O namorado do Izaya

8 Extra pt.2: Louco para te ver e Trigésimo aniversário


Notas iniciais
Este capitulo foi totalmente editado e MUITO foi acrescentado :) Para quem leu a primeira versão espero que goste ainda mais desta e para quem não leu, espero que aprecie a leitura ♥

Quando finalmente abri a porta de casa, percebi que ele já havia chegado. Sua mala estava perto da entrada e as chaves sobre a mesinha de centro onde costumava largá-las.

Eu já esperava isso, levando em consideração que Shizu-chan me avisou previamente que já estava em Ikebukuro, o que eu não esperava era aquele silêncio e a aparente falta da presença dele no apartamento. Onde estaria o protozoário imprevisível?

Deixei a mochila que carregava em cima do sofá e abri a caixa transportadora, soltando Yue. Andei silencioso pelos cômodos até o nosso quarto, abrindo a porta encontrei Shizu-chan dormindo estirado no centro da cama como suspeitava que estaria.

Um sorriso autentico se desenhou em meus lábios e me aproximei sorrateiro até a cama. Ele parecia tão inofensivo e relaxado. Usava apenas uma samba canção lilás de seda e a blusa de barman com alguns botões desabotoados. Os cabelos descoloridos sobre os olhos e a boca semi aberta ressoando levemente. Chega a ser irritante o fato que mesmo deitado tão desleixadamente ele consiga ser tão bonito assim. Na verdade, não consigo lembrar qualquer situação onde ele não seja...

"É irritante."

Pensei, mordendo os lábios. Aproximei-me com cautela, queria vê-lo mais de perto e principalmente tocá-lo. Já ao lado da cama, senti uma leve brisa entrar pela janela, passar por mim e depois por Shizu-chan. Instantaneamente, assisti as sobrancelhas se unindo. Não. Não. Não. Ele respirou fundo e.. pronto. Seus olhos se abriram.

— Iza..ya..

A voz saiu baixa e rouca. Seus olhos ainda cerrados rondaram o cômodo a minha procura. Com certeza foi meu perfume que o despertou. Aquele sopro de ar havia me dedurado.

— Izaya — Repetiu quando finalmente me achou. Seus olhos dourados encontraram os meus e seus lábios formaram um sorriso sutil nesse momento. Parece tão alegre por estar me vendo... Você é tão sincero, Shizu-chan.

Sem que eu me desse conta, senti sua mão me puxando em um convite mudo para que eu chegasse mais perto. Ele sentou na cama, recostando suas costas na cabeceira e eu sentei sobre seu colo. As mãos de Shizu-chan apertaram levemente a minha cintura e eu, sem me importar, passei a mão sobre sua testa, afastando os fios que estavam sobre seus olhos.

— Tadaima — Ouvi, enquanto ele envolvia e aproximava ainda mais nossos corpos em um abraço apertado. Não apresentei resistência, sentindo seu aperto e seu nariz roçando pelo meu pescoço. É estranho pensar em como me acostumei com esse jeito grudento dele..

— Na verdade... — Comecei, acariciando levemente sua nuca. Decidido em provocá-lo um pouco — Quem devia me recepcionar seria você, Shizu-chan. Afinal, quando cheguei você já estava aqui~

Meu sorriso era típico, esperando a resposta também típica que veio rápida como imaginei. Meu grudento Shizu-chan afrouxou o abraço e me encarou irritado — Porra, pulga... Não estraga. Você entendeu o que eu quis dizer! — Sim, eu entendi. Você se referia a sua volta a Ikebukuro e não ao regresso ao apartamento, mas onde estaria a graça da minha vida se eu não te provocar?

Sorri fitando aquele rosto aborrecido, seus olhos cor de mel estavam fixos nos meus castanhos — Sempre tão convencional~ — Comentei apenas, com certo deboche.

— E você sempre irritante — Respondeu entre dentes, parecendo ainda mais aborrecido. A culpa é toda sua, Shizu-chan. Se sou irritante assim, é porque você é tentadoramente irritável. Não consigo evitar, é tentador demais ver você perder o controle tão facilmente — Custava você responder da maneira correta, poxa... — Resmungou, olhando para o lado, desgostoso.

— Se Shizu-chan faz tanta questão assim, repita — Meu tom saiu firme e aquele que estava abaixo de mim pareceu surpreso. Olhou para o meu rosto, claramente desconfiado. Sorri. Aqueles sorrisos que não passam confiança nenhuma. Ele continuou me olhando, ponderando sua próxima atitude. Esperei ansioso, qual será sua resposta?

Assisti seus lábios serem umedecidos por sua língua e depois serem apertados levemente por seus dentes. Cerrei os olhos observando esse movimento e acho que ele reparou quando fiz isso. Shizu-chan novamente desviou o olhar do meu e finalmente disse — Tada..ima — Havia algum constrangimento em sua voz pelo que percebi. Ele decidiu por fim confiar em mim, que fofo. Ou talvez só quisesse mostrar o quão importante para si era ter esse momento comigo, mesmo eu não dando a mínima.

Envolvi seu rosto com minhas mãos, uma de cada lado e fitei seus olhos por alguns instantes — Okaerinasai — Disse, antes de unir nossos lábios. Os movimentos foram calmos, como se reconhecendo e aproveitando cada parte da boca beijada. Gosto dos beijos do Shizu-chan, sempre são intensos, mesmo esses mais calmos. Sinto ele totalmente entregue ao momento. Entregue a mim.

Gosto disso.

Levei uma de minhas mãos de seu rosto para seu pescoço e a outra estava cravada em suas costas. Enquanto as mãos daquele que pertencia a mim apertavam com alguma força minha cocha e cintura. Eu estava apreciando aqueles toques e ansiei por mais, muito mais daquilo.

Só com um beijo, sinto vontade de dar para o Shizu-chan.

É lamentável essa falta de controle. Mas já estou conformado com isso e bem... Não é como se isso fosse tão ruim assim, né? No entanto, mesmo eu sendo esse amante incrível, essa pessoa deverás interessante e agradável, nem tudo sai como eu quero...

Shizu-chan, para não perder o costume, utilizou da característica que mais me irrita e ao mesmo tempo mais me fascina em sua personalidade. Sim. Sua odiosa e irresistível imprevisibilidade.

