Em casa já, Adelia corre para o quarto, passando como um vulto pela cozinha deixando seus pais e Moriah se entreolhando assustados, ela decide guardar a corrente que achou, mas fica curiosa para saber o que quer dizer ''Το κορίτσι των θεών'' escrito no pingente e se aquilo pertencia a ela ou quem seria essa outra Adelia.

Ao voltar a cozinha, seus pais lhe perguntam o que aconteceu.

"Você está bem Adelinha? Está pálida."

"Sim papai, estou bem ..."

"Ok, Adelinha ..." seu pai lhe deu um beijo na testa, se despediu de sua mãe e de sua irmã e foi trabalhar.

Baltasar, assim se chamava seu pai, autoritário, porém carinhoso, cheio de amor, super. protetor e preocupadíssimo com suas filhas, seus "tesouros", trabalhava com os outros homens dos arredores de sua propriedade, caçando e protegendo suas casas e famílias.

Baltasar tinha como costume dizer que Adelia era especial, o que deixava Moriah queimando de ciúmes, mas não as tratava de maneiras diferentes, amava as duas da mesma maneira, igualmente.

Adelia não compreendia o porque dele dizer que ela era especial, ficava então com um pé atrás, pois era muito desconfiada, mas isso não a impedia de ama-lo incondicionalmente.

Após a saída de seu pai, sua mãe a indagou sabendo que havia um motivo concreto para Adelia estar daquele jeito.

"Anda menina, pode começar a falar!" — Amélia era muito mais durona que seu marido, tinha pulso firme com as meninas e as conhecia como ninguém, sabia que aquele semblante assustado e um pouco curioso, não era o semblante de Adelia.

"Ela anda estranha mamãe, desde que eu encontrei o livro no escritó..."

"Cala boca, guria insuportável!" Adelia pulou pra cima de Moriah, tampando com as mãos a boca da irmã.

"Que livro? O que vocês andam aprontando??" — Amélia como de costume colocou as mãos na cintura e franziu a testa.

"Moriah, mamãe. Menina enxerida encontrou um livro um tanto quanto diferente no escritório de papai, e desde então tenho tido sonhos estranhos com deuses e outros seres dissemelhantes, reunidos em um lugar que não me parece estranho, mas não consigo lembrar onde o vi, e parece que estavam ali esperando por algo importante ..." — Adelia para de falar e olha para a mãe que agora já esta sentada com cara de espanto e medo — "Você esta bem mamãe?"

Amélia suando frio balançou a cabeça em sinal de afirmação e logo pergunta — "Como é esse livro?"

As meninas então explicaram. Um livro groso, capa dura marrom com um símbolo que era uma junção de vários outros, só não sabiam o que tinha dentro pois estava trancado e era uma tranca diferente, parecia que não era exatamente uma chave que abriria aquela fechadura.

Amélia então mandou que Moriah fosse pegar o livro.

"Aqui está mamãe." — Amélia tomou o livro das mãos da filha mais nova e ordenou — "Fiquem longe desse livro, e parem de procurar chifres em cabeça de cavalo!"

Moriah e Adelia se olharam sem entender o porque de tanto mistério em relação aquele livro. Ficaram ainda mais curiosas e desistir de descobrir o que tudo isso significava estava longe de fazer parte de seus planos.

Preocupada, desconfiada e assustada correu ao encontro de Ramsés que misteriosamente já estava lhe esperando do lado de fora de sua casa.

"Ramsés, as vezes acho que estamos ligados por pensamentos" E um pulo subiu em seu dragão "Acampamento Lamalecatos!"

Adelia então decidiu ir encontrar Hadassa para lhe contar o que tinha acontecido e todo o suspense que sua mãe havia feito.

Ao chegar no Acampamento foi recebida pelo pajé Raoni — "Bem vinda Adelia, menina especial"

Obviamente isso inquietou Adelia.

"Porque especial pajé?" — sorrindo e com os dedos, indicador e médio, tocou a testa e disse — "Procure nos sonhos." — E se afastou.