O monstro dentro de nós
4 Claire
Notas iniciais
Logo atrás da mulher havia um helicóptero barulhento estacionado na grama. Enquanto estava parada incrédula sem conseguir me mover pelo espanto, Hector agarrou minha mão e andou em direção ao helicóptero. Assim que sentamos, a mulher entrou logo em seguida. As portas foram fechadas e imediatamente o helicóptero começou a voar.
Senti um frio na barriga, mas comecei a me acostumar. Aquilo parecia um sonho, algo irreal. Senti-me realmente como se estivesse voando, e ainda mais, voando para longe daquele lugar. E ainda melhor, estava com a pessoa que mais me importava naquele momento.
Logo parei de encarar a janela e comecei a observar aquela figura misteriosa. Aquela mulher era incrivelmente linda. Tinhas longos cabelos loiros e um rosto angelical que contrastava com seu orgulhoso sorriso que parecia nunca desaparecer de seu rosto. Trajava um vestido curto cor de rosa um pouco infantil e cheio de rendas.
E bem... Seus olhos, a descrição seria exatamente como os de Hector. Um azul gélido com um olhar vidrado. A mulher me encarou de volta e sorriu, depois olhou para Hector que estava sentando em meu lado:
– Oh céus, como você cresceu! E também virou um psicopata. É, faz bastante tempo que não nos vemos, não é mesmo? – ela riu como se aquilo fosse natural.
Hector simplesmente a ignorou, como se não houvesse ninguém em sua frente.
– Credo, ainda tem ressentimentos? Já é centésima vez que eu digo que o que eu fiz foi para o seu próprio bem.
Novamente, Hector não a respondeu e apenas continuo olhando para a janela. Aquele lugar ficou constrangedor e tive que dizer algo.
– Desculpe, mas estou meio confusa. Quem é você?
– Oh, que falta de educação a minha! Meu nome é Claire, é um prazer conhece-la.
– O prazer é todo meu. Meu nome é – fui cortada no meio de minha frase.
– Karine. Eu sei quem você é. – ela sorriu. Aquilo me assustou um pouco, mas resolvi apenas deixar para lá.
– Eu não sei se foi uma boa ideia ter vindo de helicóptero nos tirar de lá...
– Ué, por que não?
– Não sei, mas um helicóptero... Isso não é barulhento demais?
– Quando você suborna os seguranças tudo fica bem silencioso. — ela sorriu.
Naquele momento já havia até desistido de ter uma conversa normal com Claire.
– Não quero ser inconveniente, mas qual sua relação com Hector?
– Hector é meu irmão mais novo.
– Sério? Mas Hector me disse que ele não tinha família.
– Que maldade. – ela riu. – Bem, Hector é um pouco idiota demais pra entender o que eu fiz e por isso parou de acreditar que eu seja de sua família. Mas chega a ser engraçado, porque quando ele precisa vem me pedir ajuda.
– Bem... Mas como você consegue ter acesso a tudo isso realmente?
– Ah... Muita coisa aconteceu, sabe. Desde que Hector fez o favor de eliminar aqueles monstros.
Monstros? Naquele ponto estava até com medo de perguntar quem eram. Encarei Hector pra ver sua reação, mas ele simplesmente encarava a janela sem ao menos se preocupar em falar algo.
– Claire... Pra onde estamos indo?
– Bom ter perguntado, Karine. Estamos indo para o centro de corrupção desse mundo! Onde assassinos, traficantes, loucos, todos vivem uma vida livre de regras. Um lugar onde apenas os fortes sobrevivem.
– E por que estamos indo pra um lugar desse jeito? — Senti um arrepio atravessar meu corpo.
– Porque agora vocês são como todos que vivem naquele lugar. Fugitivos. Acha mesmo que vão apenas perdoar vocês se os encontrarem? Eles vão matar vocês dois e depois vão falar que reagiram ou algo assim. Eu vivi minha vida toda no meio desse crime, não é algo incomum de se acontecer.
– Eu... – Nem sabia o que falar. Parecia que finalmente havia entendido no que tinha me metido. E como me achava idiota por não ter notado antes que aquilo estava sem tornando algo que eu não saberia controlar.
Claire pareceu não se importar com o meu espanto, apenas continuava a me olhar como se eu fosse um pequeno ratinho que a divertia. Hector continuava a encarar a janela, mas apertou minha mão ao perceber que estava assustada. Aquilo foi um pouco reconfortante.
– Desculpe, eu acabei te assustando. – ela sorriu, apoiando seus cotovelos em suas pernas e me encarando mais de perto. – Mas nem deveria se preocupar tanto assim, não é como se eu fosse realmente permitir que meu irmãozinho ficasse desprotegido. Aliás, naquele lugar é como se eu fosse uma rainha.
– Como assim?
– Bem, eu faço parte de uma das famílias mais perigosas e influentes da França e do mundo.
– Então, isso também inclui Hector, certo?
– Não exatamente. Você pode ter o sangue correndo em suas veias, mas se não tiver prestado nenhum serviço para a família é como se não valesse de nada. Aliás, Hector não fez nada mais do que causar um grande tumulto e várias mortes. Se ele tivesse danificado um fio de cabelo de alguém da família, provavelmente o matariam sem pestanejar.
– Então Hector realmente matou aquelas pessoas sem nenhum motivo especial...
– Sim, o único motivo foi esse amor doentio que ele tem por você. Realmente deve estar sentindo-se uma pessoa um pouco ruim agora, não é?
Mal Claire terminou a frase, Hector pegou rapidamente um canivete que estava em seu bolso e o apontou para o pescoço da mulher. Ela teve uma reação incrivelmente inesperada, começando a rir quase que por impulso.
– Isso, me mate, Hector. – eles se encaravam sem sequer piscar os olhos. – Você não consegue, certo? Você é um monstro mesmo, mas não consegue nem matar alguém olhando em seus olhos. – ela continuava a rir. – Conte logo a verdade para Karine. Ou você teme o modo que ela olhará pra você depois?
– C-Contar o que? – Perguntei, enquanto fazia um sinal para que Hector parasse de ameaçar Claire com o canivete. Lentamente ele abaixou seu braço tirando o objeto pontiagudo de perto da mulher.
– O passado de Hector e tudo que ele fez. Quer ouvir? – Claire sorriu de forma assustadora.
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