Notas iniciais
Ficar preso em uma recepção onde qualquer um é suspeito, deixa todos com o nervo a flor da pele

— Mãe? Fica tranquila, aqui está tudo bem! Hoje no navio conheci um chefe de cozinha e ele me ensinou muita coisa, quando eu chegar em casa de novo você será a primeira pessoa a provar meu delicioso tempero novo! Falaram que a partir de agora ficaremos sem sinal. Quando chegarmos na ilha falo contigo novamente. Te amo! — Yash digitava pela última vez no seu Whats.

AGORA

Uuuurch... – Yash jogado todo queimado não consegue nem se mexer direito, seu rosto está praticamente desfigurado, suas mãos cheio de pus, praticamente nu e todo em carne viva.— M.. Me... Meus Deus. – No momento que ele consegue se expressar o seu celular que caiu antes, começa a tocar no chão. Yash tenta se mover mas não consegue. Com todo esforço se joga no chão e começa a se rastejar até ele, quando chega próximo percebe ‘’ MÃE’’ na tela. Seus braços estavam completamente sem força não conseguia chegar ate o celular. Um choro engasgado sai dentro dele que fica jogado de bruços.

— Quer uma ajuda pra atender a mamãe? — Patrick abre a porta com um palitinho de dente na boca. – Vou te dar uma opção bichinha. Quer ficar vivo e parecer um zombie pro resto da sua vida, vegetando? Ou te mato agora? – Ele para por um momento e prossegue— Mas infelizmente a chefia falou que vai ser mais tortura ainda... Porém você morre e acaba o sofrimento. O que decide frutinha?

NO TUNEL

—- Vamos gente! Onde fica o final desse túnel pelo amor de Deus – Ana Be estava desesperada na frente tentando achar a saída.

— Calma. Não adianta se desesperar agora. – Henrique baleado no braço tentava manter o controle.

— Ele tem razão. Temos que manter a calma. No mapa mostra a saída. – Mesquita fazia seu trabalho de chefe do grupo.

— Só continua. – Grasi estava estressada.Uma risada bem sarcástica surge no meio do túnel. Todos param e olham ao redor

— Comecem andar mais rápido! – Mesquita que era o ultimo deles cochichou e parou.—Levem ele em segurança. — Pegou o mapa que estava com ele e deu pra Grasi.— Você está no comando agora.

— Espera! Você não pode fazer isso seu idiota! – Grasi parou também e pela primeira vez seu tom mudou.

— Eu vou ficar bem. Precisamos dele vivo! – Olhou pra Grasi aparentemente bem emocionado e deu um sorriso. – Eu quero e preciso fazer isso. – Se virou e voltou, sumindo na escuridão.

— Não seu imbecil! – Grasil deu uma leve gaguejada, dando na cara que tava segurando o choro, mas seguiu firme.— Vamos pessoal! Não podemos parar!

NA RECEPÇÃO

— Alguma coisa aconteceu no porão. Eles não voltaram até agora! – Martinato vigiando a janela. – Tem alguma coisa errada. Será que estamos seguros nessa recepção velha? – Foi ate o barzinho que tinha na recepção, vasculhou algumas coisas e achou umas bebidas alcóolicas. – Se sairmos vivos daqui, eu prometo levar todo esse estoque. – Abriu uma garra de whisky e começou a beber.

— Você realmente acha que é o momento pra encher a cara? – Erick se aproximou de Martinato.

— Eu estou cansado Erick, sempre eu que tenho que tomar as rédias desse bando de energúmenos, jovens babacas e filhinhos de papais que só pemsam em sí próprios. – Erick interrompeu.

— Calma eu te entendo. Também estou meio confuso e chateado. Por isso vou beber também. – Foi pegando uma garrafa quando foi brutalmente interrompido.

— NÃO! – Cheguei tentando botar uma ordem. – Vocês estão malucos? Não estamos em uma HP que onde o maior problema é os PTS que as pessoas dão. Estamos presos em uma Ilha com um ou mais psicopatas, sem acesso a nada. Voces acham realmente que beber agora é a hora certa? Se acharem boa sorte, é um pé para estarem mortos também. – Olhei para o Martinato e continuei.— E que raio de ‘’GUIA’’ é você seu babaca? Um guerreiro de verdade não desiste por nada, você só está se mostrando mais um filhinho de papai como mencionou aqui. – Parei e continuei –o encarando. – Talvez seja isso. Somos um bando de idiotas egoístas. Estamos nem aí para ninguém... – Fui interrompido com um murro na cara.

— Não acha que já falou demais? – Martinato largou a garrafa na mesa e me pegou pela gola da camisa me prensando na parede. – Ou será que não estou diante do psicopata mencionado naquela carta? Estranho você estar vivo depois de ficar cara a cara com aquele caipira doente né? – Não consegui ter uma reação, até porque eu mesmo acabava parando e pensando. ‘’ Será que tudo isso é por causa de mim?’’

