O mistério dos Parker.

2 Capítulo 2- A decisão de se mudar.


Não sabendo como lidar com a rejeição, com o medo e com o ódio de todos que o cercavam decidiu que era a hora dele tentar recomeçar a sua vida quando dentro de sua casa Lynne não conseguia ficar a sós com o irmão, sempre acompanhada de alguém que, na visão dela, poderia defende-la caso algo acontecesse, ou ao longo dos passeios solitários pelos parques e bares percebia os olhares amedrontados seguindo sua passagem, algumas vezes chegara a ouvir palavras de ódio e maldição, mas a "gota d'agua" aconteceu quando decidiu jantar em algum lugar que poupava sua irmã da companhia de alguém como guarda-costas indo em direção a um restaurante sob olhares e palavras de baixo calão e, ao entrar e acomodar-se a uma mesa que escondia a maioria dos olhares e revelava alguns poucos, chamou o garçom para que pudesse fazer seu pedido. O pobre homem com uma bandeja na mão seguindo instruções superiores convidou P. a retirar-se do local alegando que o rapaz espantava os clientes de boa índole e com crianças, seguido de aplausos daqueles que assistiam toda a cena dramática o garçom acompanhou o garoto até a saída do restaurante sem lhe servir um mísero copo de água e, ao dar as costas ao menino, outros clientes levantaram-se prontos para intervir caso P. representasse alguma ameaça ao pobre homem trabalhador.

Aquele momento Parker percebeu que não teria mais volta, ele não poderia viver naquele lugar e estava mentalmente despreparado para passar por aquela situação novamente, não querendo ir para sua casa para não assustar a irmã e com fome o menino procurou algum supermercado ou qualquer outro lugar que ele pudesse comer ao menos um "pão seco" e em cada lugar que encontrava aberto havia muitos clientes preenchendo o lugar e o receio não deixou com que ele entrasse decidindo então passar aquela noite com o estômago vazio e na rua.

Amanhecendo o dia, Parker se viu deitado em sua própria foto nas noticias de um jornal qualquer, triste e com lágrimas no rosto, o menino que tinha tudo para ter um futuro brilhante pela frente se viu sem saída e a beira de um precipício, sua vida que outrora era demasiadamente confortável e alegre já não era mais assim, ele já não era mais o garoto bonito e sorridente, de boa educação que, por onde passava era recebido com calorosos "bons dias", "boas tardes" e "boas noites", ao invés disso agora era recebido com palavras de indignação e ofensas pessoais. Era cerca de meio-dia quando encontrou algo para comer, uma padaria vazia serviu-lhe um pão e um copo de café e então ele seguiu para sua casa pensando em tomar um banho quente e colocar roupas limpas, o que até então não fora privado ainda, mas quando chegou ao grande portão de sua casa se deparou com uma fechadura dourada e brilhante onde, na noite anterior, havia uma prateada, ele não tinha a nova cópia de chaves e sua irmã a essa hora já não estava mais em casa, será mesmo que teria como o dia piorar, perguntou-se o menino.

Na rua, sujo e com fome, P. parou em frente a uma igreja e, perdido em suas lágrimas, pensamentos e lembranças entrou para conversar com esse Deus a quem os pais sempre tivera muito apreço e fé e perguntar o porque de tudo aquilo estar acontecendo com ele e, nesse instante, mais lágrimas surgiam no rosto do garoto e a cada vez que ele pensava nisso intensificava-se suas lágrimas, mas o ápice foi quando pensou em seus pais e na falta que lhe faziam, o aperto no peito e a angústia tomaram conta do rapaz. Permaneceu ali por mais algum tempo, não sabia quanto tempo exatamente, pois estivera perdido em seus próprios lamentos quando percebeu uma presença do seu lado, virou-se e viu que o padre encarava-o de forma suave e gentil, com uma certa pena no olhar e admirou-se ao perceber que o mesmo estivera ali do seu lado por quanto tempo ele não sabia, mas apenas fazendo companhia para sua solidão sem pergunta alguma. A única pessoa que ofereceu-lhe um almoço decente, um abraço, um ombro amigo e conselhos que foram acatados por P. que, ao contar sua historia ocultou alguns fatores talvez importantes, recebendo do pobre velhote o conselho de pedir para o juiz que permitisse que ele se mudasse daquele lugar, onde ele pudesse recomeçar sem marcas, onde ele pudesse sentir o luto sem alguém para lhe julgar, e assim o fez.

Saindo da igreja com aquela ideia fixa na cabeça, foi direto falar com alguém que instruísse ele como fazer esse processo ou em como falar com o juiz e assim feito, conseguiu uma permissão judicial para mudar-se sob vigilância constante. Sem direito a herança ou qualquer outro bem deixado pelos falecidos pais, ele teria que trabalhar para se manter e alimentar e com todo o tempo que tivera a sós com seus pensamentos ele decidiu que era hora também de seguir o conselho de sua mãe e recomeçar seus estudos, duas coisas que ele nunca havia pensado antes e, por consequencia, nunca havia feito, não querendo aprender para assumir os negócios da familia ele teria muito o que aprender ainda. Acompanhado de dois policiais conseguiu entrar na casa que outrora tinha sido sua e pegar suas roupas e pertences para que tudo ocorresse o mais rápido possivel.

Lynne que havia herdado todos os bens da família recusou-se a também mudar-se e deixar a casa dos pais, mas também não escondeu o alívio em saber que logo estaria livre do irmão. Em uma semana P. conseguiu instalar-se e, por ordem da justiça foi mandado a uma cidade pequena onde poderia ser vigiado de perto por qualquer um, mas o garoto não podia sentir-se mais grato por tudo isso, não poderia ter-lhe acontecido nada tão bom quanto sair daquele lugar que tudo o que o esperava era a depressão (a não ser que tudo fosse, de fato, resolvido).

Notas finais
Por favor, digam o que estão achando. Obrigadinhaa, bjss
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.