O misterioso caso de Alícia
1 A garota perdida
Notas iniciais
-Ei, você está bem ? — Escutei alguém dizendo enquanto meu corpo era chacoalhado.
-Estou — Falei ao me levantar bruscamente e coçar a cabeça — Onde estou ?
-Na floresta de Gaia — Disse uma garota à qual eu não tinha notado presença
— Nós a encontramos dormindo no chão e resolvemos te acordar, é perigoso dormir por aqui a essa hora da noite, se algum ogro tivesse te encontrado antes de nós você poderia estar sendo o jantar dele agora.
-Ogro ? — Perguntei sem saber do que se tratava
-Sim, ogros, sabe aquelas criaturas nojentas, medonhas e fedorentas, que sequestram pessoas e as comem membro por membro, órgão por órgão e por ai vai. — Disse o Garoto
-Ahn, me desculpem, mas eu nunca ouvi falar disso, quero dizer deles — Respondi olhando para o céu e percebendo que realmente já estava bem tarde para estarmos na floresta.
— Você está bem mesmo ? Tem certeza que não bateu a cabeça ? — Perguntou a garota com um olhar preocupante — Qual seu nome ?
— A.. Alí.. Alicía, eu acho, eu não me lembro de nada. -Respondi tentando remoer minhas memórias, mas não tinha nada, estava tudo em branco.
-Você não se lembra de onde veio ? Tem família por aqui ? — Perguntou o garoto segurando minhas mãos, com um olhar preocupado.
-Ahn, eu.. Eu não me lembro, pra falar a verdade eu não me lembro de nada.
-Certo Alícia, imagino que não tenha lugar pra passar a noite, eu e minha irmã moramos no final da floresta, gostaria de ser nossa hóspede ? -Perguntou o garoto.
Balancei a cabeça pra cima e pra baixo demonstrando que tinha aceitado a oferta.
-Ótimo, então vamos, a propósito eu sou Noah e essa é minha irmã gêmea; Nala — Disse Noah, fazendo gestos de apresentação.
Eles tinham uma extrema gentileza e eram bem simpáticos, aparentavam ter cerca de quinze anos, os cabelos de Nala eram cumpridos, chegavam um pouco a cima da cintura e tinha um tom castanho escuro, já os cabelos de Noah eram curtos e arrepiados, os olhos de ambos eram de um tom verde esmeralda, e não tinham mais que 1,60 de altura, se vestiam como típicos camponeses, aliás, foi nesse momento que eu percebi que estava com um sobretudo que ia do pescoço até um pouco acima dos meus pés e possuía uma capuz atrás.
-Obrigada — Respondi abraçando os dois ao mesmo tempo — Será que podemos ir então ? Esta ficando frio.
-Claro, vamos Noah — Ordenou Nala olhando para o irmão.
-Eu sou o homem aqui, eu que dou as ordens — Retrucou Noah, vermelho de vergonha.
-Ah claro, você que pensa, eu nasci primeiro, então eu que mando — Disse Nala alterando um pouco a voz.
-Isso é o que você pensa, tenho certeza que eu nasci primeiro — Retrucou Noah novamente.
-Ah, por que vocês dois não perguntam para os seus pais quem nasceu primeiro ? — Perguntei me intrometendo na discussão.
Os dois pararam a discussão e ficaram fitando um a cara do outro por uns dez segundos.
-Nós não temos pais. – Disse Noah, com os olhos avermelhados, demonstrando claramente que iria chorar.
— Sinto Muito – Disse tentando me desculpar por fazê-los lembrar de tal fato.
— Não precisa se desculpar isso foi há muito tempo já nos acostumamos com o fato – Disse Nala com um sorriso obviamente forçado – Bom, melhor irmos, não quero virar jantar de ogros.
-Certo, Alícia moramos um pouco depois da floresta, será uma pequena caminhada – Disse Noah, já tomando a dianteira.
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-Papa, vamos papa aguente firme – A voz agonizante da jovem garota podia ser escutada por todo o castelo – Valentim, tem algo que podemos fazer para ajuda-lo ?
-Sinto muito princesa, mas só podemos sentar e esperar a chegada dos curandeiros – Disse Valentim com voz suave e tranquila.
-Impossível, Valentim meu pai é rei, não podemos simplesmente sentar e esperar que os curandeiros cheguem, sabe se lá quanto tempo eles vão demorar, papa está ardendo em febre e .. – A jovem princesa é interrompida por Valentim que grita assustadoramente ao ver os curandeiros adentrando o castelo.
-Mas que demora, seu rei está em situações criticas e vocês.. – A princesa o interrompe
-Esta tudo bem Valentim, ao menos eles já chegaram – Disse a jovem docilmente tentando acalmar Valentim que nesse momento parecia mais nervoso que ela mesma há poucos segundos atrás – Por favor, entrem meu pai está de repouso.
Gritos de dor podiam ser escutados por todo o canto, a voz do rei era de cansaço e mistura de agonia, após longas horas de gritaria vindo de seu quarto, elas se cessaram e os curandeiros saíram completamente exaustos, um deles se dirigiu á Valentim e disse algo em seu ouvido, os olhos de Valentim demonstravam puro espanto e tristeza.
-Impossível!
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