquela pulga!

– Como ass-

– É estranho pensar nisso agora, porque antes era a voz que eu mais odiava e como eu odiava aquela voz!..Mas — A voz foi do grave ao suave — Hoje é a voz que eu mais gosto de ouvir....... E para falar a verdade ele canta muito bem e toca piano maravilhosamente. Ele é muito musical.

– Eu já ouvi ele tocando piano, realmente é belo de se ver. Mas nunca ouvi ele cantando...- Completou Shinra.

– É lindo..

Um largo sorriso se abriu no rosto do doutor ilegal — Shizuo-kun, é perdidamente apaixonado pelo Izaya-kun, nee?~~ — Provocou, apertando o bochecha do loiro que apenas tirou a mão e olhou para o outro lado desconcertado.

[Concordo plenamente] — Disse Celty cutucando Shizuo que apenas disse para os dois pararem.

– Izaya... — Começou o loiro, chamando a atenção do casal para si — Izaya uma vez cismou que eu devia trocar de shampoo, porque segundo ele o meu cabelo estava se tornando poroso e menos brilhante! — Os ouvintes começaram a rir imaginando a cena — Eu disse a ele que nem sabia que porra ele estava falando! Eu já falei que aquela é a pulga mais teimosa do mundo?! — Shinra fez que sim com a cabeça — Então...Ele até tentou me explicar, me falou de marcas, me fez tocar no cabelo dele! Mas eu não dava a minima! Foi a partir daí que ele começou a comprar essas coisas para mim... — Shizuo pegou no próprio cabelo — Eu não vejo diferença nenhuma..

[Que coisas?]

– Ah...shampoo, condicionador...Agora eu entendo um pouco sobre isso. Ele também trocou o salão onde eu pinto o cabelo.

[Mas um exemplo de como ele é cuidadoso com o que é dele, né?] — A fada irlandesa parecia entender melhor o informante depois de todas aquelas horas conversando e até poderia dizer que simpatizava com a pessoa que ele era com Shizuo.

O loiro suspirou — As vezes me sinto como uma propriedade dele... É estranho, mas também é bom.

Um silêncio confortável se instalou por alguns instantes na sala dos Kishitani. Shizuo começou a sentir falta de sua pulga e o casal pudia reparar isso.

– É verdade que o Izaya cozinha bem? Eu não consigo imaginar ele cozinhando...! — Shinra retomou o assunto, pensou que devia distrair o loiro até que Izaya chegasse.

Shizuo o olhou como se ele tivesse falado um absurdo — Mas é claro! Izaya faz uma torta de cereja muito gostosa! Muito mesmo! — O ex-barman fechou os olhos como que imaginando o gosto da torta em sua boca — Izaya também tem uma bunda muito gostosa...muito — Shizuo disse sem pensar, os dois ouvintes apenas se perguntavam qual era relação de uma coisa com a outra — A pele também...como eu gosto de morder aquela pele, como eu gosto de fu-

– Shizuo-kun! — Shinra exaltou-se tirando o amigo de seu transe.

O loiro disse um desculpe baixo e se encolheu levemente. O casal ainda olhava para ele com um rosto um tanto cômico. O médico clandestino olhou o relógio no pulso e viu que já passava das oito e Shizuo havia chegado mais ou menos as onze da manhã em sua casa. Se perguntou onde estaria Izaya que ainda não chegará para buscar o loiro. Não que estivesse cansado da presença do amigo, mas o mesmo já estava há nove horas em sua casa falando e falando de Izaya. Shinra levantou-se para pegar água e quando voltou encontrou Celty apontando novamente seu pdf para Shizuo, parece que ela, diferente do doutor, ainda não havia cansado de ser entrevistadora.

– Eu já havia pensando nisso, se eu pudesse ter alguma caraterística daquela pulga com certeza seria o autocontrole dele. Se eu tivesse dez por cento do autocontrole dele, eu já viveria bem... — O loiro falava com sincero respeito — Ele é a pessoa mais controlada que já conheci, claro que isso também é um saco as vezes...- O homem mais forte de Ikebukuro se encostou no sofá e procurou ficar em uma posição confortável.

[Não acha que isso o priva de muitas coisas?]

– Sim, acho..Eu digo isso a ele as vezes, mas ele é teimoso...e medroso.

– Não consigo ver o Izaya-kun desse jeito, mesmo depois desses anos todos... — Pensou — É interessante pensar nele demonstrando suas fraquezas... — Shinra dizia tentando imaginar as cenas.

– E nem queira ver...- O loiro alertou — Ah, você me fez lembrar, ...do choro do Izaya... — Shizuo tapou os olhos com a mão e depois a tirou em sinal de aflição.

Shinra riu sarcástico e surpreso — O Izaya sabe chorar?

– Não ria.. O choro dele... — O loiro fez um rosto tenso — É o choro mais sofrido e necessário que já vi e isso porque ele só chora em ultima circunstancia. É como se as lágrimas realmente fossem a tradução da dor que ele não conseguiu segurar e tivesse que soltá-las, mesmo a contra gosto — Os ouvintes agora olhavam sérios — Eu não aguento vê-lo chorar..