Mesmo aparentemente estando tão animado quanto eu, senti suas mãos sobre meus ombros me afastando com delicadeza. Abri os olhos encontrando um rosto tranquilo naquele que estava abaixo de mim. Não sei ao certo que expressão lançava a ele, mas o vi levantando a mão lentamente ao encontro de minha face. O deslizar de sua pele sobre a minha bochecha foi acompanhado por uma pergunta.

— Como se sentiu nesses dias sem mim?

Minhas sobrancelhas arquearam sutilmente. Fiquei surpreso e devo dizer, irritado. Não era conversa o que eu queria agora. Sem falar que aquela pergunta era direta demais, era quase "Você sentiu minha falta?". É obvio que eu senti saudade dele, não preciso falar.. Mirei meu olhar naqueles olhos castanhos amarelado, esperando que ele entendesse que eu não estava nenhum um pouco disposto a compactuar com a cena melosa que ele almejava.

Alguns minutos se seguiram.

Sei que ele entendeu a minha mensagem e mesmo assim continua esperando um retorno. Normalmente Shizu-chan desiste, sua paciência é muito limitada. Mas reparando em sua postura tranquila, entendo o porquê dele ainda não ter cedido a mim.

Apertei levemente os lábios, eu não tinha outra escolha. Se fosse rude, como gostaria de ser, ele se zangaria e eu não o "teria" tão cedo. Se fosse irônico, o mesmo resultado, apesar de que a irritação dele seria um pouco menor. E cedendo, o teria imediatamente.

Era uma frase simples. Mas fazer as vontades de Shizu-chan é tão chaaato. Sem contar que dizer aquela sentença era algo totalmente contrário a minha natureza.

Suspirei e por fim falei, conformado — Eu senti sua falta.

Olhei para qualquer lado assim que terminei, não queria fitar seu rosto satisfeito. Senti instantes depois a ponta de seus dedos em meu lábio inferior, contornando sutilmente seu formato. Não entendi muito bem o porquê dele ter feito isso, mas até que foi bom.

— Olhe para mim.. — A voz de Shizu-chan estava calma e mesmo sem fitá-lo sei que estava sorrindo apenas pelo tom usado. Senti vontade de desfazer minha cara emburrada, mas ainda me sentia muito contrariado para fazer isso.

No entanto, foi nesse momento, foi nesse exato momento em que eu ouvi um som que me irritou profundamente...

...Uma risada..

Fraca, baixa, escapada, mínima, mas mesmo assim, ainda era uma porra de risada!

Uma agressão física ou verbal não seria o suficiente para acalentar o meu orgulho injustamente ferido por aquele protozoário ao ouvir aquilo. Tentei levantar, iria pensar em algo a altura daquele insulto longe dali, mas claro, ele me segurou.

Já estava pronto para mandar ele me soltar, quando ouvi:

— Eu também estava louco para te ver, pulga.

A frase soou sincera e espontânea aos meus ouvidos. Parei de tentar me soltar, mas continuei desviando meu olhar do dele. Precisava pensar sobre o que ouvi antes de agir, porém, antes de decidir meu próximo passo, senti meu corpo sendo agarrado e jogado contra a cama.

Não me importei, estava acostumado. Senti os braços e pernas do Shizu-chan me prensando contra o colchão com força moderada. Finalmente está perdendo a paciência, constatei. Assim é bem mais divertido.

Pensei novamente no que ele me disse e chegue em um ponto interessante.

Aquela frase..

Não era um tanto... prepotente?

— Como assim 'também'? — Falei alto. Meu sorriso aberto e imponente — Eu não estava louco para te ver, Shizu-chan~ — Neguei firme, ainda sem fitá-lo — Eu estava no máximo incomodando com a falta de sua presença. — Finalizei com o máximo de indiferença. Não me importo mais, que fique irritado. Eu não ligo.

Esperei por infinitas retóricas. Mesmo assim, a que recebi ainda foi inesperada. Não pelas palavras em si, mas sim pelo tom que elas foram faladas.

— Quer dizer que você fica incomodado quando não estou presente, pulga?

"Shizu-chan...Achei que estava perdendo a paciência.." Pensei um tanto perplexo. Seu tom, falsamente surpreso, me surpreendeu deverás. Ele não tinha essa capacidade antes. Frieza e autocontrole são bastante escassos quando se trata de Shizu-chan. Para utilizá-los ele está mesmo sério... e esse esforço todo significava uma coisa..

— PFF, HA HA HA — Não consegui segurar a risada.

"Como está determinado esse Shizu-chan..!" Pensei ainda rindo.

Olhei finalmente para o seu rosto quando minhas risadas cessaram — É, talvez... — Respondi fitando seus olhos. Ele estava mesmo disposto a me fazer admitir que senti falta dele, a ponto de até utilizar táticas minhas. Eu consigo respeitar isso. Mas contente-se com a minha resposta, Shizu-chan. Isso é o máximo que posso lhe dar nessa situação.

Silêncio.

Nos encarávamos agora. Seu olhar penetrante desafiava o meu curioso pela sua próxima ação.

Não sei ao certo afirmar quanto tempo se passou e nem em que momento nossos olhares foram do desafiante ao descontraído. Fitar os olhos do Shizu-chan sempre é uma viagem com destino incerto para mim. O que sei é que quando isso aconteceu seus lábios se abriram, mas nenhum som foi produzido, pareceu reconsiderar no ultimo segundo o que pretendia dizer e instantes depois soltou:

— Você é mesmo a droga de um mentiroso — Acusou, como se tivesse desistido por hora. Assim que notei a aproximação de seu rosto, aprecei-me em invadir sua boca.

Já conversamos demais, Shizu-chan.

.

~~ + ~~

.

Alguns instantes depois, o moreno laçou o pescoço do ex-barman com voracidade, aproximando e aprofundando ainda mais aquele contato que fez muita falta em ambos os envolvidos.

Shizuo passou a mão pelo tórax do informante correspondendo sua intensidade e ficou bastante incomodado com aquelas roupas no caminho.

Foi surpreendido porém, pela mão direita daquele que estava abaixo de si o afastando. Sem cuidado, o moreno o empurrou o fazendo tombar ao seu lado na cama. Com o loiro já deitado, Izaya rapidamente sentou sobre seu quadril com uma perna de cada lado.

O ex-barman ficou surpreso por um momento, mas depois fitou o outro com desejo — Para quem estava apenas incomodado sem minha presença... — Soltou, com um sorriso vitorioso nos lábios.

