Notas iniciais
Boa leitura!

O dia estava um pouco longe de clarear, quando Adelia acordou de mais um sono perturbado por seus incessantes sonhos. Assustada e irritada por mais uma vez acordar dessa maneira, decide ir dar uma volta com Ramsés.

Levantou e caminhando no escuro, sem querer esbarrou na cadeira derrubando o tal livro misterioso que tem causado tanto alvoroço.

"Droga! Isso já está virando perseguição."

Moriah acordou com o barulho, assustada, revelando que o livro também tem lhe causado um pouco de medo.

"O que aconteceu Lia? Que barulho foi esse?!"

"Quieta Moriah-intrometida, só esbarrei na cadeira. Volte a dormir, não é hora de acordar."

Caminhou até o banheiro, sem conseguir tirar da cabeça os sonhos que por algum motivo não conseguiam deixar de incomodá-la. Olhou-se ao espelho e consequentemente viu sua imagem. Menina magricela, morena, cabelos escuros, olhos grandes. Tentando encontrar algo que a ligasse com alguém que via em seu sonhos, tentativa em vão.

Pegou em tão seu casaco, suas botas e saiu. Ramsés como de costume já a esperava, feliz em vê-la, como se estivessem tempos afastados, o que não era verdade.

"Como vai meu amigo? Dormiu bem?" — Ramsés a olhava encantado, com os olhos brilhando, demonstrando o amor e o carinho que tinha por ela — "Sorte sua meu amigo, sorte sua."

No céu, cabelos ao vento, uma brisa maravilhosa soprando em seu rosto, era onde Adelia se sentia em casa. Nas costas de Ramsés, sentia segurança, era como se ela estivesse ali sozinha, da maneira que a fazia pensar que ela estivesse voando.

Era nessas horas, nesses momentos, que ela esquecia de todos os seus problemas, esquecida das suas preocupações, ali ela era livre, a cima das nuvens em um lugar que podia chamar de seu.

Ramsés desceu em tão, atravessando ferozmente as nuvens, fazendo Adelia gargalhar de emoção. Agora já podiam avistar as copas das árvores, e entre elas a galopear velozmente estava Sebastian carregando, é claro,Hadassa em suas costas, que acenava loucamente para Adelia.

Como era hábito, correram e voaram, tão rapidamente como se aquilo ali valesse a vida de cada um deles, tudo aquilo alegrava Hadassa, de uma maneira que até parecia que a vida dela dependia daqueles momentos, era como uma carregador de energia, a fazia sentir viva.

Chegaram então na Cachoeira de Cristal, pobre Sebastian esbaforido foi o primeiro a se jogar nas águas cristalinas da cachoeira, relinchando loucamente como que chamando as meninas para se refrescarem juntamente com ele.

"Nem pensar Sebastian, a essa hora a água deves estar ..." — E então Adelia já estava dentro da água, Hadassa não a dava opção, era sim ou sim — "Hada, sua aparvalhada, entre aqui agora e você vai levar a maior surra de sua vida!"

Antes mesmo de terminar de falar Hadassa já se encontrava submersas nas águas, fazendo Adelia rir exageradamente. Era de costume quando Adelia estava acompanhada de Hadassa, risadas extravagantes que as vezes até a deixavam sem ar. Adelia amava tudo aquilo ali, Hadassa então, não sabia viver sem.

Hadassa, fisicamente, não era tão diferente de Adelia. Cabelos longos, pele morena, estatura mediana, olhos pequenos, escuros como a noite, descendentes dos Lamalecatos, tribo indígena, deixava bem claro suas origens, desde a maneira de se vestir até ao arco e flecha que carregava para todo o canto.

Apesar das risadas e brincadeiras, Hadassa sabia que havia algo nos olhos de Adelia que deixava claro, que algo afligia sua amiga. Sentaram-se nas pedras, à beira da cachoeira, e Hadassa como de costume e conhecendo sua amiga perguntou a Adelia se estava tudo bem.

"Ah Hada, tudo bem sim. São só esses sonhos estúpidos que acabaram com minhas noites tranquilas de sono."

"Ta, farei uma poção que o pajé ensinou esses dias pra ..."

"Ta loca Hadassa, não quero morrer, não vou tomar nenhum veneno do pajé." — Hadassa riu. — "E outra, duvido que essa macumba ai resolveria meu problema."

O sol já dava sinais que o dia já amanhecia, e já era hora de voltar. Ramsés já se preparava para a volta quando Adelia se vê cega pelos raios de sol refletindo em algo à beira da cachoeira. Ao semi-serrar os olhos e se abaixar para ver o que era, encontrou uma corrente com um pingente, no qual estava escrito "Το κορίτσι των θεών" e ao outro lado "Adelia". As duas meninas se olharam perplexas. Era hora de voltar para casa.

Notas finais
Até o próximo capítulo. Bjos