– Quantas.. — Shizuo olhou o médico — Quantas vezes o viu desse jeito?

– Hum... Não foram muitas — O guarda-costas mexeu nos cabelos como se tentando tirar aquelas lembranças de sua mente — A primeira vez eu apenas assisti em silêncio e fiz de tudo para que ele não soubesse que o vi daquele jeito... Mas, na segunda, eu o abracei forte, mesmo sentindo seus empurrões e socos eu continuei o apertando forte até que ele parasse... Queria protegê-lo, mas ele não queria minha proteção...- Suspirou — Para que ele se abrisse para mim nesse sentindo foram muitos anos de "trabalho"....- O loiro olhou para o casal — Mas isso é normal não é?

Shinra olhou para Celty que o olhou de volta — Acho que sim — Disse ele, dando de ombros.

– Hoje eu apenas o envolvo nos meus braços e escondo o rosto dele no meu peito. E deixo ele lá quantas horas ele precisar, não faço perguntas e deixo que ele faça o que quiser... — O ex-barman falava sério e seus ouvintes o olhavam com certo respeito — Ele me mataria se soubesse que disse isso a vocês... — Os três riram e a conversa podê ficar mais leve outra vez.

A dullahan, movida por um sentimento quente e caloroso que nasceu em seu coração depois das ultimas declarações de Shizuo perguntou:

[Qual foi a melhor coisa que Izaya fez para você?]

O Loiro ficou surpreso com a pergunta e ficou pensando por um tempo. Shinra se aproximou, envolvendo a companheira com o braço direito e os dois ficaram atentos esperando a resposta do ex-barman. O guarda-costas por fim sorriu e começou a falar — Ano passado, no meu aniversário, ele me fez uma surpresa incrível. Eu não sei como diabos ele conseguiu armar toda aquela situação, mas foi a primeira vez que fiquei feliz com o fato dele ser um informante.. — O sorriso do ex-barman era genuíno agora.

– Ah, ele me contou! Ele marcou viagem e fez todos os preparativos para que você passasse o aniversario com o Kasuka não foi? — Shinra sorriu contagiado pela alegria do amigo.

– Sim! Foi um dia normal de trabalho e de repente quando eu voltava para casa eu fui sendo levado por várias pessoas diferentes... Eu não gostei no inicio, mas depois que fui comunicado que Orihara Izaya era o responsável, tive que confiar nele — Shizuo soltou um riso curto — Eu não sei como aquele filho da mãe sabia de coisas referentes a minha infância.. Mas pouco me importa agora, ele enviou Kasuka e eu para o litoral, para uma província que costumávamos ir quando crianças.. Foi ótimo, ninguém nos conhecia, pudemos conversar e rir juntos como há muito tempo não fazíamos... Com certeza foi uma das melhores coisas que alguém já fez para mim.

– Sem falar que também foi uma surpresa para o Kasuka, nee? — Shinra suspirou, relembrando das cenas — Izaya veio todo orgulhoso me contando que havia se infiltrado na produtora do seu irmão, que conseguiu driblar os paparazzi e que nada pudia pará-lo...

Shizuo apenas fez que sim com a cabeça — Kasuka ficou tão agradecido que deu o Yue para o Izaya.

[Yue?] — Celty se pronunciou.

– É o nosso gato.

– Correção, é o meu gato e Shizu-chan tem muito ciúme dele~ — Os três viraram a procura da fonte da voz. Izaya apenas abriu seu sorriso habitual quando se viu observado por tantos olhos — Sua porta é muito fácil de arrombar, nee, Shinra~

O médico se pronunciou, parecendo não se importar com o comentário do informante — Por que demorou tanto, Izaya~kun?

"Porque tive uma séria discussão com o meu orgulho e só depois de muito pensar, resolvi buscar o Shizu-chan" Foi o que Izaya pensou, mas ele respondeu — Eu tenho mais o que fazer do que servir de babá de Shizu-chan~ — O moreno andou até o sofá, Shizuo levantou-se num salto mesmo ainda um pouco tonto pelo sake. O informante olhou para o loiro e logo notou a diferença — O que hou-

– Izaya..! — O ex-barman segurou o moreno pelos ombros e olhou fixo nos olhos dele.

– O que foi? — O informante o olhou confuso.

– Casa comigo.

Notas finais
Se estivessem no lugar de Shinra ou Celty o que perguntariam sobre o relacionamento Shizaya? rs Gostaria de saber a resposta de vocês~ Quero escrever mais um capítulo, porém não sei quando vai ser...Acredito que alguns comentários me fariam escrever mais rápido rsrs Mas, sério, eu gostaria de ler a opinião de quem leu a fic. Se sintam a vontade para comentar! Ah, quase esqueci, alguém consegue adivinhar o que o Zaya fez para deixar o Shizuo tão bravo? E mesmo assim pedir ele em casamento depois!? rsrs Vou gostar se tentarem adivinhar!