O informante, nada afetado pelo comentário, apenas sorriu confiante e rebateu — Só estou sendo legal com aquele que estava louco para me ver, Shizu-chan~

Shizuo sentiu uma vontade imensa de dizer "Eu te amo sua pulga desgraçada" e agarrá-lo naquele momento, uma vontade muito forte mesmo. Mas se segurou, aquele não era o momento adequado. Só inflaria ainda mais o ego já exorbitante do marido.

Já este, não esperou qualquer resposta. Deslizou suavemente e graciosamente suas mãos sobre o tronco do loiro, seu movimento foi acompanhado pelo seu próprio corpo que se inclinou até o ponto que seus lábios pudessem se conectar novamente.

Um beijo sensual e lento foi conduzido pelo informante que passou a mover seu quadril contra ao do guarda-costas. Fazendo com que os membros cobertos de ambos se roçassem, tentadoramente, enquanto explorava a boca do mesmo sem qualquer pudor.

Alguns instantes depois por falta de fôlego, Izaya afastou-se do loiro. Voltou a ficar sentando sobre ele e retirou a camiseta que vestia. Shizuo observava cada movimento com atenção, seus olhos castanhos agora um tanto dilatados percorriam ágeis pelo corpo do informante.

O moreno adorava este olhar em si. Tanto que decidiu prolongar aquele momento um pouco mais. Com esta determinação em mente, levou os dedos aos botões da camiseta de barman e começou a retirá-los de suas casas com delicadeza.

— Shizu-chan.. — Sua voz saiu em sussurro, provocando um certo arrepio ao ouvinte chamado — Do que sentiu mais falta em relação a mim? — A pergunta soou suave e o moreno tinha seu olhar ainda sobre os botões.

Shizuo ouviu a sentença e sentiu-se inesperadamente curioso em relação a sua própria resposta. Do que sentiu mais falta? Dos risos escandalosos? Definitivamente não. Da fala mansa, porém ácida? Hun... Do corpo esguio e bem modelado?.. Dos beijos... Do olhar, talvez. Das sensações que só ele produzia em si...

O loiro poderia pensar em várias alternativas, mas a única conclusão concreta que chegou foi a seguinte: era difícil dividir Izaya. Para Shizuo, de certa forma, era inconcebível tal coisa, dividir o informante em partes tornava-o outra pessoa.

— Não senti falta de nenhuma característica em especial, senti falta de você como um todo..

A frase saiu da boca de Shizuo com facilidade, o loiro até sentiu um certo orgulho por ter chegado a uma conclusão tão aceitável como aquela em tão poucos minutos.

Quando ouviu aquela resposta, Izaya levantou o rosto e fitou aquele que estava embaixo de si. Seu rosto mesclava surpresa e desconfiança. Mesmo assim, nada disse. Voltou sua atenção para os botões. Com a tarefa cumprida, deslizou seu dedo indicador pelo peito desnudo do ex-barman. Provocando sensações arrepiantes em ambos. Sorriu traiçoeiro quando chegou ao cós da samba canção que o mesmo vestia.

— Que resposta mais romântica, Shizu-chan~ — Disse desdenhoso, encarando o loiro com seu habitual rosto desafiante. Havia se surpreendido com o retorno recebido e até gostaria de questionar mais sobre a "falta como um todo" que Shizuo falará, mas estava ciente de que não era hora para isso... Então, apenas para provocar ainda mais, Izaya que mantinha seu quadril inerte sobre o do outro, passou a movê-lo para frente e para trás vagarosamente — Você me ama tanto assim é? — Seu sorriso estava largo, as mãos espalmadas sobre o tronco do ex-barman.

Estar por cima com certeza o excitava. Foi o que Shizuo pensou, apreciando a ousadia do moreno. Seus olhos passearam pelo corpo esguio sobre si e decidiu por fim provocá-lo também, afinal daquele jogo dois podiam jogar.

Em um movimento rápido, levou as mãos as coxas de Izaya, as apertou forçando as para baixo e inclinou o quadril para cima. Pressionando seu membro no traseiro do mesmo de uma maneira um tanto brusca. O gesto apenas destacou a situação do membro do loiro, claramente bastante rígido.

A expressão do moreno demonstrou surpresa por um instante após tal ato, mas tornou-se descaradamente convencida rapidamente — Isso foi sua resposta? — Disse, quase rindo.

O loiro arqueou uma sobrancelha — O que você acha? — Perguntou descontraído, as mãos ainda sobre as coxas de Orihara.

— Acho que você quer me comer — Respondeu direto.

Shizuo riu — Boa resposta -Assim que estas palavras deixaram seus lábios, suas mãos já estavam retirando o cinto do informante com gestos rápidos e nada delicados. Izaya apenas assistia o "desespero" do loiro em despi-lo, aquilo o divertia de diversas formas. Assim que terminou de desfivelar, o guarda-costas sentiu o traseiro do moreno se distanciando.

O informante ergueu o corpo, levantando-se, rapidamente terminou o que Shizuo havia começado e assim que se viu desnudo, prontamente fez o mesmo com o loiro.

Agarrou o tecido de seda o deslizando para baixo, revelando a intimidade latente. Uma vez exposta, Orihara não pode evitar de umedecer os lábios ansioso para o que estava por vir. Sendo assim, posicionou o membro do outro em sua entrada e sem qualquer cerimonia, sinal ou preparação sentou-se sobre ele.

Shizuo arfou, mordeu os lábios e franziu as sobrancelhas levemente sentindo as paredes de Izaya o apertando, esmagando e sufocando sem dó. A sensação era incrível, como sempre, e daquela forma brusca tudo ficava ainda melhor.

O moreno concentrou-se por alguns instantes, estático. Nunca ia se acostumar com aquele volume todo dentro de si. Todavia, poucos minutos depois, Orihara passou a mover-se. Seu ritmo seguiu crescente, seu quadril subia e descia gradativamente mais rápido a cada momento.

As respirações passaram a descompassar e os gemidos se fizeram presentes ao passo que a velocidade ia aumentando. Izaya mordia os lábios contendo-se, como estava comandando os movimentos, estocava nos lugares mais sensíveis em si e por isso estava se controlando para não gozar tão cedo. Mesmo sentindo o membro quente e rijo o explorando cada vez mais certeiro.

Fazia o possível também para contrair sua musculatura ao máximo. Tornando seu já, apertado interior, ainda mais sufocante e prazeroso para o loiro que estava apenas parado aproveitando.

