Notas iniciais
Sim, fiquei uma semana sem postar. Estou em semana de provas, me desculpem ♥ Mas vamos lá, espero que gostem.

Há horas eu estava sentada em meu quarto apenas encarando meu anel da ‘’ sorte ‘’ qual eu nunca tirara do dedo mais realmente nunca havia funcionado, na verdade, era apenas um valor sentimental de minha família, o anel de noivado de minha bisavó, tão delicado e detalhado mas ao mesmo tempo forte e duradouro como a única relação ‘’ para vida toda ‘’ de minha família. As outras gerações não tiveram essa sorte.

— Jessica?! Precisamos conversar. – Minha mãe Catarina Benetti, linda, alta e completamente parecida comigo – o contrário na verdade — estava parada em minha porta com um semblante perdido e uma carta na mão.

— O que foi?

— Tome – Ela avançou para dentro do quarto se sentando ao meu lado enquanto entregava o pequeno pedaço de papel em minhas mãos.

Abri com cuidado imaginando pela reação de minha mãe que talvez fosse notícias de meu pai ou algo parecido, mas não. Era uma carta de aceitação em uma empresa conceituada de publicidade. Não pude controlar que um sorriso de orgulho saísse de meus lábios enquanto ela ainda me parecia abatida para quem havia conseguido o emprego dos sonhos.

— Porque você não esta feliz? Foi por isso que você lutou, não foi? – Desde que meu pai havia nos deixado Cat havia se virado nos trinta para nos sustentar, fazendo bicos e trabalhando em coisas que não a faziam realizada.

— Termine de ler, por favor! – Fiz o que ela pediu seguindo meus olhos pela carta de contratação até que finalmente enxerguei o problema da situação, Strickman-Ripps Inc não ficava em Liverpool ou em Londres, na verdade não ficava no Reino Unido ou mesmo na Europa, mas sim, em Nova York.

— Nova York? – Repeti.

— Sim, mas tá tudo bem meu amor. Eu não vou aceitar.

— Porque não? – De repente me vi totalmente egoísta, eu não poderia tirar essa chance, talvez a única que ela tivesse de realmente ser o que sempre quis.

— É do outro lado do oceano Jess! E eu sei bem que você não vai largar seu colégio e eu nem poderia te pedir isso, você já perdeu tanta coisa...

— Mãe, olhe para mim, eu vou fazer dezessete anos mês que vem isso significa que eu posso me virar bem esse ano e quando eu terminar aqui posso muito bem fazer uma boa faculdade do outro lado do oceano.

— Você está me sugerindo que te deixe sozinha aqui? Que tipo de mãe desnaturada eu seria?

— Aceite que essa é a melhor das ideias, você pode vir me visitar sempre que conseguir e vice versa, são poucos meses e eu não quero que você perca essa chance.

— Será? Se seu pai descobrir ele pode muito bem lutar pela sua guarda.

— Ele foi embora a dois anos mãe, acha mesmo que ele se importa comigo? – Falar essas palavras mesmo que fossem a mais pura verdade faziam meu coração ainda estremecer.

— Você iria ficar bem? E ia me atender todos os dias? Ia se comportar e não entrar em encrencas?

— Claro que sim mãe, e alias, te amo! – Ela sorriu imensamente e deixou que as lagrimas corressem por seu rosto me apertando em um abraço.

— Você é a melhor filha do mundo todo.

*********

Acomodei minha mochila sobre meus pés ao me sentar no lado da janela do ônibus xingando mentalmente Senhor Mendel por ter inventado aquela maldita caminhada ecológica qual a dupla seria a mesma da aula de Biologia, ou seja, Thomas:

— Olá Parceira – O mesmo disse se sentando ao meu lado sem ser ao menos convidado. O simples fato de passar um dia todo apenas com ele, sem Francie que não estava em minha turma e sem Alan que havia pegado uma ‘’ pneumonia ‘’ me fazia estremecer da cabeça aos pés.

As duas horas de percurso da cidade até o parque foram preenchidas pelas músicas que tocavam em meu fone de ouvido enquanto eu tentava ignorar Tom ao máximo que conseguira. Quando finalmente chegamos todos desceram rapidamente imensamente entediados. Eu sai logo atrás de Thomas ficando ao seu lado para ouvir os avisos de Mendel.

— Crianças, a nossa missão aqui é tirar fotos de plantas raras. Fotos! Cada dupla ganhara um mapa e nos encontramos aqui novamente as seis da tarde. Lembrem-se que dormiremos aqui e partiremos amanhã de manhã.

Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo enquanto Thomas recebia instruções de um dos guias. Mendel passou pelos alunos pegando suas mochilas para levar aos quartos disponíveis.

— Vamos andando Jess?! – Tom chamou minha atenção para si e agarrou minha mão começando a me puxar para o início da trilha, eu não o soltei contudo, eu e natureza não era uma combinação muito certa.