Para vocês dois!! – Julia junto com os outros nos separavam. – Não percebem que é isso que eles querem? Vamos ter calma! – Olhava pra mim com uma cara de aprovação.

— Quer saber... Que se foda também. – Martinato pegou sua garrafa foi até sua mala e guardou, colocando nas costas. Tirou um maço de cigarro e pegou sua espingarda. — Eu sei me virar muito bem lá fora. Ele quer uma isca? Terá!

— Espera Martinato! Ficou maluco? – Luana foi até ele

— Talvez eu tenha ficado. – Acendeu o cigarro, jogou a espingarda no chão, ajoelhou-se, abriu sua mala e pegou seu radinho que falava com o Alex jogando toda sua emoção presa começou a chorar que nem uma criança. – A culpa foi toda minha!

— Isso. Chore! Tira toda essa emoção negativa que está guardada em ti. – Luana falava e começava a chorar também. — Vamos sair daqui e honrar todos que nos deixaram nessa ilha. – Todos da recepção se juntaram e fizeram uma roda no chão, inclusive eu. Nessa altura do campeonato a maioria estava bem emocionada. Foi um apelo de desabafo.

— Vocês não entendem! Eu pude ouvir tudo. – Martinato continuou. – Cheguei até a Aldeia que o Alex estava e tinha um objeto dele pessoal, jogado no chão. Tocava uma musica bem baixa de rock, onde o tema era morte. Só de entrar lá eu me arrepiava todo.

— Como assim Alex? – Gabe junto com os outros estavam paralisados com a tal revelação.

Nesse momento o radio tocou... Era o Alex pedindo Socorro pois tinha prendido a perna em uma armadilha. No susto esbarrei na cadeira e cai, fazendo voar da minha mão o meu radio. No exato momento pude ver uma poça de sangue vindo em minha direção, eu paralisei. Não demorou nada e comecei ouvir a voz do Alex desesperado, eu conseguia ouvir as chamas corroendo ele, e eu pude ouvir uma outra voz falando uma frase estranha eu não conseguir ir até a porra do radio perguntando onde ele tava pra eu ir correndo – o ajudar. – Pausou. – Eu... Eu pude ouvir ele dando seu ultimo suspiro, seguido de uma risada completamente sarcástica que fez todo meu corpo arrepiar e continuar paralisado de medo. – Começou a chorar. – Fui um verdadeiro covarde! Não ajudei um primo meu. Uma pessoa do meu sangue!
Esse meu jeito bruto é uma forma de não mostrar quem realmente eu sou por dentro. – Martinato olhava pro nada dando leve suspiros e tragando seu cigarro.

— Você não é um covarde. – Interrompi o silencio. – Na realidade ninguém aqui é, por alguma razão estamos aqui, todos nós queremos uma coisa. Sobreviver! Quando dei de frente com o Patrick fiquei com medo, mas a raiva ainda era maior. Quando apaguei e fui parar aqui fiquei completamente confuso de tudo. – Olhei pra todos. – O Martinato tem razão pessoal. Eu sou um suspeito, confesso que eu mesmo estou preocupado com esses apagões meus. – Levantei e fui em direção ao armário de armas. – Cansei de ser o ratinho que se esconde. – Todos se assustaram, foi nítido. – E essas expressões comprovam o que estou dizendo. Vou me isolar de todos. Irei até a aldeia e ficarei por lá. Vocês sabem onde estarei, tranquem tudo logo quando eu sai... Se realmente eu for culpado de algo, não quero mais soltar esse monstro que fica dentro de mim. – Abri a porta e parei.

— Não faça isso Rodrigo. – Julia me agarrou por trás.

— Não tenho escolha Julia. Estou realmente assustado comigo. – Fui sincero.

— Nessas ultimas semanas passei a maior parte do tempo com você. Em nenhum momento me senti com medo ou algo do tipo. Pelo contrario, eu te conheci melhor e me interessei por esse Rodrigo. – Me virou com os olhos cheio Dágua.

— Você não deve ir mesmo, se você apagar prometemos que te amarramos só por segurança. – Everton apoiava a decisão de Julia.

— Eu vou ficar bem... – No momento que ia saindo um som de tiro surgiu para o lado do porão.— Que foi isso? – Virei assustado.

— Um tiro! – Everton tomou a dianteira. – Nossos amigos estão lá! – Correu assustado até sua arma.— Rodrigo essa é a hora de mostrar que não é o assassino. Vamos até lá! O resto pode ficar por aí. Quanto mais gente pior. Fiquem em alerta! – Everthon estava aparentemente bem agitado.

— Eu vou junto! – Luana interrompeu.

— Como assim Lua, fique aqui e estará protegida. – Gabe ainda com o pé machucado se mostrava indignado.

— Chega de se esconder amor... Eu sou a única que não está indo a luta. Talvez aquela menina que ficava desesperada com uma espinha, caiu na real. – Deu um beijo nele e se juntou a nós.