— Iza..ya…

Gemeu, produzindo um sorriso satisfeito naquele estava em cima de si. Na posição que estava Izaya a visão era mais do que privilegiada, era sublime. As sobrancelhas claras franzidas, a boca levemente aberta em busca de ar, o peito subindo e descendo descontrolado como se tivesse perdido a capacidade de respirar ritmado, os lábios mais avermelhados que o usual, as mechas loiras esparramadas. Ver o rosto abalado do guarda-costas, com certeza era o que mais estimulava o informante.

Dito isso, subitamente, Orihara cessou os movimentos. Inclinou as costas pra trás, apoiando as mãos nos joelhos de Shizuo, firmou as solas dos pés no colchão e começou a mover-se mais rápido que anteriormente.

O loiro vibrou devido a visão que lhe foi dada pela nova posição. Podia ver nitidamente seu membro entrando e saindo de dentro do informante. Sendo tomado e retirado várias vezes seguidas rapidamente. Naquele ritmo logo chegaria em seu limite e sabia que o moreno também estava perto.

Quando estava quase o alcançando, foi interrompido. Izaya parou, novamente.

Antes que o ex-barman pudesse protestar, o moreno apoiou-se em seus ombros. Seus rostos ficaram frente a frente de súbito e as respirações prejudicadas passaram a se chocar.

— …Shizu-chan.. — Orihara soltou ainda ressoando alto, focou os olhos cristalinos, devidos algumas lágrimas, nos do loiro que logo entendeu o recado.

Shizuo apoiou uma das mãos nas costas do moreno, o fazendo arrepiar-se devido ao contato. A pele estava gelada e molhada devida a transpiração, o que fez o loiro pensar que Izaya devia estar mesmo cansado.

Bem, naqueles momentos, sua força monstruosa ate que servia para alguma coisa.

Sem mais delongas, agarrou o tronco do informante e passou jogar o quadril para cima. Estocando freneticamente em um mesmo ponto. Conhecia o corpo do moreno tão ou até melhor que o próprio, por isso sabia que era o lugar certo. Os gemidos do outro só serviram para confirmar e incentivar Shizuo a mover-se cada vez mais rápido.

Izaya sentia sua respiração faltar, o coração acelerar, todo corpo ebulir em prazer quando chegou ao seu clímax. Derramou-se sobre o tórax do loiro, soltando um gemido despudorado e alto.

Shizuo logo alcançou o seu também, apertando com mais força o corpo do informante, enquanto se despejava dentro dele.

Os sons agora se limitavam a respirações ficando cada vez mais brandas.

O loiro retirou-se de dentro do moreno e agarrou seu corpo que ainda estava sobre si. Sentia sua pele grudar a dele e alguns pequenos espasmos pós-orgasmos em ambos os corpos. Suspirou satisfeito algum tempo depois e disse:

— É.. Eu estava mesmo louco para ter ver, pulga.. — Falou como se pensando alto — E você também estava…

Izaya levantou uma sobrancelha, mesmo quase pegando no sono havia ouvido aquilo nitidamente – Não.. estava… — Sua voz saiu baixa e abafada, dava para notar que ele estava praticamente durmindo.

—Tks, pulga mentirosa..!

.

.

.

.

.

.

Dia 4 de maio

— Você tá bem, pulga?

O loiro indagou preocupado. Izaya permaneceu apático sentando no sofá da sala, seu olhar estava vago, direcionado para algum canto da mesinha de centro.

— Izaya...?

Como não obteve resposta e muito menos qualquer reação depois dos questionamentos que fez, o guarda-costas suspirou pesadamente. O dia seria longo, constatou.

Dirigiu-se até a cozinha, alguns minutos depois voltou com uma caneca e uma xícara em mãos. Sentou no sofá ao lado do informante e bebericou seu leite quente com canela vagarosamente. O moreno permaneceu em inércia mesmo com a aproximação do ex-barman.

O loiro então pós a xícara com o café em cima da mesa de centro, na direção que estava o olhar de Orihara. Alguns minutos em expectativa se seguiram, no entanto nenhuma reação foi produzida pelo mesmo.

O ex-barman fechou os olhos levando mais um gole de leite aos lábios. Ele tinha que ficar calmo, se queria algo de Izaya, tinha que ter paciência. Está era uma lição que já havia aprendido há anos. Pensou por alguns instantes e levantou decidido com o resultado de seus pensamentos. Direcionou seu olhar para o chão, andou um pouco pelo cômodo e encontrou o que queria.

Achou o felino lambendo-se despreocupadamente na cadeira de trabalho de Izaya. Pegou o nos braços e o depositou com cuidado sobre o moreno. Se o mesmo não tivesse alguma reação depois daquilo, Shizuo não teria outra escolha se não socá-lo. Estava começando a ficar impaciente com aquela situação, droga.

Todavia, ele não precisou chegar a tanto. O informante não reagiu de imediato, mas quando sentiu o peso das patas se movendo sobre seu colo pareceu acordar de seu transe — Yu-chan, não pule em cima de mim assim de repente.. — Orihara disse calmamente olhando para o gato que soltou um miado baixo e depois pulou para o chão da sala correndo para longe dali. Seus donos adoravam o meter em seus conflitos, poderia ter pensando.

— Finalmente... — O ex-barman disse em um tom aborrecido, ganhando a atenção do informante que pareceu surpreso com a presença do outro o observando.

— Shizu-chan! Acordado tão cedo~ — O moreno sorriu um tanto nervoso, sua tentativa de tentar disfarçar não pareceu muito efetiva. Por quanto tempo esteve aéreo pensando?! Questionava-se internamente.

O loiro levantou uma sobrancelha, pegou a xícara de café que havia preparado para o moreno e lhe entregou. Izaya não questionou ou comentou qualquer coisa, apenas levou o líquido aos lábios sendo observado pelo loiro sentando ao seu lado.

Este esperou que Orihara terminasse de beber o café e depois contornou com o braço a cintura do mesmo. Aquela atitude poderia ser interpretada como carinho, mas não era bem assim. O loiro o segurou com o propósito de prendê-lo, o informante pensou nessa possibilidade e ficou em alerta.

— Shizu-chan está carente hoje? — Disparou com um riso curto.

Shizuo o olhou sério — Me conte...