A floresta era bastante densa e provavelmente havíamos sido uma das últimas duplas a sair já que não havia mais ninguém em nosso campo de visão. Olhei com minha mão livre o catalogo de flores que Mendel havia nos entregado:

— O que procuramos?

— Amorphophallus titanum. – Respondi analisando o desenho de uma flor gigante.

O dia foi se arrastando lentamente ao andarmos pela floresta, encontrando pessoas em uma vez e outra, enquanto conversávamos sobre assuntos diversos:

— Eu acho que deveríamos voltar. – Thomas tinha o braço sobre meus ombros enquanto parecia relativamente cansado – O tempo fechou.

— Só falta apenas uma Tom.

— Você que sabe, fique ciente que já saímos da trilha faz tempo. – Concordei com a cabeça e continuei a caminhar por entre as árvores. Minutos depois o primeiro trovão pode ser ouvido e as primeiras gotas de chuvas começaram a se esquivar entre os galhos e caírem sobre nossas cabeças, rápidas vieram as outras ao ponto de nos molharmos. Olhei para as mãos de Thomas vazias, um mapa deveria estar ali.

— Onde está o mapa? – Ele seguiu meu olhar até suas mãos para perceber que o havia perdido.

— Droga! – Ele exclamou – Vamos fazer o percurso de volta.

— Você sabe que estamos andando em círculos, não sabe? – Retruquei minutos depois ao que continuávamos a passar pelo mesmo caminho sem chegar perto da trilha que nos levaria de volta. Estávamos completamente encharcados, minhas roupas haviam constrangidamente grudado em meu corpo e meus lábios começavam a se roxear.

— E o que sugere?

Tomei a frente entrando dessa vez por um caminho diferente, de qualquer forma já estávamos perdidos mesmo. Contudo saímos da floresta densa, mas não de volta ao acampamento e sim de frente a uma cabana abandonada.

— O mais sensato é ficarmos por aqui, já está anoitecendo e não conseguiremos achar o caminho de volta de qualquer modo.

Aquela era uma boa ideia de sobrevivência para ele, mas não para mim, meu sexto sentido apitava ao fato de passar a noite no mesmo lugar que ele.

Thomas P.O.V

Jessica se sentou em um canto do sofá empoeirado que se pendia no canto da sala se encolhendo devido ao frio. Encarou atentamente os detalhes da casa como sempre fazia olhando de uma vez a outra para mim, em sua essência, a restrição era mais que transparente. Me arrastei até lá parando ao seu lado enquanto o barulho das gotas de chuva que caiam do lado de fora eram a única coisa que preenchiam o lugar:

— Jess?! – A garota se virou de frente para mim com o intuito de escutar o que eu tinha a dizer – Porque tanto medo?

— Medo?

— Sim – Levei minha mão até seu rosto sentindo sua pele macia e fria sobre a minha – Porque tanto medo de mim?

— Eu não tenho medo de você! – Retrucou.

— Não... Tem medo do que iremos sentir, sentir Jess... como sentíamos no passado — Ela branqueou rapidamente ao que ouviu aquela sequência de palavras, abriu a boca uma ou duas vezes mais de lá nada saiu, ficou ali, estática, me olhando como se eu fosse um fantasma de um passado distante, talvez eu fosse. – Jessica? – Tentei mais uma vez ao que ela ainda continuava ali sem dizer nada.

— Você se lembra? Se lembra de mim?

Rapidamente entendi o porquê daquela reação, ela realmente acreditara que eu não fazia ideia de quem ela fosse...

— O que você acha Jessica? Achou mesmo que eu iria me esquecer de você? Que fosse te ver e não iria mesmo fazer ideia de quem fosse? Serio garota, o que você tem na cabeça?

— Você nem tocou no assunto Thomas, saiu por ai de mãos dadas com a minha melhor amiga de um dia para o outro como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— Eu.. Eu não fazia ideia de que Fran fosse sua amiga, não fazia ideia que te encontraria novamente, as coisas poderiam ter sido diferentes.

— Diferentes? – Ela soltou uma risada sarcástica e sua expressão se carregou – Você foi embora Thomas, me deixou naquela noite como se eu fosse uma vagabunda qualquer.

— O que?! – Claro que eu não havia raciocinado sobre o equívoco da situação, o porquê de Jess nunca ter comentado sobre mim com Francie aparentemente – Eu não te deixei Jessica!

— Ah não?! O que foi aquilo então? Me lembro perfeitamente de te esperar por semanas e você sequer dar uma notícia, simplesmente desapareceu.

Eu não havia tido tempo de me explicar, realmente fiquei fora por semanas e quando finalmente voltei Jess já havia partido.

— Eu tive que ajudar meu irmão, ele se meteu em encrencas na época, quando eu voltei você já havia retornado.

— Conta outra Thomas, eu não nasci ontem.

— Que porra Jessica, acha mesmo que eu sairia assim se não tivesse um motivo? Eu te amava e acredite ou não, quanto mais tempo passo com você só consigo perceber que ainda amo.

Notas finais
Comentem meus lindinhos...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.