Notas iniciais
Desculpem pela demora, mas não consegui escrever direito nesse tempo por estar ocupada por algumas coisas. Mas não vou mais demorar tanto assim pra postar um capítulo.

Logo atrás da mulher havia um helicóptero barulhento estacionado na grama. Enquanto estava parada incrédula sem conseguir me mover pelo espanto, Hector agarrou minha mão e andou em direção ao helicóptero. Assim que sentamos, a mulher entrou logo em seguida. As portas foram fechadas e imediatamente o helicóptero começou a voar.

Senti um frio na barriga, mas comecei a me acostumar. Aquilo parecia um sonho, algo irreal. Senti-me realmente como se estivesse voando, e ainda mais, voando para longe daquele lugar. E ainda melhor, estava com a pessoa que mais me importava naquele momento.

Logo parei de encarar a janela e comecei a observar aquela figura misteriosa. Aquela mulher era incrivelmente linda. Tinhas longos cabelos loiros e um rosto angelical que contrastava com seu orgulhoso sorriso que parecia nunca desaparecer de seu rosto. Trajava um vestido curto cor de rosa um pouco infantil e cheio de rendas.

E bem... Seus olhos, a descrição seria exatamente como os de Hector. Um azul gélido com um olhar vidrado. A mulher me encarou de volta e sorriu, depois olhou para Hector que estava sentando em meu lado:

– Oh céus, como você cresceu! E também virou um psicopata. É, faz bastante tempo que não nos vemos, não é mesmo? – ela riu como se aquilo fosse natural.

Hector simplesmente a ignorou, como se não houvesse ninguém em sua frente.

– Credo, ainda tem ressentimentos? Já é centésima vez que eu digo que o que eu fiz foi para o seu próprio bem.

Novamente, Hector não a respondeu e apenas continuo olhando para a janela. Aquele lugar ficou constrangedor e tive que dizer algo.

– Desculpe, mas estou meio confusa. Quem é você?

– Oh, que falta de educação a minha! Meu nome é Claire, é um prazer conhece-la.

– O prazer é todo meu. Meu nome é – fui cortada no meio de minha frase.

– Karine. Eu sei quem você é. – ela sorriu. Aquilo me assustou um pouco, mas resolvi apenas deixar para lá.

– Eu não sei se foi uma boa ideia ter vindo de helicóptero nos tirar de lá...

– Ué, por que não?

– Não sei, mas um helicóptero... Isso não é barulhento demais?

– Quando você suborna os seguranças tudo fica bem silencioso. — ela sorriu.

Naquele momento já havia até desistido de ter uma conversa normal com Claire.

– Não quero ser inconveniente, mas qual sua relação com Hector?

– Hector é meu irmão mais novo.

– Sério? Mas Hector me disse que ele não tinha família.

– Que maldade. – ela riu. – Bem, Hector é um pouco idiota demais pra entender o que eu fiz e por isso parou de acreditar que eu seja de sua família. Mas chega a ser engraçado, porque quando ele precisa vem me pedir ajuda.

– Bem... Mas como você consegue ter acesso a tudo isso realmente?

– Ah... Muita coisa aconteceu, sabe. Desde que Hector fez o favor de eliminar aqueles monstros.

Monstros? Naquele ponto estava até com medo de perguntar quem eram. Encarei Hector pra ver sua reação, mas ele simplesmente encarava a janela sem ao menos se preocupar em falar algo.

– Claire... Pra onde estamos indo?

– Bom ter perguntado, Karine. Estamos indo para o centro de corrupção desse mundo! Onde assassinos, traficantes, loucos, todos vivem uma vida livre de regras. Um lugar onde apenas os fortes sobrevivem.

– E por que estamos indo pra um lugar desse jeito? — Senti um arrepio atravessar meu corpo.

– Porque agora vocês são como todos que vivem naquele lugar. Fugitivos. Acha mesmo que vão apenas perdoar vocês se os encontrarem? Eles vão matar vocês dois e depois vão falar que reagiram ou algo assim. Eu vivi minha vida toda no meio desse crime, não é algo incomum de se acontecer.

– Eu... – Nem sabia o que falar. Parecia que finalmente havia entendido no que tinha me metido. E como me achava idiota por não ter notado antes que aquilo estava sem tornando algo que eu não saberia controlar.

Claire pareceu não se importar com o meu espanto, apenas continuava a me olhar como se eu fosse um pequeno ratinho que a divertia. Hector continuava a encarar a janela, mas apertou minha mão ao perceber que estava assustada. Aquilo foi um pouco reconfortante.

– Desculpe, eu acabei te assustando. – ela sorriu, apoiando seus cotovelos em suas pernas e me encarando mais de perto. – Mas nem deveria se preocupar tanto assim, não é como se eu fosse realmente permitir que meu irmãozinho ficasse desprotegido. Aliás, naquele lugar é como se eu fosse uma rainha.

– Como assim?

– Bem, eu faço parte de uma das famílias mais perigosas e influentes da França e do mundo.

– Então, isso também inclui Hector, certo?

– Não exatamente. Você pode ter o sangue correndo em suas veias, mas se não tiver prestado nenhum serviço para a família é como se não valesse de nada. Aliás, Hector não fez nada mais do que causar um grande tumulto e várias mortes. Se ele tivesse danificado um fio de cabelo de alguém da família, provavelmente o matariam sem pestanejar.

– Então Hector realmente matou aquelas pessoas sem nenhum motivo especial...

– Sim, o único motivo foi esse amor doentio que ele tem por você. Realmente deve estar sentindo-se uma pessoa um pouco ruim agora, não é?

Mal Claire terminou a frase, Hector pegou rapidamente um canivete que estava em seu bolso e o apontou para o pescoço da mulher. Ela teve uma reação incrivelmente inesperada, começando a rir quase que por impulso.

– Isso, me mate, Hector. – eles se encaravam sem sequer piscar os olhos. – Você não consegue, certo? Você é um monstro mesmo, mas não consegue nem matar alguém olhando em seus olhos. – ela continuava a rir. – Conte logo a verdade para Karine. Ou você teme o modo que ela olhará pra você depois?

– C-Contar o que? – Perguntei, enquanto fazia um sinal para que Hector parasse de ameaçar Claire com o canivete. Lentamente ele abaixou seu braço tirando o objeto pontiagudo de perto da mulher.

– O passado de Hector e tudo que ele fez. Quer ouvir? – Claire sorriu de forma assustadora.

Notas finais
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