— Do que está falando? — Seu sorriso habitual nos lábios — Nee, pode me soltar? Quero ir ao banheiro~

— I..za..ya.... — Bufou, seu tom estava ameaçador e impaciente agora.

O moreno fitou o outro e apenas suspirou — Não se preocupe, Shizu-chan. Eu só estava refletindo sobre algumas coisas... Talvez isso seja estranho para você né? Já que não tem esse habito de pensar...

Shizuo o olhou descrente e incomodado com aquela justificativa.

O informante não se importou com expressão lançada a si — Se era só isso me deixe ir, sim? — Disse tentando levantar-se.

O loiro ainda pensava na resposta que recebeu. Refletindo é? Ele parecia mais chocado, do que simplesmente pensando... A pulga estava escondendo alguma coisa.

— Izaya..- Começou, mas desistiu de continuar assim que viu os olhos cerrados do outro sobre si — Ah, deixa para lá — Disse aborrecido, soltando-o. Não conseguiria respostas do informante, isso estava obvio.

Orihara afastou-se sem olhar para trás. Em hipótese alguma contaria o que o fez ficar daquela forma...

~~ + ~~

Há menos de uma hora atrás, o informante levantou silencioso da cama que dividia com o loiro. Andou até o banheiro da suíte, seguindo sua rotina de todas as manhãs. Não gostaria de admitir em voz alta, mas era um homem deverás metódico.

Movido por essa característica citada e também por um sentimento de superioridade que nutria, fez algo que se arrependia amargamente agora. Depois de passar alguns dias verificando se havia algum fio descolorido em seus cabelos, acabou pegando este hábito e por estar convencido de que não encontraria nada também naquela manhã, fiscalizou.

Alguns instantes passou na frente do espelho e já satisfeito com mais uma "vitória" adquirida em relação ao seu avanço de idade sorriu vaidoso. Porém, em um breve estante quando levantou os fios longos que cobriam sua testa para lavar o rosto, pensou ter visto um brilho diferente entre eles.

Com está suspeita em mente, repetiu o movimento. Como se arrependia desse ato agora..

Seus olhos castanhos arregalaram-se e sua boca abriu involuntariamente. Ficou paralisado se perguntando se aquilo era mesmo o que parecia. Ali estava ou parecia estar, um fio prateado, em meio aos seus inteiramente negros. Era curto, discreto, praticamente imperceptível. Mas estava ali e Izaya podia vê-lo.

O informante andou incerto para fora do banheiro, olhou de relance para o loiro dormindo totalmente espaçoso na cama e rumou para sala.

Sentia um vazio no peito. Sentia como se algo estivesse errado e principalmente se sentia derrotado de alguma forma.

É certo que aquele sentimento provinha muito de sua própria vaidade, envelhecer era algo que remetia a pessoas comuns e não a ele. Ele estava acima disso, não estava?

Sem contar que não poderia aceitar que estava demonstrando traços de envelhecimento, pois seu desejo era de permanecer sendo o jovem informante de Shinjuku para sempre.

Aquele fio branco era uma prova palpável de que ele estava perdendo para o tempo..

Algo devia ser feito.. Mas o que? O moreno permaneceu remoendo aquele tópico até sentir garras sobre suas coxas e reparar que já havia passado algum tempo enquanto pensava. O loiro o interrogando em seguida, só o deixou mais estressado.

.

~~ + ~~

.

A manhã passou vagarosa para Izaya e incomoda para Shizuo. O loiro não conseguiu deixar de ficar preocupado com o informante, ficou o observando de longe por todas aquelas horas. Ele com certeza não estava agindo normalmente, estava evitando utilizar o celular e a internet! O que era totalmente inédito vindo dele.

Também estava estranhamente quieto. Passou o dia lendo silencioso e em alguns momentos dava atenção a Yue que parecia ter notado que o dono não estava nos seus melhores dias. O ex-barman até tentou tirá-lo daquela reclusão, mas o moreno recusou fortemente os convites do loiro para sair de casa. Parecia querer evitar qualquer meio de comunicação ou de interação externa.

Bem que a secretária do mesmo havia lhe alertado, lembrava claramente da mensagem que recebeu da morena há uns cinco dias atrás: 'Izaya está estranho. Tentei provocá-lo para ver se ele voltava ao normal, mas ele permaneceu quieto e na defensiva. Não sei ao certo o que aconteceu, mas pode ser algo envolvendo o aniversario dele. Não quero me meter, mas está interferindo no nosso trabalho.'

O loiro estranhou aquela mensagem, Namie frequentemente comentava alguma coisa ou outra sobre Izaya sem que ele soubesse, a mulher até que se importava com o chefe, mas quando falou com o moreno naquele mesmo dia ele parecia normal. Sem falar que aquela mensagem poderia ter sido escrita a mando do informante, para algum fim que Shizuo desconhecia, mas agora ela parecia estranhamente verídica...

Normalmente Izaya não se mostrava incomodado com seus aniversários em si, mas sim com avanço de sua idade. Em anos atrás, Shizuo não teve problemas em lhe entregar presentes e parabenizá-lo. Mas este ano, mesmo no aniversario do loiro, o moreno já parecia um pouco incomodado com a proximidade do seu próprio. Sem falar que já a alguns anos afirmava com sua típica cara de pau que tinha apenas vinte e cinco anos.

Suspirou, isso era tão estúpido. Mas havia se comprometido a fazer aquela pulga irritante feliz enquanto estivesse com ele não é? Dirigiu-se então até Orihara que estava sentando confortavelmente no sofá da sala, estava assistindo a um filme sangrento e que parecia se passar durante a Idade média.

Assim que sentou ao lado dele, nem teve tempo de falar algo, o mesmo rapidamente deitou a cabeça sobre seu colo — Pulga folgada... — Resmungou, recebendo apenas um risinho baixo como resposta.

Shizuo passou levemente a mão sobre as costas do outro e o viu relaxar o corpo instantaneamente. Estava carente é? Pensou, notando a reação rápida. Izaya não era tão sincero assim. O loiro então continuou, talvez mimando o informante ele poderia se tornar mais dócil e comunicativo.

Não era um plano de todo ruim, mas dificilmente daria certo com Izaya e o guarda-costas estava plenamente ciente disso. Tanto que quando o chamou alguns minutos depois, não se surpreendeu por só obter silêncio.

