O mistério da academia Wister
1 A descoberta dos herdeiros
As ruas se mantinham escuras, a falta de energia naquela parte da cidade era realmente preocupante. Não havia pessoas andando pelas ruas, elas estavam completamente desertas, exceto por um ser que caminhava de cabeça baixa. Os passos eram rápidos e suaves, tinham destino correto. Uma casa vermelha no final da rua. Algo nas costas do ser causava certo volume, porém por mais pesado que aquilo pudesse ser não causava nenhum efeito no caminhar daquela “sombra”. Sem muita demora ele se aproximou da casa que procurava, olhou a sua volta e logo seus olhos estavam fixos na janela do segundo andar, que de forma estranha estava entreaberta. Em um salto o corpo se deslocou para o parapeito da janela, este parecia ter voado até ali ou então era capaz de dar saltos de mais de três metros. A janela fora completamente aberta, de forma lenta e suave para que não causasse ruídos o ser adentrou o ambiente a procura de algo ou alguém especifico. Seus olhos pararam do lado direito da janela, algo ali lhe chamava a atenção. Uma leve brisa passou pelas cortinas e a luz da lua cheia iluminou o rosto branco e suave de uma jovem menininha que dormia calmamente, livre ou quase isso de todos os males. Um segundo ser pousou no parapeito da janela com um corpo sobre seu ombro direito. O que se via apenas eram seus olhos vermelhos rubis fixados na garotinha que adormecia calmamente.
–Trate de pega-la logo, precisamos ir!
A voz do ser sobre o parapeito era grossa e medonha, a voz soava como aquelas de monstros de filmes de terror que estão prontos para devora-lo. O primeiro ser mantinha-se imóvel com o olhar fixo na pobre garotinha, seu corpo não conseguia se mover e nada era visto deste. O maxilar se moveu brevemente, porém o som de passos na escada chegou ao ouvido deste que mais do que depressa correu para debaixo da cama da garotinha. O outro ser virou-se rapidamente batendo as costas na parede e se tornando oculto. A porta do quarto em questão fora aberta, o formato de uma cabeça surgiu, os olhos daquele que ali estava brilhavam e percorreu todo o quarto em busca de algo suspeito. Após não encontrar nada ele lentamente retirou a cabeça dali e fechou a porta. Os dois seres negros voltaram a aparecer e a observar a menina.
–Se ela sumir saberão que fomos nós! Não podemos tira-la daqui, ao menos não agora... Vamos deixar que tragam ela a nós...
O brilho dos dentes estampados naquele sorriso surgiu. O ser que se mantinha sobre a janela rolou os olhos observando aquele que parecia ser seu comparsa. Um suspiro fora solto pelos dois, eles aparentavam não querer deixar a jovem ali, queriam leva-la, porém sabiam que aquilo seria impossível, ao menos naquele momento tal ato seria tolo o suficiente para levar ambos a morte.
–É melhor eu devolver este rapazinho para sua cama. Vamos deixar os dois ai, algum dia voltaremos e os pegamos.
O primeiro ser apenas assentiu e se manteve no quarto observando a jovem garotinha. Nos lábios vermelhos da menininha estava estampado um pequeno, inocente e sincero sorriso de quem nada conhecia sobre o mundo e muito menos sobre si mesmo. O cenário muda como o céu em uma tempestade. Agora estamos em um outro quarto, um local com paredes estampadas com desenhos de aviões. Dois seres se encontram ali, um de pé ao lado da cama e outro deitado sobre esta.
–Itan ainda ira se arrepender de deixa-los aqui. Este mundo ira torna-los fraco... Seus dons serão desperdiçados como se nunca houvessem existido.
O ser que se mantinha em pé balançava a cabeça de forma negativa soltando um suspiro ou outro de vez em quando. Seus olhos estavam voltados ao corpo sobre a cama, um garotinho adormecia sobre esta. Uma pequena tosse forçada ecoou por ali, o segundo ser surgiu em silencio na janela.
–É o melhor para eles Ruan. A academia não ira ajuda-los em nada agora. Irá apenas deixa-los mais confusos.
O ser que fora denominado por Ruan se virou para aquele que estava na janela e soltou um risinho baixo. Girou nos calcanhares e começou a andar pelo quarto observando tudo, como se o que houvesse ali fosse estranho, como se ele nunca houvesse visto nada daquilo.
–A academia os tornaria forte, os tornariam seres de verdade. Não essas coisas mortais e frágeis que são.
Novamente sons de passos ecoaram pelo local, os dois homens se entreolharam e mais que depressa saíram do quarto em forma de fumaça deixando tudo para trás.Assim que a fumaça começara a se dissipar duas mulheres adentraram o quarto. Os olhos de ambas mostravam claramente o espanto e a preocupação. A primeira delas correu para perto do menino que adormecia calmamente em sua cama. A segunda fora direta para a janela e ficou olhando esta, parecia sentir que algo esteve naquele quarto pouco antes de adentra-lo. Seus olhos mudaram de cor rapidamente, obtiveram um tom de roxo purpura. Sua expressão deixava realmente aparente que de certa forma ela havia se desligado do mundo e apenas observava a janela e o interior do quarto.
–É o mesmo rastro que encontrei no quarto da garota. Eles estiveram aqui e sabem quem são essas crianças.
A segunda mulher caminhou até parar ao lado da primeira, uma segurou a mão da outra e fecharam os olhos. Uma pequena e inicialmente imperceptível luz roxa começou a sair do centro do corpo de ambas. Os lábios delas se moviam lentamente como se pronunciassem algo. A cada vez que os lábios se moviam e tocavam-se a luz crescia mais e mais e seu brilho crescia junto consigo. O que aquilo tudo deixa transparecer era que se tratava de algum tipo de feitiço, algo que fosse proteger ou não as duas crianças. A luz voltou a diminuir e sumiu como se nunca tivesse existido e com ela as duas mulheres se foram.
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