O motivo

1 Capítulo 1


O papel era o mais puro branco que ele tinha, sua caneta tinha a exata cor de seu sangue e naquele momento, ele tinha um coração gritante em seu peito pedindo para colocar tudo aquilo para fora.

Então, tentava transcrever com suas palavras o que sentia... Mesmo que não pudesse fazer sentindo para ninguém, ou que ninguém fosse ler aquilo, mas ele precisa colocar ali, aqueles sentimentos conflitantes de seu peito.

“Já que a Aranea e o Kankri tem a permissão de descrever as grandes historias, acho que não faço nada além do que minha obrigação de contar o meu lado dos fatos, o meu lado de como tudo aquilo aconteceu.

Todos pensam que foi por amor que eu arranquei minha própria língua e costurei meus lábios, mas não foi... Foi unicamente por mim.

Como a Serket mesmo disse, eu falava bastante, até mais do que deveria falar. Às vezes eu dizia coisas que magoavam e machucavam minha pequena Kittybitch, coisas egoístas... Até mesmo para Mituna já disse muitas coisas, às vezes agradeço por ele não lembrar.

Éramos realmente amigos e não gostava muito da socialização dele com o Cronus, era algo preocupante pra mim, eu sempre tive medo de que ele achasse o Ampora melhor que e me deixasse de lado... Mas Mituna sempre dizia que eu era o favorito, que não era para eu me preocupar com isso, que ele nunca me deixaria.

Mas com ela era pior... Meulin não carregava só meus ciúmes, ela tinha que conviver com minhas paranoias, meus demônios constantemente. Sempre me senti um verdadeiro peso para ela. Graças a minha religião e meu jeito de ser, ela nunca pode ver como eu realmente sou fisicamente, mas mesmo assim, apesar de tudo isso ela dizia que me amava.

Ela era realmente uma gatinha doce, carinhosa, que sabia dar amor, mas eu não sabia como aproveitar isso... Eu sempre estragava tudo, como com o Captor, eu sempre achei que ela me deixaria. Eu sempre fui inconstante, mesmo que só ela e ele soubessem disso...

Pergunto-me, como era ser tão presunçoso e soberbo e ao mesmo tempo tão frágil e quebrado e como ela aguentava tudo isso? Como aquela doce alma conseguia aguentar tudo aquilo que eu jogava e exigia dela.

Mas ao mesmo tempo, quando estávamos juntos, era completamente magico. Eu esquecia por alguns segundos do monstro que eu era só para estar com minha amada. Eram momentos únicos. Era realmente como se fossemos feitos um pro outro, um verdadeiro casal, com doçuras e alegrias acima de tudo.

Vocês querem saber qual foi o tão horroroso pesadelo do Príncipe que me fizera honkar tão alto? Eu conto.

Eu sonhava que ela estava nos braços de outro, sorrindo, alegre de uma forma que eu nunca a vi sorrir para mim, eu não conseguia ver quem era só sabia que era um pouco mais alto que ela, o manto cobria-lhe todo o corpo da cabeça aos pés, ali nem podia distinguir se era humano ou troll... E naquele momento, eu desejei dar o honko mais alto e mais forte que podia para afastá-lo de minha doce dama.

Eu desejei como todas as minhas forças aquilo e consegui... Quando eu abri os olhos, eu sentia as unhas dela gravadas em meus peitos, seus olhos lagrimejavam, seus ouvidos sangravam e ainda sim, ela estava preocupada comigo.

Eu tentei chama-la pelo nome e foi o momento mais desesperador que pude viver, ela não me ouvia... Eu havia deixando-a completamente surda.

Pelo meu egoísmo, eu havia a ensurdecido, porque eu quis destruir a felicidade dela com outra pessoa. Foi por puro egoísmo.

E depois que eu a deixei com a Porrim, para ver se a Maryam poderia fazer algo, me retirei. Olhei-me no espelho e decidi por mim mesmo que eu deveria ser punido e já que era com as palavras que eu feria, eram estas que haviam de ser tiradas de mim.

Prometi a mim mesmo que não ia deixar ser levado pelos meus sentimentos, mas depois de um tempo, ela me fazia uma grande falta. Eu entendo o que o Zahhak diz quando fala que as pessoas podem provocar vazios maiores que o próprio nada, era isso que eu sentia sem ela.

Então, por mais um ato egoísta a usei para eliminar todos os hereges, a tê-la como minha mais uma vez... E poder dizer que a amava, mesmo sendo um monstro.

As vezes eu penso em me desculpar, mas ao mesmo tempo eu não sinto que estou verdadeiramente arrependido para pedir desculpas, mesmo que todas as noites eu chore, mesmo que por todas eu noites eu abra a boca o máximo que eu posso para feri-la com os pontos e costuro tudo de novo... Eu não sinto que tenho a real capacidade e permissão de pedir desculpa...”

Ele deixou a caneta de lado e olhou o papel escrito sobre a mesa... Deixando ali, a única prova de que ele realmente tinha sentimentos, mesmo que fossem os mais egoístas possíveis.

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