Shizuo então o olhou, não sabia dizer se o moreno estava mesmo dormindo ou só fingindo que dormia. Era uma boa tática para fugir de uma conversa, tinha que admitir. Mais um suspiro foi produzido por seus pulmões naquele fatídico quatro de maio, mas resolveu, por fim, não forçar o outro a acordar ou deixar de atuar. Teria paciência com o informante, eram raros os momentos que ele se fazia sensível assim.

.

~~ + ~~

.

Mais ou menos quarenta minutos depois, o moreno abriu levemente os olhos sentindo sua cabeça sendo acariciada por Shizuo. O loiro nem reparou que o mesmo tinha despertado, só parou o movimento quando o outro sentou-se no sofá.

— Que horas são? — Perguntou rouco, seu cabelo todo arrepiado para a direção que o loiro estava passando a mão e os olhos um tanto espremidos ainda.

Shizuo soltou um riso curto vendo ele assim — Hum... Dez para ás cinco — Respondeu vendo a hora no celular.

Orihara levou uma mão ao cabelo tentando arrumar os fios e outra a boca tapando um bocejo preguiçoso — Esse dia não acaba...- Murmurou baixo.

O loiro o olhou por alguns instantes e depois levantou do sofá sem dizer nada. Izaya olhou para o televisor notando que estava desligado e depois levantou-se decidido em se distrair com alguma outra coisa, foi barrado porém pela mão do ex-barman estendendo seu celular a ele.

— Tocou o dia todo — Disse firme.

— Shizu-chan...Eu — O moreno começou, mas foi interrompido.

— Pegue antes que eu quebre, Izaya-kun — Disse entre dentes.

O informante suspirou pegando o aparelho, para Shizu-chan estar o obrigando a usar o celular.. Devia estar muito óbvio que havia algo errado com ele. Verificou o visor, dez chamadas perdidas e onze mensagens recebidas.

O moreno levantou uma sobrancelha, havia deixado claro aos seus clientes que estava de folga a partir do dia dois… Hesitou por alguns instantes, mas enfim verificou a caixa de entrada: 7 ligações de Mairu, 2 de Shinra e uma de um cliente folgado qualquer.

Orihara então sentou no sofá novamente, nem reparou que Shizuo havia se afastado e o observava de longe agora. Todas aquelas ligações eram de hoje, com certeza queriam entrar em contato com ele para parabenizá-lo. O informante se sentia estranho novamente, não estava acostumado com aquele tipo de atenção.

Lembrou-se então das mensagens, foi até a caixa de entrada das mesmas e as visualizou das mais antigas as mais recentes:

.

'Izaniii!! Atende o telefone! '

De: Mairu

04/05/ XX 10:20

x

'Izaniii não me ignore! '

De: Mairu

04/05/ XX 10:27

x

'I-za-nííííí! '

De: Mairu

04/05/ XX 10:31

x

'Izanii! Você é mesmo um antissocial, teimoso e nada sincero! '

De: Mairu

04/05/ XX 10:40

x

'Izanii eu só queria desejar feliz aniversario, mas como sempre você se fecha! Eu e Kurunee já estamos acostumadas, mas bem que você podia ser menos assim nee! Espero mesmo que Shizunii possa te ensinar boas maneiras e que possamos falar com você apropriadamente em datas como essa em anos futuros! '

De: Mairu

04/05/ XX 11:00

x

'Ah! Decidimos te beijar toda vez que tivermos vontade também! Talvez assim você se abra mais para nos. Será que Shizunii ficará com ciúmes? Podemos beijá-lo também né!?

De: Mairu

04/05/ XX 11:01

x

'Mal posso esperar para nos vermos novamente, Izanii!!'

De: Mairu

04/05/ XX 11:03

x

'Feliz aniversário, nii-san.'

De: Kururi

04/05/XX 12:10

x

'Feliz aniversario de trinta anos, Izaya. Espero que esses trinta anos vividos façam você se tornar uma pessoa melhor.

Bom, de qualquer forma, parabéns por seus TRINTA ANOS. '

De: Namie

04/05/XX 15:03

x

'Sabia que não ia atender o telefone hoje, típico.

Eu não poderia deixar de parabenizar você, mesmo sabendo que não te agrada ser lembrado que está ficando mais velho.

Feliz aniversario, Orihara-kun!

Venha a minha casa para comemorarmos. '

De: Shinra

04/05/XX 16:33

x

'Ah, já faz duas semanas e eu já dei parabéns antes, mas novamente, parabéns por um ano de casado com Shizuo-kun! Vocês dois são mesmo inacreditáveis. '

De: Shinra

04/05/XX 16:35

.

O informante leu as mensagens com atenção. Apertou os lábios levemente sufocando um pequeno e teimoso sorriso que queria se formar. Aquilo era muito estranho para si, muito..!

Leu novamente cada uma delas, cada uma era tão particular e específica para ele. Pensou nas formas que poderia respondê-las, eram tantas.. Todavia, quando pensou em uma travessura ótima para fazer com suas irmãs, foi interrompido com a chegada de um e-mail.

Por um minuto pensou em ignorá-lo, mas algo lhe dizia para vê-lo. Ainda utilizando o smart phone, clicou no ícone para abrí-lo. Franziu as sobrancelhas quando leu o remetente: Orihara Kyouko. Mais conhecida como mãe. Até sua mãe havia se lembrado dele naquele dia! Seus pais e todo o egocentrismo deles haviam se lembrado que tinham um filho...

O moreno leu o pequeno texto com um olhar crítico, boa parte das palavras foram usadas para descrever os últimos acontecimentos da viagem que estavam fazendo. Sua mãe também comentou em como estava contente e admirada por seu primogênito estar fazendo trinta anos.

Izaya leu o texto todo sem demonstrar grandes emoções, apenas dois momentos lhe fizeram ter alguma reação mais enérgica. O primeiro aconteceu quando leu a seguinte frase:

"..Não vejo a hora de estar com você, Mai-chan e Ruri-chan novamente."

O informante involuntariamente acabou se lembrando de que isso não acontecia há muitos anos e sentiu curiosidade em presenciar tal situação. E a outra aconteceu quando leu o fim daquele pequeno texto.

"Desejo prosperidade e vida-longa a você, príncipe Subarashii.

Ainda se lembra disso?

Beijos, sua mãe"

O moreno entortou os lábios. Lembrava-se de algo sim, mas estava muito vago. Subarashii? Príncipe? Era familiar, mas ainda vago.. Orihara ficou olhando para o teto por alguns segundos, mas concluiu que aquele esforço era inútil. Levantou-se e foi direto ao seu notebook, era mais prático.

