O mensageiro

1 Capítulo 1 - O Sol


A
Vida
É mais
Do que
Vemos

Os raios de sol invadiam a casa do pequeno pensador.

Ainda enrolado em seus lençóis desfrutava de um sono leve e gostoso. Ao canto do seu quarto um uniforme padrão de um lugar qualquer, de um trabalho qualquer. Não importa! O que realmente importava é que ele estava bem. Estava descansado e estava feliz. Feliz o suficiente para mais um dia de trabalho, mais um dia de aprendizado.

Se dispôs a levantar sorrindo como na promessa que havia feito. Espreguiçou-se para o sol, e ofereceu um afago aquele astro do dia, que irradiava força e vitalidade já pelas manhas.

- Bom dia ! Sol!

O astro que inevitavelmente tinha sua soberania, sua importância, respondeu de forma calma, e gaguejada.

- B...b...bom dia !

O sol era realmente estranho. Por mais que irradiasse toda vitalidade e pudesse mostrar suas vontades pelos raios que banham as plantas, ou a luz que ele traz para as manhas, incrivelmente ele era inseguro. O sol tinha olhos lindos, e um sorriso impecável. Mas era apenas uma nuvem para estragar o dia. A sombra que ela projetava em determinado local era o suficiente para deixar o sol desanimado, era o suficiente para deixar o sol triste. E o sol realmente não sabia o que fazer. Não sabia se pediria licença a dona nuvem, ou se simplesmente ficaria ali. Brilhando. Esperando com que sua juventude retornar ao passar daquele pequeno ponto branco no céu.

O garoto voltou para o quarto enrolado em toalhas, havia tomado um banho para animar seu espírito e começar bem disposto aquele dia. Foi até a janela para cumprimentar novamente o sol, olhou para um lado e não viu nada, olhou para o outro e também não viu nada. Ficou desesperado e gritou aos céus.

- SOOOOOOL!?! Cadê você?

O sol deu as caras sobre uma montanha, estava aparentemente triste, acanhado, escondia-se por algum motivo. Ouvia-se sussurros e lamentos.

- Senhor sol! O que traz o seu pranto?

- Perdão jovenzinho. É que perdi meus raios para aquela nuvem, e eu já não posso iluminar tudo. Sou realmente um péssimo sol.

- És um péssimo sol? Ora ! Mas que isso. Olhe senhor sol. Volte para o seu lugar!

- Mas jovenzinho...- ( O sol fora interrompido)

- AGORA!

O sol voltou incrédulo, estava obedecendo as palavras de um garoto.

- Preste atenção! Tudo aqui depende de você. Desde a felicidade das plantas, até o ar que eu respiro. Quase tudo depende da sua força, quase tudo depende de ti. Fato que alguma parte nem sempre você ira iluminar mas, sabes sol ?

- O que ... Jovenzinho ?

- Se tem uma coisa que eu aprendi é que nem tudo podemos fazer sempre. Entende?

- Não muito bem... O meu dever era iluminar, e nem isso consigo fazer direito. Essas nuvens me atrapalham, e mal gosto de falar com elas, maldito seja quem cria essas coisas.

- Então amaldiçoa a ti mesmo ?

- Como assim ?

- Ora... Mal sabe de onde vem as nuvens, e já queres julgar as coitadas ? Elas vem de ti. Vem de ti que esquenta os oceanos e cria esses pequenos algodões que pairam pelo céu.

- Mas, sério ?

- Sim, Ora ! Os oceanos e Lagos dependem de ti. Pois você rega eles nos dias de folga. Quando as nuvens se reúnem e fazem uma festa ai no céu.

- Mas... Quer dizer que essas nuvens são ... são... filhos ?

- Talvez... Encare como quiser. Embora não falem a mesma língua, ela sabe da tua importância e não entende o por que fazes isso.

- Nossa... Então quer dizer que ... eu ficava a ter desentendimentos comigo ? Que coisa mais... estranha !

- Entendas. Não podes julgar aquilo que não conhece, e nem tente atribuir valores aquilo que desmerece. Tudo tem sua respectiva importância, e não se sinta incapaz por que uma nuvem estraga o teu brilhar. Pois talvez no final do dia... quem sabe não haja um arco-íris transpassando pelos céus.

- Ora... Obrigado Jovenzinho... Vá bem! Bom trabalho !

- Nada senhor sol. Lembre sempre. Nada pode estragar o seu brilhar. Não importa onde esteja, és e sempre será o sol !

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