Venta muito aqui onde estou sentada. Os meus cabelos não estão voando perfeitamente como a Pocahontas, na verdade, eles cobrim os meus olhos e eu apenas vejo a vista por cima da escola pelas brechas.

Eu me sinto livre. Finalmente, eu pude soltá-los sem me importar com os comentários dos outros.

Eu devo ser mesmo insensível por não soltar uma lágrima por estar aqui, prestes a me jogar.

Eu balancei as minhas pernas. Dei um sorriso bobo ao perceber que nem tudo foi sofrimento.

Eu não vou começar a lembrar das coisas ruins que me ocorreram, mas não vou me lembrar para desistir de me jogar, pois se eu ficar vou sofrer ainda mais.

O meu riso ficou ainda mais bobo ao me lembrar do sorriso de Gabriel quando não entendia quando eu falava rápido ou de quando me irritava por eu jogar o "jogo de viado", como ele diz.

Acredito que eu nunca ter lhe dito a verdade é o que mais me magoou. Será que eu ainda estaria prestes a me jogar se o tivesse dito ou, quem sabe, eu tivesse me jogado há tempos atrás?

Olho para baixo e vejo todos como formiguinhas. Eu vejo Milena, uma garota da minha classe. Ela tem o mesmo nome da mulher do meu padrinho.

Eu me lembro de quando eles me deram um fone de ouvido para computadores e um perfume caro no meu aniversário.

A minha outra madrinha me deu o meu primeiro celular.

Eu ainda não entendo: do que serve tantos presentes para pouca presença?

O vento bate mais forte e faz o cadeado bater contra a grade. Eu o havia quebrado e logo terminaria o intervalo.

Me viro trás e desço, mas subo novamente sentindo os sapatos escorregarem pelos meus pés.

Talvez, na outra vida eu faça as escolhas certas.

Logo, no lugar dos sapatos nos pés, eu não sentia mais o chão.

Eu sorria, como os meus heróis.

Eu estava livre para voar, mas antes, teria de cair. Não no fundo poço, pois nele eu caí mais figurativamente.

Eu voei.

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