Pesquisou príncipe e Subarashii, não encontrou nada familiar de imediato. Bateu de leve a ponta dos dedos na mesa, verificando atento os links que gerou sua pesquisa. Izaya era teimoso, não descansaria até verificar o que príncipe e subarashi tinham haver com ele. Seus olhos brilharam finalmente quando leu uma citação sobre um livro infantil chamado Wonderful Days.

Suas memórias refrescaram totalmente quando leu aquele título, era seu livro preferido de infância. Pesquisou o nome na internet e teve sua confirmação. Era o livro que mais insistia para sua mãe ler para si quando ela o punha para dormir.

Lembrava-se claramente agora, a história era sobre um príncipe que passava seus dias rondando pelo seu reino resolvendo os problemas de seus súditos, ele tinha um cavalo e um binóculo que utilizava para observava todo o perímetro do seu feudo.

Hibiya, o príncipe Subarashii, também buscava uma pedra que prometia lhe dar a vida eterna. Ele a buscava para permanecer sempre ajudando o seu povo..

Izaya não pode evitar de pensar que talvez sua aversão em envelhecer tivesse nascido dali. "Que coisa mais patética!.." pensou indignado. Não aceitaria simplesmente que tudo aquilo tinha origem em uma coisa que aconteceu quando ele era criança. Não admitiria algo assim, nem para si mesmo. O informante então fechou as abas de sua pesquisa e bufou aborrecido. Será que aquela mulher enviou esse e-mail de propósito para lembrá-lo disso?

— Ei, Rei Izaya — Ouviu a voz de Shizuo ao seu lado e virou-se ainda um tanto alterado. "Porque Shizu-chan foi usar esse apelido idiota logo agora?" Questionou mentalmente.

Como o informante estava parecendo mais animado que antes, o loiro arriscou — Pega — Disse mostrando um delicado embrulho vermelho.

O moreno suspirou — Eu disse que não queria presentes..

— Não disse nada e eu estou apenas dando um presente sem data especial, pulga. Anda, pega — Insistiu.

Orihara pegou o presente e o desembrulhou sem muita vontade. No entanto, quando viu seu conteúdo ficou contente em tê-lo recebido. Era um roupão que se assemelhava muito ao seu querido casaco felpudo, era negro como ele e também tinha pelos ao redor das mangas longas e do capuz. Izaya já havia gostado do presente apenas por aqueles detalhes, mas se apaixonou quando viu o que tinha sobre onde ficaria seu peito: estava bordado em letras douradas seu nome e acima dele uma coroa -...Obrigado — Disse baixo ainda olhando para o roupão.

Shizuo sorriu no canto dos lábios, viu que o moreno foi sincero naquela curta fala. Em resposta ao seu agradecimento, apenas bagunçou o cabelo do outro com carinho e se afastou sem dizer nada.

O moreno assistiu o loiro se afastando. Primeiro as mensagens, depois o e-mail da sua mãe e agora esse presente. Muitas coisas em poucos minutos. Muitas coisas lhe mostrando um outro lado que estava se recusando a ver em relação aquele "evento único" que estava passando.

Suspirou — É, talvez não seja tão ruim assim.. — Admitiu baixo a si mesmo. Ficou alguns minutos pensando em como suas prioridades mudaram e como seus desejos também eram outros atualmente.

.

~~ + ~~

.

.- Como é insignificante~

A voz do moreno ecoou divertida pelo quarto, seus olhos castanhos avermelhado fixos no próprio reflexo no espelho.

— O que devo fazer com você…? — Indagou, beirando ao teatral — Cortá-lo? Arrancá-lo?.. Tingi-lo..? ..Pulverizá-lo!~ — Seu tom tornou-se cada vez mais animado a cada alternativa falada e um riso curto se fez presente ao fim das mesmas.

Depois do segundo momento de reflexão naquele conturbado quatro de maio, Izaya voltou gradativamente ao seu "jeito habitual" e a noite seguiu "normalmente" no lar do casal mais perigoso de Ikebukuro.

— Em pensar que algo tão pequeno podê me abalar~ — O moreno apertou o cabo do canivete que jazia em sua mão direta e sua voz tornou-se mais grossa — Mas você vai ter o que merece.

Havia aceitado que fazer trinta anos não era algo de todo ruim. O processo foi demorado, retardado principalmente por seu exorbitante orgulho, e até precisou de ajuda externa, mas, de qualquer forma, conseguiu chegar a aceitação.

No entanto, aquele fio era outra história. A aparição dele foi como uma provocação, uma chacota do destino, ou seja lá de quem for, que Izaya não aceitaria.

Sua mão esquerda esticou o pequeno fio prateado, separando o dos demais e assim o preparando para sua sentença. Podia arrancá-lo facilmente apenas o puxando, mas cortá-lo com o canivete seria muito mais significativo.

Deslizou a lâmina levemente pelo curtíssimo cabelo descolorido, divertindo-se com o poder que tinha nas mãos. Sabia que se forçasse um pouquinho mais poderia parti-lo com este simples movimento. Controlou sua intensidade para alisá-lo algumas vezes e finalmente quando distanciou a lâmina decidido a rompê-lo de uma vez, não o fez no último segundo.

Largou o fio, decidido a deixá-lo como estava.

— Fique, para provar o quanto sua existência me é irrelevante.

Concluiu. Sabia que era inútil removê-lo, por que novos nasceriam. Logo o melhor a se fazer era tratar daquele assunto como devia ter feito desde o início, como algo simplesmente desimportante.

.

~~ + ~~

.

Seu olhos estavam pesados, o corpo relaxado, encaixado perfeitamente sobre a macieis do colchão, estava pronto para se entregar a inconsciência do sono a qualquer momento.

— Shizu-chan, está ouvindo?

Apenas aquela voz o mantinha desperto.

— Perguntei se acha que mudamos muito.

O informante esperou. Era nítido que o loiro estava praticamente dormindo, mas estava sem sono e com vontade de falar. Sem mencionar, que quando o guarda-costas estava assim ele dava as melhores respostas.

— Han? — Soltou, com um filete de voz. A reação de Shizuo foi tardia, porém enérgica. Pareceu mesmo surpreso pela pergunta repentina. Até abriu um dos olhos, enxergando o informante, sentado ao seu lado na cama, o fitando com um olhar interessado.