— Então eu também vou! – Gabriel foi levantando.

— Não nascemos grudados Gabriel. Se recupere e quando estiver pronto, volte para a guerra. – Se virou.— Vamos! – Gabriel foi dar um passo e caiu de dor.

NO PORÃO (MOMENTOS ANTES)

— E ai? Não vai responder? – Patrick olhava para Yash com um olhar assustador.— Turururu. Um dia eu encontrei uma bicha... Começou a cantar e foi em direção a uma malinha de ferramentas. – E ela pegou fogo e explodiu... Mas a bicha sobreviveu... – Abriu á mala e pegou um bistori, um alicate, uma linha e uma agulha. – Será que ela é imortal? Ou será que é um Zombie? Será que vale ser costurada... – Foi andando até Yash. — Ou matar o Zombie... – Agachou na frente dele e deu um leve sorriso. – Você é corajoso rapaz. Se fosse mais bonitinho até aceitaria uma chupadinha sua... – Gargalhou. – Tá na hora de sentir mais dor. – Yash da expressão de dor se tornou em ódio.

— Pode ter certeza que não vou me entregar á você. – Guspiu na cara de Patrick.

— Vai sentir sim. – Pegou o alicate e foi até os dentes de yash e parou. – Puta que pariu. – Sentou no chão e ficou olhando pro moribundo.— Você conseguiu me convencer pelo silencio garoto. Eu nunca ví uma pessoa tão deformada como você ainda resistir...

— Eu já estou morto. – Yash com uma dificuldade de falar interrompeu.

— Realmente! È impossível você sobreviver nessa condição. – Pegou seu revolver. – Você tem muita sorte que sou eu que vou te matar, se fosse a outra pessoa... Estaria em pedaços agora e ainda vivo. – Apontou a arma.- Suas ultimas palavras zombie.

— Sua morte vai ser vezes pior que a minha. – Yash começou a rir descontroladamente, Patrick ficou sério e atirou na cabeça dele.
Olhou por cinco segundos para Yash e voltou a dar sua risada sarcástica.

— Agora só falta mais um por hoje. – Patrick saiu do porão e foi em direção ao túnel. – Estou chegando ratinhos!



PERTO DA RECEPÇÃO

Eu não estou gostando de nada disso. – Everthon na frente estava apressado e apontava sua arma.

— Temos que pegar todos e sair dessa recepção. Não estamos seguros aqui! – Erick assustado vigiava.

—Vamos mais rápido! – Everthon finalizava a conversa.


NO TÚNEL

Mesquita depois de ouvir o barulho vasculhava o que tinha acontecido. Seguiu o outro caminho que o grupo não pegou, e encontrou uma sala toda empoeirada e com um cheiro de esgoto horrível. Pegou sua arma e lanterna e foi andando lentamente nesse quartinho que dava junção á outras portas.

— Bem provável que eu morra agora. Mas vou morrer como um verdadeiro escoteiro. – Ele dava risadas sem graças. – Esse lugar fede mais que a boca do Castellano. SE O PSICOPATA ESTIVER AQUI, É A HORA DE APARECER! – Ouviu um barulho de passos. – Opa, parece que está querendo brincar de esconde esconde! – Foi em direção aos passos até que uma luz bem forte foi certeiro na cara dele.— Caralho! – Quando a luz sumiu sua visão ficou turva e foi voltando aos poucos, dando de frente com Patrick que deu um soco na cara dele. Mesquita caiu no chão e deixou cair sua lanterna, arma e seu óculos. Sem enxergar direito foi pondo a mão pelo chão procurando a arma, levando mais um chute nas costelas.

— Podia ser você frangote! Mas ainda não. Procure seus objetos! – Mesquita conseguiu achar a lanterna, logo acendeu e já encontrou seu óculos, mas a arma não. Focou a lanterna pra frente e viu Patrick atrás de uma grade com sua arma.

— BU! – Fechou a grade e trancou. – O frangote está preso agora. Ou posso chamar de o Herói frangote? — Deu uma risada. – Falhou miseravelmente Bebe... Você tentou salvar seus amigos, mas só piorou a situação. Quem eu devo matar e pegar a cabeça? Do baleado? Ou talvez a putinha que anda com ele? Ah! Acho que uma bela exposição seria aquela bonitinha de cabelo curto. Estou pensando em pegar ela viva antes e me divertir.

— Não encoste nela! – Mesquita foi até a grade e tentou puxar o braço dele. – Me mate agora se não eu vou te matar depois. – Grudado na grade mostrava um ódio muito forte.

— Bem vindo ao jogo amigo. Chegou a hora de pegar um rato no túnel. – Patrick saiu rindo deixando Mesquita sozinho e preso.

— NÃO! — Começou a gritar. – Correm! Correm pessoal! Ele está vindo até vocês! – Gritava desesperadamente, Patrick ia se distanciando cada vez mais, cantarolando.

Notas finais
Agora fodeu