— Porque, você sabe, nos conhecemos quando tínhamos quinze… e agora temos o dobro dessa idade — Justificou, levemente entusiasmado — Ou não me diga que seu cérebro com poucos neurônios nunca parou para refletir sobre isso? — Seu sorriso travesso se fez presente em seus lábios e um risinho curto escapou por eles.

"Agora esta falando normalmente sobre este assunto?! Superou? E esse tom animadinho não pode ser bom.." Shizuo pensou, analisando o informante.

— Onde... quer chegar, pulga? — Questionou, sem muita paciência. Fechando os olhos novamente.

— Sabe o que é Shizu.. — O informante sorriu mais largo — Eu estava pensando.. Muitos conceitos meus mudaram desde o colegial. Não só conceitos, como prioridades, desejos, métodos.. Tantas coisas que mau consigo lembrar.. — O loiro espiou o moreno, vendo o abrindo os braços e falando com seu tom teatral — Foi então que cheguei a cogitar, me tornei outra pessoa ou uma versão melhorada de mim mesmo? Como qualquer outro questionamento, este depende muito do ponto de vista..por isso tentei não me atentar demais a essa duvida...Mas..

O informante parou um pouco seu monólogo, mas logo voltou a falar — Bem, de qualquer forma, gosto de quem eu era e de quem sou hoje. Mas não consigo deixar de pensar em quão interessante seria encontrar com o Izaya de quinze anos atrás..- Os olhos do moreno brilharam em expectativa e desejo por causa de sua ultima fala. Seu tom estava cada vez mais animado — Acha que nos daríamos bem? Será que somos tão diferentes assim? Nee~ o que acha Shizu-chan?

O loiro não sabia dizer qual o interesse do informante em saber sua opinião sobre aquilo e estava com sono demais para tentar descobrir. Então, foi simplesmente curto e direto.

— Te odiava naquela época e continuo te odiando agora.. Então acho que não mudou muita coisa.

O moreno arqueou as sobrancelhas surpreso. Esperou por muitas respostas, mas não chegou a cogitar aquela — O quê? Shizu-chan...- Seu sorriso se abriu ainda mais — Você ainda me odeia?

— Mas é claro que sim — Respondeu sem qualquer hesitação.

Izaya gargalhou alto, realmente admirado com seu monstro imprevisível — Não sabia que era tão rancoroso assim..! — Disse ainda rindo — Sem falar, que é assim que me trata no meu aniversário..? Você me odeia mesmo en~.. — Provocou indiferente.

"Aniversário é? " O loiro não deixou de reparar.

— Shizu-chan diz isso mas.. — O moreno se aproximou do corpo deitado ao seu lado, deslizou a mão pela bochecha do outro levemente e sua voz abaixou alguns tons — ..Sei que não é verdade..

O loiro permaneceu de olhos fechados, desejando adormecer sentindo a macieis daquela pele roçando na sua. No entanto, sabia que o moreno não o deixaria dormir até que estivesse devidamente satisfeito.

— Continuo odiando sua voz, seus risos, seu jeito irritante de falar.. — O guarda-costas começou, de repente. Orihara apenas ficou atento as palavras — A diferença é que odeio o fato de não conseguir viver mais sem eles...O que me lembra que odeio a falta que você me faz, este vazio estranho que não consigo preencher com qualquer outra coisa.. e parando para pensar hoje, eu o sentia antes também..

Shizuo respirou fundo por alguns instantes em pausa e depois levou a mão a do moreno — Odeio o fato de seu corpo se encaixar tão perfeitamente no meu, seja num beijo, abraço ou quando estamos transando.. É tão bom, tão perfeito, que me deixa praticamente viciado em você e eu não consigo deixar de odiar essa sensação.. — O loiro então abriu os olhos, encontrando os de Orihara que o fitava com uma expressão neutra — Continuo odiando tantas coisas que odiava antes, que para mim é como se nada tivesse realmente mudado..

"Viu? As melhores respostas.." Izaya pensou satisfeito, ainda fitando os olhos castanhos amarelado. Pensou em falar algo, mas foi interrompido por um suspiro e uma nova frase do loiro.

— Acho que vou te odiar para sempre.. — Falou calmante, fechando novamente os olhos. Parecia estranhamente satisfeito com o que aquela frase representava.

O informante mirava o rosto do loiro com olhos calorosos. Sentia um misto de excitação e nostalgia no peito. Entendia e sentia exatamente os mesmos sentimentos que o guarda-costas havia acabado de declarar. Sentia ódio por amar tanto o que Shizuo produzia em si, pois se sentia preso, limitado, necessitado.. Mas ao mesmo tempo, totalmente saciado, completo e principalmente feliz.

"Amor e Ódio sempre de mãos dadas né.. " Pensou o moreno, conformado. Foi assim desde o inicio e assim permaneceria, provavelmente.

.

.

.

.

.

.





— Também vou te amar pra sempre, Shizu-chan.

A frase soou leve, porém firme. Cortando o silêncio que havia se instalado no quarto.

Os olhos castanhos mel se abriram instantaneamente, espantados. Foi a primeira vez que ele ouviu aquilo e por um segundo achou que o informante estivesse apenas sendo irônico. Mas ao encontrar os olhos dele, percebeu que ele estava falando sério.

Izaya normalmente não gostava de falar esse tipo de coisa, porém daquela vez alegrou-se por ter dito. Deslizou novamente a mão sobre a face do loiro, admirando a surpresa que estampou no rosto dele.

— Te surpreendi, Shizu-chan? — Sussurrou com um sorriso convencido, sentindo os braços do loiro o agarrando com força e carinho em um abraço apertado.

— Cala boca, pulga..- Foi a única coisa que disse, com um tom visivelmente constrangido.

.

.

.

Notas finais
~FIM Espero mesmo que tenham gostado! Amei demais escrever essa narrativa (incluindo a principal e os extras)! Ela me fez refletir muito sobre meu casal preferido e também sobre meu ideal de relacionamento. Foi muito, muito construtivo. Ela tratou basicamente de como vejo a relação deles depois de quatro/cinco anos de relacionamento sério, sendo que ainda espero muito mais dos dois ♥ Por que eu realmente acho que eles nasceram um para o outro *-* Mas enfim! No mais, é isso, agradeço de coração todos que acompanharam até aqui e nos vemos por ai! (;
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!